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3 KARTLEGGING AV FOU-VIRKSOMHET

3.1 Introduksjon

O Padre Joseph Dupont apareceu, acompanhado por mais dois missionários — Padre Schynse e Padre Merlon — em abril de 1885, na tentativa de Charles Lavigerie reforçar a força centrípeta do vicariato do Congo. Dessa vez a missão ocorreu pelo Oceano Atlântico, e os missionários adentram o continente pelo rio Congo, rumando para o posto de Nossa Senhora de Boungana, em Wwamouth, às margens do rio Kasaai. Porém, por uma supressão da Propaganda Fide, em função de um acordo que o Cardeal Lavigerie fizera com o instituto dos Padres do Espírito Santo, sem a devida autorização hierárquica, foi concedido a este instituto a parte do território do Congo onde Dupont e seus dois companheiros estavam.

168 Segundo Shorter (2006), este centro foi iniciado em Mambwe, depois foi para Utinta às margens do Lago

Foto 9 – Mgr. Dupont do Vicariato do Niassa

Fonte: MAFROME, 2010.

Os missionários de Lavigerie foram obrigados a deixar a região e retornar para França em 1887. Lá, Padre Dupont permaneceu lecionando, longe das missões. Porém, em 1891, sob sua liderança, foi agrupada a décima caravana em direção à África Central. Os missionários chegaram a Zanzibar em 30 de junho de 1891. Após sete meses de uma viagem com vários percalços, chegou Padre Joseph Dupont na sede do Vicariato do Tanganyika, em Karema, em 14 de fevereiro de 1892. O superior, Mgr. Lechaptois, encontrava alguém para auxiliá-lo no vasto território sob sua responsabilidade: o equivalente a 776.996 km2. Outrossim, o Cardeal Ledochowiski, prefeito da Propaganda Fide, responsável por sua direção, pressionava o Bispo do Tanganyika para que assumisse a região do norte da Zâmbia, tendo em vista os rumores dos missionários em Mambwe e das autoridades britânicas da BSAC a respeito dos ataques dos Babemba (PINEAU, 1937; SHORTER, 2006; BOAHEN, 2010). Com uma força considerável, e vencendo as incursões britânicas, o exército alemão minara a resistência Bemba. As informações eram distribuídas aos missionários, a partir da centralidade do vicariato, como nos relata o diarista, a respeito da derrota dos Babemba pelo general alemão Herman von Wissmann169 (1853-1905) em Ufipa (ROBERTS, 1973):

169

Comandante alemão responsável por romper com várias resistências na África Central e na Costa Leste (MWANZI, 2010).

18 July 1893. Bishop Lechaptois, who saw H. Wissmann at Kituta, informs us of the defeat of the Wabemba. It is providential, and we must thank the good God for it, that the Wabemba did not come to Mambwe. They were, people say, more than three thousand, and what could we do with our miserable 20 guns? H. Wissmann has killed at least 20 men. The moral impact was considerable. (MPONDA-MAMBWE 1891-1895, p. 41)[grifo do autor].

Estrategicamente, o chefe Bemba Makasa, próximo à fronteira, convidou os missionários para seu território. Assim, o conselho dos missionários decidiu fechar Mambwe e enviar Padre Dupont para lá. Em Tanganyika, o jeito militar do clérigo, que havia servido o exército francês antes de entrar para os Missionários da África, rendeu-lhe o apelido de Moto-

moto, homem de fogo.

Por outro lado, seria uma oportunidade de retirar os missionários de uma região que não prosperaria no assentamento do catolicismo. Esse foi outra lição aprendida: onde havia a predominância de interesses comerciais, pela presença contínua de comerciantes, árabes e europeus, a religião não seria um atrativo aos nativos:

27 April 1893. Mr. Bainbridge170 is passing through with a caravan of ivory. I (sic) carries 4000 pounds and says that he left 10,000 at Kituta. This ivory comes from Ujiji. It is unfortunate that our mission is situated at the crossroad of caravans. Beside the corruption that always results from the coming and going of so many travelers, beside the bad example of the lack of interest in religion of the Whites (these gentlemen worship only Mammon), it is impossible to follow a course of religious instruction to the natives. They are naturally inclined to travel and they now find an easy way of life, earning much and spending little indeed a mpagazi (hired-hand) is always pilfering. (MPONDA-MAMBWE, 1891-1895, p. 37)[grifo do autor].

Poucos dias depois, o diarista reforça:

1 May 1893. During night a lion tried to come into our place. The donkeys saved it. At 5 am the lion was still roaming around not far from the boma. This morning at 7 am, earth tremor. Six men belonging to the English are recruiting men for a caravan. Today, early nobody at prayer. All these people roaming around come neither to instruction nor prayer. (MPONDA- MAMBWE, 1891-1895, p. 37) [grifo do autor].

Comparação intrigante que o diarista faz entre os perigos da presença do leão e dos ingleses em busca de carregadores: ambos estariam rugindo, isto é, desviando a preocupação

170Oficial da BSAC em Kalungwishi, próximo ao Lago Mwero

das verdadeiras coisas divinas (SANCHIS, 2009). A passagem de caravanas e os recrutamentos dos nativos para compor as caravanas eram descritos durante o tempo em que a missão permaneceu em Mambwe. Para a tristeza dos missionários, apenas os que estavam morrendo aceitaram a verdadeira religião, um passo em direção à verdade.

