As características para o ensino de música para crianças e pessoas cegas, baseadas na interatividade com o software Musibraille, apresentam funções específicas adequadas com suporte e atividades no ensino da educação básica de música. As características principais e funções relacionadas são descritas e ilustradas. Algumas características essenciais são também demonstradas, especialmente para as estratégias de mudanças que têm sido produzidas com o uso do software na educação musical para crianças e jovens cegos no Brasil.
A tecnologia assistiva torna-se viável com produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços, melhorando a autonomia, a independência, a qualidade de vida e a inclusão social das pessoas com deficiência. A área das deficiências com maior número de artefatos de tecnologia assistiva é a da deficiência
36 Fonte:
https://www.google.pt/search?q=linha+braille&client=firefox-b-
ab&biw=1152&bih=735&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwinxu3_m5PNAhVBtBQKHXc ECrcQ_AUIBigB – Consultado em 6 de junho de 2016
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visual: braille computadorizado, audiolivros, audiodescrição, sistemas baseados em síntese de voz, dispositivos adaptados (BORGES, 2009).
Como consequência, quando o assunto ensinado é relacionado à escrita e à leitura de música convencional, a aula restringe-se a explicações orais, desse modo, o estudante cego na sala de aula inclusiva, certamente, terá prejudicadasua interação com colegas em atividades educativas. Segundo Bonilha (2006), é lugar comum na literatura usar diferentes estratégias para ensinar quando cegos e não cegos são colocados para aprender juntos, levando a uma dicotomia indesejável entre a escrita braille e a escrita musical convencional. Nesse sentido, busca-se encontrar maneiras de fornecer suporte às pessoas cegas no mesmo ambiente escolar de pessoas não cegas.
Através da internet, enviamos um questionário com 10 perguntas a 09 (nove) músicos cegos que usam softwares de musicografia braille e a 09 (nove) professores que trabalham com o software Musibraille (levantamento).
Os princípios de avaliação usados nos testes envolveram:
Facilidade no acesso às partituras braille para impressão braille;
Utilização dos menus, tanto visualmente como para os cegos;
Utilização das hiperligações dos músicos cegos e professores de música;
Recuperação dos dados originais das partituras em tinta nas transcrições para musicografia braille.
O critério baseou-se em uma maior compreensão acerca dos usuários envolvidos no processo do questionário: considerar o nível musical dos cegos entrevistados; o auxílio aos professores de música dos alunos cegos; o que pode proporcionar experiências de qualidade no ensino da música em nível profissional; ouvir o que os alunos cegos querem para envolvê-los no design; utilizar técnicas baseadas no usuário, “testadas e aprovadas” durante o processo.
O objetivo foi abordar esses aspectos, com o intuito de melhorar a interação do software Musibraille com os músicos cegos e professores de música que irão conviver com uma linguagem universal e códigos diferentes. As análises tiveram participação de 02 (dois) softwares mais usados na atualidade e com características individuais: GOODFEEL é um tradutor em braille a partir de um programa (LIME – Mainstream),
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o qual não é apenas para pessoas cegas, mas também para todos, ou seja, ele transcreve em braille os ficheiros do LIME (qualquer pessoa pode escrever, porém o LIME não é acessível às pessoas cegas). Se um cego deseja escrever uma partitura, vai precisar do LIME Aloud, que são scripts para o Jaws escrever com o LIME (para que o mesmo fale). BME-2 é um editor braille muito mais forte e avançado na navegação das partituras (polifônicas), porém não é um programa que possa ser utilizado numa sala inclusiva de música.
No panorama das ferramentas digitais, a musicografia braille, que compara a interação entre músicos cegos e professores de música com o software Musibraille e outros softwares, envolveu duas técnicas de coleta de dados, realizadas com os músicos cegos e professores: a aplicação de questionários e a observação da interação com o aplicativo. Nesse contexto, foi possível verificar que existem diferenças nas interações entre os grupos. As mais marcantes referem-se ao tempo de conexão e utilização de algumas ferramentas, como a utilização do dicionário, na impressão braille.
Tais diferenças demonstram o papel inclusivo do Musibraille, considerado uma ferramenta útil para a sociabilidade do músico cego com a infocomunicação nos cursos de música.
Contribuição principal: a apresentação de um levantamento ponderado dos requisitos que a plataforma Musibraille deve possuir para compartilhar (pedagogicamente), que influenciam na sua elaboração, bem como nas suas características operacionais e de implementação.
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Gráfico 1: Percentual das Notas Gerais
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Gráfico 2: Percentual ponderado das avaliações de maior importância de software de Musicografia Braille
Assim, o objetivo da inclusão da tecnologia com as práticas infocomunicacionais aliadas a uma plataforma digital como componente curricular na área da linguagem e códigos da música permitirá o acesso à todos os que desejam torná-la um elemento da sua cultura, assim como àqueles para os quais a abordagem puramente técnica parece insuficiente para o entendimento de seus mecanismos profundos.
