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7. SPOUSE IMPORT AND ITS CORRELATES

7.2.2 Women

Partindo do perfil sócio demográfico, todos nesse grupo são solteiros e ainda moram na casa dos pais. Entre as plataformas para o videojogo, o Xbox e o Playstation são os consoles mais citados e o computador é dispositivo mais usado para jogar. Nesse grupo já se constata a existência de uma relação histórica entre os sujeitos e as plataformas de videojogos mais antigas, alguns tiveram a primeira experiência com videojogos em consoles da Atari e Turbogame. Um dos entrevistados se declara desenvolvedor de jogos e colecionador de consoles. A experiência em relação às diversas gerações de videojogos permite um olhar mais crítico desse grupo sobre os videojogos.

Grupo B Dispositivos para jogar Tempo de vivência SH (21 anos) Computador "Desde os sete anos"

RO (22 anos) Xbox, Playstation Vita, computador, kit do Guitar hero

"Desde os seis, sete anos, que eu me lembre"

MH(23 anos) Supernintendo, Nintendo 64, Nintendo Wii, Playstation 2, Playstation 3, Xbox 360, PSP e

computador

"Desde os sete anos"

DO (27 anos) Playstation3 e computador "Desde os seis anos, mais ou menos"

Todos jogam no computador, mas não abrem mão das partidas nos consoles de videojogos. Qualitativamente a desenvoltura desse grupo ao falar de jogos, indica que o relacionamento a longo prazo com os videojogos tornam as experiências cumulativas e modificam as vivências. Todos gostam de jogar em grupo e o tempo despendido com o videojogo agora é dividido com as obrigações no trabalho. De brincadeira, os videojogos tornam-se um hobby.

Eu não assisto muito a TV, eu acho que não tem muitos programas que conseguem me divertir. Então o jogo me diverte mais do que a televisão (...) Eu acho que você libera mais adrenalina, você fica mais alegre (SH, 21 anos). Gosto de ação estilo explosivo, jogo de tiro, jogo de guerra é legal. Eu tenho uma teoria muito básica: você joga jogo violento não é pra ficar violento, é pra desestressar. Aquele caso de São Paulo que o cara atropelou um monte de ciclista acho que se ele jogasse GTA ele não faria aquilo; ele faria no videogame, não na vida real, então eu tenho essa teoria: jogo violento não incentiva a violência, desestressa (RO, 22 anos).

Tem jogo que mexe com o emocional mesmo, o jogo bem interessante tu fica feliz, tu ri, tem umas palhaçadas, você tem que se envolver, mas se envolver daquela forma divertida, você aprende com o jogo, o jogo que eu mais considero, o melhor jogo da minha vida foi Final Fantasy que me explicou sobre a importância do planeta, explicou a amizade, explicou um monte de coisa que eu levo em consideração até hoje, então me baseio muito nisso (MH, 23 anos).

Eu relaxo muito, é uma forma de eu resetar minha mente, no meu dia-a-dia assim um dos escapes seria esse. Eu acho que se você pegar e ir para um passeio, ir pra um cinema lógico que tudo isso relaxa sim, reseta a nossa mente, mas o jogo é uma forma que eu tenho minha, que eu não dependo de nada só do computador, pronto, e no outro dia eu to zerado pra qualquer coisa (DO, 27 anos).

Nascidos no final da década de 1980, esse grupo experimentou diversas plataformas de jogo e dão indícios de que a migração de plataforma afeta a experiência de jogo. SH (21 anos) não tem mais videogame desde que seu Playstation 2 quebrou e, atualmente, só joga no computador, jogos gratuitos. "Antes jogava jogos de aventura e agora gosto mais dos jogos de RPG. Jogava muito sozinha, mas agora brinco com o meu namorado". RO (22 anos) joga em casa, no console, ou no trabalho no banco com o Playstation Vitta portátil, do técnico em rede que joga todos os dias. "Depende do meu fluxo de trabalho no dia, tem dia que eu jogo 10 a 12 horas quando não tem nada pra fazer mesmo, mas tem dia que eu jogo meia hora, é muito relativo".

MH (23 anos) se considera colecionador de consoles de videogame, tem console do SuperNintendo, Nintendo 64, Nintendo Wii, Playstation 2, Playstation 3, Xbox 360, PSP, e joga no computador.

Meu pai na verdade ele tinha uma locadora de videogame, então eu tinha muito videogame, só que naquela época um cd de um videogame original custava quase 200, 250 reais e era impossível ter jogos originais nesse sentindo. Eu passei a viver minha vida quase inteiramente em relação aos jogos, conhecer jogos (MH, 23 anos).

DO (27 anos) é solteiro e trabalha como designer gráfico e faz faculdade. Jogava Turbogame com o irmão na infância e, ainda hoje, gosta de reunir os amigos para jogar.

De vez em quando você joga com outras pessoas ao invés de você tá ali pra ver uma história, você tá ali pra poder ver o que seu amigo ta fazendo, se ele ta fazendo certo, se ta fazendo errado, tem muita gozação, é igual jogar bola, o pessoal vai jogar bola e tudo e tem sempre aquele perna de pau que gera muita história depois, sempre assim (DO, 27 anos).

