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pedagógico, controle acadêmico e atendimento ao público.

A opção de fazer uma reunião com os quatro gerentes decorreu de duas intenções: levantar dados para uma futura intervenção, e permitir ocasião para que se informassem sobre as áreas e suas características. Na reunião falou um gerente de cada vez e, ao final, foi feita checagem do que havia sido dito.

a) Gerente de apoio pedagógico

Sobre o contexto atual, afirmou que estava esperançosa, pois conheceu o trabalho do diretor em outra instituição e sabia que ele iria fazer um bom trabalho.

Não conhecia muito a história da escola, era recém-admitida, ainda estava tomando conhecimento da situação, sabia apenas que as administrações anteriores não estavam muito preocupadas com os conteúdos das atividades propostas e que, para resolver esse problema foi criada a área de apoio pedagógico, que seria gerenciada por ela nessa gestão.

Relatou que seu objetivo era utilizar seu conhecimento técnico para auxiliar os proponentes das atividades no que dizia respeito aos conteúdos das atividades acadêmicas. Disse também que o responsável da área de ensino tinha pedido a ela, entre outras solicitações, que estruturasse um trabalho para auxiliar os proponentes que estavam desenvolvendo projetos de pesquisas, pois esse trabalho praticamente não existia na escola atualmente.

Sobre as barreiras que impediam seu trabalho, relatou que ainda não sabia o que poderia ameaçar, pois tinha sido muito bem recebida e que percebia que as pessoas estavam muito animadas.

Sobre sua contribuição, relatou que estava muito motivada com esse novo trabalho, que acreditava que um trabalho muito bom seria feito, e que faria o que fosse necessário para contribuir com a organização.

b) Gerente de apoio didático

A entrevista começou com a gerente relatando que sua área funcionava desde que a escola foi criada, que fornece todo o apoio didático aos proponentes, que inclui material didático, arte para divulgação, folders, cartazes e banners e até revisão literária para publicação de obras.

Afirmou que sua meta é conseguir trabalhar bem no atendimento a todos os clientes da escola, o que vinha sendo muito difícil, pois a equipe era pequena e atendia a pedidos de clientes de várias organizações vinculadas à escola, inclusive clientes de outros estados.

Resumiu dizendo que, hoje, o que atrapalha é a falta de definição do escopo de trabalho de sua área; relatou serem absurdos alguns pedidos, uma vez que variavam desde um único exemplar de folder até 500 cópias de uma dada publicação, com prazo urgente. Dessa forma, concluiu, não conseguia atender bem a ninguém.

Ainda sobre a falta de regras, afirmou que chegavam pedidos de todas as áreas, dos proponentes, de clientes de outras instituições, sem nenhuma documentação, e que tinha de atender a todos, pois entende que não tem respaldo para dizer “não”.

Observou também que existia um problema de definição de atribuição; relatou que muitas vezes duas áreas tinham as mesmas atribuições, e outras atribuições não eram assumidas. Esclareceu que isso acontecia principalmente por terem sido extintas algumas unidades, sem que se redefinissem suas atribuições.

Afirmou que acredita muito na nova gestão, pois, pela primeira vez, ouviu falar em planejamento, e que isso era “uma conversa rara por aqui”.

Quanto ao que temia impedir seu trabalho, relatou que o grande risco seria se a nova gestão não conseguisse implantar seu projeto, pois julgava que a maioria das dificuldades ocorriam por conta da cultura construída ao longo dos anos na instituição, e que não tinha certeza se as pessoas iriam de fato conseguir fazer todas as mudanças necessárias.

Perguntada sobre o que queria que acontecesse para que esses empecilhos não atrapalhassem seu êxito, relatou que queria que todos de fato se envolvessem no trabalho, sendo sistematicamente informados e convocados a participar. Relatou que é comum, no início de um trabalho, que as pessoas se empolguem, mas que ao fim tudo voltava a ser como antes; e que costumeiramente, apenas um grupo muito pequeno conseguia chegar até o fim; e

que a maioria voltava a ficar à margem. Relatou que gostaria que todos, de alguma forma, aprendessem a se comunicar, pois esse problema é gritante.

