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Appendix 1. Search strategies

A Operação Periferia foi progressivamente firmando um jeito novo de organizar o trabalho pastoral entre 1973 e 1975. A partir da metodologia "ver, julgar e agir" a Arquidiocese de São Paulo planejou seu trabalho pastoral levando em consideração a

337

PAULO VI. Exortação apostólica Evangelii nuntiandi. São Paulo: Paulinas, 18ª ed., 2005, n. 30.

338 PAULO VI. Opus cit., n. 31. A citação entre aspas é uma referência feita ao Discurso na abertura da terceira Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos (Paulo VI, 29/09/1974).

realidade social, econômica, cultural e geográfica de cada lugar onde iria atuar. Cláudio de Oliveira comenta sobre essa forma da Igreja trabalhar:

O grande trabalho da Igreja foi exatamente agir pastoralmente em um contexto não mais uniforme, mas pluralista, pois se tratava de trabalhar com pessoas e grupos que não tinham a mesma visão e enfoque teológico-pastoral.339

Para garantir um bom foco e melhorar a efetividade de suas propostas, a Arquidiocese conseguiu atrair os leigos para participar do planejamento de propostas inovadoras para o trabalho pastoral. De fato, percebia-se que:

Há sempre espaço para que os fiéis atuem com critérios cristãos. A ação pastoral da Igreja de São Paulo procurou constatar essa realidade, através de um trabalho em conjunto tendo como instrumento o Plano de Pastoral340 Os pequenos grupos articulados possibilitaram o exercício da conquista do direito de ter voz e vez.341

As pastorais eram voltadas para os direitos humanos, o mundo do trabalho, o menor e as favelas342. Essas pastorais passaram a nortear a ação evangelizadora da Igreja em São Paulo e estavam centradas especialmente nos trabalhos que já vinham sendo desenvolvidos na periferia metropolitana. Em 1975, diversas entidades ligadas à Igreja católica firmaram convênios com a prefeitura Municipal de São Paulo, para dar uma resposta ao evento "trombadinha", que por si, era uma importante denúncia da pouca atenção que ainda era dispensada à população de crianças e adolescentes pobres.

339 OLIVEIRA, Cláudio de. Opus cit., p. 120. 340

CONRADO, Sérgio, CARVALHO e Ruth Maria de. Arquidiocese de São Paulo - A metrópole desafia a Igreja, In: ANTONIAZZI, Alberto, CALIMAN, Cleto. A Presença da Igreja na Cidade. Petrópolis: Vozes, 1994. p. 21, Apud OLIVEIRA, Cláudio de. Opus cit., p. 120-121.

341 DOMEZI, Maria Cecília. Do Corpo Cintilante ao Corpo Torturado - Uma Igreja em Operação Periferia. São Paulo: Paulus, 1995. p. 239, Apud OLIVEIRA, Cláudio de. Opus cit., p.121.

342 Um dos resultados interessantes do trabalho na periferia foi constatar que havia muitas favelas (527!), que no início contavam com apenas três religiosos. Cf. STERI, Ubaldo. Opus cit.

Entretanto, as Pastorais não tinham uma coordenação geral, de forma que agiam individualmente, inclusive para buscar os recursos para suas atividades. Uma parte importante da ação pastora se limitada abrir comunidades e mobilizar as pessoas.

Entre 1974 a 1976 surgiram os Bispos Auxiliares, que aos poucos assumiram as pastorais que já existiam. A Operação Periferia se tornou Pastoral da Periferia, com cada Região tendo a sua. Algumas Pastorais centrais, como a Pastoral Operária e Direitos Humanos ficaram mais centrais, sem serem divididas entre as Regiões. Cabe destacar que Dom Angélico Sândalo Bernardino assumiu a Pastoral Operária e Dom Luciano Mendes de Almeida assumiu a Pastoral do Menor (1973), que eram as mais expressivas. Dom Paulo Evaristo acompanhava e mantinha o controle desse trabalho pastoral, reunindo periodicamente os vigários episcopais (padres) e a Coordenação Geral de Pastorais e catequese.

