DEL 1: TILBUD AV ETTER- OG VIDEREUTDANNING FRA
4.8 Sammenliknende analyse av EVU ved fagskoler
SECÇÃO I Do ensino
Art. 119 – Haverá na Capital da provicia uma Escola Normal destinada a formar professores para o ensino primario.
Art. 120 – A Escola Normal será mixta.
Art. 121 – O curso de estudos será de um anno e abrangendo as seguintes mateias:
§ 1 Lingua nacional; grammatica analyse grammatical, logica e etymologica; recitação; redacção e composição.
§ 2 Arithmetica e metrologia; geometria elementar, limitada ás noções geraes e problemas simples, estudo das formas geométricas; desenho linear. § 3 Geographia elementar; do Brasil e especialmente da província do Ceará; historia do Brasil, factos principaes da Historia do Ceará.
§ 4 Pedagogia e methodologia theorica e pratica. Art. 122 – O ensino será gratuito.
Art. 123 – Haverá uma escola primaria superior para cada sexo, annexa á Escola normal, onde se habilitem os normalistas na pratica dos modos e methodos de ensino.
Art. 124 – As matérias dos §§ 1, 2 e3 do art. 121 serão leccionadas pelos respectivos professores do Lyceo (VIEIRA, 2006, v.3, p.56).
E assim, o contato entre os professores das duas escolas seria normal, considerado mais um trabalho pedagógico.
No ano de 1886, Francisca Clotilde participa de eventos intelectuais na capital da província. Faz parte do Clube Literário, onde o Capitão Duarte era sócio. O convívio entre os dois vai ficando mais forte passando Francisca Clotilde e o Capitão Duarte a terem um relacionamento mais do que uma boa amizade.
Mas, quem é este Capitão reformado Antônio Duarte Bezerra? Não encontramos muitas informações sobre ele, mas o pouco que foi encontrado relata uma pessoa de certo prestígio no meio intelectual cearense.
Antônio Duarte Bezerra nasceu em Várzea Alegre, filho do major Raimundo Duarte Bezerra. O jovem Duarte foi professor de Matemática (Geometria) do Liceu desde 1884, conforme anúncio de Banca de Exame no jornal O Libertador de 13 de dezembro de 1884 (ver Anexo AL, página 316). Ainda no mesmo jornal, temos uma nota sobre aniversário natalício do Capitão Duarte, em 1884, com 26 anos de idade (página 317 do Anexo AM).
Publicou, em 1889, juntamente com a professora Francisca Clotilde, a obra
Elementos de Aritmética, livro didático para as alunas do 1º ano da Escola Normal do
Ceará.
Informa Barão de Studart em seu Diccionario Bio-bibliographico
Cearense:88
Antonio Duarte Bezerra - Assentou praça a 12 de Janeiro de 1871, tendo-se matriculado na antiga Escola Militar da Corte, onde tirou o curso de artilharia pelo Reg. de 1874. Foi nomeado alferes-alumno a 8 de Janeiro de 1876, promovido a 2.° tenente de artilharia a 27 de Junho de 1877, a 1.° tenente a 25 de Maio de 1878 e a capitão a 25 de Julho de 1880. Tendo sido aggregado por doente a 21 de Março de 1885, foi depois reformado por Decreto de 10 de Julho de 1886.
Juntamente com o professor de Português João Ferreira Lopes (Filho), fundaram, em Fortaleza, o Ginásio Cearense. Foi o estabelecimento de ensino inaugurado no dia 7 de janeiro de 1887, e vendido posteriormente ao Professor Anacleto Pereira Cavalcante de Queiroz.
Na imprensa Duarte redigiu A Evolução, jornal científico e literário cujo primeiro número apareceu em 19 de julho de 1888. Aos 5 de abril de 1891, é publicado em Fortaleza o primeiro número de O Combate, jornal do Partido Operário, que tem como redatores Aderson Ferro e o capitão Antônio Duarte Bezerra. A redação do jornal
88 Fonte: (acesso em 27 abr 2012)
http://www.ceara.pro.br/cearenses/Menuilustres.php?pageNum_LeituraGeral=19&totalRows_LeituraGer al=2203&nome=Bezerril&ok=ok
funcionava na Rua Senador Pompeu nº 8 (antigo) e era publicado três vezes na semana. Capitão Duarte, como era chamado, faleceu a 13 de janeiro de 1893.
Retornando à vida de Francisca Clotilde, em 1886, ela começa a fazer parte das Bancas de Avaliação (comissão de exames finais para habilitação de normalistas) da disciplina de Pedagogia e Metodologia ao lado de José Barcellos, Joaquim Catunda e Virgílio Augusto de Moraes (ver em Anexo AN, página 318). Vale salientar que Francisca Clotilde era a única mulher da bancada. Paralelamente ao trabalho de professora da Escola Normal, Francisca Clotilde atua nos meios literários do Ceará, participando de associações e publicando em jornais.
