• No results found

3. THEORETICAL MECHANISMS

3.3 S UMMARY OF EMPIRICAL EXPECTATIONS

A Internet não nasceu nos anos 90 como muitos pensam. Suas raízes e muitas das idéias que deram origem a esse imenso fenômeno mundial remontam ao final da década de 60. Segundo Cairncross (2000, p. 116:

Mesmo a palavra “hipertexto” surgiu no início dessa década, quando foi criada por um sonhador visionário chamado Ted Nelson, que teve a idéia quando estudava sociologia em Harvard. Muito antes da invenção da world

wide web, em 1989 – que realmente tornou a internet acessível – muitas de suas características mais importantes já haviam sido desenvolvidas.

A internet teve início na década de 60 para fins militares pelos esforços dos tecnólogos da Agência de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, nos tempos da Guerra Fria. Denominada de ArpaNet, tinha o propósito de manter a comunicação das bases militares americanas, mesmo que o Pentágono fosse completamente destruído, impedindo, assim, que os soviéticos, em caso de guerra nuclear, tentassem destruir o sistema norte-americano de comunicação.

Para Cairncross (2000) a internet progrediu porque oferece serviços diferentes e melhores do que os encontrados em outros veículos e combina o extraordinário poder do computador de processar e armazenar inúmeras informações a baixo custo com a capacidade da rede telefônica de atingir milhões de pessoas ao redor do mundo e com inúmeras vantagens sobre o telefone.

O resultado desses esforços foi o estabelecimento de uma rede que, como descreve Castells (1999, p. 26):

Tornou-se a base de uma rede de comunicação horizontal global composta por milhares de redes de computadores (confessadamente para uma elite versada em computadores, totalizando cerca de 20 milhões de usuários em meados dos anos 90, mas em crescimento exponencial). Essa rede foi apropriada por indivíduos e grupos no mundo inteiro e com todos os tipos de objetivos, bem diferentes das preocupações de uma extinta guerra fria.

Passada a ameaça da guerra, os militares consideraram a ArpaNet inútil e sem importância, não sendo necessário mantê-la sob sua guarda. A internet adquiriu conotações acadêmicas entre as décadas de 70 e 80 e logo conquistou um espaço cada vez maior no cotidiano das pessoas, modificando formas de relacionamento, hábitos de consumo, hábitos de vida, modos de trabalho e, também, na educação.

Qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de educação e de formação na cibercultura deve ser fundada em uma análise prévia da mutação contemporânea da relação com o saber. Em relação a isso, a primeira constatação diz respeito à velocidade do surgimento e de renovação dos saberes. Pela primeira vez na história da humanidade, a maioria das competências adquiridas por uma pessoa em início de seu percurso profissional estarão obsoletas no fim de sua carreira (LÉVY,1999, p. 157).

Para Cairncross (2000) o crescimento da internet foi o fenômeno tecnológico mais surpreendente do final do século XX.

A internet é notável não só por sua popularidade, mas por sua força inovadora. Nascida no mundo da pesquisa acadêmica, sua difusão tem sido impulsionada pela demanda espontânea de milhões de usuários. (2000, p. 128).

E, Negroponte (1995), anteviu a incrível evolução do mundo digital e de como a internet iria mudar a maneira de se relacionar com a informação.

Outra questão importante a ser abordada diz respeito à nova natureza do

trabalho, cuja parte de transação de conhecimentos não pára de crescer. O trabalho adquire nova condição em que se valoriza a transação dos conhecimentos: aprender, produzir e distribuir. Surgem novas formas de acesso à informação, novas formas de raciocínio e novas maneiras de produção de conhecimentos. Segundo Lévy (1999), trabalhar quer dizer, cada vez mais, aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos.

E o autor faz mais uma constatação:

[...] o ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas: memória (banco de dados, hiperdocumentos, arquivos digitais de todos os tipos), imaginação (simulações), percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos. Essas tecnologias virtuais favorecem: - novas formas de acesso à informação: navegação por hiperdocumentos, caça à informação através de mecanismos de pesquisa, exploração contextual através de mapas dinâmicos de dados, - novos estilos de raciocínio e de conhecimento, tais como simulação, verdadeira industrialização da experiência o pensamento, que não advém nem da dedução lógica nem da indução a partir da experiência (LÈVY, 1999, p. 157).

Desse modo, para o autor, essas tecnologias intelectuais, sobretudo as memórias dinâmicas, objetivadas em documentos digitais ou programas disponíveis na rede (ou facilmente reproduzíveis e transferíveis), podem ser compartilhadas entre numerosos indivíduos e aumentam, portanto, o potencial de inteligência coletiva dos grupos humanos.

