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Sammenligning og drøfting av første hypotese

Hypotese 2: Medlemmer i nettverk med høy grad av integrert struktur og krevende læringsprosesser har vesentlig større nytte av å delta i nettverk enn

4.3.0 Sammenligning og drøfting av første hypotese

O tempo é aquilo que impede que tudo seja dado de um só golpe. Bergson, 2005.

Fundamentalmente procura-se articular neste capítulo, um conceito de aprendizagem, oriundo de algumas teorias tradicionais de aprendizagem e relacionar este conceito ao tempo, para depois tratar especificamente do tempo em relação ao currículo e à escola. Assim, a proposta a ser construída é fazer dialogar dimensões temporais como kairós, khrónos e aion com aprendizagem, abordando ainda as perspectivas conceituais de Bergson e Heidegger.

Uma primeira abordagem da aprendizagem toca algumas concepções, já tradicionais. Aqui serão apresentados alguns conceitos introdutórios de algumas teorias que tratam da aprendizagem, isto porque, sem o recurso a estas teorias, a discussão acerca do tempo corre um sério risco de tornar-se inócua. De um modo geral, as teorias da aprendizagem descrevem e analisam a maneira como uma pessoa aprende, e quais os mecanismos que também facultam o ato de ensinar. O modo como as pessoas aprendem é um tema relacionado ao tempo da própria aprendizagem. Afinal, a escola está sendo questionada enormemente neste trabalho de ensinar e o seu ofício é aproveitar-se destas reflexões acumuladas e organizar seus métodos, objetivos e objetos de ensino.

Talvez, uma discussão a respeito do tempo da aprendizagem, seja desde seu nascedouro, uma discussão que pertence essencialmente ao campo aberto pelas teorias da aprendizagem.

Apesar das conexões e implicações mútuas entre as duas esferas, acredita- se que a discussão da temporalidade da aprendizagem é relativamente autônoma se vista sob o ângulo das teorias que se propõem pensar a aprendizagem em si e por si. Mas algumas delas trabalham com a perspectiva temporal em lugar privilegiado. Nesse sentido, a epistemologia genética de Jean Piaget, por exemplo, tenta pensar numa evolução linear-etária da criança, quais seriam os conteúdos e aprendizagens possíveis, em relação ao seu amadurecimento cognitivo (PIAGET, 1978).

Enfim, o que é aprendizagem? Autores como Morris Bigge (2007) e Susan Bentham (2006), sugerem que a aprendizagem pode ser definida como uma mudança de comportamento ou um condicionamento adquirido, aquisição de informação e formação teórica, com vistas a tornar-se capaz de resolver problemas práticos ou teóricos, qualificar-se para construir significados para eventos sociais e pessoais, e, sobretudo, ser capaz de rever seus próprios mecanismos de aprendizagem. Esta é uma definição genérica, mas tem o mérito de abrir largas possibilidades de reflexão. Tal resposta, relativa como é, também está filiada às concepções teóricas de quem coloca a questão e de quem procura responder. Isso é aparentemente uma qualidade dessa resposta, já que nenhuma teoria parece responder a todas as questões atinentes à aprendizagem.

São várias as teorias que tentam explicar a aprendizagem: behaviorismo, gestalt, construtivismo etc. Todas elas têm seus méritos e problemas, quando não estão vinculadas ideologicamente (CAMPOS, 1987). Por isso, tentou-se aqui não se apoiar em nenhuma delas em particular, mas transitar por estas concepções,

buscando naquilo que há de comum, elementos para pensar os problemas ligados ao tempo. Para agir assim, seria necessário, ainda, desligar-se de qualquer compromisso com teorias tradicionais e pensar o conceito por si mesmo. Uma primeira ideia inspirada por estas leituras indica que toda aprendizagem é aprendizagem de algo. Desde o seu nascimento, a criança vai aprendendo aos poucos que o seu choro tem consequências, ela aprende a controlar seus pés, mãos (CAMPOS, 1987), mais tarde vai desenvolvendo habilidades mais exigentes, abstratas, até chegar à idade adulta, quando adquire autonomia no próprio processo do aprender e, aparentemente, não necessita de alguém para lhe ensinar. E se seus processos cognitivos não sofrerem alguma interferência ou interrupção grave, aprenderá até o momento em que morre. A aprendizagem só cessa com a morte.

