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Cada idoso trouxe consigo uma história de vida, da qual fazem parte os seus familiares, momentos de transições entre a juventude, a vida adulta e a vida depois da reforma. Todas as histórias são únicas, mas têm todas algo em comum que suscitou esta investigação: a institucionalização no Centro de Dia do Pontão.

Para compreender a relação entre as famílias e os idosos do CD foi necessário conhecer os idosos e as suas famílias; conhecer a forma como se relacionam; conhecer as suas histórias para compreender a forma como se relacionam; e ainda conhecer a transição entre a vida depois da reforma e a institucionalização.

Este subcapítulo poderia ser escrito homogeneizando a informação, falando de grupos e não de pessoas, através do uso da possível terminologia: homens e mulheres; gente do campo e da gente da cidade; solteiros, casados e viúvos; e assim sucessivamente. Porém, o que se pretende é falar das pessoas e do significado subjetivo das suas estórias, para melhor compreender as dinâmicas familiares e, por conseguinte, a forma como as famílias apoiam, ou não, os seus idosos dentro da própria família e da instituição. Assim

56 sendo, todas as estórias serão analisadas individualmente (ainda que de forma breve) para, posteriormente, ser exequível uma análise geral das relações entre os idosos e as suas famílias.

Estas estórias que se seguem foram obtidas através de duas fontes de dados diferentes: dados das entrevistas feitas aos familiares; e dados, vindos dos próprios idosos, maioritariamente narrações que produziram durante o atelier de Histórias de Vida.

Sr. Francisco

O Sr. Francisco integrou o CD do Pontão por este se localizar na sua área de residência, permitindo-lhe manter a autonomia sobre a sua vida. Frequentava um CD noutra freguesia do concelho e tinha horários a cumprir quanto ao transporte. Agora é o Sr. Francisco quem gere os seus horários, tem a possibilidade de entrar e sair no CD quando assim o entende, e ainda de fazer a sua caminhada (que tanto gosta) de ida e volta para a instituição.

A decisão pela institucionalização no CD do Pontão foi tomada pelo Sr. Francisco, sem qualquer interferência da família. Porém, a institucionalização no CD anterior foi a solução mais rápida encontrada pela família para que o Sr. Francisco não passasse o dia sozinho em casa. Morava com a filha mais nova no concelho de Almada e também lá frequentou um CD para não estar sozinho durante o dia, mas a relação com esta filha era bastante conflituosa e o Sr. Francisco chegou a acusar a filha de maus-tratos. Pediu várias vezes a esta filha que o trouxesse para a casa da filha Ilda, e assim foi. Sem aviso prévio a filha mais nova trouxe o Sr. Francisco para a casa da Ilda. Por sua vez, a Ilda, que também trabalha durante o dia, surpreendida com a chegada do pai, rapidamente procurou um CD (nota de campo 1).

A história do Sr. Francisco foi contada por ele (durante o atelier de Histórias de Vida) e pela filha Ilda (em entrevista e conversas informais), mas cada um conta-a de acordo com as suas próprias vivências e perspetivas subjetivas. Por um lado temos o Sr. Francisco, pai de 6 filhos, orgulhoso de os ter batizado e casado a todos com muito sacrifício. Embora a vida do campo fosse muito dura conseguiu, juntamente com a mãe dos seus filhos, criá-los a todos. Depois do falecimento da mulher, refez a sua vida com outra senhora até ter tido um AVC, e terem seguido vidas diferentes (nota de campo 10).

Por outro lado, temos a Ilda que relembra um pai violento para os filhos, e acima de tudo para com a pessoa mais importante na sua vida, a mãe. A Ilda não perdoa o

57 tratamento agressivo do pai, a violência que exercia sobre a sua mãe e a forma tão distinta como tratava a segunda mulher:

A primeira é a vassoura e a segunda é a grande senhora…o que ele fez aquela nunca fez há minha (mãe) …ele refez a vida dele, porque não podia estar sozinho, tinha que ter uma companheira, mas quem fazia a lida da casa era ele, quando nunca tinha ajudado a nada, ele é que lavava uma loiça, ele é que punha a máquina a lavar, ele é que fazia as compras, ele é que tudo, onde nunca fez isso pela minha mãe. É a nossa revolta…foi ele nunca ter tratado a minha mãe como tratava aquela. (E5)