Sobre sua contribuição, declarou que está e estará o tempo todo disponível para o que for necessário e tem bastante disposição para o trabalho.

c) Gerência de controle acadêmico

Começou dizendo que, assim como sua colega, tinha muito tempo de casa, porém sua área tinha sido recentemente ampliada pela nova gestão. Relatou que também conhecia o diretor por outros trabalhos que realizou e acredita ele irá fazer um bom trabalho.

Reafirmou o que havia sido dito pela gerente de apoio didático, dizendo que o problema era exatamente este, falta de planejamento e regras.

Relatou que sua área sofria dos mesmos males, inclusive problemas de comunicação; havia projetos que aconteciam e havia pessoas que trabalhavam nas áreas de interesse e nem ficavam sabendo.

Outro problema que via é que a cada gestão param alguns trabalhos e recomeçam outros, e com isso as pessoas ficam desgastadas e também prendiam a informação.

Reportou que, por falta de organização e comunicação, a área de administração não conseguia atender os pedidos em tempo hábil, não informava os prazos para aquisição. Relatou que a área de ensino tinha de “ficar atrás” da área de administração para poder honrar os pedidos no prazo, e que às vezes não conseguiam realizar o trabalho.

Como sua área é nova, citou como meta conseguir organizar sua área de forma a contribuir com as metas da área de ensino e, conseqüentemente, com as da direção da escola.

Citou como riscos ao seu trabalho as coisas continuarem como estão. Afirmou que, se algo não for feito, a escola corre o risco de ser extinta, pois não consegue cumprir o propósito para qual foi criada e sua imagem perante ao público é muito ruim.

Relatou que deseja muito que esse trabalho de reestruturação venha para ficar, que dê resultados consistentes, e que está disposta a contribuir com sua disponibilidade e experiência para ajudar a organização.

Declarou que trabalha na casa há muito tempo e já passou por diversas administrações, e que mesmo com esse clima de insegurança da troca de gestão está motivada a trabalhar.

d) Área de atendimento ao público

Essa entrevista de início foi difícil, pois a responsável pela área, com receio de falar, respondia às perguntas de forma evasiva e sem posicionamento.

Interrompemos a entrevista e perguntamos se havia algo que temesse ou pudesse perder; logo em seguida fez silêncio e retomou a fala dizendo que queria ajudar, mas que tinha receio de ser retirada da coordenação da sua área.

Foi esclarecido que a entrevista tinha caráter de captação de informações para uma futura intervenção, que no material produzido não seriam revelados nomes nem detalhes pessoais, e que todos os dados coletados nas entrevistas visavam contribuir para o trabalho de reestruturação da organização e não para punição de pessoas.

Após o esclarecimento, deu-se inicio à entrevista, com a gerente relatando que vê hoje a escola como uma instituição que vive no caos, que a desorganização é muito grande, e que as pessoas não estão preocupadas em trabalhar corretamente, e que há muita gente se beneficiando da bagunça.

Descreveu que os clientes são mal educados, não sabem o que querem e também não conhecem os serviços prestados pela escola.

Disse que os trabalhadores, em sua maioria, estão ali para receber o pagamento e não querem trabalhar; disse que há pessoas que realmente trabalham com seriedade e que freqüentemente ficam sobrecarregadas.

Relatou que trabalha há mais de cinco anos na organização e que as três gestões que presenciou não estavam preocupadas com a qualidade dos cursos oferecidos, mas, sim, em fazer festas, viagens e eventos vazios com os recursos disponíveis.

Em relação ao seu objetivo de trabalho, relatou que está muito desanimada, pois todas as vezes em que se muda o diretor é a mesma coisa, mas que vai fazer o seu trabalho de ficar ouvindo reclamações dos usuários e correr de um lado para outro para resolver problemas urgentes e pouco importantes.

Quanto ao que julga ameaçar o êxito de seu trabalho, relatou que nada ameaça, pois não vê êxito pela frente.

Perguntada o que queria que acontecesse para que os problemas relatados não impedissem o trabalho, reportou que queria muitas coisas e que, apesar de não acreditar na possibilidade de mudança, gostaria que o atual diretor fizesse jus à fama de bom administrador, e que, se fizesse pelo menos um terço do que dizia, já estaria ótimo.

Sobre sua contribuição, disse que vai fazer o que for determinado para que as coisas funcionem.