Characteristics of excluded studies [ordered by study ID]
Analysis 2.2. Comparison 2: Mobile stock notification and efficient product transport (cStock + EPT) vs standard care, Outcome 2: Stockout of drugs on the day of visit
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OLIVEIRA, Cláudio de. Operação Periferia: Um estudo sobre a Operação Periferia na Arquidiocese de São Paulo (1970-1980), perspectiva para a missão na cidade. São Paulo, 2008. Dissertação de Mestrado apresentada à Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
330 Geograficamente, Periferia significa as franjas da cidade e para a sociologia urbana o local onde moram os pobres. Na medida em que a cidade cresce, por anéis concêntricos, as franjas vão sendo equipadas, melhora a qualidade da habitação produzida em autoconstrução e novas periferias vão sendo produzidas. No decorrer do século XX, o padrão de segregação comum às metrópoles brasileiras é o que diferencia o centro da periferia em termos de equipamentos urbanos (água, esgoto, luz, transporte público). Cf. SILVA LEME, Maria Cristina da. O impacto da globalização em São Paulo e a precarização das condições de vida. Santiago: EURE, vol. 29,
núm. 87, ago. 2003, p. 23-36. Disponível em:
<http://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0250-71612003008700002&lng=es&nrm=iso>. Acessado em: 07/07/2015; A evolução do processo de urbanização de São Paulo está detalhada em OLIVEIRA, Cláudio de. Opus cit.
331 CÁRITAS BRASILEIRA. Quem somos e histórico. Disponível em http://caritas.org.br/quem-somos-e- historico. Acessado em: 10/05/2014.
Pe. Ubaldo tinha experiência na criação de Centros Comunitários, na formação de líderes e animadores da comunidade, adquirida com seis anos implantando 400 comunidades no estado do Espírito Santo. Expondo a metodologia própria dessa experiência a Dom Paulo Evaristo, este aceitou que fosse feito dessa forma e convidou Pe. Ubaldo para assumir como coordenador do projeto Operação Periferia.
Os trabalhos da Operação Periferia foram iniciados em outubro de 1972 e a partir daí absorveu toda a atenção da Arquidiocese no que diz respeito à sua solicitude com as pessoas mais necessitadas. O desafio era mostrar que a proposta de ser formar Comunidade Eclesial de Base era também aplicável a uma cidade, pois até então era considerada apenas "coisa de pobre e roça, não de cidade", conforme lembra Pe. Ubaldo. Representava uma forma diferente de ser Igreja, pois não seria uma prestação de serviço que se restringia à assistência, mas significava viver junto com o pobre, engajando-se na vida da comunidade. O Pe. Ubaldo explica:
“Mas, na verdade, comunidade eclesial de base não é reunir pobre, comunidade eclesial de base é ter uma visão nova de Igreja, uma visão diferente de Igreja comprometida, participativa, onde o pessoal se conhece, vive, participa e assume, então pode ser com qualquer pessoa, com qualquer cristão que opte por viver e testemunhar sua fé”.332
Os recursos da Arquidiocese eram escassos, por isso, em 1973, Dom Paulo Evaristo vendeu o Palácio Episcopal Pio XII, que era usado como residência oficial do Arcebispo de São Paulo, e com isso levantou dinheiro para erguer paróquias e fazer o trabalho pastoral na periferia da cidade. Segundo seu entendimento:
Nossas periferias, já um tanto abandonadas, agora estavam recebendo numerosos imigrantes do Nordeste por causa das secas, todo mundo concordou que alguma coisa deveria ser feita. Sem plano ainda estabelecido, propus que a Igreja desse o primeiro passo. Não podendo construir casas para todo mundo, poderia, quem sabe, levantar centros comunitários que
332 Entrevista concedida por padre Ubaldo Steri a Cláudio de Oliveira em 23/04/2008, Apud OLIVEIRA, Cláudio de. Opus cit., p. 115.
abrigassem as pessoas ao chegarem à cidade de São Paulo, mantendo-as lá enquanto procurassem trabalho e moradia para suas famílias.333
Com o dinheiro levantado com a venda do Palácio Pio XII, muitos terrenos foram comprados em diversas regiões da periferia. Dom Paulo Evaristo queria ir ao encontro do povo e que esse povo pudesse rapidamente começar a se reunir.
Considerando que a construção de igrejas demoraria muito tempo e, ainda mais, conseguiria reunir as pessoas somente aos domingos – e mesmo assim com algumas limitações – optou-se pela construção de espaços onde o povo pudesse logo se reunir. Como lembra Pe. Ubaldo, ao invés de construir uma igreja em cada terreno, a primeira ideia era construir Centros Comunitários, com "um salão amplo, fácil de ser dividido, com área suficiente para acolher de meia dúzia a dez famílias, reservando ainda um lugar para a cozinha e algum outro espaço para reuniões." O mesmo salão serviria como igreja. Ali também poderia abrigar uma creche, clube de mães, alfabetização, reuniões, etc.
