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Na contra capa estão apresentadas as pessoas envolvidas no processo de publicação, como: capa, composição e ilustração, fotolitos, impressão e acabamento e revisão, mas não é especificado o nome do editor. Nesse local, também constam a ficha catalográfica e o endereço da editora. Essas características são as mesmas em todos os livros componentes da coleção.

As capas apresentam fundo de cores diferentes de acordo com as séries, conforme podemos constatar na ilustração abaixo.

Figura 17: Foto ilustrativa das capas da coleção analisada de 2005.

A folha de rosto apresenta dados técnicos completos da obra e no verso da contra capa é apresentado o agradecimento aos vários colaboradores na elaboração e publicação do trabalho.

Assim como a coleção de 1982, essa coleção apresenta folhas de separação de conteúdo. Essas folhas apresentam cores e figuras diferentes de acordo com o tema a ser tratado em cada unidade (fig. 18).

Figura 18: Foto ilustrativa das folhas de separação de conteúdos, coleção de 2005.

Segundo o guia do PNLD – Plano Nacional do Livro Didático de 2005 (BRASIL, 2004, p. 75), outra característica da obra é a “[...] apresentação rigorosa e sistematizada dos conteúdos matemáticos usuais nessa etapa escolar. Além disso, incorpora algumas das recomendações recentes para o ensino da disciplina, como o recurso à História da Matemática”. O autor aborda várias das tendências mencionadas, mas na análise que veremos a seguir a coleção se sobressai pela abordagem que faz em relação à Resolução de Problemas. Essas recomendações são importantes, pois têm em vista a formação do cidadão, que é uma exigência da nova LDB - Lei de diretrizes e Bases da Educação (1996).

A apresentação da obra, diferentemente daquela de 1982, é feita pelos próprios autores. Nela, eles destacam os seguintes pontos: a separação dos exercícios para serem feitos em sala e em casa; o cuidado de inserir situações problemas ligados à realidade cotidiana, testes para avaliação de aproveitamento, desafios, a história da Matemática discutidos em textos de leituras sob a seção “Matemática no tempo”, e também o tratamento da informação, relacionado a textos de jornais ou revistas.

Nessa apresentação é importante observar que os autores estavam atentos às exigências do PNLD de 2005 e também às propostas contidas nos PCNs. Segundo esse último documento, o Livro Didático deve ser um instrumento que possibilita ao aluno utilizar a Matemática de modo a usar os conhecimentos nele contidos para “globalizar processos e situações”. (BRASIL, 2004)

A coleção publicada pela Editora Atual situada na cidade de São Paulo (SP), é formada por livros não consumíveis, visando principalmente à utilização deste por mais de um ano na escola pública – no Brasil, o livro didático concedido pelo governo tem seu uso estipulado como obrigatório por no mínimo 3 (três) anos consecutivos. Nos livros destinados ao professor estão inseridos no final, além das respostas, o manual do professor, sugestões de atividades e resoluções.

No manual do professor, podemos destacar a preocupação em apresentar minuciosamente a obra. Esse aspecto é importante para os avaliadores da obra, responsáveis

pela aprovação da coleção e, conseqüentemente, pela sua inserção no guia do PNLD e também para a análise daqueles professores interessados em adotá-la como livro texto. No decorrer dos anos, o manual que acompanhou essa coleção sofreu algumas mudanças, segundo o professor Iezzi, que assim as justifica em entrevista realizada em 07 (sete) de agosto de 2007.

O manual também teve uma evolução no nosso trabalho. Começou, simplesmente, como uma descrição da obra e com a resolução das questões mais difíceis. É sabido, público e notório que o professor de MAT da escola pública dá muitas aulas e tem pouco tempo para pesquisa e leitura, então é bom que ele tenha uma fonte a que recorrer quando tem dúvida sobre a resolução dos exercícios. Isto aconteceu comigo. Profissionalmente, várias vezes, tive de recorrer a livros com exercícios resolvidos e não vejo nada de diminutivo neste tipo de pesquisa bibliográfica. O professor precisa ter uma fonte.