Campos (1987) apresenta a teoria do condicionamento de Pavlov, como uma importante teoria da aprendizagem behaviorista, que teria influenciado vários educadores e pedagogos contemporâneos. Ela é chamada de teoria do condicionamento clássico. Nela a aprendizagem se daria por associar um estímulo a uma resposta. De acordo com sua concepção, “o organismo dotado de um cabedal de respostas, tendências ou reações, basta a presença de estímulos apropriados, naturais, incondicionados para que tal organismo entre em ação e produza uma resposta” (id.p.178). Segundo essa teoria, a aprendizagem consiste na “modificação de respostas naturais, próprias da natureza do organismo, e sua transformação em respostas artificiais adquiridas ou condicionadas” (id.p.188). Para o autor as teorias do condicionamento, assim como as behavioristas, são também, associacionistas. Tais teorias funcionariam com o esquema S-R, em que a aprendizagem é concebida como formação de conexões do tipo situação-resposta.

Outra teoria apresentada por Campos (1987) é a teoria da Gestalt. Para ela, a escola gestaltista é fundada em bases fenomenológicas. Isto significa, entre outras coisas que as informações oferecidas pelos dados da sensibilidade são, de alguma forma, processados mentalmente pelo sujeito. Conforme, seu próprio texto:

A vida mental não consiste numa soma de elementos simples, existe algo mais do que a adição de partes elementares, que é a interpretação das situações, pela percepção das relações dos elementos. Os elementos não constituem toda a realidade; o todo, o conjunto, a forma também é real e resulta da descoberta de relações entre as partes. (1987. p.210).

Uma novidade da Gestalt, em relação às teorias associacionistas e conexionistas, é a interação entre sujeito e objeto na percepção do próprio objeto. O objeto não desaparece na percepção de um sujeito. Se a percepção modificar-se em função de qualquer aspecto particular, o objeto permanece o mesmo, apesar de aparentemente modificar-se. Segundo Campos, “conclui-se que a percepção resulta da interação sujeito-objeto e do relacionamento dos elementos do objeto ou situação percebida.” (1987 p.210). Para os gestaltistas a aprendizagem é, então, um processo dinâmico, muito além da aquisição de reflexos ou condicionamentos mecânicos. Ela é aquisição de estruturas de percepção, de modo que aprender é reagir a situações totais.

No construtivismo, a aprendizagem é concebida como um processo por meio do qual o indivíduo constrói gradativamente o seu conhecimento, isso significa que eles – o indivíduo e o conteúdo aprendido – são ativos. De alguma maneira, esta concepção se alinha ao tempo percebido como duração, uma vez que ele também pode ser definido como uma gradatividade inerente as coisas. Isso aparece indicado

na epígrafe do capítulo. Nesse caso, suas relações sociais e pessoais são fundamentais para construção de um contexto que faculta a ele interpretar dados e informações do real. O conhecimento não é como um elemento acumulado na memória, mas algo dinâmico, que repousa na própria capacidade do indivíduo aprendente. Ao apreender o real, percebe-se responsável por esta mesma realidade, e por si próprio como alguém apto a interferir neste real. Por tudo isso, o construtivismo aparece de maneira sedutora aos educadores do século XX, a adesão inicial é intensa e ele torna-se discurso pedagógico por excelência, por um tempo.

Essas teorias trabalham com a ideia de que aprendizagem acontece quando se considera os instrumentos apropriados, na medida em que há uma compreensão clara e objetiva do que deverá ser ensinado e de quem deve fazê-lo. O fato de todos esses elementos serem articulados em propostas pedagógicas e não resultarem em aprendizagem significa que há uma variável esquecida, provavelmente a variável do tempo. De fato, diante de abordagens teóricas tão consolidadas, uma investigação acerca do tempo da aprendizagem parece mesmo abstrata. O kairós, permanecendo inapreensível institucionalmente, parece dialogar melhor com uma orientação pedagógica de cunho construtivista, pois o tempo da aprendizagem do estudante é o tempo em que produz sentido para conteúdos a ele ministrados. E todo o processo de aprendizagem, nesta perspectiva, é centrado no sujeito aprendente. Isso remete, de novo, a abordagem heideggeriana.

A aprendizagem, entretanto, na escola não é uma aprendizagem aberta, mas não exatamente livre de qualquer conteúdo. Existe, em toda escola, ou numa rede de escolas, seja ela municipal, estadual ou federal, uma reflexão séria acerca do

conteúdo a ser trabalhado, dos métodos, das disciplinas oferecidas, das avaliações. Portanto, é feito uma seleção, às vezes muito criteriosa, do que vai ser ensinado. Estas reflexões geralmente são organizadas no Currículo, e a respeito dele, também se pode confrontar com uma discussão a respeito do tempo.