A Arquidiocese de São Paulo também organizou sua forma administrativa em um novo modelo, dividida em Regiões Episcopais que pulsavam, viviam e respondiam conforme o ritmo e os desafios próprios de cada comunidade, mas que mantinham a unidade de uma "grande-igreja nas dimensões da grande cidade"343:

Na Arquidiocese de São Paulo as Regiões não são meras subdivisões administrativas e pastorais de uma Igreja Particular. Elas caminham para ser verdadeiras Igrejas particulares autônomas mas interdependentes entre si. Com sua autonomia respondem à necessidade de presença próxima e encarnação da fé na vida do povo nos vários pontos da cidade. Com sua interdependência formam, de algum modo, uma única Igreja nos serviços e tipos de presença que a unidade cultural e sócio- política da cidade postulam.344

A experiência acumulada com essa forma de trabalho pastoral culminou com a idealização do 1º Plano de Pastoral para a Arquidiocese de São Paulo345, para vigorar entre

343 ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1º Plano bienal de pastoral 1976-1977. São Paulo, 1976, p. 11. 344

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1976. Opus cit., p. 11.; SOUZA, Ney de. Catolicismo em São Paulo: 450 anos de presença da Igreja Católica em São Paulo: 1554-2004. São Paulo: Paulinas, 2004, p. 546. 345

O Plano de Pastoral é norteador da ação evangelizadora e pastoral da Arquidiocese. Cf. ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 11° Plano de Pastoral 2009-2012 – Testemunha de Jesus Cristo na cidade. São Paulo, 2012, p. 7.

1976 e 1977. No entender do Pe. Ubaldo, a grande novidade introduzida por Dom Paulo Evaristo foi envolver na elaboração do Plano de Pastoral os leigos, especialmente os que moravam na periferia e já estavam familiarizados com as comunidades de base e os centros comunitários. Fernando Altemeyer Junior também escreveu sobre a importância das novidades introduzidas pelo Arcebispo:

A criação do setor pastoral como verdadeiro “laboratório” de descobertas e criatividade na vida da cidade, com respostas pastorais adequadas aos diferentes cantos da metrópole, foi o salto de qualidade tão esperado e necessário; graças ao novo cardeal da cidade, D. Paulo Evaristo Arns.346

Pe. Ney de Souza confirma a importância inestimável que representou Dom Paulo Evaristo para o serviço pastoral da Igreja: "O cardeal se tornou a voz dos sem voz, um dos verdadeiros arautos da justiça social no Brasil."347

3.1. 1º Plano Bienal de Pastoral 1976-1977

O 1º Plano de Pastoral 1976-1977 começou a vigorar no primeiro semestre de 1976. O objetivo geral desse Plano de Pastoral coincidia com do Plano de Pastoral do Regional Sul 1 da C.N.B.B.: "Atingir, pelo evangelho, todos os homens, dentro de sua realidade, levando-os a diversas formas de participação na comunhão eclesial e, de solidariedade humana"348.

Desde o início da Operação Periferia, o trabalho pastoral tentava fazer emergir, a partir da evangelização, "a libertação do pecado e de suas consequências escravizadoras do homem, na história e nas estruturas da sociedade"349.

346 ALTEMEYER JUNIOR, Fernando. Pastoral da periferia. In: Vida Pastoral. São Paulo: Paulus, jul.-ago. 1990, p. 19-25. Disponível em: http://www.vidapastoral.com.br/artigos/temas-pastorais/pastoral-da-periferia/. Acessado em: 07/07/2015.

347

SOUZA, Ney de. Catolicismo em São Paulo: 450 anos de presença da Igreja Católica em São Paulo: 1554- 2004. São Paulo: Paulinas, 2004, p. 522.

348

C.N.B.B. 2° Plano Bienal de Pastoral do Regional Sul 1. p. 10, Apud ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1º Plano bienal de pastoral 1976-1977. São Paulo, 1976, p. 18.

