O termo estratégia tem sido usado como técnicas, táticas, planos potencialmente conscientes, operações empregadas conscientemente, habilidades de aprendizagem, habilidades básicas, habilidades funcionais, habilidades cognitivas, estratégias de processamento da linguagem, procedimentos de resolução de problemas (WENDEN, 1987, p. 7).
Rubin (1975,p. 43) define estratégias como "as técnicas ou os recursos que um aprendiz pode usar para adquirir conhecimento".
As estratégias de aprendizagem podem estar mais voltadas para ajudar o aprendiz a organizar, elaborar e integrar a informação (estratégias cognitivas ou primárias) ou serem mais orientadas para planejamento, monitoramento, regulação do próprio pensamento e manutenção de um estado interno satisfatório que facilite a aprendizagem (estratégias metacognitivas ou de apoio). Elas favorecem a autonomia do aluno fazendo com ele seja o responsável pelo próprio processo de aprendizagem (LÓPES, 2004). Além disso, o faz avaliar-se e refletir sobre sua forma de aprender, pois, quanto maior for sua competência estratégica, melhor será sua competência comunicativa, que é a meta que todos pretendem alcançar.
definida por Lópes (2004) como operações mentais, mecanismos, técnicas, procedimentos, planos, ações que se concretizam de forma potencialmente consciente e que mobilizam os recursos para maximizar a eficácia tanto na aprendizagem quanto na comunicação. O enfoque comunicativo leva em conta outros campos da ciência, como a psicologia humanista, a psicologia cognitiva e os estudos sobre a teoria de aprendizagem e da aquisição de línguas.
Estas novas contribuições levam a uma nova concepção tanto do papel do aprendiz de línguas quanto do papel do professor, que tem a tarefa de proporcionar as condições necessárias que facilitem a aprendizagem, ao promover situações que favoreçam o uso comunicativo da língua para que o aluno aprenda enquanto se comunica e ative as distintas estratégias; já o aluno tem o papel de ser o responsável pelo seu processo de aprendizagem e assim desenvolver a própria autonomia.
Segundo Scharle e Szabó (2000, p. 4), a autonomia do aprendiz envolve o direito de tomar decisões, o que requer habilidade e liberdade para monitorar os próprios conteúdos, porém, para Paiva (2006), a autonomia vai além de assumir a responsabilidade da própria aprendizagem. A autora define a autonomia como:
Um sistema sócio-cognitivo complexo, que se manifesta em diferentes graus de independência e controle sobre o próprio processo de aprendizagem, envolvendo capacidades, habilidades, atitudes, desejos, tomadas de decisão, escolhas, e avaliação tanto como aprendiz de língua ou como seu usuário, dentro ou fora da sala de aula (PAIVA, 2006, p. 88).
Para Paiva (2006, p. 78), a autonomia é parte importante do processo de aprendizagem, pois “é ela que faz com que o aprendiz seja o agente de sua própria aprendizagem e não um objeto que se plasma de acordo com as imposições dos métodos e do professor”. Concordamos plenamente com a autora, pois leva o aprendiz a se responsabilizar pela tomada de decisões na sua aprendizagem, a ter mais liberdade de escolha, a controlar a própria aprendizagem e a se autoavaliar.
Há também uma preocupação pelos fatores afetivos, em aumentar a motivação e a confiança dos aprendizes, e também em reduzir a ansiedade. Os fatores cognitivos destacam-se no processo de aprendizagem, havendo uma preocupação em estudar as variáveis individuais, os diferentes estilos de aprendizagem e as estratégias que desenvolvem o aprendiz para superar as barreiras ou dificuldades.