Esta mágoa resultou num relacionamento conflituoso e pouco afetuoso entre a Ilda e o pai. Contudo, relacionamentos com ausência de afeto e carinho parecem ter sido adotados na forma como se relacionaram quer o pai com os filhos, quer os filhos com o pai. O facto do Sr. Francisco ter uma relação distante com a maioria dos filhos, leva a que estes, por sua vez, pouco apoio prestem à Ilda e pouca preocupação demonstrem no que se refere aos cuidados com o Sr. Francisco.

A falta de suporte por parte dos seus irmãos é um facto que causa grandes aborrecimentos à Ilda, pois o pai foi o mesmo para todos os filhos, mas os filhos não se relacionam de igual forma com o pai (nota de campo 27). Obviamente que a irmã mais nova que vive no concelho de Almada, depois da rutura na relação com o pai, em nada apoia a Ilda. A irmã Maria (que criou a Ilda desde pequenina) ajuda-a sempre que possível, apesar de residir no concelho de Faro. A irmã mais velha assume os cuidados ao Sr. Francisco quando a Ilda tem algum compromisso ao fim-de-semana, mas porque a Ilda assim o impôs à irmã “quando faz-me falta ir para algum lado… eu não o deixo com o meu marido, o meu marido não tem obrigação de cuidar dele, eu pego nele e vou pô-lo na casa da filha mais velha” (E5). A irmã Isa vive noutro concelho num 3º andar sem elevador, sendo impossível para o Sr. Francisco deslocar-se até lá. O irmão Manuel é viúvo e por uma questão de género não assume os cuidados.

As relações familiares mais próximas que o Sr. Francisco tem são com a filha Maria, com o Manuel e com a Ilda. O relacionamento da Ilda com o pai não se rege pelo carinho, mas pela obrigação de prestar cuidados:

58 Faço por obrigação… porque… não tenho possibilidades de pôr num Lar, se um dia chegar à altura a Segurança Social ajuda. Eu um dia mais tarde tenho que o pôr num Lar, um dia que ele me caia eu tenho que o pôr num Lar… enquanto ele se movimentar tá, quando ele não tiver mobilidade tenho que procurar um Lar. (E5)

Todavia, quando fala da postura agressiva do pai, em relação aos filhos, a Ilda também o desculpa dizendo que a forma de lidar com os filhos naquela altura era diferente dos dias de hoje. Mas o facto do Sr. Francisco não admitir este seu comportamento violento e agressivo do passado causa uma irritação extrema na Ilda (nota de campo 9).

A forma revoltada como a Ilda fala do pai é bem diferente do tom carinhoso que usa quando fala da mãe, mas ainda assim a Ilda assumiu os cuidados ao pai respeitando a vontade deste em ficar consigo. Para que fosse possível ficar com o pai a Ilda teve que reestruturar a sua vida e a sua casa. Mobilou um quarto para o pai, procurou um centro de dia, cuida-lhe da roupa, assume as despesas da alimentação e dos produtos de higiene e gere-lhe a reforma de maneira a pagar o CD, a medicação e dar algum dinheiro ao Sr. Francisco para que ele o possa gerir durante o mês.

A Ilda está presente no quotidiano da vida do pai e na sua vida institucional também. Desde setembro de 2014 (data em que foi admitido no CD) até abril de 2015 (data de término do trabalho de campo da presente investigação) o Sr. Francisco teve um total de 17 visitas, sendo estas na sua grande maioria todas feitas pela Ilda. É necessário perceber que a Ilda está com o pai quando este não está no CD e que moram na mesma rua da instituição, pelo que a Ilda não visita o pai pelo simples ato de o visitar e passar algum tempo em família. A Ilda frequenta o CD por outras razões, nomeadamente para fazer o pagamento da mensalidade, para reunir com a diretora técnica, para atualizar as dosagens da medicação ou quando lhe é solicitado que o faça. Nunca participou em nenhuma atividade de carater familiar, mas no aniversário do pai trouxe um bolo para o CD e cantou-lhe os parabéns juntamente com todo o grupo de idosos e equipa do Pontão (procedimento efetuado para todos os idosos quando festejam o aniversário).

