Ao longo do tempo a sociedade viveu e continua vivendo alterações nos campos político, social, econômico e cultural. Essas alterações, de certo modo, permeiam a escola, modificando o processo educativo, bem como seus fins e objetivos no intuito de adequar-se às novas demandas sociais.
Segundo Sacristán e Gómez (2000), a função da escola, concebida como instituição para desenvolver o processo de socialização das novas gerações, aparece puramente conservadora, garantindo a reprodução social e cultural como requisito para a sobrevivência da sociedade, além disso, tem por objetivo a preparação do aluno para o mundo do trabalho e para sua atividade como cidadão.
Neste contexto de mudança ideológica, cultural, social e profissional, reconhecemos a educação escolar como ponto central do desenvolvimento humano (ALARCÃO, 2001). Diante dessas mudanças que perfazem a realidade, a educação é vista como um meio indispensável na constituição da sociedade, passando a ocupar um papel fundamental. Compreender o papel da escola perante as novas configurações da sociedade, torna-se essencial para avaliar a sua função no processo educativo atual, reconhecendo seus novos pressupostos, novos objetivos e novas concepções.
Quanto a este papel, a pedagogia crítico-social dos conteúdos, destaca que a atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto, fornecendo-lhe a aquisição de conteúdos e da socialização, para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade. A perspectiva que se propõe é uma nova maneira de compreender os elementos da ação pedagógica, aluno, educador e sociedade. Com efeito, uma pedagogia crítico-social, voltada para os conteúdos, entende que há saberes universais que se constituíram em domínios de conhecimentos autônomos incorporados pela humanidade e que devem ser reavaliados face às realidades sociais, através de um processo de transmissão- assimilação-reavaliação crítica. Neste sentido, o objetivo da escola será garantir a todos o saber e as capacidades necessárias a um domínio de todos os campos da atividade humana, como condição para a redução das desigualdades sociais (LIBÂNEO, 2004).
Para esse propósito, é necessário que a escola fortaleça seu projeto educacional, relacionando-o com o contexto social e suas características, por meio de um espaço que valorize as experiências das culturas, a socialização, a reflexão, a produção de saberes, a consolidação de projetos educativos e os valores indispensáveis à formação do cidadão.
A escola, portanto, na perspectiva de Libâneo (2004), é vista como espaço educativo, uma comunidade de aprendizagem construída pelos seus componentes, um lugar de práticas educativas que transmitem valores, atitudes, modos de agir, influenciando as aprendizagens de professores e alunos. Sendo assim, essa nova maneira de pensar e de agir tem implicações na escola e reflete na maneira como se concebe a formação e o currículo, como os professores percebem e concretizam a sua prática pedagógica, como os alunos vivem o seu ofício de estudante.
Desse modo, para Alarcão (2001), é fundamental que seja discutido o significado de uma escola reflexiva, na qual o currículo sirva como guia orientador de aprendizagem, os professores atuem como atores sociais, repensando diariamente suas práticas e os alunos sejam reconhecidos como protagonistas do processo de ensino aprendizagem, a fim de superar as dificuldades cotidianas e de refletir e atuar positivamente na sociedade em que vivem.
A escola de hoje não pode limitar-se a passar informação sobre as matérias, a transmitir o conhecimento do livro didático. Ela é uma síntese entre a cultura experienciada que acontece na cidade, na rua, nas praças, nos pontos de encontro, nos meios de comunicação, na família, no trabalho, etc., e a cultura formal que é o domínio dos conhecimentos, das habilidades de pensamento.
Assim, mais do que transmitir informação, a função educativa da escola contemporânea deve se orientar em prol da mobilização da vivência de relações sociais na aula e na escola, de experiências de aprendizagem, de atuações que justifiquem e requeiram novos modos de pensar e fazer, experimentar práticas sociais que induzam a solidariedade, à colaboração, à experimentação compartilhada, assim como a outro tipo de relações com o conhecimento e a cultura que estimulem a busca, a comparação, a crítica, a iniciativa e a criatividade (SACRISTÁN; GÓMEZ, 2000).
Influenciados por estas perspectivas, a escola deve se preocupar com o sujeito que aprende e que também ensina, já que interage com diferentes saberes acerca das informações e que convive em diferentes contextos de mudanças e transformações sociais. Além disso, deve oferecer situações de aprendizagem que façam o aluno pensar, refletir sobre o conhecimento, valorizando-o como alguém que é capaz de participar criticamente da sociedade.
Provocar a reconstrução crítica do pensamento e da ação nos alunos exige uma escola e uma aula onde se possa experimentar e viver a comparação aberta de pareceres e a participação real de todos na determinação efetiva das formas de viver, das normas e padrões que governam a conduta, assim como das relações do grupo da aula e da coletividade escolar. Isso requer a reconstrução das práticas pedagógicas e sociais que ocorrem na aula e na escola e das funções e atribuições do professor. Há, no entanto, que facilitar e estimular a participação ativa e crítica dos alunos nas diferentes tarefas que se desenvolvem na aula e que constituem o modo de viver da comunidade democrática de aprendizagem (SACRISTÁN; GÓMEZ, 2000, grifo do autor).
