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S YSTEM - VERSUS INDIVIDRETTET ARBEID I BARNEHAGEN

4 DRØFTING

4.8 S YSTEM - VERSUS INDIVIDRETTET ARBEID I BARNEHAGEN

A vida de vendedor de seguros e pequeno investidor da bolsa estava aquém do que PO sonhava para a sua trajetória profissional. Sua viagem aos EUA, abandonando seu curso na UnB, revela o quanto estava insatisfeito com os rumos da sua carreira. Filho de um dentista de classe média, o mineiro de Lavras passou a querer o que muitos dos que vão à Brasília almejam: ganhar muito dinheiro. Como revelou uma revista nacional recentemente, os amigos de adolescência de PO dizem que ele “sempre teve obsessão por ficar rico” (MEIRELES, 2009).

E para concretizar as suas ambições, o jovem PO seguiu por dois caminhos: se aproximar de famílias e amigos de posse, e ganhar seu próprio dinheiro. Logrou sucesso nos dois empreendimentos. Depois de andar com uma pasta embaixo do braço vendendo seguros de morte e passar uma curta temporada nos EUA, PO virou corretor de imóveis, uma profissão que dá condições de se ter contatos com altos investidores – que lucram comprando e vendendo imóveis – e com os ricos da cidade. Nas duas imobiliárias em que trabalhou, mostrou-se um bom corretor.

Aos 26 anos, fundou a PaulOOctávio Investimentos Imobiliários, em 1976, que começava a funcionar em um pequeno escritório na Asa Norte, mas estava longe do que viria a ser o seu “império da construção civil” (MEIRELES, 2009). O seu primeiro casamento foi decisivo para a sua ascensão profissional. Casou-se com Márcia Fonseca, a filha do almirante Maximiano da Fonseca, ministro da Marinha no governo João Figueiredo (1979-1985). Mudou-se para a casa oficial do sogro na Península dos Ministros, uma das áreas mais nobres de Brasília, local da residência oficial do Embaixador dos EUA.

Neste período, conheceu e se associou ao empresário, hoje falecido, Sérgio Naya, que se tornou célebre por conta do desmoronamento do Edifício Palace II, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em sociedade, os dois construíram o hotel Saint Paul em Brasília, do qual PO ficou com 15%. Esse negócio lhe rendeu a primeira polêmica séria, pelo fato de a Marinha, comandada por seu sogro, ter comprado na planta 40 dos 272 apartamentos, gerando acusações óbvias de desrespeito à impessoalidade nas compras das instituições públicas. Naquele período, PO e Naya também exploravam no novo hotel a badalada boate “Corte”.

Nos anos seguintes, PO conseguia crescer progressivamente. Aos poucos, foi entrando no ciclo dos principais empresários da cidade, cada vez mais conhecido, aceito e respeitado. O seu segundo salto nos negócios ocorreu anos depois, quando o amigo de

87 juventude Fernando Collor se elegeu presidente da República. No governo Collor, Paulo Octávio indicou dirigentes para o Fundo de Pensão dos Funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef), e conseguiu financiamento da instituição para três grandes investimentos seus em Brasília.

Eram eles: o Hotel Blue Tree, o Brasília Shopping, e uma superquadra numa área nobre da cidade, com 11 prédios residenciais, uma escola e um jardim de infância. Auditorias internas da Caixa Econômica mostravam que os negócios foram bons para PO e ruins para os mutuários (MEIRELES, 2009). Segundo essas auditorias, ocorreram irregularidades em várias etapas dos empreendimentos, desde a formalização da parceria com a Funcef até a construção e venda dos imóveis, entre os anos 1994 e 1998.

A avaliação dos auditores é que o prejuízo causado à Funcef deve ter chegado a R$ 200 milhões. “A partir daí, ele ficou grande”, disse em off à revista Época (MEIRELES, 2009) um dos principais concorrentes de PO desde aquele período. O casamento, o ex-sogro que o ajudava, as rodas de novos amigos empresários e poderosos que passou a freqüentar e o amigo Collor no cargo máximo do país constituíram a fórmula que lhe garantiu a ascensão na carreira empresarial. E mais: determinaram o aparecimento de um dos maiores conglomerados empresariais da cidade.

Um passeio pelas áreas valorizadas de Brasília é o suficiente para se ter uma noção de como o negócio de PO cresceu e se proliferou. Seu nome está gravado nas placas dos mais luxuosos empreendimentos, como o Blue Tree, rebatizado como Brasília Alvorada; o Centro de Eventos Brasil 21; e o Brasília Shopping. Embora tenha entrado em outras modalidades de negócios, o seu principal ramo ainda continua sendo o setor de construção civil e imobiliário. A Paulo Octávio Investimentos Imobiliários é atualmente a líder da

holding que se transformou nas Organizações PO – a sociedade criada para administrar o

conglomerado.

