3. Numerical Reservoir Model
3.5 Results and discussions:
3.5.3 Section 3
Na pesquisa, foram utilizados prioritariamente os seguintes instrumentos de coleta de dados:
Questionários
Rodas de conversa Oficina de trabalho
4.4.1. Sobre os questionários e roteiros de entrevista
O questionário foi aplicado presencialmente junto aos estagiários e virtualmente com egressos referentes aos anos 2010 e 2011. No caso dos primeiros, os questionários foram entregues em um envelope na recepção de cada SEP durante o segundo semestre do ano letivo de 2012, sendo recolhidos após um período de aproximadamente dois meses. Quanto aos egressos, disponibilizamos um questionário online, o qual foi encaminhado via Conselho Regional de Psicologia 17 aos inscritos nesse Conselho durante o ano de 2011 (egressos de 2010 e 2011).
Os questionários versavam sobre os seguintes aspectos: atividades ofertadas pelo SEP; atividades desenvolvidas pelo estagiário/egresso; relação entre os conteúdos relativos à formação do psicólogo vistos na graduação e as práticas desenvolvidas no Serviço Escola; relação do SEP com as políticas de saúde e assistência social; grau de satisfação com o funcionamento do SEP e contribuição para a formação profissional; sugestão(ões) para (r)estruturação e funcionamento do SEP (Apêndice A).
O questionário presencial acompanhava um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice B), informando sobre a pesquisa, o qual foi aceito por todas as instituições envolvidas. Já o questionário online apresentava um TCLE automático para a resposta, aprovado pelo CRP 17, ou seja, caso o psicólogo (egresso) respondesse ao questionário, automaticamente, ele estava formalizando o seu consentimento quanto ao uso das informações para os fins da pesquisa.
Quanto às entrevistas, foram realizadas 29, entre os anos de 2011 e 2012 (11 supervisores acadêmicos dos SEP; nove TNS e nove gestores), a partir de dois roteiros, sendo
que, para supervisores acadêmicos e TNS, solicitamos ao(a) entrevistado(a) que fizesse uma descrição do SEP, falasse sobre o seu ensino/trabalho e contribuições do SEP para a formação; o segundo tema foi sobre as DCN e sua aplicação ao SEP; o terceiro assunto foi sobre as práticas desenvolvidas no Serviço-Escola e sua relação com a política/rede de saúde e de assistência social. Por último, pedíamos sugestões para a estruturação e funcionamento do Serviço-Escola.
O roteiro para os gestores foi elaborado tomando como base as DCN para a formação em psicologia, a relação dos SEP com as políticas públicas de saúde e de assistência social, ou seja, seguiu a temática das entrevistas com supervisores acadêmicos e TNS, acrescidas de indagações sobre a possibilidade de resistência à adesão às DCN e consequentes práticas realizadas no SEP.
Desse modo, todos os roteiros, seja dos questionários, seja das entrevistas, foram elaborados tomando como base a associação de ideias sobre Serviço-Escola/formação em psicologia; Serviço-Escola de psicologia/política de saúde e de assistência social; Serviço- Escola de psicologia/Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação em psicologia (Apêndice A).
4.4.2. Sobre rodas de conversa e oficina
As rodas de conversa foram incluídas como instrumento ao mesmo tempo de coleta de dados como também uma modalidade de intervenção, com o objetivo de promover uma discussão sobre o lugar do SEP na formação em psicologia e a geração de propostas para o seu funcionamento e estruturação.
A roda de conversa foi adotada porque é um instrumento que permite o engajamento da pesquisadora para além da descrição passiva da realidade. A roda é um momento em que a
pesquisadora, que na entrevista só dava o mote para as falas, é convocada a assumir um lugar ativo junto aos demais participantes e se posicionar perante eles.
Através das rodas de conversas acontecem encontros dialógicos e por meio deles são produzidos sentidos entre os participantes. No processo, surgem as falas permeadas por valores, normas, elementos da cultura, práticas e discurso. (Sampaio, Santos, Agostini & Salvador, 2014). Na roda, acontecem discussões a partir de tópicos específicos, na qual os participantes podem emitir sua opinião e revê-la, refazê-la e produzir mudança na opinião de outros participantes.
Desse modo, as falas são apreendidas como expressão dos modos de produção de saberes que vão fazendo sentido, seja no fortalecimento, seja na transformação das concepções sobre um determinado fato, objeto e sobre a vida. Logo, uma roda de conversa pode colocar em reflexão um equipamento, um dispositivo, evidenciando seus limites e desafios, que até então poderia não ter sido colocado em análise e até aceito apenas por força de suas normas prescritas, dadas como “naturais” e até imutáveis.
Foram realizadas três rodas de conversa, sendo duas que acompanharam a devolutiva dos dados produzidos pelos participantes vinculados a cada um dos SEP (S1 e S4) e uma que acompanhou uma oficina de trabalho realizada com o CRP 17, aberta para quem quisesse se inscrever eque visava conhecer algumas propostas para um Serviço-Escola de psicologia que contemplasse as políticas sociais de saúde e assistência social. As rodas tiveram entre 25 e 50 participantes.
Quanto à oficina, também pode ser utilizada como um instrumento da pesquisa intervenção. De acordo com Spink, Menegon e Medrado (2014), a oficina é um instrumento que, aplicado em grupo, serve também, a exemplo das rodas de conversa, a negociações de sentidos, com potencial crítico de produção coletiva de sentidos. São trocas dialógicas que se
traduzem em práticas discursivas com diversidade de sentidos, desse modo, as oficinas “são práticas sociais de caráter discursivo, cuja produção remete à negociação retórica de versões, apreendidas a partir da dimensão performática do uso da linguagem, cujos efeitos são amplos e nem sempre associados a intenções originais” (Spink, Menegon & Medrado, 2014, p. 34).
Como já relatado anteriormente, as oficinas redundam em rodas de conversa e, por isso, configuram-se como um elemento a mais nestas últimas.
As rodas com os SEP foram realizadas em 17 maio (S1) e 29 de maio (S4) de 2013 e a oficina aberta foi realizada em 22 de agosto desse mesmo ano.
O formato dos três momentos compreendia uma apresentação inicial da pesquisa com os SEP e os resultados até a data de cada encontro, sendo que em cada SEP só foi apresentada a compilação dos dados referente ao próprio e depois aberta a roda para a conversa sobre o assunto em tela.
Já a oficina aberta seguiu o formato das duas anteriores, porém, acrescida do resumo dos dados coletados nos quatro SEP. Nesta última, após a apresentação inicial, o grupo foi dividido em cinco grupos menores, os quais receberam uma planilha (Apêndice B) que orientava a discussão.
O título da planilha da oficina do dia 22 de agosto foi: “Diretrizes para inclusão dos Serviços-escola nas políticas de saúde e de assistência social”. Foi solicitado que após a discussão cada grupo preenchesse os três quadrantes da planilha, que versavam, cada um: o que fazer, como fazer e observações. Após as discussões nos grupos menores, voltava para a apresentação da discussão/planilha preenchida para o grupo maior e, só depois da apresentação de cada grupo, foi aberta a roda de conversa com todos os participantes.