A relação entre o Sr. Francisco e os seus familiares é fruto de um passado que fala por si. As relações são baseadas na preocupação para com o essencial e não com as emoções e sentimentos. Foi assim que os filhos do Sr. Francisco cresceram, foi assim que o Sr. Francisco se relacionou com os filhos desde sempre. É muito difícil que um contexto institucional altere esta dinâmica familiar, pois há uma história por detrás dela. O CD do

59 Pontão pode proporcionar momentos de convívio entre os familiares, mas dificilmente alguém estará presente, para além da Ilda. Esta, por sua vez, deixa claro que envolve-se na vida institucional por gostar de participar nalgumas iniciativas promovidas pela instituição, caso contrário não o faria, preferindo dedicar o tempo livre aos filhos e às netas.

A Ilda dá ao pai aquilo que consegue, porém o Sr. Francisco nada lhe exige. Como é evidente o Sr. Francisco diz ser feliz no seu atual contexto familiar e institucional, sendo assim que quer viver a sua vida, ou seja, de dia no centro de dia e depois com a família da sua filha Ilda.

Apesar de não admitir a postura no passado, a verdade é que o Sr. Francisco respeita na íntegra a vontade da filha Ilda e a sua postura com a filha é quase de submissão, pois reconhece que foi a única filha que o aceitou dentro da sua própria casa. É evidente a gratidão do Sr. Francisco para com a filha e, segundo a Ilda, não quer morar com nenhum outro filho “ele só quer ficar comigo…ele chorou, ele implorou para não o levar dali, para não o tirar dali que queria passar o resto da vida dele ali” (E5).

Importa mencionar que no CD o Sr. Francisco tem uma postura autoritária com as pessoas com quem se relaciona. Na maioria das vezes quer assumir o controlo destes relacionamentos e da forma como o grupo interage entre si. Provavelmente, este controlo que o Sr. Francisco anseia não lhe é permitido na sua vida fora do CD, procurando-o noutras relações com pessoas de quem a estabilidade da sua vida não depende.

Sr. António e D. Lúcia

A história do Sr. António e da D. Lúcia é contada por ambos e pela filha Mafalda. O casal foi admitido no CD pois a D. Lúcia sofre da demência de Alzheimer. A doença está numa fase que impede a D. Lúcia de ter uma vida sem limitações. As frequentes perdas de memória e cenários de desorientação espácio-temporal, tornam impossível a vida do casal no contexto habitacional. Por sua vez, o Sr. António não aceita nem compreende a doença da esposa (apesar das inúmeras explicações) e reage mal ao comportamento da D. Lúcia.

O casal tinha apoio de outra entidade ao nível da alimentação, mas o Sr. António nunca gostou da qualidade do serviço, pelo que quando a família teve conhecimento que o CD ia abrir (através de um primo que faz parte da Direção da instituição), viu no Pontão a solução para o problema em que o casal vivia. Quando a filha Mafalda falou com o Sr. António sobre a possível integração no CD este não hesitou em aceitar: por um lado,

60 a esposa teria o devido acompanhamento, por outro lado, o Sr. António passaria a ter um objetivo diário, uma rotina muito para além da atual que se restringia à preocupação com a esposa.

O casal está perfeitamente integrado no CD e tem ainda o suporte das duas filhas que diariamente intercalam o apoio aos pais:

Todos os dias temos que ir lá, hoje calha-me a mim amanhã calha a minha irmã… de manhã para a vestir, portanto ela dormiu lá ontem a noite…depois no outro dia de manhã despacha-a para ela vir para cá e pronto, temos feito assim. Hoje calha-me a mim, tenho que ir recebê-los à tarde…tenho que lhe ir dar o apoio, ir dar o iogurte, pronto essas coisas todas, tenho que lhe dar o jantar, tenho que depois ir a casa de banho com ela e lavá-la para a deitar e quando ela estiver deitada é que posso ir embora para a minha casa, só no outro dia de manhã é que vou levantá-la. Quando não sou eu, está a minha irmã. (E9)

