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Descriptive and Symbolic Representation

4 Framework and Hypotheses

4.2 The How-question

4.2.1 Descriptive and Symbolic Representation

8.3.1. Casos Clínicos

O D tem 5 anos, é do género masculino e apresenta uma Perturbação da Comunicação. O motivo do encaminhamento relacionou-se com dificuldades na interação com o outro, e atraso grave na fala. A linguagem é marcada por ecolália e com ocasionais estereotipias manuais. Os pais separaram-se em Setembro de 2010 e referem

58 que após esse momento se observou regressão no D de capacidades já adquiridas (ex. números e cores). Vive com a mãe e avós maternos, e é trazido às sessões pelo pai. Nasceu de parto distócico às 39 semanas, e ao nível clínico é referido um défice auditivo de 20-50%. Entrou para o jardim-de-infância aos 3 anos e é assinalado um grave atraso na linguagem. Apresenta muitas dificuldades de atenção e em seguir indicações. Iniciou intervenção pela Psicomotricidade em 11 de Outubro 2011 e tem sido assíduo.

O RJ é do género masculino, tem 6 anos, e apresenta uma Perturbação da Comunicação e Relação. Tem dificuldades de interação social, permanência nas tarefas, dificuldades na linguagem expressiva (ecolália e neologismos), comportamento de oposição, baixa tolerância à frustração, e dificuldades de concentração. Tem uma irmã mais velha e vivem com os pais. Não há referência a doenças médico-psiquiátricas na família. O desenvolvimento psicomotor foi dentro do normal e teve dificuldade no controlo de esfíncteres noturnos. Aos 4 anos entrou para o pré-escolar, e antes esteve em casa com a mãe. Iniciou Psicomotricidade no ano anterior, e deu continuidade este ano, iniciando-se a intervenção em 11 de Outubro 2011. É uma criança assídua.

O EN tem 5 anos, género masculino e apresenta uma Perturbação da Comunicação e Relação. Foi encaminhado para o serviço por atraso na fala, ausência de interação, não apontava e apresentava estereotipias manuais. Atualmente apenas predominam algumas dificuldades na expressão verbal, alertando para a falta de relatórios de desenvolvimento atualizados. É filho único e vive com os pais. Apresentou desenvolvimento psicomotor e das primeiras palavras, dentro dos parâmetros normais. Entrou para o pré-escolar após os 2 anos de idade, e por volta dos 2 anos e meio isolava- se das outras crianças. Iniciou o acompanhamento pela Psicomotricidade em 18 de Outubro de 2011, e tem sido assíduo.

O EF tem 5 anos, género masculino, e tem diagnóstico de Atraso Global do Desenvolvimento. É caraterizado como academicamente subdesenvolvido para a idade, pouco energético e proactivo. Os pais tiveram uma separação conflituosa, e atualmente o EF vive com a mãe e irmãos. Iniciou Psicomotricidade no ano anterior, e manteve acompanhamento no presente ano. Revelava muitas dificuldades ao nível da linguagem expressiva, lentificação na resposta, carência afetiva e dificuldades instrumentais na praxia fina. Reiniciou as sessões em 15 Novembro 2011, e é assíduo.

Por fim, o P, género masculino e com 4 anos de idade, apresenta diagnóstico de Perturbação Regulatória por Hipersensibilidade. Iniciou intervenção em Abril de 2012, e apresentava dificuldades na praxia fina, global e de coordenação visuo-motora. Não se realizou uma avaliação inicial formal. Foi assíduo no acompanhamento.

8.3.2. Avaliação e Objetivos de Intervenção Tabela 10. Resultados da avaliação inicial do D, RJ, EN e EF

BASC-pais BASC-escola

D Não entregou. Não entregou.

RJ Problemas Atenção. Somatização, Problemas Atenção, Adaptabilidade.

EN Problemas Atenção. Depressão, Ansiedade.

EF Somatização, Ansiedade, Problemas Atenção e Depressão. Tendência para o Isolamento.

Os resultados da avaliação inicial encontram-se na tabela 10. O P não teve avaliação inicial, devido à sua integração numa fase já avançada das sessões, e não se estabeleceram objetivos terapêuticos a médio prazo. Para as outras crianças, em função da avaliação e da observação efetuada, definiram-se os seguintes objetivos terapêuticos:

59  D: aumentar a intencionalidade na expressão verbal; aumentar o tempo de permanência nas tarefas; promover momentos de interação e jogo com o grupo; estimular a imaginação e criatividade; proporcionar experiências psicomotoras diversificadas; aumentar a capacidade de focalização e atenção.  RJ: aumentar a tolerância à frustração; diminuir os comportamentos de

oposição; aumentar a capacidade de atenção e tempo de permanência nas tarefas; melhorar as competências relacionais (colaboração); melhorar a consciência dos limites corporais e as coordenações motoras globais.

 EN: melhorar a capacidade de atenção sustentada; trabalhar as competências relacionais e assertividade com os pares; aumentar a tolerância à frustração; aumentar a capacidade de planeamento e organização; estimular a ação psicomotora.