Lévy (op. cit.) assinala transformações nas formas de ensinar e de aprender, em que o futuro do papel do professor não será mais de um propagador de conhecimentos, mas o de incentivador/estimulador da inteligência coletiva dos alunos, incentivando-os a trocar seus conhecimentos.

As transformações provocadas pela revolução tecnológica afetam tanto as áreas da educação quanto se expande para a economia, governos, negócios e sociedade.

Esse cenário de transformação deixa de ser ficção, uma utopia quando se projetava o futuro da humanidade e, a partir do século XXI, passa a fazer parte do cotidiano do planeta. O que, para Lévy, não é um futuro tão fantástico quanto previsto.

[...] fomos à lua, mas não às estrelas; temos máquinas de fax mas não transporte; nossos carros, em vez de voarem como nos desenhos dos Jetsons, ficam parados em engarrafamentos. Em contrapartida, estamos assistindo ao surgimento de uma transformação tão radical nas culturas humanas que nenhuma ficção soube prevê-la – presenciamos em nossa era o surgimento da cibercultura. (LÉVY, 1999, p.15).

Quando uma informação se encontra no ciberespaço, ela está virtual e à disposição de milhões de pessoas. É uma poderosa ferramenta de comunicação e informação.

O ciberespaço, ou espaço virtual, é uma revolução que altera radicalmente a forma de conceber tempo, espaço e, mesmo, relacionamento. O autor explica que “a palavra virtual vem do latim virtualis, derivado por sua vez de virtus, força, potência”. Para Lévy (2005), o constante desenvolvimento de programas e equipamentos destinados à simulação faz com que seja possível, hoje, dar a um usuário a sensação de estar em outra realidade, em uma realidade virtual.

A internet muda demasiadamente, e os principais motivos são seu alcance global, sua habilidade em difundir as capacidades da televisão e do telefone e ultrapassá-los, e seu estímulo à inovação.

Cairnscross (2000) afirma que os índices de crescimento da internet estão fora dos Estados Unidos. Em 1996, a quantidade de hosts da internet no Japão aumentou em 173% e, em Hong Kong, em 178%. Os países recém-industrializados da Ásia, com sua paixão por engenhocas, suas avançadas indústrias eletrônicas e suas populações jovens e cultas, são o mercado perfeito para a internet.

É notável e surpreendente como as novas tecnologias e as inovações tecnológicas atingem nossa privacidade, nossos lares, nossos hábitos e até a maneira como pensamos e falamos tornando mais adequado o acesso a informação em todos os aspectos. Lemos (2007) alerta que a relação das cidades com as redes não é um fato novo visto que toda forma urbana configura-se a partir das mais

diversas redes técnicas e sociais. Para o autor, não se trata de uma nova cidade ou da destruição da velha forma urbana, mas de reconhecer a instauração de uma dinâmica que faz com que o espaço e as práticas sociais sejam reconfiguradas com a emergência das novas tecnologias de comunicação e das redes telemáticas.

Os números da internet no Brasil impressionam. Em 2008, o país ocupava a nona posição no ranking com 27,7 milhões de usuários e, em apenas três anos, o país saltou para a quinta posição. Segundo a F/Nazca, são 81, 3 milhões de internautas.

A lan house é o principal local de acesso (31%,) seguido da própria casa (27%). Hoje, a internet é considerada o terceiro veículo de maior alcance no Brasil, ficando atrás apenas do rádio e da televisão. Cerca de 87% dos internautas utilizam a rede para pesquisar produtos e serviços. Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, revelam que Brasília é a cidade que possui mais pessoas conectadas à internet, no Brasil, uma vez que mais da metade das residências do Distrito Federal têm acesso à internet. São Paulo está em segundo lugar.

Cerca de 45% dos domicílios brasilienses possuem acesso à internet, ou seja, 338 mil computadores estão ligados à rede. O faturamento das empresas do ramo que atuam em Brasília é o maior do país, segundo o presidente da Fecomércio-DF, Miguel Setembrino. “O mercado de informática no Distrito Federal nunca esteve tão aquecido. A maioria das pessoas já tem laptop, muitas, mais de um. O computador virou um bem individual e quase obrigatório”, comenta.

Para Marcello Barra, pesquisador do grupo Ciência, Tecnologia e Educação na Contemporaneidade da Universidade de Brasília (UnB), os resultados do PNAD não são surpresa. Há pelo menos sete anos o Distrito Federal lidera o ranking de domicílios com computador e acesso à internet.