Depois de algum tempo, esse manual revelou-se insuficiente, quer dizer, um manual tem que ter mais que a descrição da obra e exercícios resolvidos. Atualmente, nosso manual tem comentários de natureza pedagógica sobre aquela série que o professor vai trabalhar, tem sugestões de atividades, tem uma bibliografia complementar para o professor, etc . No Brasil de hoje, não acredito que uma bibliografia de MAT exerça algum efeito significativo sobre o aluno da escola básica, mas para o professor é diferente. O professor tem que ter uma bibliografia, tem que ter indicação de livros que vão muito além do livro didático. Embora a maioria dos professores tenha na sua casa tão somente o livro didático, eles têm que ter uma boa bibliografia e em língua portuguesa. Não adianta você pensar academicamente, colocando bibliografias em inglês, francês, alemão ou italiano. O nosso professor, em média, é conhecedor de língua portuguesa e, no máximo, um pouco de inglês ou espanhol. O manual tem que sugerir atividades para o professor fazer, porque o cotidiano do professor da escola brasileira é a aula expositiva, devido às condições que ele tem que enfrentar com classes numerosas, heterogêneas demais, com graves problemas de disciplina. Então, saindo da aula expositiva, o professor tem pouco tempo de criar novas estratégias. É bom que os autores sugiram atividades, mas essas atividades, em nossa opinião, não devem ser sugeridas no livro do aluno, porque alguns alunos passariam a fazer uma cobrança sobre professor: “Nós não vamos fazer esta atividade? E aquela outra?” Tem que colocar no manual para que o professor escolha se ele vai fazer ou não a atividade. Pode ser uma atividade em grupo e só o professor sabe se a classe vai comportar aquela atividade. Então, é tudo isto que nós temos no manual do professor. Abordamos algumas questões que na Matemática são pontos cruciais, como a questão da avaliação, por exemplo. Muitos professores de matemática, especialmente os do passado, erraram gravemente na avaliação da aprendizagem, e isto queimou a MAT por muito tempo, então a questão da avaliação da aprendizagem é uma coisa ainda a ser digerida muito bem pelos professores de Matemática. Não deve ter pena de morte na avaliação de matemática, porque quem morre é o aluno para a matemática. É a avaliação de um momento, de uma hora.

Vemos então, por essa justificativa, a importância do manual para esse autor, que o vê, juntamente com o Livro Didático, como um dos materiais de apoio e de sugestões às

atividades pedagógicas do professor. Por isso afirma que juntamente com os outros autores procurou introduzir modificações metodológicas de acordo com cada série.

Como “sugestões de atividades”, os manuais apresentam três exemplos de jogos para o professor trabalhar números inteiros, sendo um deles o jogo de dominó; uma atividade sugerindo questionamentos para se trabalhar com números racionais; no ensino de algema sugere o trabalho com problemas envolvendo perímetro e área de figuras planas. No item ligado à geometria apresenta uma atividade com modelagem e na estatística uma ficha-entrevista que com o apoio do professor teria o objetivo de envolver o aluno na análise de dados e na construção de gráficos de barras e setores.

Ao apresentarem a coleção, destacam como aspectos positivos os exercícios que buscam interligar a geometria e a álgebra e também a antecipação e capítulos de geometria. É importante ressaltar que esse requisito é básico para que a coleção e outras sejam aprovadas no processo de avaliação do Livro Didático.

A coleção apresenta também características tecnicista, esse fato é percebido já no manual ao verificar a preocupação em objetivar instrucionalmente as atividades. A apresentação do manual aponta que os livros foram escritos tendo como base que o ensino de Matemática:

[...] deve estar inserido no contexto geral da educação do adolescente, entendendo que cabe à escola selecionar os objetivos gerais e instrucionais que melhor atendam às necessidades de seus alunos e que compete ao professor programar certas atividades de forma a motivar o estudante para a aprendizagem. 20

Para isso, procuram tratar o Livro Didático como material de apoio buscando:

[...] organizar formalmente a teoria por meio de um texto correto, conciso e claro; intercalar com a teoria séries de exercícios e problemas variados que conduzam à realização de operações mentais diversificadas; introduzir problemas não clássicos que estimulem a curiosidade do aluno. 21

Os manuais da coleção apresentam minuciosamente as obras quanto aos seus objetivos e organização: das unidades, dos capítulos, dos exercícios, respostas e testes. Apresenta também os principais temas a serem distribuídos os 4 (quatro) volumes, que são:

1. Números. 2. Aritmética aplicada. 3. Estatística e contagem 4. geometria 5. Medidas. 6. Cálculo algébrico.

7. Equações, inequações e sistemas. 8. Funções. 22

20 Manual do professor, p. 2. 21 Manual do professor, p. 2. 22 Manual do professor, p. 3.

Como critérios para a distribuição dos conteúdos foram utilizados: a seqüência lógica, o desenvolvimento mental do adolescente, a preferência dos professores e os programas oficiais (IEZZI et al, 2005, p.3). Ressalta também as características, a importância da obra e ao final do manual comenta sobre a avaliação e dá algumas sugestões de leitura ao professor.

De acordo com cada volume, o autor comenta os principais assuntos tratados e apresenta os conteúdos e os objetivos instrucionais, conforme ilustração abaixo:

Figura 19: Objetivos instrucionais, manual 5a série; p. 9.

E finaliza com uma lista de sugestões de atividades e com resoluções a respeito dos desafios propostos. O tecnicismo pode ser percebido nessa ficha ao destacarmos verbos como: reconhecer, comparar, empregar, associar e empregar.

Para apresentar as mudanças e as permanências existentes nos volumes trataremos a seguir da descrição de cada um individualmente.