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3.3 Funn fra kvalitativ undersøkelse om verdsetting, trivsel og stress

3.3.4 Samarbeid

Com sua nascente a cerca de 480 quilômetros do litoral, o rio Paraíba tem origem na região da atual cidade de Monteiro, desaguando na praia de Cabedelo, que no século XIX pertencia à capital. Chamado inicialmente pelos portugueses como São Domingos, o rio manteve sua denominação tupi143. Às margens do Paraíba e seus afluentes, caminhando para a última década do século XVI, os portugueses conseguiram estabelecer uma base sólida de ocupação. A resistência indígena aliada à presença francesa continuaria a incomodar os primeiros colonos. Contudo, a partir de 1585, a conquista da Capitania Real da Paraíba por parte dos lusos entrou em uma fase mais consolidada144.

Mesmo sendo o citado rio o mais importante campo de batalha e instalação dos principais engenhos da capitania, não foi nele que se estabeleceu os primeiros aglomerados urbanos. Sua foz serviu para estabelecer um complexo de defesa, compreendendo três fortins: Santa Catarina, à margem direita; Santo Antônio, à esquerda; e fortim da Restinga, na ilha que ficava ao centro da foz do rio145. Almeida (1978, p. 96, Vol. I) afirma que este último não teve vida longa. Fora construído apenas no período de tentativas de invasão holandesa.

Além dos fortes, o encontro do Paraíba com o oceano foi o ponto de contato, por intermédio do porto de Cabedelo, da capitania/província com o Mundo Atlântico. Foi por este rio que muitas embarcações com africanos desembarcaram no decorrer do mercado de escravizados. No anexo II, vemos a barra do referido rio, destacando as regiões onde foram erguidas as já referidas fortificações e onde se deu início às construção da cidade da Parahyba do Norte.

Como afirmamos, apesar do rio Paraíba ter sido o principal alvo de ocupação dos portugueses, foi à margem direita do rio Sanhauá, seu afluente, que se desenvolveu

143 Alguns autores se dedicaram à descrição do rio Paraíba, principal palco das disputas da colonização.

Não por outro motivo que o nome da capitania foi em homenagem ao mesmo rio. Machado (1977), Almeida (1978) e Andrade (1997) dedicam-se a detalhes sobre o Paraíba. Gonçalves (2007) fez também uma sistematização de informações acerca do rio e seu papel na conquista e colonização da área.

144 Não vamos adentrar as discussões sobre o processo de conquista e colonização da Paraíba na virada do

século XVI para XVII. Sugerimos a leitura de Gonçalves (2007).

145Walfredo Rodriguez (1994, p. 5) apresenta uma ilustração desses fortes a partir do porto de Cabedelo,

o centro urbano da região, construindo-se as primeiras edificações e ruas do que viríamos a chamar cidade da Parahyba. A sua divisão era basicamente entre cidade alta e baixa. Nesta parte, ficava o cais do Varadouro (onde regularia as relações comerciais) e, alguns anos depois, a igreja São Pedro Gonçalves.

Foi também no Varadouro em que se montou uma fortificação e porto. Nessa região da cidade, instalou-se a alfândega e uma série de armazéns com o propósito de guardar a produção que por lá escoava. Esse espaço tornou-se um dos principais da cidade, nas palavras de Archimede Cavalcanti, às vésperas da independência,

O varadouro não identificava apenas o cais do Sanhuá e artérias contíguas. Abarcava todo o bairro comercial que lá plantou-se e floresceu. Compreendia o Pátio da Alfândega, o Largo da Gameleira, donde originou-se a Praça Álvaro Machado, o Beco da Alfândega (Rua João Suassuna), a Rua das Convertidas (Maciel Pinheiro). [...]. Um pequeno ancoradouro dela formado motivou o nome da via que lhe ficava mais perto, a letes – a Rua do Portinho” (CAVALCANTI, 1972, p. 39).

Como nos lembrou Cavalcanti, a cidade baixa não se resumia ao cais do Varadouro. Em seus arredores, foram se desenvolvendo algumas ruas que se tornariam importantes na cidade da Parahyba do Norte oitocentista. Uma delas foi a rua das Convertidas. De acordo com a versão de Maximiano Machado (1977, p. 435-436), este logradouro teve seu nome devido ao Seminário fundado pelo padre Gabriel Malagrida que chegou à Paraíba em meados do século XVIII. O novo seminário tinha o objetivo de educar a mocidade para o exercício do sacerdócio. Com a volta do padre a Portugal em 1754, o prédio da instituição ficou abandonado, mas a rua em que se encontrava ganhou seu nome. Paralela a esta se encontrava a rua da Gameleira.

