5.1. Vekt og vektutvikling
5.2.2 Sammenheng mellom ultralydmålinger og holdvurdering
Nessa seção serão apresentados os principais estudos empíricos da Lei de Thirlwall para o Brasil ou que incluem o Brasil em sua amostra. Lembrando que o primeiro trabalho empírico que incluiu o Brasil nas estimações foi o de Thirlwall e Hussain (1982), já apresentado neste capítulo. O resultado a que os autores chegaram é que no Brasil, no período 1951 a 1969, de um crescimento médio de 9.5% no período, 4% pode ser atribuído à Lei de Thirlwall original, 0.1% a variações de preços relativos e, a maior parte, cerca de 5.4%, a movimentos de capital.
Holland, Vieira e Canuto (2005) testam a lei de Thirlwall para 10 países da América Latina, incluindo o Brasil, no período de 1950-2000.
Primeiramente, os autores fazem uma análise gráfica e verificam que produto, exportações e importações apresentam correlação no longo prazo, tanto em nível como em primeira diferença. Todos os países apresentaram uma diminuição na taxa de crescimento nos anos 80 e as importações tornaram-se mais erráticas. Além disso, a taxa de crescimento das importações é maior que das exportações para todos os países, exceto Equador e Venezuela, indicando a presença da restrição externa nesses países.
Posteriormente, a elasticidade renda das importações é estimada em um modelo de primeira diferença das importações e primeira diferença do produto, incluindo um mecanismo de correção de erro e variáveis defasadas. Essas elasticidades são usadas na equação (33) do modelo básico, yb= x/π, para calcular a taxa de crescimento compatível com o equilíbrio do balanço de pagamentos. Note-se que, o calculo das elasticidades foi feito assumindo a não relevância dos termos de intercâmbio.
Enfim, compara-se a taxa de crescimento real e a compatível com o equilíbrio do balanço de pagamentos. Os resultados podem ser visualizados na tabela 15. Vale a pena ressaltar que as elasticidades renda estimadas para a América Latina são bastante altas.
Tabela 15 - Resultados América Latina
Elastic yb y y -yb Argentina 4,08 2,26 2,12 -0,14 Bolivia 4,57 1,42 2,96 1,54 Brasil 2,16 3,42 5,34 1,92 Chile 2,72 3,33 3,90 0,57 Colombia 4,36 2,26 3,94 1,68 Equador 0,43 2,52 4,14 1,62 México 4,58 2,72 4,62 1,90 Peru 2,53 2,84 3,52 0,68 Uruguai 3,48 1,61 1,77 0,16 Venezuela 3,84 1,54 3,29 1,75
Para o Brasil, a taxa de crescimento de 5,34% supera a taxa compatível com o equilíbrio do balanço de pagamentos de 3,42% em 1,92%, indicando que termos de intercâmbio e capitais podem ter tido um papel relevante na experiência de crescimento brasileira. Esse resultado estaria de acordo com o estudo de Thirlwall e Hussain (1982) entre 1951-69, que indica que, neste período, o capital teve um papel bastante relevante.
Concluindo, os autores corroboram que a restrição externa é relevante para os países da América Latina, ou seja, nenhum país está imune à sua restrição externa.
López e Cruz (2000) fazem um estudo para quatro países da América Latina: Brasil, Argentina, Colômbia e México no período de 1965-96. O principal objetivo é discutir a validade da Lei de Thirlwall e o papel do câmbio real no equilíbrio de longo prazo dessas economias.
A primeira constatação dos autores, a partir de análise gráfica, é que exportações, importações e produto parecem ter uma relação de longo prazo com quebras estruturais para os países pesquisados, embora essa relação não ocorra para cada período individualmente. Para Brasil, Argentina e México existe uma clara quebra estrutural nos anos 80, com uma queda da taxa de crescimento do produto.
Com base nessa análise, os autores fazem uma cointegração entre produto e exportações, em nível. Para todos os países acham apenas um vetor de cointegração entre essas variáveis, o que, segundo os autores, seria suficiente para corroborar a Lei de Thirlwall. Um teste de casualidade de Granger é feito e obtém-se que a casualidade corre das exportações para o produto, exceto para o caso do México, confirmando a relação de casualidade da Lei de Thirlwall.
A Lei de Thirlwall assume que os termos de intercâmbio são constantes no longo prazo. No entanto, para os países pesquisados os termos de troca sofrem grande variação, com uma leve tendência à deterioração. Para o Brasil esse comportamento se verifica. Assim, os autores fazem uma cointegração entre produto e termos de troca e encontram que para México e Colômbia uma desvalorização aumenta o crescimento como se esperaria, mas para Brasil e Argentina uma desvalorização diminui o crescimento do produto.
Dessa forma, os autores fazem uma cointegração entre balança comercial, renda externa, renda interna e termos de intercâmbio e constatam que para o Brasil não vale a condição de Marshall-Lerner, ou seja, a desvalorização piora a balança comercial. Já para a Argentina, a condição de Marshall-Lerner se verifica, mas provavelmente a desvalorização causa uma queda dos demais componentes da demanda agregada, como Investimento e Consumo.
Assim, os autores concluem que a Lei de Thirlwall vale para os quatro países, pois existe uma relação de longo prazo entre produto e exportações, com exportações causando produto. Os termos de troca são relevantes para explicar crescimento, mas o sinal difere entre os países e, portanto, além das políticas direcionadas para alterar a razão das elasticidades renda das exportações e importações, nos países onde vale a condição de Marshall-Lerner, a taxa de câmbio real pode ser um importante instrumento de política, mas precisa ser cautelosamente estudado.
