3.1 Resultat frå spørjeundersøkinga
3.1.3 Hierarkisk klynging etter midlare avstand i korrelasjon
O falante bilíngue tem sido admitido como a pessoa que usa pelo menos duas línguas com considerável grau de proficiência. Embora um falante bilíngue em situações de uso diário da língua seja geralmente considerado aquele indivíduo que fala, interage, lê ou entende as duas línguas igualmente bem, é consensual entre os estudos na área da psicolinguística assumir que o falante bilíngue, na maioria das vezes, apresente melhor conhecimento ou proficiência em apenas uma das línguas. Consequentemente, bilinguismo tem sido definido como o estado de uso de minimamente duas línguas tanto por um indivíduo como por um grupo deles.
Uma das áreas mais dinâmicas da pesquisa sobre o bilinguismo envolve o estudo psicolinguístico tanto de crianças como adultos. A maioria dos estudiosos e da literatura têm concentrado interesse particular em domínios tais como processamento e representação em bilíngues adultos, aquisição da linguagem pela criança bilíngue, os aspectos cognitivos do bilinguismo, o cérebro bilíngue e assim por diante. Grosjean (2013), afirma, inclusive, que o processamento da linguagem escrita tem recebido mais atenção do que o processamento da linguagem falada nos últimos anos.
Estudos recentes envolvendo o bilinguismo têm se dedicado principalmente a entender em que medida a língua nativa de um bilíngue pode ser suscetível a mudança à medida que a proficiência e o uso de uma outra língua aumentar. Grosjean (2008) sugere que é possível haver influência de longo termo de uma língua do bilíngue sobre a outra, geralmente da primeira sobre a segunda. Tal influência envolveria interferências estáticas (características permanentes de uma língua sobre a outra) e diria respeito à competência linguística.
Ao referir-se ao conceito de competência linguística, o referido autor, o sugere em oposição ao conceito de desempenho proposto por Chomsky (1965), nesse sentido, a competência diria respeito ao conhecimento de regras e o desempenho, diria respeito ao uso/emprego individual das referidas regras em contextos específicos. Grosjean (2008, p.27)
afirma também que é igualmente possível que a primeira língua de um falante bilíngue seja influenciada no nível da competência pela segunda língua.
Embora o bilinguismo, enquanto estado de uso de, no mínimo, duas línguas, tenha sido discutido e proposto como norma, pelo menos na grande maioria dos países do mundo, não há consenso unânime acerca da definição do indivíduo bilíngue. Segundo Beardsmore (1986), o bilinguismo, preferivelmente, deveria ser assumido como um continuum, e, ao longo desse continuum, existiriam pessoas que apresentariam maior ou menor “grau de bilinguismo”.
Diversas têm sido as tentativas de classificar o falante bilíngue baseando-se em seu grau de proficiência e competência nas línguas faladas, em sua idade, contexto de aquisição e até nos mecanismos de processamento de representação de ambas as línguas. Uma concepção equivocada que persistiu ao longo dos anos foi a de que o bilíngue domina, ou deveria dominar, fluentemente as duas línguas que fala.
No entanto, convém refletir que a história das línguas faladas por um bilíngue pode ser, na maioria das vezes, complexa devido aos eventos que diminuíriam ou potencializariam a importância de uma ou outra língua falada em contextos específicos de uso. Logo, o contexto no qual a língua seria adquirida e como ela seria adquirida desempenharia um papel de considerável relevância, de modo a ser possível, analisar, descrever e determinar quão bem uma língua seria conhecida, processada e armazenada pelo cérebro.
Para muitas pessoas o termo bilíngue parece ser fácil de ser definido, uma vez que para a maioria delas, ser verdadeiramente bilíngue significa ser capaz de falar duas línguas igualmente a um falante nativo. No entanto, diversos estudos, principalmente os da área da Psicolinguística, têm evidenciado que existem diversos tipos de bilíngues e de “bilinguismos”.
Estudiosos têm buscado propor, ao longo das décadas, e mais precisamente a partir de seus estudos, um perfil do falante bilíngue baseado em sua idade de aquisição, proficiência e dominância da língua materna (L1) e segunda língua (L2). Tais fatores têm sido admitidos como determinantes no modo em que os sistemas da L1 e da L2 se sobreporiam durante o processamento linguístico de uma das línguas faladas, portanto, imprescindíveis para entender e caracterizar o falante bilíngue.
A literatura tem proposto várias definições com o intuito de dar conta das diferenças dos perfis dos falantes bilíngues e de suas habilidades nas línguas faladas. Termos como bilíngues, bilíngues nativos ou de nascença (early bilinguals), bilíngues tardios (late bilinguals), bilíngues balanceados (balanced bilinguals), bilíngues receptivos ou passivos (repective bilinguals) têm sido largamente utilizados ao longo das décadas na iniciativa de
entender a mente bilíngue e precisar as habilidades linguísticas e o perfil de história das línguas faladas.
