Uma vez definidos os processos, será necessário um suporte físico, com maior ou menor nível de tecnologia e sofisticação, onde os mesmos possam ser instanciados para cada realidade em concreto. As plataformas analisadas estão ligadas a uma ferramenta, que disponibiliza um repositório e, no caso do OpenUP, a uma ferramenta de engenharia (criação e edição) de processos. No caso do OPF, a linguagem de modelação de processos é o UML [HENDERSON-SELLERS, 2004].
Distanciando-nos das ferramentas disponíveis, e fazendo a ponte com as secções anteriores, a própria colaboração é um processo, e pode ser definida com base em ferramentas de modelação de processos. Ou seja, de forma a permitir uma colaboração e comunicação mais claras e eficientes ao nível da Universidade e dos seus parceiros empresariais, os processos de gestão de projectos de inovação da Universidade devem incorporar de forma nativa os métodos, ferramentas, tarefas, produtos e entregáveis.
Esta afirmação deriva directamente da análise das barreiras à Colaboração Universidade-Empresa identificadas em [ROHRBECK e ARNOLD, 2006], efectuada no ponto 2.1.1. .
De notar a distinção entre uma framework onde serão instanciados os processos de gestão de projecto e um sistema de suporte à gestão de projectos. O primeiro permite a publicação dos processos que devem ser seguidos em todos os projectos onde se apliquem, enquanto o segundo tipo de sistemas é usado pelos gestores de cada projecto, onde é instanciado um sistema de gestão de projecto específico.
2.3.1. Eclipse Process Framework
O objectivo da comunidade Eclipse Process Framework (EPF) é o desenvolvimento de uma framework de engenharia de processos orientado para a gestão ágil de projectos, baseada no OpenUP (ver secção 2.2.3), uma ramificação do IBM RUP39 para projectos
open source, assente sobre a plataforma Eclipse40. Para tal, foi desenvolvida por esta
comunidade a ferramenta Eclipse Process Framework Composer. Como o nome indica, esta assenta sobre a plataforma Eclipse, doada pela IBM à comunidade open source e que tem recebido uma grande adesão de novos projectos e dos developers. Como projecto Eclipse, está disponível uma grande quantidade de informação numa área dedicada, a qual foi consultada, e cujo resumo é aqui explanado.
A solução serve dois propósitos fundamentais, apresentados por um dos principais impulsionadores do EPF, o Dr. Peter Haumer [HAUMER, 2006]:
Providenciar uma framework de engenharia de processos de software, permitindo a criação, modificação, armazenamento e publicação dos mesmos; Servir de biblioteca de processos de gestão e desenvolvimento de software,
adicionados pela organização ou pela comunidade, para suportar desenvolvimento iterativo e ágil.
O princípio fundamental do EPF é a separação entre o conteúdo dos métodos - que descreve o que irá ser produzido, as apetências necessárias, e a explicação detalhada de
39 O IBM RUP (Rational Unified Process) é uma framework de processo iterativo de desenvolvimento de software, criado pela
Rational Software Corporation, uma divisão da IBM desde 2002.
como cada objectivo será alcançado – dos processos – que representam o ciclo do desenvolvimento, ou seja, a especificação da sequência entre os diversos elementos dos métodos utilizados [HAUMER, 2007].
As bibliotecas de conteúdos permitem estruturar, normalizar e agregar conhecimento sobre os processos e práticas de desenvolvimento, uma vez que normalmente a aprendizagem por parte dos membros das equipas é efectuada através de meios heterogéneos, como livros, artigos, documentação, treino e aconselhamento [HAUMER, 2007].
Figura 9 - Exemplos de elementos dos métodos e de processos
Na vertente da engenharia de processos, o EPF Composer providencia uma plataforma unificada que suporta a gestão de processos, tanto através de abordagens tradicionais baseadas no método cascata, que requerem sequencias relativamente lineares de actividades, como as mais modernas e iterativas, como o RUP, DSDM, OPEN, XP e Scrum (algumas já apresentadas na secção sobre metodologias ágeis de desenvolvimento), que requerem estruturas mais complexas para representar os incrementos no desenvolvimento [HAUMER, 2006]. Actualmente já existem plug-ins disponíveis (extensões) ao EPF para o Scrum e para o XP. Estas bibliotecas contêm nomeadamente os perfis, artefactos, pontos de colaboração, que permitem a instanciação e adaptação de projectos segundo estas metodologias.
A utilização destas bibliotecas pretende suprir alguns dos problemas comuns que as equipas de desenvolvimento encontram quando estão a assimilar e a gerir os seus
métodos e processos [HAUMER, 2007]. A lista seguinte é uma adaptação da apresentada pelo Dr. Peter Haumer:
As equipas de desenvolvimento necessitam de acesso fácil e centralizado à
informação: muitas organizações não mantêm bases de dados centralizadas das
suas práticas e processos. Tipicamente, os processos ou não estão documentados de todo, ou estão fisicamente distribuídos em diversos formatos. Estes necessitam de ser implementados e tornados acessíveis no local de trabalho, providenciando documentação sobre os processos à medida que o trabalho é realizado;
É difícil integrar processos que são disponibilizados no seu formato
proprietário: cada livro e publicação que apresenta o conteúdo dos métodos e
processos utiliza um formato diferente. A falta de standards adoptados de forma alargada e de conceitos claramente definidos torna difícil a integração de processos de diferentes fornecedores e fontes;
As equipas têm falta de uma knowledge base41 para se educarem a elas
próprias em métodos e boas práticas: antes de desenvolver os seus processos
de desenvolvimento, as equipas necessitam de treino. Requerem uma knowledge base ou enciclopédia sobre métodos de desenvolvimento que reflictam de forma consistente as mesmas práticas e sobre que processos estão a ser definidos e que projectos estão a ser efectuados;
As equipas necessitam de suporte para dimensionar correctamente os seus
processos: necessitam de orientação para responder à questão ‘que quantidade
de processo?’42 é necessário. Os processos necessitam de ser ajustados, não só para cada projecto, mas de forma contínua ao longo do ciclo de vida dos projectos. Desta forma, os processos necessitam de ser aumentados ou diminuídos43, conforme a necessidade de construir ou modificar processos existentes para endereçar necessidades da organização, do projecto, ou mesmo de uma fase do projecto;
41 Traduzindo do The American Heritage Dictionary of the English Language, uma knowledge base é um
parte de um sistema especialista que contém os factos e as regras necessários para resolver problemas
42 ‘How much process?’ no original 43 scaled-up or scaled-down no original
Garantir o alinhamento a práticas standard: as equipas necessitam de ser capazes de tornar os seus processos e práticas standard no âmbito da organização, de gerir e implementar estas definições de processos e providenciar a capacidade de efectuar ajustes e modificações auditáveis destes processos de em determinados projectos;
Execução efectiva dos processos no projecto: as equipas necessitam de encurtar a distância44 entre a engenharia de processos e a sua execução, utilizando representações e terminologia similares. Os gestores necessitam da capacidade de importar os processos directamente para os seus ambientes de execução do projecto, existindo a ligação aos elementos de planeamento, tais como tarefas a realizar e as suas descrições.