• No results found

5.1. Conclusões

Após uma série de simulações, onde foram apresentados diferentes cenários que levaram em consideração a hidráulica dos rios, com seus diversos parâmetros determinantes ao processo de transporte, bem como os lançamentos de efluentes, com suas características pertinentes às concentrações de DBO, alguns resultados foram analisados e foi possível tirar as seguintes conclusões:

A metodologia proposta para este estudo, com base na aplicação da Teoria fuzzy, nos Modelos de DBO/OD, apresentou$se como uma ferramenta adequada para o estudo da Análise de Risco, em Sistemas Hídricos sujeitos aos lançamentos de efluentes domésticos ou industriais;

O programa computacional, desenvolvido a partir da formulação do Modelo, Matemático, mostrou$se eficiente e muito eficaz em sua capacidade de produzir resultados. O mesmo permite que diferentes fontes de lançamentos possam ser usadas, bem como, diferentes formas de resultados, tanto do ponto de vista dos modelos determinísticos, como do ponto de vista da modelagem fuzzy, possam ser obtidos com igual sucesso;

As funções de pertinências encontradas para o Oxigênio Dissolvido têm uma característica dinâmica, onde para cada seção, e cada tempo de observação, seus valores são deslocados hora para a direita do eixo das concentrações, hora para a esquerda, de acordo com a característica ambiental daquela seção, naquele momento. Este fato é determinante no processo do cálculo do risco e da garantia. Os resultados permitiram concluir que essas funções são afetadas pela temperatura, intensidade das concentrações de lançamentos, parâmetros hidráulico e hidrológico do rio, bem como do tipo de fonte que está sendo considerada. Estes resultados eram esperados, considerando os estudos de campo;

Na determinação do campo de risco é possível visualizar, a partir das simulações realizadas, diferentes comportamentos para o mesmo. Os estudos permitiram visualizar, por exemplo, que para regiões com baixas temperaturas, o risco é menor, para determinados lançamentos, do que para regiões equatoriais, onde as temperaturas são mais elevadas. Este fato está relacionado com a concentração de saturação do oxigênio dissolvido, que é maior nas regiões de clima frio;

Com relação aos parâmetros hidráulicos simulados, os resultados mostraram que o risco calculado, para diferentes declividades, e para o cenário de lançamento usado, é maior quando a declividade é maior. Este fato está relacionado com a capacidade de escoamento do rio que aumenta com a declividade. Com isso, diminui o tempo de residência, fazendo com que a massa de DBO seja transporta em um tempo bem menor do que o tempo necessário para ocorrer o decaimento bacteriano. Com isso, o rio fica exposto por mais tempo com altas concentrações de DBO, aumentando, assim, o consumo de OD. Com isso o risco tende a aumentar, enquanto que a garantia diminui. Este resultado mostra a capacidade da metodologia proposta para este estudo;

Da mesma forma, quando o estudo trata da rugosidade, os resultados mostram que o risco e a garantia são afetados por este parâmetro, onde quanto maior a rugosidade, maior o pico do risco. O resultado também pode ser explicado, considerando que a rugosidade atua de forma oposta com a declividade. Assim, quanto maior a rugosidade, menor é a capacidade de transporte do rio. Com isso, aumenta o tempo de residência, fazendo com que as concentrações de DBO fiquem mais tempo nas proximidades da região de lançamento, permitindo assim que o processo de decaimento ocorra antes da massa poluente atingir as seções de jusante do rio. Com isso, o OD consumido é menor e o risco segue esta mesma tendência;

Os estudos permitiram ainda concluir que o campo de risco é mais sensível ao parâmetro da declividade do que ao parâmetro da rugosidade do rio. No primeiro caso, o risco chegou a 80% para uma variação da declividade de ordem 10. Entretanto, quando foi realizada uma redução da mesma ordem para a rugosidade, o risco não chegou a 30%. Este resultado é muito importante quando se trata de rios urbanos. Neste caso, as ações antrópicas causam muitas transformações no leito destes corpos

hídricos, alterando, significativamente, a calha do mesmo e, com isso, alterando a declividade do seu leito;

Quando a metodologia proposta foi aplicada, de forma simples, ao Rio Cocó, os resultados encontrados foram bastante significativos e permitiram concluir que rios com esta capacidade hídrica, comum na região do nordeste brasileiro, não têm capacidade receptora, tomando como base o nível de concentração de DBO presentes nos esgotos domésticos. Nesta simulação, para as várias concentrações de DBO que foram consideradas, o risco encontrado é muito alto e a garantia muito baixa, o que permite concluir que há necessidade de se fazer um tratamento adequado para esses efluentes, antes de se tentar qualquer tipo de lançamento. Do contrário, certamente, que o rio estará fora dos padrões estabelecidos pelas normas que tratam da qualidade ambiental dos corpos hídricos;

Finalmente, os resultados permitiram concluir que a combinação entre a Teoria de Transporte de Massa e a Teoria fuzzy pode ser uma significativa ferramenta a ser considerada para o estudo de Análise de Risco em Engenharia Ambiental, tanto do ponto de vista de sistemas hídricos, como também, para sistemas atmosféricos, que trata de sua qualidade.

5.2. Recomendações

Neste estágio do desenvolvimento científico, a aplicação da Teoria fuzzy nos problemas ambientais, pertinentes ao meio contínuo, ainda se encontra em um estágio bem embrionário. Não há muitos estudos relacionados a aplicação desta teoria na solução das equações diferenciais parciais, principalmente, quando essas equações são relacionadas com problemas de escoamento e de transporte. Este trabalho representa um desafio para que esta classe de experiência seja iniciada. Desta forma, as seguintes recomendações podem ser sugeridas para estudos futuros:

Que os estudos sejam estendidos para outras substâncias, e não somente para o caso da DBO e do OD;

Que o modelo possa ser aplicado em regiões onde a altitude é bem acima do nível do mar, para que seja aferido o efeito dos coeficientes do decaimento, reaeração e suas consequências no comportamento do campo de concentração;

Que a metodologia possa ser empregada em reservatórios para que possa ser estudado o risco de eutrofização nesses corpos hídricos;

Que o modelo possa ser estendido com a introdução dos processos hidrodinâmicos para avaliar seus efeitos nos estudos de estuários, principalmente, relacionados com a intrusão salina;