DEL 1: TILBUD AV ETTER- OG VIDEREUTDANNING FRA
4.7 EVU ved Mesterfagskolen, Folkeuniversitetet
Apresentamos a trajetória de uma mulher que procurou fazer uma história diferente das demais mulheres cearenses. Mesmo casada não quis apenas ser a esposa obediente ao marido, quis mais. Desejou participar do universo intelectual masculino, não como submissa e nem como coadjuvante dos trabalhos do sexo forte e sim como companheira das lidas literárias e educacionais. Participou ativamente na sociedade fortalezense entre meados do século XIX e início do século XX como literata e professora em um espaço intelectual que era destinado ao público masculino. Não baixou a cabeça por ser uma representante do belo sexo, pelo contrário, mostrou o quanto uma mulher pode ser ativa intelectualmente. Escreveu em jornais e revistas cearenses e de outros Estados, publicou romance, contos, dramas e poesias. Foi professora das Primeiras Letras, em seguida professora da disciplina de Pedagogia e Metodologia da Escola Normal do Ceará, sendo a primeira mulher a lecionar nessa instituição educacional. Foi proprietária do Externato Santa Clotilde, primeiramente em Fortaleza, depois em Baturité e finalmente em Aracati. Rompeu barreiras para ser escritora e professora. Recebeu da sociedade cearense indiferença e esquecimento sobre seu trabalho intelectual por viver intensamente um amor proibido.
E por que escrever a história sobre uma pessoa? Porque na trajetória individual encontramos história de outras pessoas, de lugares e de instituições. Portanto,
chegando à questão da biografia, é interessante notar como a trajetória biográfica de um personagem pode se confundir com a de um lugar ou a de uma instituição. A pesquisa biográfica representa, muitas vezes, um recurso metodológico gerador de inúmeras possibilidades para a reconstrução histórica e, em particular, para a compreensão de determinados contextos. O fato da biografia não ser tão utilizado pela academia não retira a sua importância como processo descobridor e elucidativo de muitas questões nas pesquisas historiográficas principalmente, por direcionar seu enfoque ao homem e não às circunstâncias. [...]
Outro ponto importante na produção historiográfica atual é o resgate de facetas diferenciadas dos personagens enfocados e não apenas, como nos trabalhos tradicionais, a vida pública e os feitos notáveis destes. Assim, emergem em seus textos, entre outros aspectos, os sentimentos, o inconsciente, a cultura, a dimensão privada e o cotidiano (VASCONCELOS JÚNIOR, 2011, p.26-27).
Deste modo, eis a história de uma mulher que se inicia em Tauá, em 1862. Nos anos setenta do século XIX vive em Baturité. Nos anos seguintes, entre 1880 e
1890, tem uma vida de efervescência literária e educacional na capital da província, em Fortaleza, período esse também de um amor turbulento. Na primeira década do século XX passa a viver em Aracati.
A história de uma mulher que saiu do sertão, foi para a serra, depois para a zona urbana, retorna à serra e de lá se refugia no litoral leste. Uma vida entre sertão, serra, cidade e litoral, entre os anos 1862 a 1935 (nascimento e morte), um total de setenta e três anos de história, que envolve sua vida em todo um contexto social do Brasil Monarquia à República, com ações históricas, políticas, religiosas e intelectuais no Ceará provinciano.
Eis o mapa do Ceará. Para termos uma ideia de localização, observemos a distância entre essas quatro cidades: Tauá (no Sertão dos Inhamuns), Baturité (Maciço de Baturité), Fortaleza (capital) e Aracati (litoral leste, zona de praia e zona jaguaribana – rio Jaguaribe):
Fonte: http://antigo.semace.ce.gov.br/programas/residuos/imapas.htm
Ao observarmos a distância de Tauá para Baturié, percebemos o quanto deve ter sido árdua a viagem do Sertão dos Inhamuns ao Maciço de Baturité no período
de grandes secas no Ceará, nos anos 70 do século XIX. Nesse período Francisca Clotilde era uma menina de oito para dez anos de idade.
No Anexo A, página 263, temos um mapa do Ceará de 1800, feito por Mariano Gregório do Amaral; e na imagem da página 264 do Anexo B temos o mapa do Ceará no ano de 1924, da RVC (Rede de Viação Cearense), essa surgiu em 1909 e foi federalizada em 1915 para ajudar no combate à seca. São imagens de mapas referentes a duas datas mais próximas à época de Francisca Clotilde.