Em setembro do ano seguinte, a varíola apareceu em Mambwe. Embora sem saber se seria efetivo o método de inoculação aplicado com a vacina para varíola de gado (cowpox), Padre van Oost, superior do posto, vacinou todas as crianças do orfanato: “4 September 1894. One of the children in the orphanage has confluent smallpox and appears to be in danger of death. We baptize him and name him Francisco.” (MPONDA-MAMBWE, 1891-1895, p. 64)[grifo do autor]. Nove dias depois, Francisco morreu e eles agradeciam a Deus por tê-lo batizado antes.

Após várias tentativas do Padre van Oost, intermediada pelo subchefe Bemba Makasa de adentrar a Bembalândia, Chitimukulu Sampa considerava ser um risco a seu domínio a submissão aos britânicos, como também prejudicaria seu comércio de escravos com árabes, devido à campanha antiescravagista dos europeus na região (MPONDA-MAMBWE, 1891- 1895, 23/02/1895; ROBERTS, 1973).

Em 18 de maio chega uma carta do Mgr. Lechaptois, enviando as condolências pela morte do padre superior, Padre van Oost, em função da malária, anunciando a chegada de Padre Dupont como superior da missão, posto que, em abril, o Chitimukulu já havia dado sinais para permitir que os Missionários da África se instalassem na fronteira de seu território. Padre Dupont implementaria a catolicização dos africanos da Bembalândia e da Niassalândia, isto é, reforçaria um dos traços distintivos que, associado aos primeiros textos em Chibemba, destacaria a identidade católica dos Missionários da África dentre os outros institutos.

Provavelmente por seu caráter autoritário e impulsivo, Padre Dupont foi enviado para conciliar com o espírito guerreiro dos Babemba (HINFELAAR, 2007). Em 31 de maio de 1895, ele chega a Mambwe e lá conquista a admiração dos Babemba, por desafiar a proibição de entrada de brancos em seu território, ordenada pelo Chitimukulu Sampa Kapalakasha aos seus subchefes, além de convocar os chefes Mambwe quando havia suspeita de os Babemba os atacarem.

Depois de várias negociações entre Makasa com Chitimukulu, e do Sr. Palmer, da ALC, em Mwenzo, enviando presentes ao Chitimukulu para permitir-lhe entrar, tudo com resultado negativo, pois o chefe não queria a presença de bazungu em seu território, foi Mgr. Dupont quem desafiou a proibição e abriu o caminho para os britânicos:

21 July 1895. [...] But ignoring the threats of the Wabemba and unaware of the plans of the English, we boldly stepped in. everyone is very surprise and now the Wabemba openly say, ‘We wanted to frighten the Whites of Mambwe, prevent them from coming and attract Pama (Palmer), but Pama got afraid, while Bwana Tanganyika [Mgr. Dupont] did not fear anyone. He is the strongest, he is the best.’ And the tall Chilundumene to add, ‘How often was I sent to Mambwe to frighten them. But I could not prevent them from coming.’ Palmer himself had told us several times that we would do well to go into the Bemba country. Possibly he was hiding his game, thinking that we would never dare do what everyone thought to be dangerous. (KAYAMBI, 1895-1899, p. 8)171.

O diarista enfatiza os poderes do líder católico que superava o temor dos ingleses e até do Chitimukulu. A descrição era reflexiva à circunscrição, isto é, não se engrandecia somente Mgr. Dupont, mas a instituição, o modelo missionário que se arrisca para salvar as almas pagãs. Em 1897, Mgr. Lechaptois consagrou-o bispo de Niassa. Com Moto-moto, o Grande Fogo, o Vicariato de Niassa começou a abrir várias missões, com preferência nos territórios de influência Babemba, como mostra a Tabela 2.

Tabela 2 - Fundações eclesiásticas na Bembalândia do Mgr. Dupont

Posto Nome Eclesiástico Ano

Kayambi Notre-Dame des Anges 1895 - 1911

Chilubula Notre-Dame du Bon

Secours

1899 Kaliminwa/

Kapatu Saint Leon 1898; 1906

Lwitikila/Chilonga Notre-Dame de Lourdes 1899

Kalungwishi/Bangweolo/172

Chilubi Santa Maria 1900-1903; 1904

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos diários dos postos e dos Rapports Annuels.

Como aponta Vasquez (2007), fazia parte da normativa católica renomear os locais e as pessoas, segundo um nome de santo, ou cristão, para assim ser identificado, como estamos apresentando pelos mapas do instituto. Essa atividade missionária no norte fazia com que a população passasse a se instalar em torno dos postos. Já que era necessária a autorização da

171Os missionários se estabeleceram em Kayambi, segundo a primeira entrada deste diário, em 08 de julho de

1895. Nesse sentido, os diários de Mponda-Mambwe e Kayambi se interpõem, complementando as informações, haja vista a permanência de Padre Guille até o dia 22 de julho, quando com 100 homens levou as últimas coisas da missão, enquanto os demais estavam em Kayambi.

172 Em 1903 o posto de Kalungwishi é fechado e transferido para Bangweolo, depois em 1904 retorna para