Embora seja visível a dinâmica familiar de apoio nos cuidados, é difícil perceber algo para além disto. Quer o casal quer as filhas são pessoas muito reservadas e de poucas palavras. Nota-se um distanciamento emocional entre os pais e as filhas que pode ser analisado sob duas perspetivas. Primeira, a doença da D. Lúcia rouba-lhe a identidade e as filhas vão progressivamente “perdendo a mãe” que sempre conheceram. Segunda, o Sr. António passou a vida emigrado estando com a família apenas duas vezes por ano, nas férias de verão e do natal, mais concretamente 15 dias no mês de agosto e 15 dias no mês de dezembro. Durante 20 anos o Sr. António viveu sozinho em França, afastado da família. Antigamente a comunicação não era tão fácil como atualmente, e os anos que este emigrado impossibilitaram o Sr. António de acompanhar o crescimento das filhas e de viver o seu casamento com a D. Lúcia.

A Mafalda recorda uma vida sem o pai e uma mãe trabalhadora que abandonou todas as suas atividades e interesses com o regresso do marido. Até então, a D. Lúcia dedicava-se ao trabalho no campo, à lida da casa, ao apoio que prestava aos seus pais, às filhas e, mais tarde, aos netos.

A ausência do Sr. António na vida familiar está presente até na linguagem que a Mafalda utiliza para contar a história dos pais, por exemplo: a casa da mãe, e não a casa dos pais. Recorda os passeios com a mãe, o dia-a-dia de brincadeira com a irmã, as longas

61 caminhadas a pé até à cidade de Tavira, recorda uma vida vivida a 3 (a Mafalda, a mãe e a irmã). Os poucos momentos em que fala do pai remontam à época natalícia e ao mês de agosto, mas poucas histórias há para recordar - apenas que quer a Mafalda quer a Lara tiveram que casar no mês de agosto, para o pai poder estar presente. De referir, ainda, que a primeira memória da Mafalda do pai foi quando este anunciou a sua partida para França, tinha a Mafalda 5 anos de idade.

A emigração do Sr. António marca a história desta família, pois a D. Lúcia ficou a viver mais de 20 anos sozinha com as filhas. Mas também o seu regresso marca outra transição na dinâmica familiar. Com o regresso do Sr. António, a D. Lúcia passa a viver apenas para o casamento, distanciando-se de toda a vida que levava até então. Na perspetiva da Mafalda, esta rutura com um quotidiano tão ativo impulsionou, mais rapidamente, a doença da D. Lúcia (Alzheimer).

Posto isto, apesar do distanciamento emocional já referido e analisado, é percetível que existe uma dinâmica familiar baseada na prestação de cuidados ao casal, pois ambas as filhas estão presentes diariamente na vida dos pais, quer no contexto habitacional quer no contexto institucional. Desde setembro de 2014 (data de admissão do casal no CD) a abril de 2015 o casal teve 34 visitas dos seus familiares, sobretudo da filha Mafalda e do neto Tomás, que vivem perto da instituição. A Lara apesar de residir no concelho de Castro Marim participa sempre nas atividades abertas à comunidade, de caráter familiar e de comemoração de datas festivas.

O casal está feliz pois não só tem o suporte do CD, no qual estão perfeitamente integrados, como contam com o apoio diário das filhas. Esta complementaridade de apoio permite ao casal continuar a viver no seu contexto de residência.

D. Alice e Sr. Simão

A história do casal D. Alice e Sr. Simão, contada por ambos e pela filha Elsa, parece mais complexa de analisar. O casal sempre viveu na serra da Conceição de Tavira, tiveram 3 filhos (o Bruno, a Elsa e a Natália) e enquanto a D. Alice sempre se dedicou à lida da casa e aos filhos, o Sr. Simão sempre se dedicou ao trabalho como construtor civil e ao trabalho no campo. A D. Alice teve sempre uma saúde física e psicológica muito frágil, mas o Sr. Simão foi sempre um homem de postura forte, com uma vida muito ativa, trabalhando 7 dias por semana.

