8. SUMMARY AND DISCUSSION
8.2 F URTHER RESEARCH
Pretendeu-se, através deste trabalho, identificar os itens apresentados pelas IES na primeira página dos sites institucionais.
Nos dias atuais, o site é o cartão de visitas virtual de uma empresa, em que sua matéria-prima é exposta, anunciada. Qualquer indivíduo, de qualquer lugar, a qualquer momento “entra” na IES para conhecê-la, buscando informações.
O número de itens apresentados em cada página pesquisada não traduz o tamanho da instituição em termos físicos ou a qualidade dos serviços prestados.
A IES pública, que é também a mais antiga, a instituição A, que possui a maior estrutura física, oferece mais cursos e o maior número de alunos e funcionários, apresenta 72 itens em sua primeira página. A segunda maior IES pesquisada, tanto em estrutura física quanto em tempo de existência, número de cursos ofertados, funcionários e alunos e que é privada, a instituição B, apresenta 99 itens em sua primeira página. A menor IES, a instituição C, que é privada, apresenta, em sua primeira página, 85 itens.
Do total de conteúdos disponibilizados pelas IES na primeira página dos sites, 34 são comuns às três, ou seja, aparecem nas instituições A, B e C.
Os conteúdos das três primeiras páginas somam 163 itens dispostos de acordo com os objetivos, interesses e expectativas institucionais.
Enfatizou-se a descrição minuciosa da primeira página e fez-se uma comparação em que foi possível visualizar as semelhanças e as diferenças.
Ao concluir esta análise, pode-se argumentar que cada IES foca a comunicação com seu público de modo a atingir seus objetivos organizacionais.
Neste sentido, entende-se que a análise apresentada possibilita a compreensão dos objetivos de comunicação das IES através dos sites e a necessidade de aprofundamento da análise de dados de comunicação que aqui se configurou em uma abordagem eminentemente quantitativa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Ensino Superior brasileiro tem vivido profundas transformações nas últimas décadas. Há pressões para aumento do número de vagas, nas instituições públicas, e há esse aumento até excessivo nas instituições privadas, que vivenciam dificuldades para atrair estudantes no meio de tanta competitividade. As exigências do mercado de trabalho e as transformações tecnológicas também demandam uma nova relação ensino-aprendizagem. Enfim, as IES estão em constante mudança. Em Brasília, esse cenário é reforçado pela vocação da cidade, a administração pública, que valoriza a formação superior, e por uma concorrência ainda maior entre as IES.
O tema deste trabalho tentou contemplar esse cenário de transformações, de concorrência, de necessidade de comunicação das IES com a sociedade e as possibilidades oferecidas pelas primeiras páginas dos sites institucionais. O aporte teórico, fundamentado em autores que se tornaram clássicos na discussão da cibercultura, como Levy e Castells, foi ampliado pela leitura de estudiosos das novas tecnologias nas organizações. Questões como inteligência coletiva, dimensão sócio- econômica da cibercultura, as novas tecnologias como processo, não como produto, permitiram que construíssemos nosso recorte: perceber quais as características virtuais – usabilidade, interatividade e navegabilidade – eram predominantes nas primeiras páginas dos sites institucionais da UnB, UCB e FACITEC, “fotografadas” em PDF nos dias 21 e 29 de maio de 2011. Essas características virtuais foram escolhidas porque aparecem de forma recorrente em autores da área e acreditávamos que nos ajudariam a compreender como as IES encaram os seus próprios sites, e o quanto compreendem as implicações da comunicação digital.
Várias estratégias metodológicas foram utilizadas neste estudo. A primeira delas, o levantamento bibliográfico, buscou autores e obras que nos permitissem construir nosso objeto e desvendá-lo. Foi utilizada a pesquisa em árvore, em que um texto se ramificava em outros e mais outros. Para analisar os sites, recorremos à analise de conteúdo, uma técnica que estimula a categorização e permite uma leitura de aprofundamento. Com a análise de conteúdo chegamos a uma primeira leitura dos sites, mais descritiva, e depois a outra, interpretativa. O estudo sobre o método comparativo permitiu-nos visualizar os riscos presentes em uma comparação, como a tendência à descrição exagerada, e nos levou a retornar à teoria no momento da análise.
Do reencontro entre o objeto e a teoria, chegamos a várias percepções. A primeira é a de que não há, nos sites analisados, uma característica predominante.
Em momentos aleatórios, usabilidade e navegabilidade aparecem, com predomínio da segunda. Mas identificamos o quanto é frágil a interatividade, o quanto o público está distante. Nos três sites, a motivação maior é a de divulgação de notícias ou de campanhas. Os sites querem falar, mas não ouvir.
A inteligência coletiva como processo de compartilhamento e de troca, como momento em que emissão e recepção serão relativizadas e a construção é coletiva, acontece muito pouco nos sites. A predominância do processo sobre o produto, vislumbrada por Castells no mundo virtual, também não está presente. Os sites ainda lembram muito o papel, e pouco a lógica da Rede.
Do ponto de vista da pesquisadora cumpre ressaltar que o pouco tempo disponível para a realização de estudos e pesquisas mais amplas limita as possibilidades de apresentar um estudo mais denso uma vez que o aproprio objeto concorre para dificultar o processo por se transformar com rapidez.
Contudo, entendemos que estes são os primeiros apontamentos sobre um tema inexplorado e que mais tarde poderá ser aprofundado com mais leituras, análise com utilização de novas categorias e, também com uma abordagem mais minuciosa sobre a comunicação organizacional.
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