Mesmo em meio a falta de consenso, as classificações mencionadas ainda continuam a ser utilizadas e têm ocorrido majoritariamente, em termos de idade e das habilidades linguísticas dos indivíduos bilíngues. Convém, no entanto, a ressalva de que os termos a serem propostos e, eventualmente utilizados ao longo do presente estudo, não são adotados uniformemente pela comunidade científica.
Assim, considerando a idade do bilíngue ou mais precisamente a idade em que suas línguas foram adquiridas, psicolinguistas têm classificado os falantes bilíngues como bilíngues nativos (ou de nascença) ou bilíngues tardios (BEARDSMORE, 1986; SWAIN, 1972). Os bilíngues de nascença, ainda, poderiam ser classificados como bilíngues simultâneos, quando ambas as línguas fossem adquiridas simultaneamente desde o nascimento; ou como bilíngues sequenciais, quando a segunda língua fosse adquirida após a primeira língua já ter sido, pelo menos parcialmente, adquirida. Ambas as línguas, nesse sentido, seriam adquiridas ainda na primeira infância. Os bilíngues tardios, em comparação àqueles, seriam considerados os falantes que tivessem adquirido a segunda língua após a primeira infância, especialmente na adolescência ou na vida adulta.
No que diz respeito às habilidades dos bilíngues nas línguas por eles faladas, as classificações mais comumente adotadas são as de bilíngues dominantes, bilíngues balanceados, equilíngues e bilíngues passivos. Os bilíngues dominantes consistiriam naqueles falantes que fossem mais proficientes em uma das línguas faladas e que apresentassem proficiência semelhante a de falantes nativos. Sob o impacto de uma língua dominante e a relação entre a dominância de uma ou outra língua de um bilíngue e o tempo, Grosjean (2008, p.33) afirma que a competência que os bilíngues apresentam em uma de suas línguas poderia mudar, ainda que moderadamente.
Os bilíngues balanceados, de acordo com Peal & Lambert (1962), seriam os bilíngues que fossem igualmente proficientes em ambas as línguas faladas, na maioria dos casos apresentando proficiência semelhante ou idêntica a dos falantes nativos.
Os bilíngues passivos, ou receptivos, seriam aqueles considerados falantes nativos em uma das línguas, necessariamente na L1, com capacidade apenas de entender, mas não de falar na segunda língua. Sobre o bilinguismo receptivo, Grosjean (2001, p.236) reforça que o falante bilíngue consegueria entender em uma língua, mas não escrever, ler ou até falar, por exemplo.
Por fim, os equilíngues seriam os bilíngues capazes de se passar em qualquer situação comunicativa como um falante nativo, sendo necessariamente indistinguíveis desses últimos. No entanto, essa seria a visão mais restrita e, consequentemente, mais radical sobre o bilinguismo. Embora considerada teoricamente ideal (WEINREICH, 1968), tal noção seria notadamente rara na prática, segundo propõe Lyons (1981).
As definições apresentadas sobre os bilíngues tornaram-se necessárias, uma vez que diversos estudos na área da Psicolinguística, não apenas têm comparado os diferentes grupos de bilíngues e tipos de bilinguismo com populações de falantes monolíngues, mas, sobretudo, têm encontrado diferenças consideráveis sobre os padrões de processamento e de execução de tarefas entre eles.
Para melhor entender as línguas na mente de um bilíngue e como as línguas são processadas, Grosjean (2008) propõe o conceito de Modo de Linguagem, o qual é admitido como estado de ativação das línguas de um bilíngue e de mecanismos de processamento da linguagem em um dado momento. O autor salienta que, como tal, o modo de linguagem, deve ser levado em consideração em estudos e pesquisas envolvendo falantes bilíngues, uma vez que esse estado de ativação e mecanismo de processamento nos ofereceria uma verdadeira reflexão de como bilíngues processariam suas duas línguas juntas ou separadamente.
Grosjean (2010, p. 45) relata que, no que concerne à percepção, ambas as línguas de um bilíngue seriam processadas no modo de língua bilíngue, mas a língua base sempre, ou geralmente, desempenharia um papel maior. O autor ainda esclarece que a outra língua de um bilíngue provavelmente nunca seria totalmente desativada no modo monolíngue (ou seja, quando o bilíngue interage em apenas uma de suas línguas, ou na língua base, por exemplo), e raramente alcançaria o mesmo nível de ativação que a língua base quando no modo bilíngue, exceto quando existisse, obrigatoriamente, mudança de base.
A premissa do Modo de Linguagem, segundo os pressupostos de Grosjean (2013), reside no fato de que ambas as línguas de um bilíngue estariam constantemente em interação e ativadas, uma vez que o sistema bilíngue deveria estar apto a mudar as línguas bases rapidamente.
A assunção proposta pelo referido autor coaduna-se com o pressuposto defendido em nosso estudo de que o processamento perceptual em bilíngues seja não seletivo, ou seja, que todas as línguas faladas por um falante bilíngue seriam ativadas e, portanto, envolvidas durante tarefas de leitura e escuta que eventualmente envolvessem apenas umas dessas línguas.