Como nosso tema é a diáspora africana na Paraíba, não podemos deixar de destacar a rua Zumbi, localizada na parte baixa da cidade. Foi nela em que ficou exposta a cabeça de Amaro Gomes Coutinho, morto por sua liderança no movimento de 1817. O nome da referida rua faz referência direta ao líder do quilombo dos Palmares e pode nos levar a acreditar que era uma denominação usual da população da cidade, provavelmente, feita pelos escravizados que viviam nesse cenário urbano. A rua Zumbi

também fazia parte da região chamada de “Tanque” por ter água disponível para

abastecimento das casas (RODRIGUEZ, 1994, p. 110).

Subindo a chamada Ladeira de São Francisco (atual Ladeira da Borborema), em seu topo, foi fundada a capela, que mais tarde seria a igreja matriz de Nossa Senhora das Neves, padroeira da cidade, onde se convencionou chamar de cidade alta. Construiu-se

nos arredores da catedral a rua Nova (atual General Osório), onde se instalou inicialmente a cadeia, a Câmara e o convento de São Bento (ALMEIDA, 1978, p. 95). Esta rua estendia-se até as proximidades do beco da Misericórdia, onde situava-se a Igreja de mesmo nome146.

Paralela à rua Nova estava a rua Direita (atual Duque de Caxias) que tem início no cruzeiro do Convento de São Francisco e estende-se até as proximidades da já citada Igreja da Misericórdia. A partir daí, a rua ganhava novo nome: rua da Baixa, onde encontraríamos a igreja do Rosário, construída em 1711, sede da irmandade de mesmo nome, como discorreremos no quarto capítulo. Tal rua terminava no chamado largo do Palácio, onde se situava o prédio do convento dos Jesuítas e que, desde o século XVIII, passou a sediar o governo da Capitania.

A rua Direita também era paralela à rua da Cadeia, que compreendia desde o largo do Carmo, onde situava-se a Igreja com mesmo nome147 até um pouco antes da Igreja Nossa Senhora das Mercês, passando pelo antigo mercado público, que estava quase na mesma altura da Cadeia. Em frente a esta, encontrava-se o chamado Largo da

Cadeia (atual praça Rio Branco), em que “erguia-se o pelourinho, coluna de alvenaria

onde se castigavam criminosos ou se expunham à execração pública ladrões e escravos

fugitivos ou comprometidos em delitos passíveis de punição fora da alçada do senhorio”

(CAVALCANTI, 1972, p. 33). O Largo da Cadeia foi palco de muitas histórias protagonizadas por escravos, dentre os quais muitos africanos, que narraremos com mais detalhes nos próximos capítulos. O mesmo prédio que abrigou por um tempo a cadeia foi também sede da prefeitura da cidade e do Senado da Câmara. Nesse Largo também havia edifício que sediou a Companhia de Comércio de Pernambuco e Paraíba e o Erário Régio148.

Essa divisão topográfica entre partes alta e baixa, no decorrer do século XIX, expressou a estratificação social da cidade. Em linhas gerais, a Parahyba do Norte organizou-se da seguinte maneira:

146 A Igreja da Misericórdia foi fundada no anos finais do século XVI, juntamente com a irmandade

composta apenas por homens da elite. Um de seus fundadores foi Duarte Gomes da Silveira, um dos primeiros e mais ricos senhores de engenho até a invasão holandesa. Até a virada para o século XX, a Misericórdia teve um importante papel religioso e social. Mais sobre a Irmandade da Misericórdia, cf. Seixas (1987).

147 Atualmente, também é a sede do Arquidiocese da Paraíba. O largo do Carmo é chamado hoje como

Praça do Bispo ou Praça Dom Adauto.

148 Uma imagem da Praça Rio Branco, antigo Largo da Cadeia, no início do século XX, pode ser vista no

Os advogados, médicos, boticários e os funcionários públicos, moravam na cidade alta; os comerciantes no Varadouro e os senhores de engenho no mato, [...], a maior parte destes últimos na várzea do Paraíba [...]. Eram poucos ainda aqueles que residiam em granjas situadas nos arredores da capital, como Ricardo Roger, porém permanecia o costume muito arraigado dos senhores de engenho, de invernar na capital, motivo pelo qual em abono da sua riqueza construíram sobrados na cidade alta ou chácaras em seus arredores (NASCIMENTO FILHO, 2006, p. 122).

