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1. Introduction

3.3 Results

3.3.5 The Organic Fraction

Segundo a visão apresentada pelo Secretário Geral do Grupo, desde o início da atuação do Grupo é recorrente nos diferentes Censos realizados o fato da educação surgir como área de maior concentração de investimentos, ou área mais frequentemente escolhida pelos associados para sua atuação, como mostra a tabela a seguir. Nos diferentes levantamentos realizados, a metodologia utilizada sofre variações, por isso não existe uma série histórica que viabilize a analise comparativa dos dados. No entanto, um rápido olhar sobre os últimos números, do Censo de 2005/2006, agrega uma boa visualização deste cenário.

Áreas de atuação

Associados que executam ou financiam

projetos nesta área

Entidades beneficiadas Pessoas Beneficiadas Recuros (reais, 2005)

Educação 55 2.894 3.987.313 123.747.717,00 Cultra e Artes 34 78 254.104 34.975.577,00 Geração de Trabalho e Renda 33 82 15.551 9.782.529,00 Desenvolvimento Comunitário de Base 29 1.156 174.494 10.594.380,00 Saúde 24 254 245.537 36.151.727,00 Apoio à Gestão de Organizações do 3º Setor 23 40 16.190 3.978.160,00 Meio Ambiente 23 29 39.460 18.099.670,00 Assitência Social 22 514 356.947 7.065.224,00 Defesa de Direitos 19 370 42.276 3.386.056,00 Comunicações 13 403 10.604 1.685.861,00 Esportes 13 30 8.278 9.033.345,00 Outras 10 88 129.158 181.427.674,00 TOTAL 5.938 5.279.912 439.927.920,00 Tabela 2: Áreas de atuação: associados que participam, entidades e pessoas beneficiadas, recursos investidos.

Fonte: Censo GIFE 2005/2006.

Uma primeira e óbvia consideração sobre os números apresentados refere-se à inequívoca maioria de projetos na área de educação, o que leva a uma maioria de investimentos e de beneficiários em todos os níveis. No entanto, vale ressaltar que os 55 projetos declarados na área de educação, que correspondem a 18,46% do total de projetos, agrupam 28,13% dos investimentos aportados. Tal informação, que poderia apontar para projetos relativamente onerosos em sua média na área de educação, perde valor se comparada ao item “outras áreas” que agrupa apenas 3,36% do total, ou seja, dez projetos, mas conta com 41,24% do total de investimentos, ou seja, R$ 181 milhões aproximadamente. Resta considerar a possibilidade de que, inversamente à hipótese apontada anteriormente, os projetos na área de educação, apesar de numerosos e com significativos investimentos, estejam consumindo significativamente menos recursos que alguns projetos em outras áreas.

A partir das informações apresentadas na tabela anterior, é possível realizar o exercício de calcular a despesa média anual por beneficiário dos projetos levantados pelo GIFE e isso leva a uma tabela interessante.

Áreas de atuação Relação despesa/beneficiário Outras 1.404,70 Esportes 1.091,25 Geração de Trabalho e Renda 629,06 Meio Ambiente 458,68 Apoio à Gestão de Organizações do 3º Setor 245,72 Comunicações 158,98 Saúde 147,24 Cultura e Artes 137,64 Defesa dos Direitos 80,09 Desenvolvimento

Comunitário de Base 60,71

Educação 31,04

Assistência Social 19,79

MÉDIA GERAL 83,32

Tabela 3: Relação despesa média anual por beneficiário dos

projetos levantados pelo Censo GIFE.

Fonte: Censo GIFE 2005/2006

Fica evidente que numa relação inversa àquela visualizada anteriormente, a educação aqui aparece entre as últimas colocadas. Isso significa dizer, que com uma despesa média por beneficiário de apenas R$ 31,04 por ano a educação perde apenas para os projetos implementados na área apresentada sob a denominação assistência social com a despesa média anual de R$ 19,79 por pessoa.

No entanto, seguindo outro raciocínio, caso se compare a relação entre número de beneficiários por projeto, para apenas estas duas categorias, se obtém aqui também um dado interessante (Tabela 4).

Áreas de atuação Relação custo/beneficiário

Educação 72.496,60

Assistência Social 16.224,86

Tabela 4: Número de beneficiários por projeto levantado pelo

Censo GIFE.

Fonte: Censo GIFE 2005/2006

Surge a informação segundo a qual, embora os projetos em assistência social tenham uma relação custo benefício médio por beneficiário, inferior aos projetos de educação, estes últimos conseguem abranger um número quase

cinco vezes maior de beneficiários em cada projeto implementado. Isto significa que o alcance direto dos projetos de assistência social embora tenham um valor significativamente inferior de R$ 19,79 por beneficiário, na relação indireta pode vir a custar mais que os projetos de educação, já que estes, a cada ação implantada, atingem a baixo custo um número muito maior de pessoas.

Para realizar este investimento em educação nas diferentes comunidades nas quais atuam, as empresas acabam optando por algumas linhas prioritárias de ação, conforme detalhado na tabela, a seguir.

Linhas de Ação Número de associados que se

dedicam a esta ação

Capacitação de Professores 41 Oficinas de arte-educação 30 Complementação / Reforço escolar 28 Doação de livros / Material didático 23 Capacitação de Diretores 22 Instalação de bibliotecas / Laboratórios 22

Bolsas de estudo 20

Confecção de material didático 20

Doação de equipamentos 18

Capacitação de pessoal administrativo 15 Produção de conhecimento / Pesquisa 14 Construção / Reforma / Manutenção de escolas 8

Outros 7

TOTAL 268

Tabela 5: Linhas de ação prioritárias na área de educação.