Referente ao marido de Francisca Clotilde, temos em 1877 o nome dele, o senhor Francisco de Assis Barbosa Lima, numa listagem em nota do jornal O Cruzeiro (8 de maio de 1887 – folha 4 – na seção Editais) com um débito de mais de três mil réis ao foro da Câmara Municipal de Baturité, referentes aos anos de 1883 a 1886 (ver Anexo AO, página 319). Se ele estava ou não em Baturité, não sabemos, não podemos comprovar, contudo, ele devia ao órgão público, sujeito à ordem judicial caso não quitasse a dívida. Se neste período ele estava convivendo com Francisca Clotilde não podemos também comprovar. O que nós temos de informações prováveis é referente à sua esposa, que estava atuando no universo intelectual cearense, tanto como educadora como literata. Com a informação de débitos de Francisco de Assis podemos pensar que a vida conjugal de Francisca Clotilde passava por problemas: marido endividado e viciado em álcool e jogatina. É possível que ele tenha fugido do hospital em 1882 e os familiares não terem mais notícias dele e assim Francisca Clotilde retoma sua vida intelectual, mudando-se para Fortaleza e assim se dedica ao magistério e à literatura.
Ainda referente ao ano de 1886 foi encontrado no Arquivo Público do Ceará um atestado médico sobre a licença de dois meses para tratamento de saúde (ver Anexo AP, página 320).
1887 é um ano de boa produção literária de Francisca Clotilde. Participa ativamente de A Quinzena, periódico do Clube Literário. Ver em Anexo AQ (páginas 321 e 322) alguns textos que foram publicados na referida revista entre os anos 87 a 88 do século XIX.
Participa também de concursos literários sob o pseudônimo de Jane Davy, conforme jornal O Libertador, no qual informa que houve três vencedores e entre eles está Francisca Clotilde, como Jane Davy. Ver em Anexos AR e AS, páginas 323 a 325.
Francisca Clotilde em A Quinzena assina F. Clotilde B. Lima em ―A Educação Moral das Crianças na Escola‖ (1887); ―A Mulher na Família‖ (1887). Com F. Clotilde os seguintes escritos: ―Deserto‖ (poesia – 1887); ―Brincar com Cinza‖ (1887); ―Victor Hugo‖ (1887); ―Mãe Dolorosa‖ (poesia – (1887); ―A Engeitada‖ (1887); ―Belleza Funesta‖ (1888); Com o pseudônimo de Jane Davy em: ―Mors Amor‖ (1887); ―A saudade de um anjo‖ (1888); ―Homenagem (a Anna Nogueira)‖ (1888).
Indagamos: por que assinar com pseudônimo, visto que ela tinha espaço na revista para escrever como a literata Francisca Clotilde, não precisando ficar escondida por um nome fictício, a não ser que ela tivesse algo a esconder. O quê?
Temos como hipótese o seu envolvimento com o capitão Duarte, que também era professor e nesta época um mestre que se envolvesse em escândalos que maculassem sua imagem moral e social poderia ser demitido de suas funções: ―§ 13. A demissão – nos seguintes casos: [...] IV – Quando os aconselhar par acções que mereçam grave reprovação. V – Quando por maus costumes, se torne indigno do cargo de educador‖ (VIEIRA, 2006, p.72). E um professor se envolver amorosamente com uma professora casada, seria considerado um fato imoral, pois feria os bons costumes da sociedade.
Analisando os textos em A Quinzena, assinando como Francisca Clotilde, na maioria dos seus textos têm a temática educação, moral e virtudes. Desse modo ela escreve em ―A Educação Moral das Crianças na Escola‖ (1887):
A educação moral é a parte mais importante da missão da escola, porque forma o caracter, purifica os costumes, desenvolve os bons impulsos do coração e tem sobre a educação física e a intelectual uma incontestável superioridade.
Quando a creança passa da familia para a escola, trocando os inocentes brinquedos do lar pelas lides do estudo, é mister que a pessoa que vai desempenhar junto a ella as funções de preceptor guie com desvelo e sabedoria os seus primeiros passos através d‘aquelle mundo que lhe é inteiramente desconhecido (CLOTILDE, 1887, n. 3, p. 21 In A QUINZENA, 1984).
Como também em ―A Mulher na Família‖ (1887):
Sem sahir da doce obscuridade do lar não poderá certamente a mulher figurar na historia, ao lado do homem como o prototypo de virtudes cívicas; porém que melhor celebridade para ella do que reviver eternamente no coração de seus filhos, adorada, reverenciada como um modelo de virtudes e boas qualidades?