Eram exatamente nesses arredores mais distantes que estavam as praias de Tambaú e Bessa. Foi por esta que os holandeses invadiram a Paraíba, adentrando pelo rio Jaguaribe que, então, desaguava na região. Inicialmente uma sesmaria cedida para o português Antônio Bessa, a referida praia tinha plantações de coco, caju, além de desenvolver atividades de pesca (RODRIGUEZ, 1994, p. 271)149.

Tambaú também tinha uma importância grande para as atividades pesqueiras. Devido à distância do centro urbano, a praia possuía uma cadeia, onde foi preso Manoel Barrozo, nosso personagem inicial. Foi lá também que o viajante inglês Daniel Kidder desembarcou em uma jangada. Ao encontrar com um jovem morador de Tambaú, o viajante perguntou se lá havia escola. O rapaz, que tinha entre 14 e 16 anos respondeu que havia apenas uma, que se instalava no Palácio (KIDDER, 1972, p. 114). Para Archimedes Cavalcanti (1972, p. 36-37) funcionavam duas escolas primárias na década de 1820: uma na cidade baixa e outra na alta, provavelmente esta a qual se referiu o jovem interlocutor de Kidder. O Liceu Paraibano foi fundado em 1837, mas ainda assim a instrução pública continuou sendo precária na província150.

As distâncias entre as praias e o centro urbano não impediam a circulação de pessoas, incluindo aí também os escravizados. Solange Rocha (2009, p. 77-78; 94) traz- nos o caso de Marcelino, escravo que devido a sua rebeldia já fora vendido várias vezes. Ele provavelmente cometeu um crime no Bessa, apesar de trabalhar no Engenho Gargaú (há 30 quilômetros do centro urbano da capital) e sempre frequentar o bairro de Tambiá, o mais populoso da cidade no século XIX. Seu caso demonstra muito bem a circulação das pessoas escravizadas pela Parahyba do Norte oitocentista.

Durante o oitocentos, o bairro do Tambiá constituiu-se na região mais populosa da cidade. O nome devia-se a fonte de água no local que abastecia parte da cidade. Sua extensão era desde as proximidades dos Engenhos Mandacaru e Paul até o Largo do Carmo, onde fica a igreja construída pelos carmelitas. Nessa região encontrava-se um

149 Ver anexo II.

importante cruzamento de duas estradas que levavam às praias de Tambaú e Bessa, chamada de Cruz do Peixe, por onde passaram muitos africanos circulando entre essa área e as praias. Apesar das transformações urbanísticas da cidade, ao final do século XIX, o Tambiá era formado por muitas matas. Essas estradas eram de mata fechada, que poderiam, inclusive, facilitar fugas (MEDEIROS, 1994).

O início do século XIX apresentou um aumento na população e, consequentemente, na quantidade de moradias e na urbanização da Parahyba do Norte. Nesse cenário, conseguimos alguns registros de estrangeiros na cidade. Um deles foi Henry Koster. Estando em Recife, o viajante inglês revelou que tinha o desejo de

“realizar uma longa viagem nas regiões menos povoadas e mais incultas desse País”

KOSTER, 2003, p. 85). Saindo da capital pernambucana, passou por Goiana (divisa entre Pernambuco e Paraíba) e logo depois dirigiu-se à cidade da Parahyba do Norte.

Ocorrendo essa visita em outubro de 1810, registrava ele que a população girava em torno de três mil pessoas e que parecia ter sido mais importante em outros tempos. A principal rua era pavimentada com pedras, mas já apresentava a necessidade de melhoras (KOSTER, 2003, p. 95). Não sabemos exatamente qual era essa rua, mas pelas indicações acreditamos ser ou a rua Direita ou a Nova. As demais, provavelmente, não contavam com nenhum tipo do que hoje chamaríamos de urbanização, sendo compostas apenas de barro.

De acordo com o viajante, as casas da cidade baixa eram pequenas. Na parte alta, quase não havia prédios com mais de um andar, no qual o térreo ficava as lojas e em cima as moradas. As melhores residências eram dos grandes proprietários (KOSTER, 2003, p. 97). Essas informações são complementadas por Archimedes

Cavalcanti (1972, p. 40) ao afirmar que mal havia sobrados na cidade, “pelo menos, nas

ruas Nova e Direita, as principais da Cidade Alta, não excediam de três ou quatro”. Era muito comum, ainda no oitocentos, a existência de casas de palhas (RODRIGUEZ, 1994). Nos inventários e registros de compra, venda e troca de bens identificamos a presença constante de casas de taipa e de pedra e cal térreas.