O arquivo de entrada é codificado em um formato proprietário ou MusicXML – que pode ter sido produzido em um editor musical (como Sibelius, Finale ou PrintMusic) ou criado com um programa de digitalização da música, como SharpEye Música Reader, Musitek SmartScore ou PhotoScore Neuratron. Alguns programas (como GOODFEEL e BME) ainda permitem que uma pessoa cega interaja com o arquivo gerado com “representação braille”, reproduzindo-a em um instrumento musical MIDI ou em um sintetizador simulado no computador. O feedback dos elementos musicais é feito através de um sintetizador de voz associado a um leitor de
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tela, sendo o programa Jaws o produto para o qual existe um maior número de roteiros especializados que suportam essa leitura (BORGES, 2016)
Como podemos perceber, nenhum dos dois outros produtos estão realmente focados na interação de duas vias. Em outras palavras, o destino é sempre braille. Não há destaque em explorar as possibilidades que a compatibilidade dos códigos entre a representação em tinta e em braille possui. A ênfase é sempre que uma pessoa com visão (ou mesmo os cegos) produzam textos para os cegos e os cegos interajam com o braille.
Essa unidirecionalidade funcional é um obstáculo para o ensino nas classes inclusivas, ou seja, a pessoa cega pode obter informações que outros produzem, mas o que eles produzem não é obtido pelos colegas. O potencial de aprendizagem partilha as manifestações musicais geradas a partir dele, assim como as descobertas e ideias intuídas, nada é explorado, porque a tecnologia não foi construída para lidar com eles. O realce desses produtos não é a educação musical, mas a produção de textos em braille para serem usados por músicos cegos. Em outras palavras, o apoio à educação é claramente precário. Isso não significa que os professores não iriam usar essas tecnologias na escola com seus alunos cegos, contudo isso quase sempre acontece utilizando estratégias de educação segregada e, em particular, instrução, individualizada.
Entendemos como essencial, portanto, observar a importância de tornar os recursos tecnológicos digitais em música acessíveis às pessoas cegas, para facilitar- lhes a aprender a musicografia braille e interagir com músicos cegos e não cegos, reforçando as práticas de partilha entre esses dois grupos. Isso será feito pelo recurso dado pelo acesso em tempo real a uma plataforma digital de partitura de música que permite a comunicação dos alunos cegos, professores de música e músicos em cenários como escolas, conservatórios, faculdades e universidades de música.
Outros parâmetros de diferença na plataforma MUSIBRAILLE foram considerados importantes com a utilização da terminologia, que é conhecida e compreendida tanto pelo utilizador cego como pelos professores de música nas partituras musicais, tais como: sinais de claves que utilizam linhas e espaços (visualmente) e que em musicografia braille não têm valor de altura das notas musicais, utiliza-se pontos antes de cada nota identificados no código braille.
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Ao se considerar a usabilidade da plataforma, portanto, é fundamental levar em conta onde ele será utilizado e por quem. O software Musibraille aqui apresentado seria mais adequado para uma escola de música inclusiva na qual interagissem professores e alunos com e sem visão.
Uma questão fundamental de interação do Musibraille diz respeito a como podemos otimizar as interações do usuário como sistema, ambiente e produto, de forma que combinem com as atividades que estão sendo estendidas ou recebendo suporte para receber e escrever as partituras.
2.6.1 EQUIPE MULTIDISCIPLINAR
A multiplicidade de pessoas que utilizam a internet é, de certa forma, um benefício para as pessoas cegas, pois, quando estão conectadas em seus bate-papos e e-mails, as diferenças e a deficiência visual tendem a não ser percebidas, potencializando a interação com todas as pessoas (BORGES, 2009).
A interatividade do software Musibraille se dá no intuito de remover a distância entre música braille e seus usuários que não enxergam, em particular humano- computador. Especificamente, significa criar experiências que melhorem e estendam a maneira como as pessoas trabalham, se comunicam e interagem. Winograd (1997, p. 42) descreve o design de interação como “o projeto de espaços para comunicação e interação humana”, o que consiste em encontrar maneiras de fornecer suporte às pessoas.
Para o sucesso de design de interação, muitas disciplinas precisam estar envolvidas. A importância de se entender como os usuários agem e reagem a situações e como se comunicam e interagem acarreta o envolvimento de pessoas de diversas disciplinas.
Algo que uma pessoa considere importante, outra pode não enxergar (KIM, 1990). Na prática, a formação de uma equipe de design depende do tipo de produto interativo que está sendo construído e de sua abordagem.
A complexidade do tema no acesso às partituras musicais para as pessoas cegas sugere proposições de ordem educativa e na infocomunicação em plataformas de música no processo de investigação.
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Trabalhar em uma equipe multidisciplinar, na reunião de pessoas com formações e treinamentos diferentes, significa ideias sendo geradas, novos métodos desenvolvidos e designs mais criativos produzidos.
Assim, a produção correlacionada com competências de design e avaliação de interação no software Musibraille irá contribuir para o desenvolvimento e a disseminação para que as informações produzidas sejam transformadas em realidade.
Especificamente para conhecer as necessidades dos usuários cegos, a partir desse entendimento, há urgência no projeto de um sistema usável, útil e agradável, identificando as metodologias de conceitos de interface que coincidem com as perspectivas do utilizador com pressupostos de usabilidade, acessibilidade e conforto cognitivo.
Assim, haveria o forte incremento do acesso de deficientes visuais às escolas de música, com a disponibilidade do programa adequado para a transcrição musical das principais atividades e funções relacionadas à funcionalidade do Musibraille.