Que melhor gloria do que educar futuros cidadãos que saibam honrar a pátria e engrandecel-a com o mérito que sempre resulta das boas acções?
Na família é a mulher a companheira do homem, a educadora dos filhos. [...]
Uma mãe lê na alma dos filhos com uma perspicacia verdadeiramente admiravel. (CLOTILDE, 1887, n. 5, p.40 In A QUINZENA, 1984).
Percebemos que Francisca Clotilde ainda traz em sua escrita um discurso conservador, apesar de ser uma mulher com atitudes de vanguarda para a época: participante da intelectualidade e movimentos políticos e sociais no Ceará. São ações contraditórias com seu modo de escrever. Acreditamos que ela embora desejosa de romper com determinadas regras impostas às mulheres cearenses, no período provinciano, ainda mantém, em seu discurso, laivos patriarcais que foram por Francisca Clotilde, naturalizados, como também a influência da educação religiosa recebida enquanto aluna na escola de freiras, no Colégio da Imaculada Conceição.
Em ―Deserto‖ (poesia – 1887 em A Quinzena, n. 8, p. 63), Francisca Clotilde (como F. Clotilde) confessa a tristeza de um lar vazio:
DESERTO
Esta casa que vês arruinada, Solitária e deserta no caminho, Foi outrora de noivos casto ninho De ilusões e de risos povoada. E hoje, como fúnebre morada... Já não conserva o traço de um carinho, Nem se ouve o trinar do passarinho, Em seu muro, ao romper da madrugada. Assim meu coração d‘antes repleto De esperanças e cândidos amores É hoje como um túmulo, deserto; E o vergel onde outrora as lindas cores Das rosas de um porvir risonho e certo Brilhavam, tem espinho em vez de flores!
É possível que Francisca Clotilde tenha passado para a poesia os próprios sentimentos da tristeza por se ver só, sem o marido e sem ter notícias dele e estar interessada em outro relacionamento e não poder assumir um novo amor diante da sociedade. Vê-se então, só, carente de afeto, de amor. É uma hipótese que ela a partir daí deixou-se envolver pela paixão, pelo amor. E assim como Jane Davy ela foi mais emocional, mostrando um sentimento muito forte, o amor de um homem e de uma mulher:
Mors Amor89
[...]
Imaginava às vezes que era amado, adivinhava um sorriso nos lábios della, vislumbrava uma chamma no seu límpido olhar, e sentia então ímpetos de cahir-lhe aos pés e de diezer-lhe: Amo-te, amo-te tanto que por ti daria a própria vida!
[...]
Todos lamentaram o incidente; porém ninguém soube nunca que o que occasionara aquella morte fora ... o amor!
É possível que Francisca Clotilde não quisesse se expor muito com o nome de batismo e utilizasse de pseudônimo, mas ela escreveu pouco como Jane Davy. Há uma escritura em A Quinzena que pode ser outro pseudônimo de Francisca Clotilde: Mademoiselle. Por que esta hipótese? Pelo modo como a suposta pessoa escreve, similar a Francisca Clotilde. Vejamos:
Mademoiselle utiliza de palavras no diminutivo em forma carinhosa, como F. Clotilde faz em seus textos;
Mademoiselle utiliza de detalhes da natureza para fazer enfeitar o ambiente e deixar o texto com um ar mais amoroso, suave e gentil. Ela cita flores, laranjeiras, lua, estrela, ou seja, o ar bucólico envolvendo uma saudade da vida outrora, que F. Clotilde gostava de utilizar em seus contos, transformando-o em uma prosa poética;
e por uma nota feita após o conto ―Roubo de 9 Contos‖ escrito por Mademoiselle:
N.B – Isso não é um conto, isto é poesia em prosa. O nome d‘aquella delicada organisação feminina, nós o sabemos. Mas preferimos deixal-o occulto n‘aquellas três estrellas. Elle está mesmo no rol d‘aquelles que poderão ser escriptos com estrellas no asul intérmino da immortalidade, si a dona quizer prosegui na sua accentuada vocação litterária (MADEMOISELLE, 1888, n. 5, p.26 In A QUINZENA, 1984).
Mademoiselle identifica-se após o seu nome com três estrelas (Mademoiselle ***). Um mistério, mas ao mesmo tempo uma identificação, Francisca Clotilde utiliza de estrelas em seus textos e mais adiante ela funda juntamente com uma filha uma revista denominada A Estrella;
e de qual organização feminina o redator da revista comenta? Analisando o ano que foi escrito, 1888, havia tido no Ceará a Sociedade das Senhoras (Cearenses)
Libertadoras, e a partir daí as mulheres sentiram necessidades de participar de