No período da realização da presente pesquisa a autora trabalhava como estagiária no setor financeiro da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (FLORAM), o que facilitou a obtenção dos relatórios necessários. A pedido da autora, o Contador da FLORAM, realizou um telefonema para a Contadora Geral da Prefeitura Municipal de Florianópolis (PMF), explicando que havia uma estagiária que estava iniciando a monografia e precisaria de alguns relatórios da Prefeitura Municipal de Florianópolis. Imediatamente a Contadora forneceu os relatórios necessários: os demonstrativos do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) e do Relatório de Gestão Fiscal (RGF) da PMF, do período de 2003 a 2008.
A autora da presente pesquisa também protocolou um ofício na Coordenadoria de Documentação (Apêndice A), dirigido ao Secretário da Administração da PMF, solicitando o total das despesas com a folha de pagamento da FLORAM, dos anos de 2003 a 2008. O Secretário enviou a solicitação para o Departamento de Recursos Humanos que encaminhou para a gerência de folha de pagamento da PMF.
Aproximadamente um mês após a solicitação e depois que a autora realizou algumas visitas ao Departamento de Recursos Humanos sem obter nenhuma resposta sobre o ofício, o Contador e Gerente Financeiro da FLORAM, que precisava das mesmas informações, mas referentes aos meses de janeiro a maio de 2009, foi até à sala do Gerente da folha de pagamento, solicitou as informações que ele precisava e perguntou sobre o andamento do ofício de sua estagiária. O gerente da folha alegou não ter recebido o documento e pediu para que a autora levasse uma cópia do ofício para que ele avaliasse a possibilidade de disponibilização dos dados.
As despesas com a folha de pagamento da FLORAM não foram disponibilizadas. Após alguns dias, o Contador da FLORAM fez uma ligação para o departamento da folha de pagamento e falou com uma funcionária que estava a par da solicitação. Ela explicou que o Prefeito do Município de Florianópolis está implantando uma reforma administrativa que está gerando uma carga excessiva de trabalho para os funcionários do setor, impossibilitando o atendimento da solicitação em tempo hábil para que a autora incluísse no seu trabalho.
A solicitação do Contador da FLORAM foi atendida, já que se tratava de um pedido do Diretor Superintendente da Fundação para a realização de um relatório. Além disso, a solicitação era de um período mais curto e recente.
Analisando as despesas da folha de pagamento da FLORAM dos meses de janeiro a maio de 2009, fornecidas ao Contador da FLORAM, pode-se identificar um valor de R$ 2.549.196,50 para os cinco primeiros meses de 2009, e se esse valor for dividido por cinco e multiplicado por 13, obtêm-se um valor de R$ 6.627.910,90 que seria uma estimativa da despesa para o exercício de 2009, incluindo o décimo terceiro salário. Esse valor ultrapassa em mais de 3,2 milhões o total das despesas da FLORAM do exercício de 2008, que foram de R$ 3.406.919,67 (valor atualizado monetariamente). Apesar da expressividade desta despesa, por motivos já apresentados, elas não farão parte do presente estudo, ficando a autora limitada a trabalhar com a estimativa apresentada e com as despesas com Gestão Ambiental constantes nos demonstrativos do RREO.
Para coletar os dados dos relatórios do RREO, alguns critérios foram estabelecidos: 1) Utilização das despesas empenhadas, em conformidade com o art. 35 da Lei n.º 4.320/1964, que determina que pertencem ao exercício financeiro as despesas nele legalmente empenhadas. 2) O outro critério foi somar despesas intra-orçamentárias com despesas normais. De acordo com a Portaria Interministerial n.º 338/2006, considera-se como intra- orçamentária
as operações que resultem de despesas de órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social decorrentes da aquisição de materiais, bens e serviços, pagamento de impostos, taxas e contribuições, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal dependente ou outra entidade constante desses orçamentos, no âmbito da mesma esfera de governo. Esse tipo de operação não será estudado separadamente, visto que significa um valor irrelevante diante das cifras orçamentárias e, principalmente, para fins de comparação entre os períodos estudados, já que dos períodos de 2003 a 2006 essa separação não existia.
Para corrigir a desvalorização da moeda, causada pela inflação, foi utilizado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse índice é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 1980 e é utilizado desde julho/1999 como índice oficial da inflação do Brasil. O IPCA é calculado mensalmente e abrange as famílias com rendimentos mensais compreendidos entre um e quarenta salários-mínimos, qualquer que seja a fonte de rendimentos, e residentes nas áreas urbanas de nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e Brasília (IBGE, 2009).
Os Índices anuais de inflação, registrados pelo IPCA, assim como os fatores de ajuste para o final do exercício financeiro de 2008, estão dispostos na Tabela 4.
Tabela 4 – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, de 2003 a 2008 Exercícios
financeiros IPCA IPCA médio
Fator de ajuste para o final de 2008 Inflação acumulada 2003 9,30% 4,55% 1,3564 35,64% 2004 7,60% 3,73% 1,2508 25,08% 2005 5,69% 2,81% 1,1729 17,29% 2006 3,14% 1,56% 1,1234 12,34% 2007 4,45% 2,20% 1,0823 8,23% 2008 5,90% 2,91% 1,0291 2,91%
Fonte: Adaptado de IBGE (2009b).
Analisando a Tabela 4, percebe-se que a inflação acumulada de 2003 a 31/12/2008, foi de 35,64%. Por meio da Tabela 4, os valores monetários da presente pesquisa serão atualizados com os percentuais da coluna “Fator de ajuste para o final de 2008”, possibilitando a comparação dos valores sem a influência da desvalorização da moeda.