Lópes (2004, p. 420) faz um resumo das primeiras investigações sobre este tema das estratégias de aprendizagem e, ainda, nomeia autores como Selinker (1994),
McLaughlin (1987), Bialystok (1983), Ellis (1994), Faerch e Kasper (1980; 1983), entre outros. A autora destaca também uma das principais obras, a de Rebecca L. Oxford (1990), que, embora tenha recebido críticas com relação à classificação feita sobre as estratégias, as apresenta como uma aplicação prática. Na obra O que todo professor deveria saber, Oxford oferece um vasto conteúdo sobre estratégias de aprendizagem, dirigido aos professores de línguas. A obra ajuda os professores a conhecer os mecanismos envolvidos nas estratégias de aprendizagem e os orienta com numerosos exemplos de como se podem treinar os alunos por meio do conhecimento e desenvolvimento das diferentes estratégias de aprendizagem.
Lópes ressalta, também, a contribuição de Joan Rubin, outra pesquisadora que também se preocupou em trabalhar com o ensino das estratégias de aprendizagem e ofereceu uma classificação diferente da de Rebecca Oxford (1990). Rubin classificou as estratégias dentro do tratamento da informação.
Por último, temos a classificação usada por J. M O’Malley e A. Chamot que classificaram as estratégias de aprendizagem, segundo o tipo de operações ativadas em cada caso: metacognitivas, cognitivas o socioafetivas.
Nesse sentido, as estratégias cognitivas para O’Malley e Chamot operariam diretamente sobre a informação recebida. As metacognitivas seriam aquelas que envolveriam uma reflexão sobre o processo de aprendizagem. Já as socioafetivas estariam intimamente ligadas à interação, à cooperação e ao controle da dimensão afetiva.
Embora haja na literatura uma considerável bibliografia acerca do tema, utilizaremos as contribuições de Rebecca Oxford (1990), pois entendemos que suas observações são mais abrangentes e mais detalhada para nossa pesquisa. De acordo com Oxford (1990), estratégias são:
operações acionadas para auxiliar no processo de aprendizagem, aquisição, armazenamento, recuperação e uso da informação [...] são ações específicas realizadas pelo aprendente para tornar o aprendizado mais fácil, mais rápido, mais agradável, mais autônomo, mais eficaz e mais adaptável às novas situações.
Oxford (1990, 2008) apresentou uma classificação das estratégias de aprendizagem para LE divididas em seis diferentes tipos: a) estratégia de memória: armazenagem e recuperação de informações novas; b) estratégias cognitivas: compreensão e produção de novos enunciados por meio da manipulação e da transformação da língua-alvo pelo aprendiz; c) estratégias de compensação: auxílio na compreensão e produção da nova língua, apesar das limitações no conhecimento; d) estratégias metacognitivas: planejamento,
controle e avaliação da aprendizagem; e) estratégias afetivas: regulagem de emoção, atitudes, valores e motivação; e f) estratégias sociais: interação e cooperação com os outros.
2.4.3.1ESTRATÉGIAS DIRETAS
São as que envolvem a língua-alvo diretamente. Requerem um processo mental da língua, mas cada um dos três grupos (de memória, cognitiva e de compensação) processa de forma diferente e com propósitos diversos.
Estratégias de memória
Têm uma função específica: ajudar os alunos a gravar e restaurar novas informações. São mais efetivas quando associadas com estratégias metacognitivas, como prestar atenção, e estratégias afetivas, como diminuir a ansiedade, respirando profundamente.
Estratégias cognitivas
São habilidades que envolvem manipulação ou transformação da língua de uma forma direta, são passos, operações, técnicas específicas para a aprendizagem ou para o uso de uma língua.
Estratégias de compensação
Habilitam os aprendizes a compreender e utilizar a nova língua apesar da limitação de seus conhecimentos. Mesmo os aprendizes mais avançados podem usufruir dessas estratégias quando se esquecem de alguma informação, ouvem mal o que lhes foi transmitido, lidam com situações nas quais o conhecimento linguístico do aluno na segunda língua não é suficiente, como forma de suprir necessidades práticas.
[...] algumas das diferenças entre aprendizes com altas e baixas pontuações em um teste de proficiência em leitura eram: com altas pontuações tinham a tendência de guardar o significado das passagens na mente, ler frases longas, pular palavras desnecessárias, e adivinhar o significado de palavras desconhecidas pelo contexto; com baixas pontuações tendiam por perder o significado toa rápido quanto eles os decodificavam então, liam palavra por palavra ou sentenças curtas, dificilmente pulavam uma palavra, e buscavam o glossário quando encontravam novas palavras (HOSENFELD, 1977 apud RICHARDS; LOCKHART, 1999, p. 65).