Iniciaremos nossa história pelo Sertão dos Inhamuns, depois Maciço de Baturité, Fortaleza com sua Belle Époque e por último o Litoral Leste, em Aracati. Quatro cidades, com suas realidades, tradições e costumes. Cidades do sertão, serra e mar com duas potências na economia cearense: Fortaleza e Aracati, essa última perdendo sua realeza para a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.
Enfim, comecemos a trajetória de uma mulher, seu tempo, seu espaço e sua história: a beletrista e educadora Francisca Clotilde.
4.1 – Infância: retalhos dos antepassados
Em meados dos anos sessenta, do século XIX, em 1862, nasce uma garota, filha da união de Castello Branco e Correia Lima, mais precisamente aos 19 de outubro, no município de Tauá, no sertão dos Inhamuns, no Ceará: chama-se Francisca Clotilde Castelo Branco Correia Lima.
No ano do seu nascimento a província do Ceará estava passando por sérios problemas de saúde pública, uma epidemia que trouxe a óbitos muitos cearenses, no período de 1862 a 1864: a cólera-morbo. Conforme podemos ver, nas notícias dos jornais da época, a citar O Cearense, na figura 1 está a primeira página cuja notícia que iremos destacar encontra-se na coluna denominada Noticiário (fig. 2) que relata a epidemia da cólera nos municípios cearenses (em nota na fig. 3), jornal datado de 16 de janeiro de 1863 (ver imagens na próxima página), meses depois do nascimento da pequena Clotilde. A criança veio ao mundo em um período de grave doença em solo cearense, a cólera. Francisca Clotilde nasce em meio às adversidades, que seriam uma marca em sua vida.
(1)
(2) (3)
Fonte: Setor de Microfilmagem da Biblioteca Estadual Menezes Pimentel. Foto: Arquivo pessoal de Gildênia Moura.
N‘O Cearense de 16 de janeiro de 1863 está o registro do avanço em terras cearenses da doença cólera (figura 1). Em destaque (no noticiário – figuras 2 e 3) a informação sobre quais os locais que estão com a epidemia da Cólera: Maranguape, Baturité, Pitaguary, Jubaia, Acarape, Tabuleiro d‘Areia e Russas.
Como já se esperava, o cólera afinal veio e atingiu toda a Província entre 1862 e 1864, ceifando a vida de 11 mil cearenses. Não há dados sobre como ficou a Capital durante a epidemia, apenas que 362 foi o seu número de vítimas. Bem menor que o de Maranguape, cidade mais próxima, com 1.960 óbitos.
No relatório do Presidente da Província do Ceará (figura 4), de 5 de maio de 1862, o Vice-Presidente José Antônio Machado relata o agravamento da cólera-morbo no Ceará. Na página 5 do relatório (figura 5) há informações sobre quais municípios estão passando por esta calamidade pública, entre eles consta São João do Príncipe (segundo parágrafo). Esse era o nome da atual Tauá, cidade natal de Francisca Clotilde.
(5) Fonte: http://www.crl.edu/brazil/provincial/cear%C3%A1
Foto: Arquivo particular de Gildênia Moura.
O relatório de 1º de outubro de 1862 do Presidente Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Júnior informa sobre a epidemia da cólera (seção de Saúde Pública, página
21-22 do relatório), a gravidade do problema no interior cearense, principalmente na comarca de São João do Príncipe e do distrito de Sucatinga62:
Fonte: http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/189/000021.html Foto: Arquivo pessoal de Gildênia Moura.
Temos, assim, o registro do nascimento de uma criança em meio a momentos de crises no Ceará, principalmente em relação à saúde pública. A cólera, doença que fez muitos óbitos, não selecionava suas vítimas em pobres, ricas, pretas, brancas, libertas, escravas e fiéis a Deus ou não. Ela vinha e destruía qualquer ser humano. Em meio a esta etapa difícil em solo cearense nasceu Francisca Clotilde, a Chiquinha, como assim passou a ser chamada por seus entes queridos.
Francisca Clotilde é descendente do Capitão Antônio Castelo Branco (que era filho do Coronel Matias Pereira Castelo Branco, português de Viseu, que casou com Emerenciana Correia Barbalho, natural de Quixeramobim). Os Castelos Brancos são naturais de Portugal, contudo em Baturité, no Ceará, construíram suas descendências. Então, como Francisca Clotilde nasceu em Tauá, na serra dos Inhamuns, tão distante de Monte-Mor63?
