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Estudar uma LE pode ser uma oportunidade de trabalhar os subsistemas de memória afetados com o envelhecimento. No entanto, quando o aluno mais velho se propõe a se engajar nessa tarefa, na maioria das vezes, é esbarrado na crença popular que dita que aprender uma LE, com um nível razoável de proficiência na TI, é muito difícil por

Memória sensorial

Memória de

curto prazo Memória de longo prazo

Operacional ou de trabalho Declarativa ou explícita Não declarativa ou implícita Semântica Episódica Pré- ativação Procedural ou procedimentos Condiciona mento

não dizer impossível devido à dificuldade de aprendizagem decorrente da idade avançada, o que acarreta a falta de memória.

São vários os fatores que podem influenciar na aprendizagem de uma LE na idade adulta. Fatores de cunho físico, biológico, afetivos e socioculturais podem influenciar positivamente ou negativamente nesse processo.

Para entender como o fator idade pode afetar o processo de aprendizagem dos nossos participantes de pesquisa e oferecer-lhes alternativas para otimizar esse aprendizado, fez-se necessário um olhar sensível às teorias que tratam desse aspecto como um limitador ou não para a aprendizagem de uma LE. Assim, discorremos neste tópico, de forma sucinta, sobre alguns desses fatores, bem como sobre aspectos envolvidos na aprendizagem de uma LE na fase adulta.

Há autores que afirmam que é quase impossível conseguir aprender uma LE como um nativo após o período crítico, o qual compreende a um período em que o individuo estaria mais propicio a aprender um LE (PENFIELD; ROBERT,1959; SELINGER, 1978). No entanto, outros autores demonstram que é perfeitamente compatível a aprendizagem de uma LE no indivíduo adulto (ELLIS, 1994; LENNEBERG,1967; SPADA 2004), desde que sejam levadas em consideração todas as particularidades que são acometidas a um estudante nessa faixa etária. Segundo Knowles (1978), se as diferenças individuais são importantes ao lidarmos com as crianças, elas são mais importantes ainda ao lidarmos com adultos, porque elas se ampliam com a experiência.

É importante salientar que temos a consciência de que o caminho para atingirmos tal objetivo é tão individual quanto o processo de aprendizagem em si.

A diferença individual mais discutida na área do ensino de línguas, segundo Ellis (1994), é, realmente, o fator idade. A melhor idade para aprender uma LE é uma questão antiga e sem muitas respostas e, mesmo com as vastas publicações nacionais e internacionais dedicadas a essa questão, ainda não fica muito claro quando se refere à idade ideal para este feito.

Oliveira et al., (2001) afirmam que não importa a idade do indivíduo, pois este estará sempre apto a aprender algo novo porque, de acordo com o autor, o processo de aprendizagem pode ocorrer em qualquer momento da vida, seja durante a infância, na idade adulta ou na TI. Portanto, se o processo de aprendizagem pode acontecer em qualquer fase da vida, na TI Idade não poderia ser diferente, até mesmo para estudar uma LE.

Alguns dos pesquisadores que defendem a hipótese do período crítico são Penfield e Roberts (1959). Estes neurocirurgiões, ao realizar um estudo clínico com crianças e adultos que sofreram lesões cerebrais, concluíram que, se a lesão atingir o hemisfério esquerdo do cérebro, independentemente da idade, a linguagem é afetada e as crianças de até 11 anos idade, quando lesionadas, conseguem recuperar, totalmente, suas capacidades cognitivas para a linguagem. Os autores também concluíram que os adolescentes e adultos dificilmente conseguem obter o mesmo sucesso que as crianças, ou seja, quanto mais velho for o sujeito afetado por uma lesão, maior a dificuldade em readquirir as funções da linguagem (LENNENBERG, 1967).

Assim, a partir do estudo acima, Penfield e Robert (1959) divulgaram a hipótese de haver um período propício para aprendizagem de línguas em geral. Segundo essa hipótese, há uma fase no desenvolvimento humano que o cérebro está predisposto ao sucesso na aprendizagem de línguas, já que esta última estaria mais exposta às estruturas inatas que contribuem para o processo de aprendizagem de uma LE. Para Ellis (1994), é um período no qual a aquisição de línguas acontece naturalmente e sem esforços.

Dessa forma, de acordo com a posição dos autores anteriores, um indivíduo que quisesse aprender uma LE após o término do período crítico não tiraria proveito dessas estruturas inerentes que acompanham o ser humano até a fase da puberdade, sendo a aprendizagem prejudicada.

Novamente, para Penfield (1963 apud PIZZOLATO, 1999), a aprendizagem de línguas deveria acontecer entre os 4 anos e 10 anos de idade devido à plasticidade do cérebro estender-se até a puberdade. Diferentemente, Lennenberg (1967) acredita que, na idade adulta, um sujeito até pode aprender a comunicar-se em outra língua, mas não com a proficiência de um falante nativo ou de um pré-adolescente quando aprende uma LE.O período crítico encontra suas bases na neurologia, por causa do fenômeno da plasticidade cerebral.

Como exposto no item destinado à memória e ao envelhecimento, a plasticidade cerebral é a capacidade de o sistema nervoso central poder regenerar-se, modificando a sua organização estrutural e o funcionamento em resposta à experiência e à adaptação aos estímulos (MARZARI et al., 2012).

Até poucos anos atrás, acreditava-se que o sistema nervoso central era imutável e não se regenerava após sofrer uma lesão, na qual os neurônios e as suas conexões haviam sido perdidos (ZIMMER et al., 2012) sendo jamais recuperados. Entretanto, hoje, após

muitos estudos, há evidências de plasticidade, inclusive no cérebro adulto e do idoso. Essa reorganização ocorre tanto nas propriedades morfológicas quanto nas propriedades funcionais (STEIN et al., 1995). As alterações no comportamento e nos circuitos neurais podem acontecer por exposição ambiental ou resultante de situações de treinamento sistemático (OLCHIK, 2008). Durante o processo de aprendizagem, há modificações nas estruturas e no funcionamento das células neurais e em suas conexões, promovendo modificações plásticas.

Assim, a descoberta da reorganização do sistema nervoso central,por meio da plasticidade, traz grandes implicações para os estudos de uma LE, não havendo mais desculpas para deixar de aprendê-la em determinada idade, já que o cérebro mantém as condições mínimas necessárias de aprendizagem ao longo da existência (ROTTA, 2006).

A seguir, discorremos, sucintamente, sobre os estilos individuais de aprendizagem – o tópico não é nosso foco de pesquisa, mas o trouxemos dada a relevância do tema para o entendimento e a obtenção de alguns dados secundários para o estudo.