Os autores Bértola, Higachi e Porcile, (2002) propõem-se a estimar a lei de Thirlwall diretamente, incluindo termos de troca e excluindo capital para o Brasil no período 1890- 1973. O período foi escolhido para abranger tanto a era de “export-led” entre 1890-1930, quanto o PSI, Processo de Substituição de Importações entre 1930-73. Os autores encerraram o período de análise em 1973 porque a partir de então capital pode ter um papel significante não contemplado pelo modelo.
Dessa forma, os autores estimam, através de técnicas de cointegração, a seguinte equação já derivada no capítulo 3: (86) π ψ η ε z+( + +1) (pd-e-pf) = yb
Uma tendência foi utilizada para captar as mudanças estruturais que a economia sofreu no período. Os resultados confirmam que a Lei de Thirlwall se aplica para o país no período em questão, pois o coeficiente dos termos de troca não se mostrou significativo, e tanto termos de troca como renda externa podem ser considerados fracamente exógenos a 5% de significância. Esses resultados indicam que a variável de ajuste é a renda e os termos de intercâmbio não têm um papel relevante nem no curto nem no longo prazo, como seria de esperar dentro do arcabouço do modelo de restrição externa.
Assim, eles estimam o modelo básico
π ε z =
yb , concluindo que a renda interna e externa cointegram, sendo que essa última é fortemente exógena. A razão de elasticidades estimada para o Brasil é próxima da unidade e a tendência que capturaria as mudanças estruturais e o ganho de competitividade é pequena, mas positiva e estatisticamente significante.
A análise do VEC mostra que 41% das variações do PIB podem ser atribuídas a ajustamentos em direção à Lei de Thirlwall original, mostrando, segundo os autores, que a Lei de Thirlwall, também, pode ser um importante instrumental para a análise de flutuações de curto prazo.
Jayme Jr (2003) estima diretamente a equação (33) para verificar se existe uma relação de longo prazo entre exportações e crescimento do produto para o Brasil no período 1955-98, usando as técnicas de cointegração.
Como existe uma relação estável de longo prazo entre essas variáveis, o que, segundo alguns autores, já seria uma corroboração à Lei de Thirlwall, ele analisa o VEC, Vetor de Correção de Erro e as funções impulso-resposta para ver o ajustamento das variáveis. Na verdade, através das funções impulso-resposta, o autor encontra que a casualidade corre em ambas as direções, tanto do PIB para as exportações, quanto o contrário, confirmando, assim, a análise de Thirlwall.
Com base na estimação da equação (33), ele calcula a elasticidade renda das importações implícita do modelo e chega a um valor de 2,38 para o período. Depois usa essa elasticidade e a taxa de crescimento das exportações na equação (33) para calcular as taxas de crescimento no período prevista pelo modelo, usando uma média móvel de 8 anos e compara com a taxa real. O resultado parece confirmar a lei de Thirlwall, mas incorre no problema mencionado por McCombie (1997) de assumir o que está sendo testado, ou seja, que as taxas de câmbio não são significantes.
O autor encontra uma quebra estrutural nos anos 80, dividindo a série entre 1955-80 e 1981- 88, a elasticidade renda das importações aumentou de 2,21 para 2,58. No entanto, aparentemente essa quebra ocorreu nos anos 80 e não nos anos 90, uma vez que a estimativa para o período 1955-89 é praticamente a mesma que para o período 1955-98.
Uma tentativa de considerar a dinâmica da conta capital na economia brasileira foi feita por Ferreira (2001). Em seu trabalho, Ferreira inclui, na especificação do equilíbrio do balanço de pagamentos, a dimensão financeira e depois estima para o Brasil. Entretanto, em sua especificação de equilíbrio do balanço de pagamentos, ele considera que o influxo de capitais não alivia a restrição externa de longo prazo, já que o capital retorna ao seu país de origem.
No entanto, as despesas de juros e lucros e dividendos sobre o capital externo que entra no país em determinado período tornam o equilíbrio externo mais restritivo ao crescimento do país. Assim, ele estima que, para o período 1949-1999, a taxa de crescimento média real do país foi de 5,4%, enquanto a Lei Thirlwall original previa 6,2% e a Lei de Thirlwall estendida previa um crescimento de 5,2%, condizente com o crescimento real. Assim, o autor conclui que o pagamento de serviços sobre o capital externo diminuiu a capacidade de crescimento do país em 1%.
Sobre os estudos de Brasil e América Latina discutidos nessa seção, alguns aspectos merecem ser ressaltados. Em primeiro lugar, parece claro que, para o Brasil e para vários países da América Latina, houve uma quebra estrutural em meados dos anos 80, levando a uma taxa de crescimento mais baixa. Essa quebra ganhará papel de destaque em nosso teste empírico, pois está relacionada com a questão central desta dissertação.
Em segundo lugar, os estudos feitos até então para a economia brasileira indicam que os termos de intercâmbio efetivamente variaram pouco no longo prazo. Existe inclusive uma dúvida sobre a validade da condição de Marshall-Lerner para o Brasil. Além disso, os trabalhos feitos para o Brasil ainda não quantificaram o papel do fluxo de capitais na restrição de equilíbrio do setor externo, coisa que essa dissertação se propõe a fazer.