349

As prioridades da Igreja em São Paulo para esse biênio evidenciavam o zelo pastoral pelas pessoas mais necessitadas, que viviam afastadas do centro urbano de São Paulo, o que pode ser constatado pelos quatro programas adotados:

• Pastoral das Comunidades Eclesiais de Base

• Pastoral dos Direitos Humanos e dos Marginalizados • Pastoral no Mundo do Trabalho

• Pastoral da Periferia350

O apelo para envolver o povo nas atividades pastorais de forma ampla e efetiva estava registrado com ênfase na última página desse 1º Plano de Pastoral 1976-1977:

Esta é a única forma concreta de você ser Igreja hoje: participar da Ação e da Vida dessa Igreja. Ninguém pode ser Igreja se for apenas um espectador do que acontece. SÓ SE É IGREJA QUANDO SE FAZ A IGREJA ACONTECER na própria vida e na vida de todos os homens que aspiram à realização plena de sua dignidade de homens, filhos de Deus.351

3.2. 2º Plano de Pastoral 1978-1980

O 2º Plano de Pastoral está datado em 29 de junho de 1978. Esse plano segue o mesmo esquema do Plano de Pastoral anterior, inclusive relembrando como é imprescindível o "testemunho comunitário" como forma de se efetivamente "descermos até as raízes da vida dos homens". É interessante observar que o Cardeal Arcebispo assina o encaminhamento desse documento como "Paulo Evaristo, CARDEAL ARNS em nome do COLÉGIO EPISCOPAL", reforçando que todo esse empenho é fruto de uma contribuição colegiada, e não individual, apenas de sua mão.352

O objetivo geral desse Plano de Pastoral é descrito exatamente como o do Plano de Pastoral anterior. As prioridades para o período de 1978-1980 foram beneficiadas por

350

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1976. Opus cit., p. 16. 351

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1976. Opus cit., última capa.

352 ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 2º Plano de pastoral 1978-1980. São Paulo, 1978, p. 6. Grafado em letras maiúsculas conforme o original.

aperfeiçoamentos, conforme avisado no texto de apresentação, mas mantiveram suas ações através dos mesmos programas de pastorais:

• Pastoral das Comunidades Eclesiais de Base

• Pastoral dos Direitos Humanos e dos Marginalizados • Pastoral no Mundo do Trabalho

• Pastoral da Periferia353

Conforme observou Pe. Ney de Souza, este 2º Plano de Pastoral foi divulgado através da imprensa e da televisão, graças à Dom Paulo Evaristo, para "influir na opinião pública e nas decisões sociopolíticas destinadas a orientar o bem comum".354

A propósito da divulgação do 2º Plano de Pastoral, observe-se a coerência com duas mensagens recentes de Paulo VI:

Uma delas em 12/05/1977, referente ao XI Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 1977:

Auguramos, por fim, que as Instituições Católicas, nas suas

formas e atribuições específicas, acompanhem o

desenvolvimento das técnicas modernas de publicidade, e saibam, oportunamente, valer-se delas para difundir a mensagem evangélica do modo como espera o homem contemporâneo.355

A outra mensagem é de 23/04/1978, dois meses antes do Plano de Pastoral, para o XII Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 1978 diz respeito às expectativas, direitos e deveres do "receptor", isto é, o destinatário da comunicação social:

Todos os "receptores" sentem a necessidade de poder expressar, de alguma forma, a própria opinião e oferecer uma contribuição de idéias e de propostas pessoais. Ora, garantir esse diálogo, favorecê-lo e encaminhá-lo para os problemas de maior

353 ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1976. Opus cit., p. 12. 354

SOUZA, Ney de. Opus cit., p. 540. 355

PAULO VI. XI Dia Mundial das Comunicações Sociais, 1977 – "A publicidade nas comunicações sociais: vantagens, perigos, responsabilidades". Cidade do Vaticano, 1977, p. 4. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/messages/communications/documents/hf_p-vi_mes_19770512_xi- com-day.pdf. Acessado em: 14/07/2015.