O pesquisador Vinícius Barros Leal em História de Baturité nos dá explicações das descendências dos Castelos Brancos:
Antônio casou com Francisca Maria Leitão, filha de Alexandre de Brito Pereira e Albina Ferreira de Soveral e foram pais dos seguintes filhos: Manuel Felipe Pereira Castelo Branco, que casou em Baturité com Izabel Gomes da Silveira, irmã do Tenente Gonçalo Gomes da Silveira, de grande atuação no meio político, econômico e social das primeiras décadas do século XIX. Foram pais de:
Tenente Coronel Pedro José Pereira Castelo Branco, nascido em 1818 e que casou em 1842, passando a residir nos Inhamuns até 1853, quando voltou para Baturité, tendo exercido em Tauá o cargo de Delegado de Polícia, sendo considerado homem de grande préstimo, ao ponto de receber a cobiçada condecoração do Hábito da Ordem de Cristo64. Foi eleito Presidente da
Câmara de Baturité em 1856 e reeleito diversas vezes. Faleceu em Fortaleza, de mal cardíaco, a 26 de abril de 1877. Foi Deputado Provincial. Casou nos Inhamuns com sua prima, mas sofreu tremenda perseguição dos parentes da esposa, pelos feitosas. Pelos exageros que cometeu durante o tempo em que ocupou o cargo policial, passou a ser conhecido por ―Pedro Cru‖. Sua mulher
63 Nome antigo da cidade de Baturité.
64 A Ordem de Cristo é uma ordem religiosa e militar, criada a 14 de março de 1319 pela Bula Papal Ad
ea ex-quibus de João XXII, que, deste modo, acedia aos pedidos do rei Dom Dinis. Recebeu o nome de Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo e foi herdeira das propriedades e privilégios da Ordem do Templo. Em Maio desse mesmo ano, numa cerimônia solene que contou com a participação do Arcebispo de Évora, do Alferes-Mor do Reino D. Afonso de Albuquerque e de outros membros da cúria régia, o rei Dom Dinis ratificou, em Santarém, a criação da nova Ordem. Nos séculos XII e XIII, a Ordem dos Templários ajudou os portugueses nas batalhas contra os muçulmanos, recebendo como recompensa extensos domínios e poder político. Os castelos, igrejas e povoados prosperaram sob a sua proteção. Em 1314, o papa Clemente V de origem francesa e Felipe IV de França (provável real senhor do papa), tentaram destruir completamente esta rica e poderosa ordem (assassínios, absorção de bens, atrocidades, que levariam Fernando Pessoa a afirmar a luta contínua contra a Tirania, a Ignorância e o Fanatismo, segundo ele, os três assassinos de Jacques de Molay, Grão Mestre da Ordem), tendo D. Dinis logrado transferir para a Ordem de Cristo as propriedades e privilégios dos Templários. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_de_Cristo. Acesso em 08 nov. 2011.
era filha de seu irmão José Pereira Castelo Branco e Ana Gonçalves Vieira (filha do Coronel Eufrásio Alves Feitosa) (1981, p.212-213).
Da união de Pedro José Castelo Branco com sua prima65 nasceu Ana Maria Castelo Branco, mãe de Francisca Clotilde. Ana Maria conheceu João Correia Lima em Tauá, casaram-se e tiveram desta união cinco filhas: Maria Emília, Maria Conceição, Francisca Clotilde, Edwirges e Maria José. Leal (1981, p.213) nos informa sobre a genealogia dos pais de Francisca Clotilde:
Ana Maria, casada com João Correia Lima. Pai de:
Maria Emília Castelo Branco 66casada com o agricultor José Adriano Lopes, de Sobral, filho de José Raimundo Cavalcanti Lopes e Francisca Frota Furtado de Mendonça.
[...]
Maria Conceição Castelo Branco Falcão, casada com Francisco do Rego Falcão e pais de:
Valdemar Cronwell do Rego Falcão, ilustre baturiteense, professor da Faculdade de Direito do Ceará, do Colégio Militar, Deputado, Senador e Ministro do Trabalho. Falecido nos Estados Unidos. Tem diversos outros irmãos e irmãs.
Francisca Clotilde, professora brilhante, jornalista e escritora.
Edwirges Castelo Branco, professora de muitas gerações de baturiteenses. Falecida solteira.
Maria José, casada com Cândido Taumaturgo, tabelião em Baturité.
