• No results found

Samanhengar mellom personlegdomstype og dei samla responsane

3.4 Resultat frå GSR binned peak detection

3.6.5 Samanhengar mellom personlegdomstype og dei samla responsane

No que diz respeito ao advérbio e a sua ordem quando grafado sentencialmente, alguns estudiosos sugerem que essa seja talvez a classe menos estudada, recebendo, portanto, pouca atenção na literatura dos estudos linguísticos.

Ao presente estudo também interessa analisar e descrever a ordem do advérbio em Língua Inglesa, quando comparado a ordem dos advérbios em Língua Portuguesa, a partir da hipótese da transferência ou influência translinguística, segundo proposto por Jarvis e Pavlenko (2008).

Jackendoff (1972) sugere que o advérbio seja talvez a menos estudada e mais maligna parte do discurso. Nas palavras do autor, a análise dos advérbios continua a receber pouca atenção na literatura da Linguística e ainda “não estaria” disponível uma teoria compreensiva sobre a posição do advérbio.

Delfitto (2007) sugere que a sintaxe do advérbio em Língua Inglesa, por exemplo, seja notoriamente assumida como um domínio complexo. Delfitto (2007, p.89) propõe ainda que descritivamente advérbios de diversos tipos têm sido distinguidos, muitas vezes, de modo intuitivo. Na literatura, o uso dos advérbios faz regularmente referência a rótulos como, por

exemplo, advérbios de modo, de lugar, de tempo, de frequência etc. Todavia, segundo o autor, tais generalizações poderiam conduzir a diferentes conclusões, se adotadas perspectivas semânticas ou sintáticas.

Potsdam (1998) sugere que ao ser desenvolvida uma análise de posicionamento de advérbio duas questões devem ser respondidas, a primeira seria como advérbios são integrados em uma estrutura sintática, e a segunda, onde os advérbios seriam integrados. O autor propõe que os advérbios sejam realizados em posições de adjunção dentro de uma estrutura sentencial conservativa que teria um IP unitário dominando um ou mais VP’s.

Jackendoff (1972), em contrapartida, desenvolve uma classificação de advérbios em inglês baseada em suas distribuições posicionais nas sentenças, reconhecendo duas classes sintáticas de advérbios correspondentes à distinção, modificadores de predicado e modificadores proposicionais.

Jackendoff (1972, p.30), sugere que uma estrutura sentencial conservativa que tem um IP unitário dominando um ou mais VP’s, deveria admitir as seguintes posições distribucionais do advérbio: a) distribuição posicional dos advérbios – S e b) distribuição posicional dos advérbios - VP.

No que diz respeito à distribuição posicional dos advérbios – S, segundo o autor, teríamos como indicação de posicionamento: 1) inicial à sentença; 2) seguindo imediatamente ao sujeito e 3) à direita imediata de um verbo modal ou de um verbo auxiliar finito, conforme é possível observar nos exemplos a seguir:

a. Occasionally, George organizes the meeting room. b. Sam probably has been called.

c. Max often is climbing the walls of garden. d. George apparently ate the leftovers. e. Sam has probably been called. f. George will certainly show up late.

g. They were undoubtedly ruined by the hurricane.

Nesse sentido, frases como as dos exemplos abaixo seriam consideradas agramaticais ou menos comuns:

a. *George has been probably called. b. *My phone is being possibly bugged.

Em se tratando da distribuição posicional dos advérbios – VP, segundo Jackendoff (1972, p.32), teríamos como indicação de posicionamento: 1) final à sentença e 2) à esquerda imediata do verbo principal, conforme é possível ser observado a seguir:

a. The mouse went through the maze easily. b. George won’t be quickly reading that book. c. The mouse easily went through the maze. d. They could have safely been rescued.

Dessa forma, as frases grafadas como nos exemplos que se seguem seriam consideradas menos comuns ou agramaticais:

a. *George won’t quickly be reading that book. b. *George quickly won’t be reading that book. c. *They could safely have been rescued.

Jackendoff (1972, p. 33) abandona a classificação dos advérbios assentada em critérios apenas sintáticos e procura mostrar que semelhanças existentes entre a estrutura semântica de alguns advérbios e adjetivos correspondentes resultariam da partilha de propriedades lexicais idênticas. O autor abandona também a perspectiva transformacionalista para optar pela hipótese de que os advérbios seriam gerados na base.

No entanto, Cinque (1999) afirma que alguns advérbios poderiam ser gerados em diferentes posições na sentença, ou seja, a forma dos advérbios seria a mesma, no entanto, a posição base em que cada advérbio seria gerado se associaria a um núcleo funcional diferente. O autor ainda diz que alguns constituintes localizados à direita dos advérbios poderiam ser movidos em diversas línguas e, por vários motivos, movidos ainda para a esquerda da sentença. Embora aparecesse em várias posições, a posição base em que fora gerado seria a mesma.

Para Cinque (1999), os advérbios não ocupariam posições de adjuntos na sentença, mas sim de especificadores de projeções funcionais. Segundo o autor, a posição dos advérbios seria “fixa” e que os verbos é que apresentariam movimentos suplementares e não o advérbio. Se nos for possível recorrer aos rótulos dos advérbios, a exemplo dos advérbios de modo, de lugar, de tempo, de frequência, aos quais, nas palavras de Delfitto (2007), a

literatura tem regularmente feito referência, convém-nos a ressalva de que ao presente estudo interessam os grupos de advérbios de modo e de frequência em língua inglesa.