importância, significa para os "comunicadores" estabelecer um contínuo e estimulante contato com a sociedade, e levar os mesmos "receptores" a um nível de correspondência ativa. (...) Os destinatários têm o direito de esperar oportunidade, honestidade, preocupação com a objetividade, respeito à hierarquia de valores (...).356

3.3. 3º Plano Bienal de Pastoral 1981-1983

O 3º Plano Bienal de Pastoral anunciou uma reformulação no objetivo geral, para manter sintonia com as novas Linhas do Plano de Pastoral de Conjunto publicadas pela CNBB:

“Evangelizar a sociedade brasileira em transformação, a partir da opção pelos pobres, pela libertação integral do homem, numa crescente participação e comunhão, visando à construção de uma sociedade fraterna, anunciando assim o Reino definitivo”.357

A revisão do 3° Plano Bienal de Pastoral (1978-1980) contou com a assessoria da Equipe do Prof. Paulo Freire. Persistindo nas preocupações de Dom Paulo Evaristo, desde que era Bispo Auxiliar de São Paulo, este Plano de Pastoral também coloca luz especial ao morador da periferia e no migrante que chegava a São Paulo à procura de oportunidades, que só apareciam à custa de muito sofrimento. Um pouco reformuladas, com novas frentes de trabalho, capazes de ampliar o horizonte missionário da Igreja, as prioridades são as mesmas do Plano de Pastoral anterior:358

• Pastoral das Comunidades Eclesiais de Base

• Pastoral dos Direitos Humanos e dos Marginalizados • Pastoral no Mundo do Trabalho

356

PAULO VI. XII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 1978 – "O receptor da comunicação social: expectativas, direitos e deveres". Cidade do Vaticano, 1978, p. 1-2. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/messages/communications/documents/hf_p-vi_mes_19780423_xii- com-day.html. Acessado em: 14/07/2015.

357

Documentos da CNBB, 15, p. 7-26, Apud ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 3º Plano bienal de pastoral 1981-1983. São Paulo, 1981, p. 11.

358

• Pastoral da Periferia e das Áreas Carentes359

3.4. 4º Plano de Pastoral

Para a elaboração do 4º Plano de Pastoral a Assembleia Arquidiocesana de 07/04/1984 trabalhou sobre o "sofrimento do povo" decorrente do sistema econômico injusto. "Os grandes problemas vividos pelo povo de São Paulo" se manifestavam em sete maneiras principais:

- Na situação do trabalhador. Por exemplo: desemprego, luta pela sobrevivência, exploração da população, migrações, violência, discriminação no trabalho por idade e dificuldade de condução.

- No problema da moradia. Por exemplo: falta de moradia, favelas e cortiços, loteamentos clandestinos, falta de infraestrutura sanitária, promiscuidade, invasões e falta de planejamento urbano.

- Na situação do menor. Por exemplo: menor de rua, carentes e exploração no trabalho. - Na falta de formação religiosa. Por exemplo: superstição, proliferação de seitas, busca de

milagres, sincretismo religioso, catequese inadequada, falta ou abandono da fé, despreparo dos agentes, das lideranças e dos leigos, métodos e estruturas obsoletos e desinteresse.

- Na situação do jovem. Por exemplo: marginalizados, desnorteio e tóxicos.

- Na desagregação da família. Por exemplo: mães solteiras, prostituição, infidelidade, separações conjugais, desencontro por causa dos horários de trabalho, uniões ilegais, abortos, grande número de filhos e falta de educação para uma paternidade responsável e dificuldade de escola para os filhos.

- Na massificação e no controle da informação. Por exemplo: meios de comunicação difundindo cultura alienante, valores importantes desprezados e falta de informação.360

Para fazer frente a esses dramas humanos, as regiões articularam as seguintes respostas pastorais:

• Organização comunitária do povo

• Presença nos problemas do povo e apoio às lutas populares e operárias

359

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1976. Opus cit., p. 12.

360 ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. Assembleia Arquidiocesana (7-4-84). São Paulo, 1984. (Mimeografado); SOUZA, Ney de. Opus cit., p. 541.