Observamos que Francisca Clotilde descende de uma família de prestígio tanto de Baturité como também de Tauá. O que nos chamou a atenção na pesquisa de Barros Leal em relação a Francisca Clotilde é que não há informação sobre os relacionamentos conjugais dela, o primeiro com Francisco de Assis Barbosa Lima e o segundo com Antônio Duarte Bezerra. O pesquisador informa sobre a atuação profissional dela e não põe sua descendência, visto que Francisca Clotilde teve seis filhos: Maria, Arquimedes, Aristóteles, Antonieta Clotilde, Ângela Clotilde e Tertulina (não podemos afirmar com certeza o nascimento dessa criança, visto que Francisca Clotilde não a cita em seu diário que está com sua bisneta Rosângela Ponciano). Quem cita Tertulina como filha é a escritora Maria Stella Barbosa de Araújo67. Mais adiante trataremos desse assunto.
O fato nos chamou a atenção, pois uma mulher que teve uma atuação marcante na história literária e educacional do Ceará esteja no anonimato. Por que
65 Não há informação do nome de sua esposa na obra de Vinícius Barros Leal. 66 Grifo nosso para destaque.
desejam que ela fique no esquecimento da história e memória coletiva? Além disso, por que esse silêncio da família dos pais de Francisca Clotilde? Envergonhou a família?
Outro fato também nos chamou a atenção: por que não há um estudo sobre Francisca Clotilde nos cursos de Pedagogia no Ceará, tanto no Magistério Pedagógico como nos cursos de ensino superior em Pedagogia, visto que ela foi a primeira mulher a lecionar na Escola Normal do Ceará, na época que somente homens poderiam ser os lentes68 desta instituição educacional?
O mesmo para o curso de Letras (tanto de faculdades públicas como privadas) onde muitos alunos não conhecem a história de Francisca Clotilde, a romancista de A Divorciada, que escreveu em muitos jornais locais e noutros estados brasileiros. Muitos dos cearenses não sabem que ela além de poetisa, foi contista, cronista, jornalista, dramaturga e romancista. E juntamente com a filha Antonieta Clotilde funda a revista A Estrella em Baturité. Contudo, esses questionamentos serão mais aprofundados em sessões mais adiantes.
Fazendo uma visita ao tempo de Francisca Clotilde em Tauá, sabemos que ela veio de uma família abastada, o pai comerciante e a mãe uma dona de casa, mas ambos de família conceituada no interior cearense. De um lado os Correia Lima e de outro os Castelo Branco. Enfim, a terceira filha do casal de uma prole de cinco filhas.
Realizando pesquisas na Arquidiocese de Fortaleza69 não foi encontrado o batistério de Francisca Clotilde. Nesse período não havia registro de nascimento em cartório, esse documento como também o de óbito só foram implantados em cartório no ano de 1891. Como também não foi encontrado o registro de casamento católico dos seus pais e nem civil, visto que esse só foi instituído no Brasil através do Decreto Federal nº 181 de 24/01/1890. Contudo, no Anexo C, página 265, com o registro do inventário da família temos como comprovar que Ana Maria Castelo Branco e João Correia Lima foram casados, vindo ela a falecer em 25 de outubro de 1879, em Baturité. Na época Francisca Clotilde estava com 17 anos, as irmãs Maria José com 16, Maria da Conceição com 9 e Maria Emília com 3 anos de idade.
Temos também no Anexo D, página 266, um registro no livro de anotações do senhor João Correia Lima, com sua assinatura. Na imagem do Anexo E, na página
68 Professores.
69 Arquidiocese de Fortaleza – Seminário da Prainha – Setor de Batismo e Casamento: Sr. Ximenes.
267, temos a foto do túmulo de João Correia Lima, pai de Francisca Clotilde, falecido a 26 de novembro de 1880, enterrado no Cemitério São Miguel em Baturité.
Sobre Tauá, podemos informar que o governador Bernardo Manuel de Vasconcelos, a 14 de dezembro de 1801, baixou uma portariadeterminando ao Ouvidor Gregório José da Silva Coutinho que transformasse em vila Tauá o povoado de São João do Príncipe, onde a 3 de maio de 1802 foi instalada a vila (MARTINS FILHO, 1966, p.527).
Em 1889, pelo Decreto nº 1, de 2 de dezembro, o nome da vila mudou para São João do Príncipe de Inhamuns. Contudo, a 14 de outubro de 1898, sob a lei nº 485, o antigo nome retorna à vila, Tauá. Em 2 de agosto de 1929, a vila passa a ser cidade, de acordo com a lei nº 2.677.
Alguns historiadores afirmam que Francisca Clotilde nasceu na Vila de São João do Príncipe de Inhamuns, contudo, conforme dados dos pesquisadores Antônio Martins Filho e Raimundo Girão (O Ceará, 1966) no ano do nascimento de Francisca Clotilde, 1862, a vila chamava-se Tauá.