Fonte: Censo GIFE 2005/2006

Informação significativa captada a partir destes números, além da clara predominância de investimentos na capacitação de professores, é fato de que, juntas, as três capacitações apontadas para pessoal da educação, sejam eles professores, com 41 casos; diretores com 22, ou pessoal administrativo, com 15 casos, representam 29,10% do total, ou seja, 78 indicações dentre as linhas de ação apresentadas. Indício forte apontado pela tabela, portanto, de uma predileção dos associados GIFE em trabalhar com capacitação de profissionais da educação em detrimento de qualquer outro tipo de atuação.

Outro dado é o segundo e o terceiro lugares ocupados por ações “diretas”, ou seja, oficinas de arte-educação, com 30 casos, o que representa 11,19% do total, e complementação ou reforço escolar, com 28 indicações,

num percentual de 10,45%. Estas ações foram priorizadas em detrimento das ações mais “indiretas”, tais como fornecimento de bolsas, equipamentos ou instalações. Esta informação leva a supor uma vontade de se envolver diretamente nas atividades de educação, com ações mais efetivas e não apenas financiamentos.

Resta verificar qual ou quais os níveis educacionais aos quais estas atividades são destinadas, para que se tenha, a partir dos dados do censo GIFE, um quadro inicial da atuação destas empresas. É o que apresenta a tabela 6.

Nivel Educacional Número de Associados que se

Dedicam a este Nível

Ensino fundamental (7-14 anos) 52

Ensino médio (15-17 anos) 46

Pré-escola (3-6 anos) 24

Educação de jovens e adultos 21

Educação profissional 18

Creche (0-3 anos) 17

Educação superior e pós graduação 16

Alfabetização de adultos 15

Ensino técnico 12

Educação especial 8

Aceleração de aprendizagem 7

TOTAL 236

Tabela 6: Grupo preferencial de ação (níveis educacionais).

Fonte: Censo GIFE 2005/2006.

Novamente aqui a informação prioritária aparece de forma clara, qual seja, a grande concentração de investimentos na educação básica. De fato, se for agrupado o número de associados com investimentos no ensino fundamental e no ensino médio, se obtêm 41,53% do total de projetos, caso somados a estes os projetos voltados para a pré-escola, chegamos a 51,69% do total. Confirma-se uma tendência assinalada pelo Secretário Geral do GIFE, segundo o qual cada vez mais seus associados tendem a se voltar para crianças e jovens.

Perguntado sobre as “motivações” para este alto número de projetos na área de educação, o entrevistado sugere duas questões: em primeiro lugar, o

reconhecimento da educação como melhor elemento de mobilidade, ou inclusão social, ou segundo suas palavras, de “acesso a oportunidades”:

Convencionou-se no mundo enxergar a educação como o melhor instrumento de universalização e de acesso a oportunidades numa sociedade democrática. Então, educação, e isso não é uma coisa recente, é uma coisa do século XX, a educação surge como um direito necessário para, inclusive, universalizar o acesso a outros direitos. Na medida em que você tem a consolidação de uma visão de Investimento Social Privado, que é sistemático, planejado e monitorado, e você quer fazer transformação social e não enxugar gelo, você trabalha em áreas que levam a médio e longo prazo a transformações sociais.

Em segundo lugar, em sua opinião, existe uma motivação de interesses menos sociais e mais empresariais ou econômicos, segundo a qual, sem investir em educação, as empresas não geram qualificação de mão-de-obra suficiente para atender à sua demanda.

A outra motivação, pensando o perfil do investimento social privado brasileiro, que é coorporativo, é uma motivação bastante instrumental, é que os grandes empresários brasileiros, as famílias mais ricas brasileiras estão percebendo que elas não conseguem competir no mundo se elas não tiverem recursos humanos melhor formados, elas estão perdendo competitividade. Então, em alguns casos, a participação em educação tem uma função até privada, que é desenvolvimento de recursos humanos para a minha organização. Enquanto a primeira motivação está no campo da cidadania, dos direitos humanos, a outra está no campo da base econômica mesmo, do desenvolvimento econômico. A educação é quase uma commodities.

Novamente surge aqui uma idéia que faz eco com o que foi levantado na revisão de literatura, qual seja, que este espaço de intersecção ou o investimento em educação não são acidentais. Em uma sociedade da informação, na qual o conhecimento se torna o maior patrimônio socialmente adquirido, é impossível, inclusive para o universo empresarial, trabalhar seu crescimento sem trabalhar com educação. De um lado, numa relação direta, é preciso trabalhar a educação e a propagação do conhecimento para gerar mão-de-obra passível de abastecer as empresas; de outro, é fundamental que a própria sociedade se reproduza para que não seja afetado o espaço de mercado no qual se fundam as relações econômicas que dão origem a estas

empresas. Resta saber se esta clara visão institucional aqui apresentada pelo GIFE, a respeito da realidade atual e da necessidade de se trabalhar o conhecimento e, para tanto, a educação, será encontrada no discurso das empresas.

4.1.4. Quanto à clareza por parte das empresas acerca desta opção