Assim a Operação Periferia trazia em si outra grande novidade, fruto de uma decisão estratégica de Dom Paulo Evaristo: a prioridade era construir Centros Comunitários, ao invés de Paróquias, pois para ir ao encontro do povo, era necessário abrir espaço onde o povo pudesse se reunir mais rapidamente. De fato, logo o povo da periferia se reuniu, sem esperar a ajuda do Centro, que foi pouca e limitada.
Os terrenos deveriam ser escolhidos com cuidado, levando "em conta a distância para o trabalho, as possibilidades de condução e até de pagamento."334 Nesse esforço de procurar e comprar os terrenos, mais uma vez pode-se verificar a ganância de alguns proprietários, pois sabendo que a interessada pela compra era a Igreja, subiam muito os preços, conforme recorda Dom Paulo Evaristo: "Alguns ricos sabem tirar vantagem, mesmo dos lugares onde os pobres deveriam ser socorridos!" Por isso, os padres e leigos que saíram em toda parte para procurar os lugares indicados, não revelavam que eram para a Igreja.335
Foram construídos centenas de Centros Comunitários, até esgotar o dinheiro. Em 1979, a partir de uma reunião entre Dom Paulo Evaristo e um representante da Misereor durante a
333
ARNS, Paulo Evaristo. Da esperança à utopia: testemunho de uma vida. Rio de Janeiro: Sextante, 2001, p. 164.
334
ARNS, Paulo Evaristo. Opus cit., p. 165-166. 335
Assembleia Episcopal Latino-Americana em Puebla, essa organização alemã mostrou-se interessada em participar do esforço de compra dos terrenos destinados aos centros comunitários, oferecendo três milhões de dólares. Com a ajuda alemã e também de outros países, além do empenho próprio, a Arquidiocese comprou mais de 1200 terrenos.
A ajuda alemã ao Brasil já ocorria há muitos anos, conforme relatava uma matéria do jornal O São Paulo, de 1968336:
Há mais de dez anos vem sendo prestada à América Latina uma ajuda preciosa da parte do povo cristão alemão e mesmo do governo de sua nação. São as organizações católicas:
Adveniat, com sede em Essen, a qual aplica os recursos recolhidos em toda a Alemanha no dia de Natal. Acode a obras religiosas, como seminários, escolas paroquiais, formação de catequistas, universidades católicas, amparo a sacerdotes enfermos ou velhos, atendimento à juventude, a tudo que diz respeito à melhoria intelectual e organizadora na América Latina.
Misereor, com sede em Aachen, destina-se a enfrentar a miséria e a fome no mundo. Emprega as coletas feitas na Quaresma e distribuiu, de 1959 a 1967, cerca de 125 milhões de dólares, não visando nem considerando o aspecto religioso dos projetos. Assim, tem financiado propostas de escolas técnicas, de irrigação, de hospitais, de leprosários. Dispõe Misereor de voluntários, leigos de varias profissões, trabalhando em diversas partes do mundo. Central Católica, que dispõe de verba federal, mas é administrada pelo mesmo pessoal de Misereor, com contabilidade separada. Já realizou 310 projetos na América Latina, num total de 11,6 milhões de dólares.
A essência dos Centros Comunitários era assumir a evangelização, estimular a vivência comunitária, rezar o culto, fazer o trabalho social e formar líderes de comunidade, e chamando todos a participar, cada um fazendo o que estava ao seu alcance. Era uma linha afinada com o melhor da teologia da libertação, no sentido de tornar o povo responsável confiante para decidir, organizar e assumir suas próprias coisas e suas necessidades. A intenção era valorizar os leigos, em união com uma Igreja vocacionada para a comunidade, trabalhando para que a promoção do povo fosse verdadeira, uns ajudando os outros para que pudessem se defender e reivindicar, fazendo algo com recursos próprios, sem precisar recursos de terceiros, de fora, que na realidade era pouco e demorava. A exortação apostólica
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Evangelii nuntiandi (1975), veio a mostrar que o magistério da Igreja concordava que a Igreja deveria passar "uma mensagem de libertação":
A Igreja (...) tem o dever de anunciar a libertação de milhões de seres humanos, sendo muitos destes seus filhos espirituais; o dever de ajudar uma tal libertação nos seus começos, de dar testemunho em favor dela e de envidar esforços para que ela chegue a ser total. Isso não é alheio à evangelização.337
Da mesma forma, segue prossegue essa exortação apostólica de Paulo VI, existem de fato laços profundos: laços de ordem antropológica entre evangelização, promoção humana, desenvolvimento e libertação, considerando que a pessoa a ser evangelizada é condicionada pelo conjunto dos problemas sociais e econômicos; laços de ordem teológica:
É impossível aceitar "que a obra da evangelização possa ou deva negligenciar os problemas extremamente graves, agitados sobremaneira hoje em dia, no que se refere à justiça, à libertação, ao desenvolvimento e à paz no mundo. Se isso porventura acontecesse, seria ignorar a doutrina do Evangelho sobre o amor para com o próximo que sofre ou se encontra em necessidade".338
Como resultado, a Operação Periferia revelou os problemas reais do povo, quais eram os mais graves e, portanto as suas prioridades. Por isso conseguiu transformar São Paulo, já que oito milhões de pessoas moravam na periferia metropolitana.