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2 GENERELT OM FOU OG KONTRAKTER

2.7 FoU i alle faser av petroleumsutvinning

Para introduzirmos as práticas missionárias na dinâmica exploratória, primeiro é preciso expor as tensões políticas que permearam a constituição e o desdobramento da circunscrição do Vicariato do Niassa: as disputas entre as Coroas britânica e portuguesa, a presença árabe no domínio das rotas comerciais e o domínio Bemba na região Norte da Rhodésia. Sobre esse cenário heterogêneo, o catolicismo tentava expandir a abrangência de sua hierocracia, porém, pela força dessas tensões externas aos seus interesses, foi-lhe necessário adaptar-se ao desenvolvimento das políticas coloniais. Nesse sentido, as práticas missionárias do instituto dos Missionários da África foram eficazes à medida que incorporaram elementos externos, na forma de resíduos, para serem absorvidos em sua órbita e, consequentemente, modelarem a configuração de seus sinais diacríticos.

Pela estratégia de imposição de interesses — políticos, econômicos ou militares —, as esferas ou zona de influência correspondiam a territórios geograficamente adjacentes a um protetorado ou a uma colônia, os quais se moldavam em função de acordos entre as potências europeias que mantinham territórios vizinhos. Essas regiões não tinham sido exploradas a contento, mas havia o compromisso de serem ocupadas dentro de um período de 20 a 30 anos (GRUNSWICH, 2006). Para Osterhammel (2005), o tipo de influência exercida sobre as colônias britânicas, que era o caso da Rhodésia, foi o de Carta Régia para exploração e ocupação, por aquilo que o autor pressupunha serem os dois propósitos dos regimes coloniais: manter a ordem e possibilitar que empresas e investidores pudessem extrair os recursos da região. O papel das autoridades coloniais, por exemplo, Charles McKinnon, coletor de impostos, diante da BSAC, era o de viabilizar terras para a exploração, cobrar impostos e apaziguar quaisquer conflitos que surgissem.

Diferentes tratados de 1800, sobre a África e Ásia, traziam explícitos os termos de interesse. Segundo o The Oxford English Dictionary (1989, p. 206), no verbete sphere of

action, influence, or interest, encontramos:

A region or territory (orig. esp. in Africa or Asia) within which a particular nation claims, or is admitted, to have a special interest for

political or economic purposes.

[In]1885 [appeared the term used by] Earl Granville in Hertslet Map of Africa by Treaty (1894) II. [That letter was] A memorandum of Agreement for separating and defining the spheres of action of Great Britain and Germany in those parts of Africa where the colonial interests of the two countries might conflict137(Dr. Livingstone's Cambridge Lectures [1860] apud ROTBERG, The rise of christianity in Africa, 1972. grifo do autor).

Com o objetivo de explorar a África, houve o financiamento de jovens exploradores, que visionavam uma realização imperial ou messiânica, na “distante” África. Com certo cuidado, podemos colocar em destaque os nomes de Cecil Rhodes e David Livingstone como personagens assimiladores do humanista britânico: a dupla tarefa de civilizar e cristianizar. Livingstone, em uma de suas lições na Inglaterra, disse: “I know that in a few years I shall be cut off in that country which now is open; do not let it be shut again. I go back to Africa to try to make an open path for Christianity. Do you carry out the work which I have begun? I leave it to you˝ 138. (apud NKOMAZANA, 1998).

Pela coletânea de Herslet (2001)[1896], de cartas trocadas entre o Conde inglês Granville e o Cônsul alemão Münster — além de as trocadas com outras potências e de documentos oficiais da Coroa britânica —, há a carência nos acordos quanto à distinção entre a esfera de influência, protetorado e colônia. O que os definia era o interesse imperial em ser o responsável direto pelo investimento na exploração local, quando não lhe era assumidamente uma colônia. Por isso, o interesse exploratório inglês na região da África Central foi representado pela concessão da recém-criada British South Africa Company (BSAC ou BSACo), presidida por Cecil Rhodes, em 1889, após receber a Carta Régia139 com a criação de uma companhia a partir de duas existentes, a Central Search Association e a Explorating

Company Ltda. A Rhodésia conjugava-se entre a região norte com a Niasalândia (Zâmbia e Malauí, respectivamente) e a do sul (Zimbábue) com a Barotselândia pela esfera de influência

137 Esfera de ação, influência ou interesse, uma região ou território (orig. esp. na África ou Ásia) dentro do qual uma nação particular declara, ou é admitida, ter um interesse especial para propósitos políticos ou econômicos. [Em] 1885, [apareceu o termo utilizado por] Conde Granville, na obra de [Sir Edward] Hertslet,

Map of Africa by Treaty, de 1894, volume II, página 596. [Essa carta era] Um Memorando de Acordo para separar e definir as esferas de ação da Grã-Bretanha e da Alemanha naquelas partes da África onde interesses coloniais de dois países possam apresentar conflitos. (Tradução nossa). Esse acordo fora escrito por cartas, que datam de 29 de abril a 16 de junho, entre Conde Granville e Cônsul Münster, relativo às suas esferas de ações entre as duas potências em porções da África.

138 “Eu sei que em alguns anos serei retirado do território que agora está aberto. Não o deixe fechar novamente. Retorno à África para tentar fazer uma passagem para o Cristianismo. Continuem o trabalho que eu comecei! Eu o deixo a vocês!”.

139 Documento real de garantia de privilégios que concede direito e poder a um indivíduo, certas classes ou corporações coletivas, hoje substituído pelo registro de patente e de sociedades de responsabilidade limitada (THE OXFORD ENGLISH DICTIONARY, 1989, vol. III, p. 48).

britânica. Para Rhodes, eram territórios para obter suplementos e força de trabalho de baixo custo. Devido ao interesse da ocupação por trabalhadores europeus, a BSAC espalhou na Europa notícias de achado de várias jazidas de ouro, mas após algumas tentativas frustradas de escavação, esses trabalhadores passaram a ser incentivados a se estabelecer ali na situação de fazendeiros. Em 1914, a BSAC obteve a renovação do governo britânico da concessão de exploração, mas deveria incrementar o poder político dos colonos da Rhodésia, o que incentivou a Rhodésia do Sul a conquistar o status de colônia com autogoverno em 1923. No ano seguinte, depois de iniciada a exploração de cobre, foi negociada a administração da Rhodésia do Norte para o Escritório Colonial Britânico, em termos de protetorado. Sob esse regime colonial, a Rhodésia do Norte manteve os direitos de exploração mineral, estradas de ferro e agricultura até 1964, quando o território conquistou sua independência e os direitos exploratórios.