 EF: melhorar a noção do corpo (reconhecimento, nomeação e representação); melhorar o equilíbrio dinâmico; trabalhar a micromotricidade; aumentar a coordenação visuo-motora (planeamento); aumentar a autoestima, autoconfiança e a tomada de iniciativa; aumentar a capacidade de afirmação perante os pares; aumentar o jogo simbólico e iniciar momentos de representação gráfica; trabalhar conceitos espaciais, de forma, e tamanho; aumentar os momentos de verbalização espontânea.

8.3.3. Análise da Intervenção

Estas crianças pertencem à UPI, e foi um grupo assíduo ao longo da intervenção. Realizaram uma média de 23 sessões. Ao longo da sessão foi-se observando uma evolução nos comportamentos gerais. Numa primeira fase apresentou-se como um grupo muito barulhento, onde prevalecia a exploração pulsional do espaço e dos materiais. Com o decorrer das sessões foi se observando, um cessar da agitação motora e de gritos, e presença de ações mais intencionais. Por vezes até desenvolveram atividades em grupo, mas tinham dificuldades de permanência nas tarefas.

As atividades desenvolvidas consistiram sobretudo em momentos de jogo simbólico, em que a terapeuta assumia o papel do “mau” e as crianças papéis de heróis. Ocasionalmente procuravam experimentar o papel do “mau”, mas não se deixavam derrotar pelos “bons”. Outras crianças recusavam assumir o papel do “mau”, e outras não eram capazes de desenvolver a função que lhe era atribuída. As atividades de construção da casa (elemento de proteção) foram outras das atividades desenvolvidas. Ocasionalmente experimentavam atividades mais motoras, como saltos no trampolim e lançamentos de bolas.

Ao longo da intervenção observaram-se alterações em algumas crianças. O D apresentou um comportamento mais intencional e com o estabelecimento de comunicação com o outro. Responde a questões e permanece momentaneamente na interação verbal, assim como usa a linguagem com mais intencionalidade (menos ecolália). Mantém muitas dificuldades na atenção, e não consegue permanecer nas tarefas até ao final. Tem dificuldade em permanecer em interação com o grupo, mas está mais assertivo e observou-se o surgimento do “não” na verbalização, como indicador da sua individuação. Houve uma evolução da sua linguagem a par da sua psicomotricidade. O “não” insere-se no estádio personalístico (3-4 anos) de Wallon, e reflete o enriquecimento do eu e a construção da personalidade, pelo desenvolvimento da capacidade da criança em autorreconhecer-se, sentido necessidade de se opor ao outro, recusar e revindicar objetos só para si. Esta fase de negação, antecede a fase da sedução, onde a criança necessita sentir-se elogiada e ser alvo da atenção do outro (Fonseca, 2005). Esta fase do desenvolvimento surgiu no D ligeiramente atrasada, mas está instaurada, e é resultado das experiências vivenciadas por si.

60 Não se obteve dados da avaliação inicial do D, e na avaliação final, na BASC dos pais apresenta três escalas cotadas como de risco: Ansiedade, Somatização e Problemas de Atenção.

O RJ, nos resultados da BASC dos pais, apresentou melhorias significativas em alguns comportamentos. Apresenta assim, menor agitação motora e oposição, menos ansiedade, melhor focalização da atenção e menor tendência para o isolamento. No global observou-se uma evolução significativa no RJ. Apresentou-se mais relacional sendo capaz de participar em grupo e responder à interação. Ao nível da linguagem há presença menos acentuada de neologismos e ecolália, utilizando-a com maior intencionalidade. Tolera melhor a frustração e a negação, e já não tem necessidade de destruir as atividades dos pares. É capaz de seguir instruções, mas permanece ainda pouco tempo nas atividades. No desenho do

corpo, mantém uma representação imatura de si, como se pode ver na Figura 5.

No caso do EN, observou-se uma evolução em termos de intencionalidade. Numa primeira fase limitava-se a exploração do material através de contato físico, mas nas fases subsequentes começou a atribuir funcionalidade aos objetos (ex. espada) e a solicitar jogos de grupo. Demonstrou interesse e boa capacidade nos jogos simbólicos, sendo capaz de assumir funções de personagens variadas. É uma criança que é capaz de permanecer nas atividades até ao fim. Com os pares mostra-se mais assertivo, e controla a

birra quando frustrado por estes. Numa fase inicial tinha muita necessidade de atenção dos terapeutas, solicitando-a constantemente, atualmente já é capaz de agir sem essa solicitação constante.

O EF apresentava muitas dificuldades psicomotoras. Atualmente apresenta melhor coordenação visuo-motora sendo capaz de realizar a ação com sucesso, mas mantém falhas ao nível do planeamento. No equilíbrio dinâmico apresenta maior estabilidade. No desenho do corpo observou-se desorganização gráfica, remetendo para dificuldades ao nível da consciência corporal (Figura 5). Foi uma criança inicialmente tímida, insegura e com verbalização quase inaudível. Atualmente demonstra segurança, expressando a sua vontade e solicitando a participação. Apresentou mais autoconfiança, e permanece nas atividades até ao fim.