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Fire Risk Model (FRM)

4.2 Mathematical Formulas and Implementation

4.2.1 Modelling Relative Humidity

Em relação às coleções analisadas nesse trabalho – “Matemática” (1982) e “Matemática e Realidade” (2005) – o professor Iezzi faz algumas considerações: a coleção está no mercado há 27 anos e se encontra na sua quinta edição. As edições ocorreram nos anos de 1981, 1992, 1997, 2000 e 2005. Observamos que as reedições a partir de 1997

ocorreram em intervalos de tempo menores, coincidindo com os períodos de análise do livro didático, com o propósito de atender às exigências do PNLD.

Em relação à expectativa dos professores, o autor afirma que os livros são escritos a fim de atendê-las, pois, para ele na escolha do livro didático, geralmente, a preferência está naquele que mais se adapta às necessidades do momento e também àquele que é de fácil manuseio. Em relação a esse aspecto, o autor ainda explica que:

[...] Os livros didáticos mais usados são aqueles que o professor considera compatíveis com sua clientela e a carga horária disponível, portanto, em certo sentido o que está no livro é aquilo que os professores praticam. Em outras palavras, livros didáticos “revolucionários”, “totalmente inovadores” não encontram respaldo a longo prazo e são esquecidos. O livro é por natureza preservadora do “status quo”, portanto, não se consegue mudar o rumo do ensino só com os livros.

Essa opinião vai ao encontro de vários trabalhos que vêem o livro didático como um objeto importante para o estabelecimento da trajetória de uma disciplina dentro de um contexto sócio-histórico, pois, segundo Chervel (1990, p.203),

Dos diversos componentes de uma disciplina escolar, o primeiro na ordem cronológica, senão na ordem de importância, é a exposição pelo professor ou pelo manual de um conteúdo de conhecimentos [...] para cada uma das disciplinas, o peso específico desse conteúdo explicito constitui uma variável histórica cujo estudo deve ter um papel privilegiado na história das disciplinas escolares. É uma variável que, em geral, põe em evidência algumas grandes tendências: evolução que vai do curso ditado para a lição aprendida no livro, da formulação estrita, até mesmo lapidar, para as exposições mais flexíveis, da recitação para a impregnação, da exaustividade para a seleção das linhas principais.

Devido ao fato de escrever livros didáticos em diferentes períodos da história brasileira, o professor Iezzi, em sua entrevista também aborda várias questões relativas ao uso, finalidade, mercado e política do livro didático. Ele aponta como aspecto relevante para o mercado editorial o processo de redemocratização ocorrida em 1986 e consolidada com a Constituição Federal de 1988. Para ele, a relevância desse processo se encontra no fato de os autores e editoras se tornarem mais rigorosos em relação aos textos publicados, principalmente em relação a linguagens que pudessem induzir a preconceitos. Ressalta ainda que além desses dois fatores, há a avaliação promovida pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), que também desempenhou importante papel nesse processo.

Na entrevista, o autor faz uma análise crítica muito interessante quanto ao papel, à finalidade do livro escolar na educação brasileira. Para ele:

[...] nos países do primeiro mundo, o livro-texto de MAT é meramente mais um dos instrumentos utilizados pelos professores para agilizar suas aulas. Além de usar métodos modernos de comunicação áudio-visual, variar as atividades pedagógicas, elaborar e levar a sério o planejamento escolar etc., o

professor também usa o livro-texto. Os livros-texto não têm estruturas muito diferentes dos nossos. Eles apresentam usualmente uma parte teórica bem estruturada, séries de exercícios para treinamento de técnicas, séries de situações-problema que levem o aluno a raciocinar e sugestões de atividades. Em nosso país, o livro-texto de MAT é bem mais do que isso. Devido às deficiências na formação dos professores e às condições adversas em que estes têm de trabalhar, o livro-texto serve como: fonte de informação para o professor; fonte de informação para o aluno; manual de exercícios e atividades; estimulador de estudos mais aprofundados. Muitos professores usam o livro como verdadeiro guia para seus cursos, invertendo a natural ordem de importância para o ensino que deveria ser: em primeiro lugar a condução do professor e em segundo lugar as propostas do livro.

E finaliza a questão afirmando que os objetivos do ensino no decorrer das últimas décadas não mudaram muito. Quanto à centralidade do livro didático no ensino de Matemática nas escolas brasileiras, ele acredita que é necessário “[...] deixar para o professor a escolha do livro que lhe parecer melhor”, e continua afirmando que,

[...] o hábito de se considerar o livro didático como o principal (às vezes, o único) recurso didático-pedagógico disponível. Também acho péssimo que assim seja. Melhor seria que o aluno tivesse acesso a vários livros durante o ano letivo. Melhor ainda seria se as escolas dispusessem de laboratórios para ensino da Matemática. Melhor ainda seria haver possibilidade de aulas mais iterativas e menos expositivas, mas tudo isso esbarra na limitação de recursos destinados à Educação em nosso país.

Uma das conseqüências dessa limitação de recursos faz com que muitos professores assumam várias atividades, deixando pouco tempo para planejamento e cursos de aperfeiçoamento. Em decorrência disso, assumem o livro não apenas como único recurso de ensino – atualmente vemos que as pesquisas relativas à prática docente, mostram a necessidade de inovação tanto em relação ao conteúdo quanto em relação à variação de metodologias e técnicas de ensino – mas também como manual metodológico e currículo.

O autor afirma também que ele, juntamente com seus co-autores, busca desde a primeira coleção, e cada vez mais, voltar o ensino dos conteúdos para a aplicação e a contextualização da Matemática, facilitar a linguagem e o entendimento dos conteúdos, por isso afirma que a preocupação com o rigor lógico muitas vezes é sacrificado em prol de um entendimento mais fácil pelo aluno. Esse pensamento justifica a característica existente em seus livros de utilizar exemplos e por meio das regularidades, mostrar diversas propriedades encontradas na Matemática.

Diante dessas considerações, tratamos a seguir da análise da obra “Matemática” (1982), escritos em parceria dele (Iezzi) e Osvaldo Dolce e Antonio dos Santos Machado10.