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1. Introduction

7.1 Geochemical Processes

7.2.3 Saturated and Aromatic Compounds

Tomado então o universo social enquanto construto sistêmico, buscou- se aqui caracterizar os projetos de educação implementados ou financiados pelas empresas associadas ao GIFE, do ponto de vista da intencionalidade dos proponentes e da inserção social dos beneficiários. Isto significa a necessidade de se considerar a situação social na qual estes atores e agentes sociais estão inseridos para que se possa construir uma leitura da situação o mais próxima possível da realidade.

Para tanto é necessário olhar para este mundo mais rápido e dinâmico, no qual se realiza a vida atual. Um mundo cheio de informações que fluem de forma rápida, invadindo a vida cotidiana das pessoas que nele vivem. Foi o universo global que aproximou as diferenças, fazendo com que cada vez mais as pessoas tivessem acesso ao outro e ao diferente. É o mundo do heterogêneo. Um mundo que, transformado pelo universo social e produtivo, tornou a vida cotidiana ao mesmo tempo mais leve e mais fluída.

Com efeito, da rigidez controlada pela rapidez de um cronômetro, ou pela precisão de uma esteira, o mundo passou a ser fundamentado na agilidade e na flexibilidade fundamentadas na tecnologia, na informação e no conhecimento. Uma sociedade na qual a ação precisa e controlada foi substituída pela versatilidade.

Ao mesmo tempo, às transformações sociais e econômicas que marcam este novo planeta, somam-se profundas mudanças políticas. Da mesma forma que a produção é enxugada, que a vida perde seu peso, o Estado também se minimiza. O antigo Estado Providência aos poucos vai perdendo espaço para um bem menor Estado Liberal. Isso significa um suporte cada vez menor dado às antigas instituições que antes fundamentavam as ações de promoção da igualdade.

Dentre estas instituições conta-se a educação, que na atual conjuntura precisa se rever para tentar manter-se enquanto capaz de promover a mobilidade ou a inserção social. Para que seja capaz de integrar a heterogeneidade da vida atual e a homogeneidade da identidade cultural, a

educação precisa se rever e se redefinir. Sem buscar a padronização dos seres e tentando não igualá-los, a educação precisa promover a universalidade. Para fazê-lo, ela primeiramente precisa se re-posicionar face a esta totalidade: num movimento dialético, é necessário perceber que existe um movimento individual pela integração dos sujeitos, mas existe também um movimento social e institucional. Isto significa que, para efetivamente se tornar o alicerce da sociedade universal, a educação precisa assumir que seu papel não pode mais ser a busca pela promoção da igualdade e sim a gestão da diferença.

Uma educação mais adequada ao universo social no qual está inserida seria uma educação promotora de inclusão social. Isto em um universo no qual a exclusão aparentemente vem afetando a todos os seres. Exclusão esta que, ao desenraizar os indivíduos, os obriga a abrir mão de uma série de valores, objetivos, estilo de vida, ambições e sonhos na busca pela re-inclusão. Ao proceder desta forma, eles se re-inserem, mas trata-se de uma inclusão marginal ou precária.

Por outro lado, em outra linha de análise, a exclusão também pode ser interpretada do ponto de vista da criação de um contingente residual de indivíduos que, ao serem excluídos, não conseguem mais re-entrar. Estes excluídos, então, acabam vivendo à margem da sociedade, sem direito a participação.

Por isso, num movimento similar ao vivenciado pela educação, as empresas foram elas também, como todo o construto social, profundamente afetadas por todas as transformações estruturais advindas da globalização. Num mundo novo, foi preciso que estas empresas revissem seus objetivos, incluindo entre suas metas a promoção da qualidade de vida e a sustentabilidade das sociedades nas quais estão inseridas. Ao invés de trabalharem apenas focadas no lucro e no proveito próprio, estas agências precisaram abrir sua atuação para ocupar novos espaços. Surgem então as atividades de responsabilidade social empresarial e o investimento social privado.

Desta tabela, surgiu a ambição de pesquisar a participação destas empresas no novo quadro social, através de suas atividades sociais. Partindo de uma associação empresarial, o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas – GIFE, buscou-se caracterizar os projetos de educação implementados ou

financiados pelas empresas associadas ao GIFE, do ponto de vista da intencionalidade dos proponentes e da inserção social dos beneficiários. De fato, parecia questão intrigante o entendimento de que um agente antes promotor da exclusão, parece trabalhar pela inclusão e para tanto se utiliza de projetos sociais em educação.

Assim, partindo da pesquisa realizada, se chega a algumas conclusões interessantes. De início, foi de fácil comprovação a existência de significativos investimentos feitos em educação. Caracterizados estes investimentos e os projetos daí implantados, chegou-se à constatação de que tais empresas dão preferência para a infância e a adolescência, priorizando, a educação básica. Além disso, canalizam suas atividades principalmente para a formação de professores e dos demais profissionais da educação. Isto com a ambição de que, com a maior aproximação das diferentes instâncias governamentais, estas empresas, com suas ações, possam em algum momento vir, inclusive, a subsidiar algumas políticas públicas.