As capitanias70 dividiam-se em Comarcas e essas em Termos com sedes nas vilas. Os Termos se dividiam em freguesias (cuja sede era na Igreja Católica). Assim, a freguesia de Tauá foi criada desmembrando-se de Arneiroz (pelo Decreto Geral de 17 de agosto de 1832) como padroeira71 N. S. do Rosário, pertencente ao Bispado de Crateús.
Quanto a origem do topônimo de Tauá, Martins Filho nos informa que
o governador Barba Alardo de Meneses, na sua célebre ―Memórias‖ diz que o primitivo nome foi Inhamuns, por ser habitada pelos índios jucás. Segundo Pompeu Sobrinho, Inhamuns é alteração de i-nham-inhoun, ou seja ―sertão alto‖. A expressão deve ter origem entre os índios tupis que acompanhavam os primitivos exploradores. Os índios que habitavam esse interessante planalto chamavam-se Jucás e não Inhamuns. Tauá significa realmente barro, mas sem indicação de cor. É, antes, o barreiro, por isto que deve ser a contração de taucaba ou taguabe. Inhamuns significa ―irmão do diabo‖, e é uma corrutela de amô solitário, demo, e mó irmão, segundo José de Alencar.
70 As capitanias foram uma forma de administração territorial do império português uma vez que a Coroa,
com recursos limitados, delegou a tarefa de colonização e exploração de determinadas áreas a particulares, através da doação de lotes de terra, sistema utilizado inicialmente com sucesso na exploração das ilhas atlânticas. No Brasil este sistema ficou conhecido como capitanias hereditárias, tendo vigorado, sob diversas formas, durante o período colonial, do início do século XVI até ao século XVIII, quando o sistema de hereditariedade foi extinto pelo Marquês de Pombal, em 1759 (a hereditariedade foi abolida, mas a denominação capitania não). Fonte: Wikipedia.
71 No dia 7 de janeiro de 1890 ocorreu a separação entre a Igreja e o Estado, por um decreto de Deodoro,
o Brasil deixou de ser um país oficialmente católico. Também na mesma data foi extinto o padroado, ou seja, a intervenção do Estado nos assuntos da Igreja.
A palavra Tauá também é indígena e quer dizer barro vermelho. Paulino Nogueira, citando Gonçalves Dias, é dessa opinião. Entretanto, Gomes de Freitas prefere seja ―cidade antiga‖ a significação de Tauá, o que deduz da leitura de documentos que encontrou. Tal aldeia antiga seria uma das missionadas pelos jesuítas. Sugere igualmente a hipótese de vir o topônimo de uma cidade desaparecida da Ásia Menor, ―pelo que se vê que há identidade perfeita entre o nosso vocábulo indígena e o erudito das línguas de continentes diferentes‖ (Publicação no ―Unitário‖, de Fortaleza, em 5.6.1966) (1966, p.528).
Tauá é considerado o segundo maior, territorialmente, dos municípios do Ceará. Tem uma extensão de 4.108 km², distando-se 320 km de Fortaleza, com acesso pelas rodovias federais 020 e 404. O município limita-se ao: Norte – Independência; Sul – Arneiroz; Leste – com Pedra Branca, Mombaça e Catarina; e Oeste – Parambu e Quiterianópolis.
No período imperial, Tauá teve grande influência sócio-política no Ceará. Algumas personalidades da mesma geração de Francisca Clotilde tiveram participação política e social no solo cearense e em alguns casos até fora das terras alencarinas. Martins Filho cita em sua relação de personalidades notáveis o nome de Francisca Clotilde Barbosa Lima:
N. 19.10.1862. Educadora de renome, tendo exercido as suas atividades em Baturité e depois em Aracati. Professora da Escola Normal. Poetisa muito conhecida, autora de alguns livros de versos, contos e noções didáticas (MARTINS FILHO, 1966, p.529).
Foram selecionadas por Martins Filho personalidades que nasceram no mesmo período de Francisca Clotilde ou próximo a ele. Percebemos pela listagem (1966, p.529) que consta somente o nome de uma mulher, no caso, Francisca Clotilde. A tauaense tem como conterrâneo o sociólogo Joaquim Pimenta, nascido a 13 de janeiro de 1886, ou seja, vinte quatro anos depois de Francisca Clotilde (19 de outubro de 1862). Em seu livro de memórias, Retratos do Passado (publicado em 1945), dez anos