5 Analyse
5.5 Sammenfatning
Após o êxito de Fausto, a direcção do Teatro-Circo decide suspender temporariamente os espectáculos de forma a proceder a algumas obras de remodelação, de forma a aumentar a lotação do teatro e torná-lo mais “vistoso”:
A proprietaria do Circo da rua de Santo Antonio resolveu fazer alguns melhoramentos a fim de melhorar as condições d’aquella casa de espectaculo. Segundo nos informam as obras a que se vai proceder consistem no augmento de mais uma ordem de camarotes, mudança de palco para outro sítio, construcção de um restaurante apropriado, pintura e ornamentação interiores, etc. (O Comércio do Porto, 29.04.1873, p. 2)
Prosseguem com actividade as construcções dos novos theatros da Trindade e Circo (…). No theatro Circo vão tambem muito adiantados os trabalhos, os quaes correm sob a intelligente direcção do snr. Couto. Este theatro ficará mais amplo e em muito melhores condições que o antigo que alli existia. O panno de boca representara o edificio da nova alfandega, visto do lado de Gaya, e estão encarregados de o pintar os snrs. Lima e Sanhoane. (O Comércio do Porto, 17.10.1873, p. 2)
109 Prosseguem com actividade as obras de reconstrucção do theatro-circo, achando-se já quasi todo coberto. As obras de pintura interior do mesmo teatro já principiaram, tendo sido encarregado d’esse trabalho o pintor, o snr. Luiz Caçador. (O Comércio do Porto, 14.12.1873, p. 1)
Antes de se encontrar concluído, já o empresário Moutinho de Sousa, por então arrendatário do Teatro Baquet, havia conseguido ganhar o concurso de forma a explorar este teatro. A 21 de Dezembro de 1873 prevê-se a sua abertura «na semana proxima», altura em que se acharia concluída «a edificação exterior do novo Theatro-circo».
Moutinho de Sousa inaugurará esta nova fase do Teatro-Circo com uma companhia «composta de alguns artistas do theatro Baquet, reforçados com outros novos, tencionando a empreza pôr alli em scena operas comicas, comedias, magicas e outros espectaculos de apparato e a sabor do publico frequentador d’aquelle theatro.» Na mesma linha, e denotando uma clara preocupação em acolher o público habituée daquele teatro, o empresário afirma tencionar «não só não elevar os preços antigos d’aquelle theatro, mas estabelecer lugares mais baratos ainda.» Quanto ao aspecto final do teatro, refere-se que «além de elegante» será «um dos mais commodos do Porto.» Apresentaria agora «duas ordens de camarotes (…), um café no corredor da primeira ordem e um restaurante no da segunda, salão de pintura, emfim todos os requisitos essenciaes a uma casa de espectaculo» (O Comércio do Porto, 21.12.1873, p. 1).
A forte identidade teatral que o Teatro do Príncipe Real irá fomentar e nutrir ao longo do último quartel do século XIX, e que persistirá igualmente no decorrer do novo século, altura em que a maioria das casas de espectáculos começaria a vergar-se ao Cinema, contará com o precioso contributo inicial de uma das mais cotadas actrizes nacionais da altura: Emília das Neves. Segundo consta, Moutinho de Sousa, «emprezario dos theatros Baquet e circo», havia contratado a actriz para uma série de espectáculos em ambos os teatros e seria pela sua veia artística «que se inaugurão as representações dramaticas no novo theatro-circo.» O entusiasmo manifestado na época era evidente já que o empresário «não podia fazer melhor acquisição do que a da rainha da scena portugueza para inaugurar os seus espectaculos (…).» Da parte do público portuense, bastava recordar como a actriz fora recebida e as «continuas ovações que teve da ultima vez que trabalhou no theatro de S. João (…)» (O Comércio do Porto, 4.01.1874, p. 1). Emília das Neves seria um importante trunfo para o arranque fértil do novo Teatro-Circo ou, como seria designado, Teatro do Príncipe Real.
110 Antes do novo nome, o Teatro do Príncipe Real seria inaugurado com a designação de «circo do Príncipe Real», a 12 de Março de 1874, pela companhia equestre do empresário Thomas Price (O Comércio do Porto, 12.03.1874, p. 2). Sobre as primeiras impressões desta nova casa de espectáculos, «construida em substituição do antigo Theatro-circo», refere-se que este se mostrava «elegante e bem proporcionado» mas um pouco aquém do esperado em relação à pintura do seu interior, de gosto um tanto «emaranhado»; e acrescenta-se que «o aspecto não é desagradavel á vista, mas como o circo tem de se transformar em sala para espectaculos dramaticos, a pintura não produziria peor effeito se fosse mais simples e delicada.» Resumindo, a nova casa de espectáculos «nada deixa a desejar e dá muita honra a quem presidiu á sua construção, que foi o habil architecto o snr. Couto, competentissimo para edificações como esta.» Sobre o espectáculo da companhia equestre pouco havia a dizer, dada a falta de novidade que esta constituía. Convém, isso sim, e denotando aqui a importância desta casa de espectáculos no contexto do Bairro teatral, referir que a enchente foi completa, «tendo-se vendido á porta bilhetes pelo triplo do valor» (O Comércio do
Porto, 13.03.1874, p. 2).
A inauguração teatral ocorreria a 2 de Maio de 1874, no já apelidado “Teatro do Príncipe Real”, pela mão de uma companhia composta pelo arrendatário do teatro Moutinho de Sousa, onde despontavam nomes como a já citada Emília das Neves. A peça escolhida foi o drama de Mendes Leal A corte na aldeia. Esta companhia desdobrar-se-ia entre este teatro e o Teatro Baquet, por opção do arrendatário das duas casas de espectáculo, Moutinho de Sousa. A companhia partia-se em duas e, estando Emília das Neves no Teatro do Príncipe Real, facilmente se entendia as enchentes neste teatro e a concorrência «diminuta» no Teatro Baquet (O Comércio do Porto, 5.05.1874, p. 2). Era o começo de uma nova era no Bairro teatral.