Portanto, há que se repensar no papel da escola perante às novas configurações sociais, um lugar de transformação e superação do preconceito em relação às condições sociais e às novas formas de se constituir a família, sem distinção de cultura, raça ou etnia e classe social, para que o processo educativo possa responder às demandas e exigências que se apresentam na atualidade,
sempre no intuito de formar uma pessoa capaz de refletir e agir autonomamente neste contexto.
Ao defender uma perspectiva de escola reflexiva, Alarcão (2001) acredita que formar é organizar contextos de aprendizagem, exigentes e estimulantes, através de ambientes formativos que favoreçam o cultivo de atitudes saudáveis e o desabrochar das capacidades de cada um com vistas ao desenvolvimento das competências que lhes permitam viver em sociedade, ou seja, nela conviver e intervir em interação com os outros cidadãos. Reconhecendo a aprendizagem como um processo continuado de construção experienciada de saber e a escola com um compromisso curricular a desempenhar, consideramos o currículo como guia orientador de aprendizagem e atribuímos à escola a gestão estratégica e reflexiva no cenário deste propósito. Assim, o currículo torna-se vivo na ação do professor com os seus alunos, atribuindo aos mesmos a capacidade de serem atores sociais, responsáveis em sua autonomia, críticos em seu pensamento, exigentes em sua profissionalidade coletivamente assumida, adequando o discurso produzido com a prática vivida. A autora ainda defende que os alunos formados por uma escola com tais características estarão mais bem preparados para demonstrar a capacidade de superação diante das dificuldades e para viver criticamente o cotidiano, habituados a refletir, terão motivações para continuar a aprender e para investigar, reconhecerão a importância das dimensões afetivas e cognitivas do ser humano, reagirão melhor em face da mudança e do risco que caracterizam uma sociedade em profunda transformação.
Em síntese, compreendemos que a escola necessita estar preparada para interpretar os novos saberes, as novas exigências sociais, possibilitando novos olhares sobre o conhecimento, e dessa forma, ser pensada e construída como um espaço de diálogo, de interlocução de culturas, de respeito à cultura dos alunos e a dos professores, na medida em que considera suas formas de vida e seus saberes, contribuindo para a formação humana dos sujeitos, na análise e reflexão sobre o contexto e as características da sociedade. “Ou seja, a escola precisa articular sua capacidade de receber e interpretar informação, com a de produzi-la, considerando o aluno sujeito do seu próprio conhecimento.” (LIBÂNEO, 2004, p. 53)
Desse modo, nos apoiamos nas ideias de Libâneo (2003), valorizando a escola enquanto mediadora entre o aluno e o mundo social adulto, com o papel de
contribuir com a transmissão e assimilação dos conteúdos culturais historicamente situados e produzidos pela humanidade. Esse processo se dá pela relação entre os conteúdos culturais sistematizados e a experiência social concreta trazida pelo aluno, por isso o trabalho docente consiste numa atividade mediadora entre o individual e o social, entre o aluno e a cultura.
Ao levarmos em consideração a perspectiva de escola que defendemos, pensando no processo de ensino e aprendizagem, não cabe mais para esse tipo de escola um ensino tradicional, que se caracteriza por ser transmissivo, linear, centrado no professor que explica, e no aluno que escuta e toma notas. Já a aprendizagem é interpretada como uma cópia e acumulação de informações que o professor transmite. E a avaliação vem a ser a comprovação de que o aluno aprendeu as explicações do professor e passa nas provas ou exames. Assim, para adequarmos o discurso produzido com a prática vivida, há que se mudar o sentido e o significado da aprendizagem, levando a uma reestruturação ampla do ensino. A mudança aponta para um enfoque da aprendizagem preocupado com o conhecimento relevante, pertinente, significativo, que leve o aluno a participar como ator na apropriação do saber, aprender a refletir, a compreender e a atuar, aplicando o conhecimento à situações concretas ou a contextos nos quais as soluções devam ser construídas partindo dos conhecimentos prévios discentes (MÉNDEZ, 2013).
Neste contexto, essa perspectiva sobre o ensino implica uma mudança na aprendizagem e obriga a busca de outras formas inovadoras de avaliá-la. Sendo assim, a prática avaliativa apresenta-se como um desafio que exige, principalmente por parte do professor em sua prática pedagógica, verificar continuamente, se as atividades por ele planejadas, oportunizam ao aluno construir realmente um conhecimento significativo.
Com base nesse entendimento, ao abordamos os processos avaliativos na escola estes revelam-se como um tema que provoca reflexões constantes na área educacional. No geral, de acordo com Luckesi (2011a), a escola brasileira opera com a verificação e não com a avaliação da aprendizagem. Este fato fica evidente ao observarmos que os resultados da aprendizagem usualmente têm tido a função de estabelecer uma classificação do educando, expressa em sua reprovação ou aprovação.
Desse ponto de vista, no próximo subcapítulo, buscamos por meio do levantamento na literatura, conceitos, características, princípios, funções e objetivos da avaliação, e posteriormente apresentamos os instrumentos avaliativos propostos para as atividades de ensino junto à educação formal, de maneira a apontarmos ao final qual o modelo de avaliação que nos apoiamos, pensando na essência da avaliação que almejamos ser praticada na escola e na Educação Física escolar.