Em linhas gerais, a visão desse inglês sobre a cidade foi de que

A paisagem vista das janelas é uma linda visão peculiar ao Brasil. Vastos e verdes bosques, bordados por uma fila de colinas, irrigados pelos vários canais que dividem o rio, com suas casinhas brancas, semeadas nas margens, outras nas eminências, meio ocultas pelas árvores soberbas. As manchas dos terrenos cultivados são apenas perceptíveis (KOSTER, 2003, p. 95-97).

Na visita de Koster, uma das coisas que mais chamaram atenção foram as fontes públicas de água. O sistema de abastecimento era por intermédio dessas construções. A primeira delas foi feita logo após a chegada dos portugueses, no processo de consolidação da conquista. No início do século XIX, ela denominava-se Bica dos Milagres e era uma das mais importantes da capital. Ao final do setecentos foram construídas a Fonte do Gravatá e a Bica do Tambiá. No convento de Santo Antônio também havia uma fonte, contudo, era utilizada apenas em casos de extrema necessidade. Além dessas possibilidades de abastecimento de água, a cidade contava

com o “caminho das cacimbas”, entre a Igreja do Rosário e o Sanhauá, e a região do “tanque” que ficava nas proximidades do Convento de Santo Antônio e a rua Zumbi

(RODRIGUEZ, 1994). A prática de recolher as águas em tais fontes era praticada por escravizados ou por pessoas livres que não possuíam propriedade escrava.

A iluminação pública era precária. Se até o período colonial isso não representava um grande problema, no século XIX, o aumento demográfico demandou novos pontos de iluminação151. A década de 1820 viu os primeiros investimentos no setor. Entretanto, os gastos eram poucos e, ademais, não havia manutenção dos lampiões que tinham o azeite como combustível. Em 1850, por exemplo, dos 50 postes existentes, apenas 11 funcionavam (RODRIGUEZ, 1994).

A reclamação era constante dos Presidentes de Província. Em 1837, Quaresma Torreão admitia que a iluminação não era perfeita. No ano seguinte, Joaquim Pereira Peixoto de Albuquerque informava ser o sistema de distribuição de luz defeituoso. O presidente de 1839, Moura Magalhães também admitiu o problema e identifica a dificuldade em solucioná-lo devido à falta de recursos. Ou seja, o que nos parece evidente é a não priorização desse tema nas questões do governo. A iluminação só passou a ser melhorada significativamente no final da década de 1850 (RODRIGUEZ, 1994).

A falta de iluminação era um dos motivos para o recolhimento das pessoas em suas casas à noite. Boa parte da historiografia sobre o tema afirma que “a cidade recolhia-se cedo...” (CAVALCANTI, 1972, p. 51). Porém, devemos relativizar essa afirmação. Nem todos se recolhiam com o pôr do sol. De acordo com Koster (2003, p.

98) “Prevalecia uma tradição de pessoas passearem à noite pela cidade, com imensos capotes e crepes no rosto, ocultando tudo, e se entregarem a práticas irregulares”. Era à

151 Rodriguez (1994) afirma que ainda no período colonial, apenas em frente às igrejas, os quartéis e o

noite que roubos e violência ocorriam com mais frequência. Há o famoso caso de

Nogueira, de acordo com o referido viajante inglês, “temidíssimo pela sua audaciosa conduta”. Esse mesmo indivíduo era, segundo Cavalcanti (1972, p. 49), um “bicho- papão real, terror das mocinhas indefesas”. Era acusado de violentar mulheres e já havia

fugido de várias penas. Devemos destacar que esse era um discurso caracterizado pelos possíveis exageros da elite sobre Nogueira.

Apesar disso, casos de violência ocorriam nas horas noturnas. Um dos mais famosos foi o destacado por Irineu Pinto (1977, vol. I, p. 219-220), quando em uma manhã de julho de 1801, uma mulher apareceu morta na Bica dos Milagres. Ela chamava-se Tereza, era parda e vivia com o frade franciscano José Lopes. Este foi condenado pelo crime, que ocorrera com a participação de José Inácio, um indígena que vivia na Baía da Traição e um preto de nome Francisco, escravo do convento de São Francisco.