2.4.3.2 ESTRATÉGIAS INDIRETAS
Permitem ao aprendiz controlar a própria cognição. Dão suporte e dirigem o aprendizado sem envolvimento direto com a língua-alvo. São aplicáveis nas quatro habilidades e são empregadas para o gerenciamento da aprendizagem e de estados sociais e afetivos.
Estratégias metacognitivas
Auxilia o aprendiz a redimensionar o seu foco de aprendizagem, em busca de um aprendizado mais efetivo e eficiente e a monitorar o próprio progresso. Funcionam em complemento ou junto às estratégias cognitivas. As pesquisas mostram que, apesar de serem extremamente importantes, são pouco usadas. Provavelmente porque os aprendizes bem- sucedidos são aqueles as usam. Estão relacionadas ao planejamento, à administração e à avaliação da aprendizagem:
[...] Antes de começar a escrever, escritores habilidosos tendem a gastar um tempo pensando sobre a tarefa e o planejamento de como eles a abordarão; e eles deduzem e organizam a informação; e eles fazem anotações, listam, e têm uma tempestade de idéias para ajudar a gerar idéias. Por outro lado, escritores menos habilidosos tendem a gastar pouco tempo na tarefa; e eles usam pouco planejamento e estratégias de organização (RICHARDS; LOCKHARD 1999,p.65).
As estratégias cognitivas de Oxford (1990, p.140) contêm todos os itens relacionados por O’Malley, acrescentando outros como: observação e ligação de conceitos novos em material já conhecido; conhecimento do processo de aprendizagem; estabelecimento de fins e objetivos, imediatos e em longo prazo e identificação do propósito da tarefa. Observamos, nessa diferença, a diversidade de enfoques existentes entre esses linguistas. No caso de Oxford, essa autora preocupa-se com o domínio que o aprendiz possui da própria aprendizagem, do conhecimento do processo, do estabelecimento e da identificação do propósito da tarefa.
Estratégias afetivas
O lado afetivo dos aprendizes pode facilitar ou dificultar a aprendizagem. As estratégias afetivas podem ajudá-los a ter um controle sobre suas emoções, atitudes, motivações e valores.“[...] Bons aprendizes de língua são geralmente aqueles que sabem
controlar suas emoções, e atitudes, sobre a aprendizagem” (OXFORD, 1990, p. 149). Estratégias sociais
Ajudam os aprendizes a interagirem com outras pessoas. Fazer perguntas promove maior quantidade de input e indiretamente promove feedback. O diálogo resultante das perguntas e respostas indica interesse e envolvimento.
Oxford (1989), fundamentada nessa classificação descrita, elaborou um questionário chamado Strategy Inventory for Language Learning (SILL) com o objetivo de auxiliar o professor na identificação das estratégias de aprendizagem utilizadas e não utilizadas pelos alunos.
Dessa forma, perceber e compreender esse tema foi necessário para podermos aplicar o questionário de estratégias de aprendizagem proposto pela autora. Por meio desse instrumento de coleta, conseguimos reconhecer as estratégias mais acessadas pelos participantes e as estratégias de maior e menor preferência do grupo, auxiliando-nos no delineamento do nosso curso e na produção dos exercícios voltados para a memória.
Os exercícios voltados para memória são conhecidos na literatura cognitiva como um dos tipos de treinos cognitivos, os quaisimplicam a prática repetida de exercícios específicos, de competência básica, que são essenciais ao bom desempenho das funções cognitivas (GONZAGA; NUNES, 2008). Neste trabalho, concentramo-nosem estudos voltados para o treino específico para a memória do idoso, relacionando-o com a aprendizagem de E/LE.
Assim,apresentaremos, a seguir, o tópico referente aos treinos cognitivos, bem como aos treinos de memória e algumas técnicas e estudos relacionados a estes construtos.