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7 Vedlegg: Presentasjon av case-studie

7.7 Scandinavian Shipping Drammen

O levantamento inicial para verificar aquilo que os alunos já conheciam sobre o tema foi desenvolvido por meio de entrevistas semiestruturadas com as crianças, procurando investigar se tinham o hábito de observar o céu, quais objetos lhe chamavam mais atenção, se observavam a Lua e se notaram algo sobre ela. As perguntas foram elaboradas de forma a abordar o assunto, atentando-se a não induzir a criança para alguma resposta. O roteiro da entrevista se encontra no Apêndice A.

A ideia do primeiro levantamento não foi classificar e comparar as concepções alternativas ou prévias que os alunos dessa turma podiam apresentar, mas sim conhecer aquilo que eles já sabiam e pensavam sobre o tema, para propor as observações de forma que pudessem verificar algumas questões que demonstravam ainda não conhecer. Existem pesquisas que já organizaram conceitos ou concepções prévias/alternativas, conforme citado no primeiro capítulo deste trabalho (BAXTER, 1989, 1998; BISCH, 1998; BERALDO, 1997; STAHLY; KROCKOVER; SHEPARDSON, 1999; LEITE, 2002; FURTADO, 2005, GONZAGA, 2009).

Em relação à primeira pergunta, “Você costuma olhar o céu à noite?”, dos 15 alunos que responderam, nove disseram que sim: um deles afirmou “sempre”, quatro disseram “às vezes” e apenas dois disseram “não”. Mesmo as crianças que afirmaram não ter o hábito de observar o céu à noite disseram que já o olharam alguma vez.

Assim, seguiu-se a pergunta sobre quais astros os alunos costumavam ver. Segundo as respostas fornecidas, os mais mencionados foram as estrelas e, em seguida, a Lua.

Como o astro de interesse deste trabalho era a Lua, quando as crianças não a citavam entre as coisas que viam no céu à noite, introduzia-se o tema ao longo da entrevista.

As perguntas seguintes da entrevista trataram de tópicos específicos sobre a Lua e o gráfico a seguir mostra quais foram as respostas dos alunos. Organizou-se estas questões no Quadro 5 para facilitar a visualização:

QUADRO 5 – Respostas dos alunos às questões sobre a Lua.

Não sei Não Sim

A Lua muda de Lugar? 3 9 3

A Lua aparece sempre igual? 0 13 2

A Lua pode ser vista de dia? 0 6 9

Toda noite a Lua está no céu? 2 7 6

Como é possível verificar, a partir das respostas dos alunos, a maioria já percebe que a Lua não aparece sempre igual; algumas crianças chegaram até a mencionar alguma fase nessa pergunta, sem a professora/pesquisadora usar este termo em momento algum, como foi o caso da aluna Y:

Paula: Você me disse que olha a Lua todo dia, como você vê ela? YA: Cheia, minguante, lua nova, crescente... Lua... só isso. Paula: Você falou quatro nomes, são quatro luas?

YA: É uma só, só que a gente vê de quatro jeitos diferentes.

Essa conversa evidencia que as crianças já possuem alguns conhecimentos relacionados à temática que podem ter diferentes naturezas, desde as próprias experiências no espaço escolar, informações da televisão e outras mídias. Saber o nome das principais fases da Lua não significa necessariamente que a criança entenda o processo como um todo. Bisch (1998) apresenta em sua tese o uso de “chavões” que são repetidos de forma memorizada, padrão e com origem científica, porém que não fazem parte de uma rede de significados para a pessoa que os profere. Em seu trabalho, o autor faz referência aos “chavões” mantidos por professores, mas pode-se estender a uma possível interpretação da fala dessa aluna.

Para essa mudança de aparência, algumas crianças detalharam as explicações incluindo o porquê a Lua muda de forma, conforme mostra o Quadro 6:

QUADRO 6 – Explicações sobre mudança de forma da Lua.

