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GRENSEFLATER OG SAMARBEID MED ANDRE SEKTORER

5.9 Samferdselsdepartementet Samferdselsdepartementet (SD) har ansvar

Diversos autores apontam a resistência dos proprietários de terras da região em aprender novas técnicas, tais como Monteiro e Pedalino (2003)153 que afirmam ocorrer em função da silvicultura ser praticada por uma população que persiste em ser representada pela pecuária, como segue:

“Mas essa alteração da vocação natural não é livre de conseqüências.Primeiro, muda profundamente a paisagem de campos nativos que dão suporte à pecuária e que agora vêm sendo rapidamente substituídos por novas culturas. Em segundo lugar, cria a necessidade de adaptação técnica e cultural de um povo que não traz na sua bagagem a experiência da lida com as novas culturas. Ou seja, essas iniciativas são contraditórias com duas das dimensões da sustentabilidade: apreservação de ecossistemas naturais e a valorização do saber local”.

O que faria suspeitar que a exploração industrial da madeira não teria ocorrido em função de ser uma novidade na região, bem como, do próprio pinus não se difundir. No entanto, não apenas as novas atividades foram incorporadas, como também foram e são até a atualidade modificadas, adaptando os novos atores humanos, não-humanos e seus híbridos.

O ciclo da madeira em sua primeira fase representou uma importante contribuição às famílias com propriedades rurais, que puderam com a venda da madeira, ampliar suas áreas de terras. Os primeiros plantios de pinus realizados em parceria com as “papeleiras” não foram unanimidade. A implantação iniciava com a limpesa do terreno com o uso de tratores de esteiras. Na localidade de Cadeados, um agricultor lembra da reação dos seus pais154, quando seu irmão iniciou o plantio, e a primeira operação de remoção da vegetação levou todos as árvores de Butiá (Butia eriospatha (Mart. Ex Drude) Becc.). Atualmente, proprietários locais que plantam por conta própria o pinus, não removem as árvores e butiás esparsos pelo campo para o plantio do pinus (vide Figura 21).

Com o avanço do ciclo, aqueles com melhor condição de acesso a mercados, beneficiavam a madeira, detinham poder político, possuiam laços de confiança com outras famílias tradicionais e detinham outras fontes de renda, puderam assim acumular capital, iniciando um processo de aquisição de terras. Foram inúmeros os casos como o de Edmundo

153 Monteiro, F.; Pedalino, D. Programa de Melhoramento de Campos Naturais do Planalto Catarinense.

Desenolviemento Regional e Local em Base Sustentável. Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 2003 http://inovando.fgvsp.br/conteudo/documentos/20experiencias2003/SANTACATARINA(Lages).pdf

154 “Mas você vai acabar com tudo esse butiá home, isso nunca mais vai se fazê de novo”, o butiá era uma fonte

preciosa de alimento para os animais, os frutos no final do verão, e as folhas durante o inverno, além de serem úteis para a fabricação de colchões e estofados. As folhas eram transportadas até Rio do Sul/SC, onde havia uma fábrica de colchões na década de 1940.

Ribeiro Rodrigues, Médico morador de Lages155 adquiriu de João Rafaeli Werner e Ione Rogério Rafaeli156:

“uma gleba de terras de campos e matos com todas as suas benfeitorias existentes, sem reserva alguma, salvo alguns pinheiros existentes, compromissados com terceiros, com a área superficial de quatro milhões seiscentos e vinte mil e seiscentos e quarenta metros quadrados, 4.620.640 ms2, situado lugar “Macacos” distrito de Índio...”

Figura 22 - Butiá em meio a talhão de pinus. Cadeados, Lages/SC. Fonte: Arquivo do autor, 2004.

A Firma Edmundo Ribeiro Rodrigues apresentaria no mesmo ano de 1969, projeto de reflorestamento na Fazenda Guarda Mor157, iniciando um processo de investimento em

155 4º. Ofício de Registro Geral de Imóveis. N. 3140, do livro nº. 3B, fls. 67/68. 156 E esposa Maria Alaíde Werner e Clara Floriani Rafaeli, respectivamente.

