4 Framework and Hypotheses
5.1 Secondary Sources
8.4.1. Casos Clínicos
O G tem 5 anos, é do género masculino, e apresentou um diagnóstico de Depressão. Foi encaminhado para as consultas de pedopsiquiatria por dificuldades de integração social, irrequietude e seletividade na alimentação. Ao nível da psicomotricidade referiram-se, dificuldades na praxia fina (recorte e grafismo), na coordenação, dificuldades de interação em grupo, necessidade de supervisão e presença de bastantes medos/receios Tem um irmão com graves problemas de saúde, o que condiciona o tempo e disponibilidade dos pais, e estes, são também considerados, como pais pouco afetuosos e muito exigentes. O G nasceu de parto provocado às 40 semanas. Apresentou um desenvolvimento psicomotor e da linguagem dentro do padrão esperado para a idade. Entrou para o jardim-de-infância aos 2 anos, mas pouco tempo depois interrompeu a frequência, por nascimento e questões de saúde do irmão. Atualmente Figura 5: Desenhos do corpo do RJ e EF em
13/03/12
61 frequenta o jardim-de-infância. Iniciou a Psicomotricidade em Julho de 2011, e reiniciou em Outubro de 2011.
O L tem 5 anos, é do género masculino, e apresenta um Atraso Global do Desenvolvimento e Perturbação da Linguagem. Foi encaminhado por dificuldades de aprendizagem e desenvolvimento, irrequietude e desatenção, dificuldades na expressão verbal e mais acentuadas na compreensão. Os pais encontram-se separados desde o 1 ano de idade do L, e este está sinalizado para a CPCJ pela mãe, acusando um tio de abuso do menor. Atualmente vive com pai e avó paterna, e parece uma criança negligenciada em termos de estímulo. O desenvolvimento da marcha ocorreu por volta dos 12 meses, mas a linguagem só surgiu aos 3 anos. Frequenta o pré-escolar. Iniciou Psicomotricidade em Outubro de 2011.
O J é uma criança do género masculino com 5 anos de idade. Apresenta um diagnóstico de Perturbação da Comunicação e Relação. O motivo do encaminhamento prendeu-se com a perda nas aquisições de comunicação, perda de contato repentino com o outro, deixando de se interessar tanto pelas pessoas por volta dos 2 anos de idade. Vive com os pais e uma meia-irmã de parte da mãe. O pai parece ter alguns problemas alcoólicos, mas não é referido no processo. O desenvolvimento da marcha surgiu por volta dos 17 meses, e apresentou atraso no desenvolvimento da linguagem. Frequenta o pré-escolar desde os 18 meses de idade, e apresentava uma vinculação ambivalente com os pais. Iniciou acompanhamento pela Psicomotricidade em Novembro.
O P tem 7 anos, género masculino, e diagnóstico de Perturbação da Vinculação por maus tratos. Foi negligenciado pela mãe e abusado pelo pai, e foi encaminhado pela família de acolhimento. Os pais apresentam um défice cognitivo. Após proibição de contato com os pais (Novembro 2010) observou-se melhorias no estado geral da criança. Apresenta imaturidade para a idade, dificuldades na aceitação de regras, distractibilidade, mas boa relação com os pares. Aos 2 anos entrou para o pré-escolar, e atualmente frequenta o ensino básico. Reiniciou Psicomotricidade em Novembro de 2011 e tem tido acompanhamento quinzenal. Tem apresentado uma assiduidade inconsistente, e não realizou a avaliação final, nem entregou os resultados da avaliação inicial.
8.4.2. Avaliação e Objetivos de Intervenção
Tabela 11. Resultados da avaliação inicial do G, L, J e P
BASC-pais BASC-escola
G Problemas Atenção.
Agressividade, Atipicidade, Tendência Isolamento, Hiperatividade, Ansiedade, Depressão, Problemas Atenção e
Adaptabilidade. L Problemas Atenção, Agressividade, Hiperatividade, Ansiedade e
Somatização.
Agressividade, Problemas Atenção e Depressão.
J Atenção, Hiperatividade, Agressividade, Ansiedade, Atipicidade, Problemas
Depressão e Somatização. Agressividade e Ansiedade.
P Não entregou. Não entregou.
De acordo com os dados da avaliação presentes na tabela 11, indicativos das áreas clinicamente significativas e de risco, definiram-se os seguintes objetivos de intervenção:
G: estimular a relação com o outro (partilha e cooperação); aumentar a autoestima; aumentar a atenção sustentada através da seleção, focalização e diferenciação de estímulos; aumentar o tempo de permanência nas tarefas em
62 relação com o outro; trabalhar a lateralidade e a organização espacial; aumentar a tolerância à frustração; e favorecer o autocontrolo da agressividade.