Aluno Explicação

CA A escuridão “embrulha” a Lua

GS As nuvens ficam na frente e escondem uma parte RI Muda de formato por causa do Sol

Nas pesquisas de Baxter (1989, 1998) sobre concepções das crianças, o autor elencou pelo menos cinco tipos de explicações que elas apresentam para justificar o porquê da mudança de aparência da forma da Lua, como foi tratado no primeiro capítulo, disponíveis no Anexo 2, são elas:

 As nuvens cobrem parte da Lua;  Os planetas fazem sombra na Lua;  A sombra é do Sol;

 A sombra da Terra se projeta na Lua.

Esse levantamento em relação aos conhecimentos sobre a Lua e suas fases com as crianças não teve o compromisso de ser abrangente e sistemático em torno das categorias trabalhadas pelas pesquisas citadas, porém, algumas explicações surgiram por iniciativa dos alunos. É interessante notar a explicação de CA sobre a escuridão “embrulhar” a Lua, pois não se localiza esse tipo de explicação descrita por Baxter (1989) e pode evidenciar certo animismo à escuridão, não a identificando como consequência de obstrução da luz por qualquer outro elemento.

Através do gráfico, também é possível notar como os alunos, em sua grande maioria, afirmaram que a Lua não está sempre no mesmo lugar. Dos alunos que afirmaram que a Lua muda de lugar, um deles, o aluno GS, afirmou que mudava de lugar, pois o seguia. De acordo com o aluno, quando ele anda pela rua e quando sai de carro, a Lua fica seguindo-o por onde ele for.

A conversa com a aluna GA sobre essa questão foi bastante interessante, pois ela associou essa pergunta a uma explicação também relacionada às nuvens:

Paula: Você já reparou se ela (Lua) fica sempre no mesmo lugar ou ela muda de lugar?

GA: Eu acho que é as nuvens porque as nuvens ficam se mexendo parece que ela (Lua) está se mexendo.

É possível que as crianças tenham interpretado a questão do movimento da Lua neste momento de forma distinta em relação ao movimento observável, considerando as respostas dos alunos que indicaram algumas explicações, como GA e GS. Esses dados são interessantes e evidenciam, ainda assim, que apesar de as crianças perceberem de alguma forma que a Lua apresenta mudanças na sua aparência ao longo das noites, a maioria não percebeu sua mudança de posição em relação ao movimento observável diário. Isso demonstra a possível relevância da proposta da pesquisa.

Sobre a Lua aparecer de dia, a maioria dos alunos afirmou que às vezes ela aparece. Essa pergunta foi explorada um pouco mais e uma grande parte dos alunos disse que às vezes ela aparece, pois em alguns dias é possível vê-la quando os estudantes saem da escola, em torno das 17h30. GA afirmou que às vezes pode-se vê-la de dia, quando a nuvem não a esconde, e RI afirmou que às vezes ela está mais longe da Terra e por isso não seria possível vê-la de dia sempre. Apenas um dos alunos afirmou que a Lua está no céu de dia, porém não afirmou se considerava que a Lua estava sempre visível de dia ou eventualmente. Quatro alunos disseram que não é possível ver a Lua de dia; dentre eles, dois afirmaram que a Lua só fica no céu à noite e CA explicou com mais detalhes:

Paula: Você já viu a Lua de dia? CA: (Faz sinal negativo com a cabeça). Paula: Nunca?

CA: (Faz sinal negativo com a cabeça). Paula: Então ela não fica no céu de dia? CA: Só fica o Sol.

Paula: E onde será que fica a Lua quando o Sol está no céu? CA: A Lua está na outra parte do planeta.

Nesse diálogo, encontram-se resultados parecidos com os de Bisch (1998). Em sua pesquisa, feita com 18 alunos, apenas dois demonstraram perceber que a Lua também poderia estar de dia no céu. Segundo Bisch (1998, p. 46), existe uma tendência de as crianças perceberem uma “oposição permanente e sincronizada” entre Sol e Lua. Assim, percebe-se que as crianças que afirmaram ser possível ver a Lua de dia, em sua maioria, admitiam essa possibilidade em horários de transição entre a visão do Sol e da Lua no céu: no fim da tarde, na saída da escola.

A partir desses levantamentos, foi programada a primeira observação da Lua na escola com telescópio para que as crianças pudessem observar pela primeira vez, neste estudo, o astro de interesse. A partir de consulta às crianças, foi verificado que aquelas que participaram da atividade nunca tinham observado a Lua com um telescópio.