Assim, a despeito das classificações e posições propostas, adotamos como válida e de ocorrência comum na língua recipiente, a distribuição posicional para os advérbios de modo (S e VP), conforme os pressupostos de Jackendoff (1972, p.30), que seria, inicial à sentença; à esquerda imediatamente ao verbo principal; à direita imediata de um modal ou de um auxiliar; e ao final da sentença, conforme pode ser observado em 1a, 1b, 1c e 1d, respectivamente.

(1)

a. Quietly, George left his office.

b. George quickly went to the bookstore. c. George will recklessly show up late. d. George ate the leftovers quickly.

Segundo Bonner & Fuchs (2000), a gramática tradicional da língua inglesa, sugere que os advérbios de frequência sejam grafados preferivelmente no início da sentença (a exemplo de usually, generally e occasionally), ou imediatamente à esquerda do verbo principal, sendo, notadamente, considerados como de posicionamento menos flexível do que os advérbios de modo.

Sobre a grafia e posição dos advérbios de frequência, segundo a gramática tradicional, nos termos de Bonner & Fuchs (op. cit.), teríamos como mais recorrentes as posições distribucionais observadas nos exemplos a seguir.

a. Ocassionally, we go for a drive on Sundays. b. We occasionally go for a drive on Sundays. c. Generally, I don’t give personal advice. d. I generally don’t give personal advice.

Assim, frases como as que seguem seriam consideradas menos comuns ou agramaticais.

a. *I don´t give personal advice generally. b. *We go occasionally for a drive on Sundays.

Dos exemplos observados em relação às posições distribucionais do advérbio de frequência (S e VP, nos termos de Jackendoff, 1972), segundo Bonner & Fuchs (2000), admitimos como válidas e de ocorrência comum na língua inglesa, as posições, inicial à sentença e imeditamente à esquerda do verbo principal como observado em 2a e 2b.

(2)

a. Generally, I don’t give personal advice. b. We occasionally go for a drive on Sundays.

Assim, baseados nos termos de Jackendoff (1972) e Bonner e Fuchs (2000), a posição dos advérbios em inglês de modo e frequência, imediatamente à esquerda do verbo principal, enquanto posição gramatical e, consequentemente, mais recorrente ou de comum ocorrência na língua-alvo, foi elencada como condição experimental mediante o empreendimento do presente estudo.

A referida posição foi contrastada necessariamente com a posição imediatamente à direita do verbo principal ou posposta, posição considerada agramatical e, portanto, menos recorrente ou de ocorrência atípica na língua sob análise.

Assim, o processamento da ordem dos advérbios de modo (manner) foi contrastado com o processamento da ordem dos advérbios de frequência (frequency), que embora admitam o mesmo processo sintático de derivação sufixal – adição do sufixo (ly ou lly - que seria “equivalente” ao “mente” em Língua Portuguesa), estão associados a posições distribucionais diferentes.

Em Língua Portuguesa, em contrapartida, a grande totalidade dos advérbios pode ser grafada sentencialmente imediatamente à esquerda ou à direita do verbo principal sem maiores implicações em relação à sintaxe, em face das condições de gramaticalidade e agramaticalidade.

Isso porque existiriam grupos de advérbios em Língua Portuguesa, como os de modo por exemplo, que poderiam ocorrer em todas as posições, em uma sentença, sem que houvesse alteração de significado ou de interpretação, segundo proposto por Gonzaga (1997); e que difeririam, necessariamente, dos grupos de advérbios em Língua Inglesa. Esses advérbios poderiam, assim, segundo a autora, ocorrer em posição inicial (com pausa), em posição pós-sujeito (pré-verbal), embora exijisse uma dada entoação que sugeriria que estivessem focalizados e uma posição pós-verbal (final) que ocorreria livremente, sendo estas duas últimas, as posições “típicas”.

(3)

a. RAPIDAMENTE, o João leu o livro. (com foco) b. O João RAPIDAMENTE leu o livro. (com foco) c. O João leu rapidamente o livro.

d. O João leu o livro rapidamente.

Em Língua Portuguesa, a agramaticalidade de algumas frases poderia apenas ser causada pelo predicativo, segundo Gonzaga (1997, p.32), caso o complemento a ser definido impedisse uma interpretação “frequentativa”, a exemplo do grupo de advérbios de frequência. Nesse caso, o caráter da agramaticalidade desapareceria se o complemento definido fosse substituído por outro equivalente mais genérico, conforme é possível observar nas sentenças em (4b) e (4c).

(4)

a. *João frequentemente leu o livro. b. João frequentemente lê livros.

c. *João frequentemente comprou o livro. d. João frequentemente compra livros.

Assim, considerando que a ordem anteposta ao verbo principal dos advérbios de modo e frequência em Língua Inglesa seja frequente e típica, com implicações de agramaticalidade caso tal ordem seja violada; e, em Língua Portuguesa os mesmos advérbios poderem ser grafados tanto antepospostos, quanto pospostos ao verbos, ocorrendo agramaticalidade apenas se uma interpretação frequentativa não fosse sancionada pelo predicado (no caso dos advérbios de frequência); interessa-nos investigar como se comportaria o “parser” de bilíngues (português-inglês) quando expostos a sentenças em uma L2 que apresenta restrições sintáticas diferentes das de sua L1, no que concerne à ordenação do advérbio.

Interessa-nos observar assim a existência de efeitos translinguísticos durante o processamento sentencial bilíngue e se há transferência de traços da L1 durante rotinas de processamento em L2, de modo a tornar os sujeitos investigados menos sensíveis, ou mais tolerantes às sentenças que normalmente seriam consideradas agramaticais ou anômalas por falantes monolíngues.