157 “com registro no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CGCMF) nº. 84.949.254 e

registro no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal nº. 733, estabelecida com Serraria no Município de Urubici (SC), neste ato representada por seu Diretor Gerente, infra assinado, Sr. Edmundo Ribeiro Ridrigues, brasileiro, casado, médico e industrial, residente na Cidade de Lages (SC), ... segundo exigências da Portaria 201, dessa autarquia, o Projeto de Reflorestamento anexo.... Lages (SC), em 14 de junho de 1969”. Data de entrada IBDF 3/10/69. n de ordem 10.850.

reflorestamento por profissionais como médicos, que ganharia grande impulso no final da década de 1990. O projeto de reflorestamento para atender exigências da Portaria 201, da Firma Madereira Santa Catarina Ltda., de Farroupilha, realizado na Fazenda Guarda-Mor, Distrito da Coxilha Rica, Município de Lages, enviado ao IBDF em 30 de junho de 1969. A Fazenda Guarda-Mor foi uma das fazendas de maior prestígio de Lages158, e atualmente é símbolo de preservação do campo nativo, e de alternativa econômica através do turismo rural.

As descrições sobre a natureza do terreno tratavam da origem geológica da região onde seria localizado o plantio, e em nada contribuíam para o projeto159. No entanto, a leitura geográfica não resultava em qualquer efeito sobre as práticas silviculturais adotadas:

“Na área de serras destinada à aplicação deste projeto, encontram-se nas lombadas ligeiros afloramentos de cascalho regionalmente denominados – ‘saibro’, mas que não impedem o aproveitamento total da área, isto porque a experiência de outros plantios anteriores de pinus assim demonstram pelo bom desenvolvimento”.

Sobre a “Qualidade das Terras”: “quanto á área de terra destinada ao presente Projeto, trata-se de um solo arenoso, com profundidade média favorável ao bom desenvolvimento das essências a serem utilizadas (Pinnus Elliotti e Pinnus taeda).” Apresentava-se ainda, o resultado de uma análise de solo. No entanto, como observa-se no mapa de plantio (Figura 23), a locação dos talhões não obedece qualquer orientação edáfica, e o plantio era previsto de forma indistinta aos tipos de solo, mesmo com afloramento de saibro. Da mesma forma, no tocante a obediência a limites ambientais, o levantamento não observava a existência de formações naturais que denotassem qualquer limitação ao projeto no sentido de garantir a conservação da natureza como previsto em Lei.

Desde 1965, o Código Florestal já reservava proteção às áreas ciliares, definidas como Áreas de Preservação Permanente. Em relação aos cursos d´agua, o projeto assinalava que “se pode observar na planta topográfica no local onde se implantará este reflorestamento não se faz presente nenhum rio de maior importância. A vocação de uso produtivo, em toda a área, era também manifesta em título de arrendamento feito pela madeireira e os proprietários da terra, como exigido pelo IBDF, na qual, estimava as terras “com 2.103,2 hectares, 2.103,2 explotável”160.

158 Inúmeras vezes a sucessão desta propriedade foi citada neste trabalho. Por um grande acaso, dentre três

projetos analisados na sede do IBAMA em Florianópolis, na tarde da sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007 (sexta de carnaval!), estava lá, um projeto de reflorestamento na Fazenda Guarda-mor.

159 “Intrusões magmáticas reergueram e pertubaram os rendimentos paleozóicos sobrejacentes, determinando-

lhes uma disposição concêntrica, com inclinação em todos os sentidos, a partir dos pontos de maior tensão ou de materiais efusivos aparecem hoje com nitidês por efeito da erosão. A drenagem local de caráter radial ainda denuncia a importância desse fenômeno de intrusão (Paulo Fernando Lago)”

Figura 23 - Planta de Situação do Reflorestamento da Fazenda Guarda Mor.

Fonte: Projeto de Reflorestamento. Firma Edmundo Ribeiro Rodrigues. Número de Ordem 10.850, 3/10/1969. IBAMA. 1969.

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