Também foi verificado a partir dos dados levantados, grande concentração das atividades implementadas na Região Sudeste, justamente a que concentra a sede do maior número de empresas e a que tem maior produção de riqueza. Sem desprezar os graves problemas sociais que abalam esta Região, é notório o grau de pobreza bem mais elevado que afeta outras regiões do país que, por estarem mais distantes deste mundo produtivo, acabam por não receber tantos investimentos.

Esta situação diagnosticada de implantação de projetos em educação por parte das empresas remete ao interesse em atuar diretamente enquanto agente promotor das ações implementadas, ao invés de sustentar uma postura meramente filantrópica de financiamento a distância de ações, de construções ou de bolsas de estudo. Isto, segundo a pesquisa realizada, seria fruto do amadurecimento destas empresas, na busca pela atuação social cada vez mais focada e bem delimitada. Para fazê-lo, parte significativa das instituições associadas ao GIFE criou uma fundação ou um instituto, que pudesse atuar como braço social da empresa.

Desta forma, deparamo-nos com empresas, principalmente da área da indústria e dos serviços, que visualizam a necessidade de ocupar novo espaço

surgido da revisão das relações entre o público e o privado, segundo expressou o Secretário Geral do GIFE. Nesta visão, a antiga relação bipolar foi reestruturada, dando espaço agora a três pilares, o Estado, o mercado e a sociedade civil. Contudo, esta ocupação de novo espaço de atuação sugere também o amadurecimento por parte destes agentes sociais, isto é, as empresas do mundo capitalista. Segundo as informações levantadas, não fica claro se este amadurecimento já é real ou se de algo ambicionado e que precisa ser construído.

Assim, supõe-se a inexistência por parte destas empresas de nitidez com relação às opções feitas para sua atuação. Parece fartar também, clareza sobre a atuação em responsabilidade social empresarial ou em investimento social privado, seja isolada ou conjuntamente, da mesma forma não se evidencia clareza sobre o tipo de ação a ser implementada ou até mesmo sobre o local de implementação destas ações.

De fato, durante a pesquisa, ficou evidente que, embora estejam investindo recursos consideráveis em ações de educação, estas empresas ainda não manifestam de forma objetiva e planejada os seus objetivos com tais ações. Existe um consenso de que a educação é uma área estratégica para a reprodução social e para a melhoria da qualidade de vida. Mas não foi possível perceber o planejamento estratégico das atividades que tornem a intencionalidade de realmente inserir socialmente os indivíduos, um fato. Ao mesmo tempo, esta falta de indícios, também não permite afirmar a total falta de intencionalidade de tais agentes.

Por outro lado, a educação também é promotora da reprodução de mão- de-obra qualificada para a manutenção deste universo produtivo, além de ser um objeto de atuação de custos baixos, em relação às demais áreas citadas na pesquisa. Assim, investir em educação agrega para estas empresas a atuação social efetiva, a reprodução da qualificação profissional para futuras contratações, o largo alcance de atuação e a projeção tanto internamente quanto externamente de uma imagem de atuação social respeitosa, a reduzido custo.

Estas inferências abrem espaço para a inserção nestas atividades de outros atores capazes de agregar conhecimento e maturidade de planejamento

a ações que já têm financiamento garantido. De fato, se existem o interesse, e a vontade de agir, faltando apenas a capacidade de racionalizar as relações e a realidade na qual se atua, surge espaço de inserção ou de colaboração para outros participantes da sociedade civil, para que, não desperdiçando estes recursos, se crie realmente o que foi aqui denominado de tecnologia social.

Ficou claro que se está em face de considerável atuação social, principalmente em educação, por parte dos associados do GIFE. Embora ainda não demonstrem, de forma objetiva, clareza neste agir, a ação existe. Por outro lado, o papel de pensar estas questões sociais, não foi delegado ou apropriado historicamente por estes agentes e, sim, por outras instituições sociais, tais como, a educação e particularmente a educação superior e a academia. Portanto, talvez esteja surgindo um espaço para novas alianças entre estes atores sociais. Fato é que emerge destes resultados uma série de novos questionamentos e de possibilidades para novas pesquisas, dada a vasta ocupação deste espaço de atuação social por parte das empresas.

Conclui-se, então, que, existe por parte destas empresas a busca de maior qualificação dos jovens nas comunidades nas quais estão inseridas, com vistas a melhorar a qualidade de sua mão-de-obra futura. Mas também parece existir, o trabalho pela construção de sujeitos sociais, com vistas a promover a real inclusão social e melhoria de vida destas comunidades. Fato é que, seja pela questão operacional da mão-de-obra, seja pela questão da inclusão social, estas empresas realmente optaram pela educação enquanto agente de transformação. Uma frase do Secretário Geral do GIFE parece demonstrar, senão a intencionalidade, pelo menos uma vontade de atuação e, mais ainda, a necessidade de estas empresas, nas últimas décadas, atuarem em projetos sociais para a promoção de uma sociedade, mais sólida, rica, bem estruturada, inclusiva e sustentável: “não dá para ter negócio sustentável numa sociedade insustentável”.

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