A Elsa e a Natália residem no concelho de Faro, enquanto o Bruno mora a escassos quilómetros dos pais, mas apenas as duas filhas prestam apoio aos pais. O filho está

62 distante da família e não se envolve no quotidiano dos pais, nem nas decisões que dizem respeito à vida dos pais.

A preocupação da Elsa e da Natália com os pais era enorme, porque passavam os dias sozinhos na serra. A saúde da D. Alice agravava-se a cada dia, bem como o problema de alcoolismo do Sr. Simão.

A D. Alice foi admitida no CD em setembro de 2014 pois estar em casa já não era seguro para a sua própria saúde: está numa cadeira de rodas por nunca ter recuperado de uma operação aos joelhos. O apoio de uma vizinha nos cuidados de higiene matinais e do Sr. Simão, que deixou de trabalhar para ser o cuidador da esposa, revelaram-se insuficientes pois o Sr. Simão passava mais tempo na horta e nos cafés do que em casa. A D. Alice ansiava por independência e foram várias as vezes que tentou levantar-se e caía, ficando assim longas horas até ser auxiliada.

A institucionalização foi sugerida pela filha Elsa e foi recebida de muito bom grado pela D. Alice, que viu no CD a solução para o seu problema. Porém, o Sr. Simão não aceitou ser integrado no CD, porque considerava-se demasiado autónomo para precisar de um apoio formal.

A D. Alice integrou-se na perfeição e sempre gostou de estar no CD, mas vivia angustiada por saber que enquanto estava no CD o seu marido estava sozinho algures pelas serra, ou pior, a beber. Desde o início que a D. Alice apresentava um quadro de sintomatologia depressiva, derivado da perda da mobilidade e do afastamento do filho. O estar dependente de terceiros altera o sistema nervoso da D. Alice e põe em causa o seu bom humor.

A preocupação das filhas, face à solidão do pai, não era menor. Embora a D. Alice tivesse apoio, o Sr. Simão continuava sozinho sem qualquer suporte:

Foram três meses de solidão que eu telefonava-lhe, às vezes, duas e três vezes por dia e o meu pai chorava ao telefone, dizia-me assim “aqui estou sozinho sem ver ninguém, ainda hoje não vi ninguém” e eu dizia-lhe “então pai convença-se que você tem que ir com a minha mãe” – “e as coisas aqui quem faz?” e eu digo assim “mas você também já não as fazia, deixe estar logo faz no fim-de-semana, eu quando for aí faço, eu ajudo”, e ele veio mesmo quando…quando a solidão realmente pesou mais. (E3)

63 Em novembro de 2014 o Sr. Simão foi admitido no CD e os primeiros tempos foram difíceis devido ao problema do alcoolismo, mas com acompanhamento médico foi possível ultrapassar esta fase e hoje o Sr. Simão está integrado no CD.

Apesar de viverem longe dos pais, a Elsa e a Natália estão muito presentes no dia- a-dia do Sr. Simão e da D. Alice e organizam as suas vidas em função das necessidades dos pais. A Natália apoia os pais aos fins-de-semana e a Elsa (trabalha por turnos com horários rotativos) passa as suas folgas na casa dos pais. Assim, as filhas prestam todos cuidados necessários ao casal, desde o apoio na alimentação, cuidados de higiene e imagem (o casal não os faz no CD, apenas em casa com as filhas), gestão da vida doméstica, manutenção da horta do casal e ainda apoio na organização financeira.

Para além deste apoio familiar, o casal conta ainda com o apoio de uma vizinha nos cuidados matinais à D. Alice, financiados pela filha Elsa. Desta forma, as filhas garantem um apoio diário e continuado aos pais através do apoio do CD, do apoio da vizinha e dos cuidados intercalados entre ambas.

Desde setembro de 2014 a abril de 2015 o casal teve 30 visitas dos seus familiares, maioritariamente da Elsa. A filha e o neto da Elsa também já visitaram o casal, mas é muito raro receberem visitas de outros familiares. A filha do Bruno frequentava assiduamente o CD mas com o objetivo de visitar a avó materna, que viria a falecer em

In document Salsa-dance as a metaphor of change (sider 33-41)