L: aumentar a capacidade de atenção; aumentar o tempo de permanência nas tarefas; melhorar a impulsividade e capacidade de espera; melhorar a capacidade de planeamento, organização e coordenação motora; favorecer o autocontrolo; aumentar a tolerância à frustração; trabalhar a representação gráfica; melhorar o equilíbrio dinâmico e estático; trabalhar a praxia fina (preensão e coordenação); trabalhar a consciência corporal (limites e representação); estimular o vocabulário psicomotor.
J: melhorar as competências adaptativas (prever e antecipar consequências de ações); aumentar a interação em grupo e competências relacionais (entreajuda, incentivo); aumentar o tempo de permanência nas tarefas; aumentar a autoestima; trabalhar a capacidade de organização e planeamento; estimular as competências psicomotoras.
P: aumentar a autoestima; melhorar a capacidade de planeamento e verificação das ações; aumentar o autocontrolo dos impulsos agressivos; diminuir a impulsividade; e aumentar a tolerância à frustração.
8.4.3. Análise da Intervenção
Ao longo da intervenção o G esteve presente em 19 sessões, o L em 19 sessões, o J em 17, e o P apenas em 5 sessões, estando ausente desde Março 2012.
Este grupo desenvolveu atividades díspares e houve poucos momentos de atividade conjunta. Foi um grupo instável nos comportamentos, oscilando entre momentos de agressividade, procura, e isolamento dos pares. Os rituais de organização da sessão, não foram cumpridos em todas as sessões, mas tentou-se manter a coerência ao longo das sessões, no diálogo inicial e momentos do quadro. A aplicação do retorno à calma dependia da estabilidade emocional do grupo, observando-se por vezes recusas de alguns elementos.
Na generalidade as atividade desenvolvidas consistiram sobretudo em: Atividades de construção (ex. foguetão, casa, máquina espacial, etc.); Jogos simbólicos em torno das construções;
Atividades motoras (lançamentos);
Jogos de grupo (ex. “escondidas”, “apanhada”), entre outros.
O G apresentou ao longo da sessão uma evolução no comportamento, sobretudo na vertente relacional. Só numa parte mais final da intervenção, demonstrou ligação afetiva com a terapeuta e com o grupo, solicitando momentos de interação conjunta. Por vezes apresenta algumas atitudes de oposição para testar a reação do grupo e terapeuta, mas na generalidade apresenta melhor nível de atenção e colaboração com as tarefas. Revela boa capacidade de organização espacial e criatividade.
O L apresentou ao longo da intervenção, mais jogo simbólico, e capacidade de planeamento de algumas atividades. Ostentou oscilações nos comportamentos, apresentando períodos de adequada capacidade de focalização da atenção e permanência organizada nas tarefas, mas recentemente surgiu com períodos de desatenção e comportamentos disruptivos - presença de birras sem motivo aparente. Observou-se também melhorias na expressão psicomotora, apresentando uma melhor coordenação óculo-manual, equilíbrio dinâmico e no global um melhor controlo corporal e fluidez no gesto. Mantém muitas dificuldades na expressão verbal, mas tem apresentado maior intencionalidade e capacidade de organização das intenções por via da palavra. Na relação com os pares, apresentou no início dificuldades no estabelecer de relações, ostentando impulsividade no contato, atualmente está mais organizado nesse sentido.
63 O J apresentou evoluções sobretudo ao nível relacional. Interage com os pares, mostrando-se colaborante nas atividades, mas evita situações de conflito. Numa primeira fase surgiu muito dependente destes, mas atualmente é capaz de realizar atividades autonomamente e também em parceria com estes. No global está mais assertivo e independente, impondo-se perante atitudes negativas do grupo. Ao nível psicomotor apresenta imaturidade no lançamento, não sendo capaz de lançar a bola a um alvo (coloca-a no alvo), mas demonstra um gesto global menos rígido. Tem dificuldades na organização temporal, e apresenta um desenho do corpo imaturo para a idade cronológica. Ao nível da BASC dos pais apresentou melhorias na Depressão, Somatização e Problemas de Atenção. E a BASC da escola apontou para evoluções positivas na Hiperatividade e Problemas de Atenção.
O P esteve pouco tempo em intervenção, e por isso não há informações significativas sobre este.