Não era só de crimes que vivia a cidade da Parahyba após o pôr do sol. À noite muitas pessoas, incluindo as africanas, saíam para se divertir e retornar às suas

atividades com o amanhecer do dia. Essas “fugidas” noturnas ocorriam cotidianamente

e, por consequência, a vigilância era constante. Em 18 de novembro de 1803, José, um preto escravo do Reverendo Manoel Antônio da Rocha, estava sendo solto da cadeia. Sua prisão foi feita pela ronda após o preto ter sido pego em batuques e bebedeiras (REQUERIMENTO soltura para o Governador da Paraíba de 18 de agosto, AHWBD, Cx. 002, 1803). Voltaremos a essa questão no capítulo 4.

Boa parte dessas “escapadelas”, entretanto, ocorria apenas após o cumprimento

das exigências escravistas do trabalho. Como afirmara Walfredo Rodriguez (1994, p. 94), em tempos de festas, os membros das elites saíam à noite, muitos carregados por seus escravos. Uma dessas figuras das elites era o já citado João de Melo Azedo, um dos maiores proprietários da Paraíba oitocentista. Entre a centena de escravizados que ele possuía, alguns se especificaram na profissão de carreiro, como Antônio de Melo, que era um africano vindo de Benguela e casado com Rosa, africana Angola. Augusto era outro africano, de Angola, escravo do mesmo proprietário que o carregava pelas ruas da cidade da Parahyba do Norte na primeira metade do oitocentos (INVENTÁRIO de Joaquim de Melo Azedo, ACMF, 1851).

Já citamos aqui a presença de várias igrejas no cenário da cidade da Parahyba do Norte. Isso não era uma especificidade desta, sendo comum em praticamente todas as cidades do Brasil. O papel das igrejas católicas na conquista, colonização e urbanização

foi fundamental. Na Paraíba, vieram com as primeiras expedições os jesuítas, que se instalaram onde passou a funcionar o palácio do governo e Liceu, como já mencionamos152.

Além dessa ordem, mais três foram importantes na formação urbana da cidade., Franciscanos, Carmelitas e Beneditinos. Os primeiros desembarcaram nas terras do referido rio em 1599. A partir de doação de terra e auxílio do governo, a ordem iniciou a construção do mosteiro. Os franciscanos instalaram-se na capitania entre 1589 e 1590, com o intuito de catequizar os indígenas. Seu convento foi concluído, provisoriamente, no ano seguinte e reedificado em 1639. Os Beneditinos chegaram à Paraíba por volta de 1600 e também tiveram importante papel no processo de aldeamento indígena desde o século XVII, criando, por exemplo, a aldeia de Nossa Senhora da Guia, na margem esquerda do rio Paraíba (ALMEIDA, 1978, Vol. I, p. 145; MACHADO, 1977, p. 351; PINTO, 1977, Vol. I, p. 26-29).

A tais igrejas e capelas, acrescentamos a Matriz de Nossa Senhora das Neves, que já fizemos menção, as igrejas do Rosário, das Mercês e da Conceição, sedes de irmandades dos séculos XVIII e XIX. Soma-se a essas a Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, que se situava no bairro do Tambiá e comemorava a festa da referida santa todo o mês de setembro153. Na cidade baixa, a Igreja de São Frei Pedro Gonçalves

cumpria o papel religioso para os habitantes dessa área da cidade.

Nas áreas mais distantes do núcleo urbano, a presença da igreja era marcante. Na praia de Tambaú encontramos a igreja de Santo Antônio que no século XIX foi local do batismo de 12 pessoas. No Bessa, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição estava presente no cotidiano dos moradores que levaram, em 24 ocasiões entre 1840 e 1860 seus filhos para serem batizados. Em Cabedelo, a principal igreja era a do Sagrado Coração de Jesus, que abria suas portas não só para o batismo, como para as cerimônias cotidianas do catolicismo.

Até o início do século XIX, a cidade da Parahyba do Norte era composta por apenas uma freguesia: a de Nossa Senhora das Neves, sendo a mais antiga da capitania. Uma freguesia era a menor divisão administrativa do Império, tendo um caráter também eclesiástico. Nos primeiros anos da segunda metade do oitocentos, o então Presidente da

152 Os jesuítas tiveram importante papel na conquista e colonização da Paraíba, todavia, sua presença na