Desde 1976, quando entrou para o setor imobiliário e da construção civil, ele já construiu 2,7 milhões de metros quadrados, que resultaram em 38 mil imóveis vendidos ao longo de 34 anos numa das cidades mais caras do país (BACOCCINA, 2009). Grande parte desses resultados aliou ousadia econômica e influência política. Como revelou a revista Época (MEIRELES, 2009) em dezembro de 2009, o crescimento do patrimônio e da atuação empresarial de PO possui uma relação direta, por exemplo, com as proposições aprovadas na Câmara Legislativa do DF nos últimos anos.

88 É o caso das muitas mudanças nas regras de uso e ocupação do solo, aprovadas pelos deputados distritais, que permitiram a PO e a seu grupo empresarial desenvolverem negociações milionárias em terras públicas. O terreno de 65 mil metros quadrados, onde antes existia o Estádio Rei Pelé (o Pelezão), foi o exemplo mais evidente disso. O lote pertencia à Federação Brasiliense de Futebol e foi comprado por PO, em 1995, por R$ 4 milhões. Graças a leis votadas pela Câmara Distrital, depois dessa transação o terreno originalmente destinado a atividades esportivas virou uma área residencial (MEIRELES, 2009).

Em maio de 2008, PO vendeu aproximadamente um terço desse terreno por R$ 25 milhões – quatro vezes o valor que pagou no terreno todo, o que dá a dimensão da valorização e efervescência surreais do mercado imobiliário de Brasília. O comprador foi José Celso Gontijo, empresário flagrado entregando dinheiro a Durval Barbosa em um dos vídeos que revelaram o mensalão do DEM. O fato é que um dos principais beneficiados pelo crescimento do mercado imobiliário em Brasília foi o grupo de PO, e isso fica visível na amplitude de seus negócios.

O Hotel Blue Tree, chamado agora Brasília Alvorada Hotel, é um deles. Banhado pelas águas do Lago Paranoá e vizinho do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, o complexo hoteleiro inaugurado em 2000 consumiu cerca de R$ 140 milhões (MEIRELES, 2009). Além dele, há pouco tempo o grupo empresarial de PO finalizou outra de suas grandes realizações: a construção do complexo Brasil 21, com mais de 800 flats e 800 salas comerciais, localizado no Eixo Monumental, na cobiçada área central da cidade. A obra custou R$ 200 milhões.

Atualmente, estão em curso dois outros grandiosos investimentos. O primeiro é o

Península, empreendimento residencial que será construído em Águas Claras, bairro de classe

média bem próximo ao Plano Piloto de Brasília, custando R$ 1,2 bilhão. O outro é o Shopping

Iguatemi, fruto de uma parceria entre PO e o empresário milionário Carlos Jereissati. O

investimento, estimado em R$ 150 milhões, fica localizado no Lago Norte. Como é possível notar, com o passar dos anos PO foi aprofundando a sua atuação empresarial.

O seu nome, na Junta Comercial do DF, aparece ligado diretamente a 12 empresas. Muito maiores são as participações indiretas, as quais somam mais de trinta, relacionadas a construtoras, concessionárias de automóveis e emissoras de rádio. Em 2006, declarou à Justiça Eleitoral que os seus bens somados representavam R$ 323,3 milhões, mas seu patrimônio cresce a um ritmo acelerado. Conforme a edição da revista Época, que dedicou

89 em dezembro de 2009 um importante espaço para retratar a sua trajetória depois do mensalão do DEM, estima-se que hoje o seu patrimônio chegue a R$ 700 milhões.

A holding Organizações PaulOOctávio é hoje constituída por 20 empresas, as quais “atuam nos setores de construção e aluguel de imóveis, hotelaria, shopping centers, seguros, comunicação e concessionárias de veículos”, como diz o endereço eletrônico institucional do grupo. Mesmo a aguçada ambição do jovem mineiro jamais poderia imaginar que chegaria tão longe, e que se tornaria alguém tão influente na política e na economia de Brasília, atingindo projeção inclusive nacional. Sua estratégia empresarial foi mais do que bem-sucedida.

Seu império, com faturamento anual de R$ 1 bilhão, é formado por: 1) três shoppings centers: o Brasília Shopping, o Taguatinga Shopping e o Terraço Shopping; 2) quatro emissoras de rádio: a JK FM, a Rádio Mix FM, a Rádio Globo AM e a Rádio Band AM; 3) uma emissora de televisão: a TV Brasília; 4) seis hotéis: o Brasília Alvorada, Brasília Palace, Kubitschek Plaza, Manhattan Plaza, Sain Paul, Studio In Residence; 5) além de concessionárias de veículos, centenas de imóveis e vários outros negócios. É mais do que sonhava alguém que queria ficar “apenas” rico. Tornou-se um dos maiores milionários de Brasília.