• Formação de agentes, coordenadores, lideranças, animadores, ministérios • Defesa imediata do povo numa perspectiva de organização e promoção • Articulação da ação Pastoral numa perspectiva de Comunhão e participação

3.5. 5º Plano de Pastoral 1987-1990. A cidade e a Igreja, por onde caminhar?

Este Plano de Pastoral foi apresentado através de 6 documentos, sendo um deles na forma de subsídio para a ação pastoral. O enunciado e conteúdo do Objetivo Geral foram indicados no Doc 2:

Evangelizar o povo brasileiro em processo de transformação social, econômica, política e cultural, anunciando a plena verdade sobre Jesus Cristo, a Igreja e o homem, à luz da Evangélica opção preferencial pelos pobres pela libertação integral do homem, numa crescente participação e comunhão, visando formar o povo de Deus e participar da construção de uma sociedade justa e fraterna, sinal do Reino definitivo.361

Conforme orientação constante nesse mesmo Doc 2, o Objetivo Geral seria realizado através das seis dimensões indicadas pela 25a Assembleia Geral dos Bispos do Brasil de 1983. O conteúdo dessas seis dimensões foi indicado da seguinte forma:

• Dimensão comunitária e participativa: o povo vive em comunidade, conforme o carisma e a missão que a cada um.

• Dimensão missionária: o povo proclama a Palavra.

• Dimensão catequética: o povo cresce continuamente na fé e lê os acontecimentos cotidianos à luz do testemunho de Jesus Cristo.

• Dimensão litúrgica: o povo reune em Assembleias para a escuta da Palavra de Deus • Dimensão ecumênica e de diálogo religioso: a Igreja vive na unidade, corrigindo suas

divisões e abrindo-a para o diálogo religioso.

• Dimensão profética e transformadora: povo atua no meio da sociedade como fermento,

361 ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 5° Plano de pastoral 1987-1990, DOC 2: Os caminhos da Igreja. São Paulo, 1987, p. 11.

sal e luz, transformando-a pelo testemunho e ação.362

A CNBB passou a usar a palavra "dimensão" a partir da sua 21a Assembleia Geral (1983), para indicar as várias faces que compõe a missão da Igreja. Cada dimensão não se explica solitariamente, mas sempre está em plena coesão com as demais, no âmbito de uma mesma realidade pastoral. Este conceito permite compreender mais amplamente a ação evangelizadora da Igreja e refletem a riqueza dos ensinamentos e as experiências oferecidas pelo Concilio Vaticano II, pelos documentos de Medellín e Puebla e do Magistério da Igreja.363

As prioridades pastorais escolhidas pela Arquidiocese de São Paulo em sua missão evangelizadora, conforme decisão da Assembleia do dia 31 de maio de 1987, foram:

• Moradia • Comunicação

• Mundo do Trabalho364

3.6. 6º Plano de Pastoral 1991-1994. Missão na Cidade

Este Plano de Pastoral apresenta-se com a expressão do desejo da Arquidiocese de São Paulo de contribuir para a construção de uma São Paulo em que se reconheçam os traços da Cidade de Deus, justa e fraterna, solidária e humana. Pe. Ney de Souza enfatiza a diferença entre este Plano de Pastoral e os anteriores, pois, sem desconsiderar planejamento pastoral para as comunidades, este faz menção direta à Pastoral Urbana como caminho para a Igreja de São Paulo evangelizar.365 O Plano de Pastoral explica como a Igreja percebe a necessidade da Pastoral Urbana para a cidade:

Neste momento, a Igreja de São Paulo vê, como instrumental para a evangelização da cidade, a Pastoral Urbana, através da qual pretende fazer penetrar o Evangelho, não só nas comunidades, paróquias, atingindo as pessoas que participam

362 ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1987. Opus cit., p. 13-14. 363

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 6° Plano de pastoral 1991-1994, Vol 1: Os caminhos da Igreja. São Paulo, 1991, p. 49.

364

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1987. Opus cit., p. 15. 365

ou freqüentam as celebrações, mas também os ambientes e centros onde são tomadas as decisões que, de uma maneira ou de outra, afetam a vida do povo.366

Para dar sustentação a esta percepção, o Plano de Pastoral explicou como entendia ser a Pastoral Urbana:

A Pastoral Urbana a ação global da Igreja Particular visando atingir, pela força do Evangelho, não só territórios geográficos, mas os critérios valores, centros de decisão e modelos de vida da cidade que contrastam com o Plano de Deus.367

O objetivo deste 6º Plano de Pastoral recebeu o seguinte enunciado:

Evangelizar a Cidade de São Paulo, através da Pastoral Urbana, renovando a vida das comunidades eclesiais e ouvindo os clamores do povo, com especial atenção ao Mundo do Trabalho, Saúde e Moradia.368

Este Plano Pastoral definiu as dimensões do trabalho de evangelização da Igreja em termos equivalentes ao anterior: Comunitária e Participativa, Missionária, Bíblico- Catequética, Litúrgica, Ecumênica e do Diálogo Religioso e Sociotransformadora.369

As prioridades estabelecidas foram: • Mundo do Trabalho

• Saúde • Moradia370

3.7. 7º Plano de Pastoral 1995-1998. Missão na Cidade

366

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1991. Opus cit., p. 22. 367 ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1991. Opus cit., p. 23. 368

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1991. Opus cit., p. 11. 369

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. 1991. Opus cit., p. 50-53. 370

Dom Paulo Evaristo destaca na apresentação deste Plano de Pastoral que a Arquidiocese de São Paulo estava comemorando 250 anos de existência (1745-1995) e ele próprio estava completando seu jubileu de ouro sacerdotal. São dois momentos muito significativos, como explicava João Paulo II em sua recém-lançada carta apostólica Tertio

millennio adveniente (10/11/1994). Segundo o Papa, o jubileu comemora "um ano de graça do Senhor", que é a característica da atividade de Jesus, e não apenas a evidência de uma ocorrência especial:371

Na perspectiva cristã, cada jubileu - seja o 25° aniversário de sacerdócio ou de matrimônio designado «de prata», seja o 50° dito «de ouro», seja ainda o 60° chamado «de diamante» - constitui um particular ano de graça para o indivíduo que recebeu um dos sacramentos elencados.372

A comemoração de "um ano de graça do Senhor" aplica-se igualmente às comunidades ou instituições:

Aquilo que dissemos dos jubileus pessoais pode ser também aplicado às comunidades ou instituições. É assim que se celebra o centenário ou o milênio da fundação de uma cidade ou de um município. No âmbito eclesial, festejam-se os jubileus das paróquias e das dioceses. Todos estes jubileus pessoais ou comunitários revestem na vida dos indivíduos e das comunidades um papel importante e significativo.373

No embalo desse momento de dupla comemoração jubilar, a Igreja de São Paulo pedia que as ações eclesiais deste 7º Plano de Pastoral fossem articuladas com “renovado ardor missionário", unindo esforços num verdadeiro mutirão, para que o anúncio da Boa-Nova de Jesus Cristo pudesse ser eficazmente atingido. O Objetivo Geral a ser cumprido era o seguinte:

371

JOÃO PAULO II. Carta apostólica Tertio millennio adveniente. São Paulo: Loyola, 5ª ed., 1996, n. 11. 372

JOÃO PAULO II. 1996. Opus cit., n. 15. 373

“Evangelizar a cidade de São Paulo, através da Pastoral Urbana, renovando a vida das comunidades eclesiais, ouvindo e respondendo, com uma ação solidária, aos clamores do povo, especialmente dos excluídos do trabalho, saúde, moradia e educação.374

Diante da realidade complexa que insistia em comprimir os mais pobres para mais sofrimento, a Arquidiocese de São Paulo definiu as áreas prioritárias para sua ação pastoral:

• Mundo do Trabalho • Saúde

• Moradia • Educação375

Em abril de 1988 Dom Paulo Evaristo deixou o comando da Arquidiocese de São