Grupo B Tipos de jogos Dispositivo

preferido

Jogos em curso SH (21 anos) "Eu prefiro jogos de RPG e de

luta"

Computador Final Fantasy e Street Figther

RO (22 anos) "Gosto de ação estilo explosivo, jogo de tiro, jogo de guerra é legal"

Ps Vitta (portátil)

Demon Souls, Dead Island, Soul Sacrifice, Age of empires, Hi Man MH (23 anos) "Quase todos, só não gosto de

jogo de futebol"

Computador Final Fantasy e Grand Theft Auto

DO (27 anos) "Atualmente eu tenho jogado mais RPG mesmo"

Computador World of Warcraft, Diablo

Quadro I - Tipos de jogos, dispositivo e jogos preferidos entre jovens

Quando questionados sobre quais dispositivos costumam jogar videojogos, aferiu-se que o computador é o dispositivo mais habitual, apesar de todos prezarem pelas partidas em console como explicitado no trecho abaixo.

Posso jogar em casa, posso jogar no meu quarto, então eu acho que eu posso jogar em qualquer lugar e eu posso jogar com a galera, a gente vai, sei lá, a gente reúne cinco pessoas leva os computadores e leva um rango e vai pra casa de um amigo, a gente acaba jogando sem ter aquela necessidade de se locomover pra um lugar e ficar em um ambiente fechado, além de você ter o contato com a pessoa pela rede, começa a conversar com as pessoas, é uma forma de ficar mais fácil, porque muita gente que joga hoje trabalha então não tem como ficar perto dele pra trocar ideia, conversar na sala mesmo, então eu

vou para o computador jogar com eles. Mas no final de semana a gente vai pro videogame, todo mundo reúne vai aquilo tudo já, rola a bagunça, pipoca, é bem divertido também (MH, 23 anos).

Na categoria Prazer em jogar, quando estimulados a explanar o motivo pelo qual jogam, a palavra diversão vem em primeiro lugar, seguida do relaxamento. Os sentimentos que aparecem nesse grupo estão relacionados ao prazer, alegria e ansiedade.

Eu jogo desde pequena então eu acho que é uma forma de divertir. Prefiro o jogo à televisão (SH, 21 anos).

É diversão e querendo ou não ele dá mais reflexo pra gente, eu dirijo de uma maneira mais rápida, se tiver um acidente eu consigo evitar mais rápido, então realmente os reflexos ficam mais aguçados, e também para desestressar, ninguém é de ferro (RO, 22 anos).

Porque eu de certa forma gosto de imaginar, gosto de imaginar histórias, imaginar personagens, universo e acabo me sentindo atraído por isso, eu gosto muito da história meio que fictícia meio que original, possibilidades de outros mundos, realmente buscar o que inova, quando o jogo tem uma historia (...)eu aprendo alguma coisa então o que eu aprendo com o jogo eu acabo absorvendo, então é o motivo que eu gosto de jogar além de divertir é aprender (MH, 23 anos).

Começa naquela história de passar o tempo, às vezes você tá nervoso com alguma coisa, realmente assanha mesmo, realmente te tirar desse mundo que você, que você tá lá, tem o seu dia a dia, passa sua rotina trabalhando, estudando e tal, tendo contato com pessoas né? Muitas vezes se irritando e tudo, é meio que uma válvula de escape muitas vezes, mas nem sempre, às vezes é por puro prazer mesmo, sentar lá conversar com a galera, realmente ter a sensação que o jogo proporciona uma sensação prazerosa (DO, 27 anos).

Na categoria Relação com a tecnologia, todos afirmaram se envolver com o jogo, mas fazem questão de ressaltar que o envolvimento não implica em se tornar violento.

Mexe bastante comigo, mas nada que vai me levar a sair matando os outros, como normalmente pensam, mas tem essa liberação de sentimentos. Quando você joga você se liberta, está em outro mundo (SH, 21 anos).

Lá em casa eu jogo na TV grande da parede, pintei o quarto todo de marrom escuro, botei uma persiana escura, ar condicionado e home teather 5.1

surround que eu liguei nas paredes (...) quando eu jogo jogo de ação é

adrenalina, empolgação, é igual ver um filme de ação você fica ali torcendo só porque dentro do jogo é melhor, porque você tá dentro do jogo, eu quando eu jogo eu entro no jogo, se você falar comigo quando eu to jogando eu não te escuto, ou eu não presto atenção, porque realmente sou personagem no jogo, tem essa diferenciação, é muito difícil você encontrar isso hoje em dia em criança, o pessoal joga o jogo e acha que pode fazer na vida real e acaba fazendo besteira. Mas eu acho que tem essa emoção dentro do jogo, sem

duvida é muito legal, jogar jogo de ação ver tudo explodir, sair gritando, pô é legal demais (RO, 22 anos).

Eu penso que o jogo é um universo que você tem que tá dentro dele, você tem que interagir com ele, se o jogo não te permite interagir, se o jogo não te permite vivenciar aquela história de uma forma interessante não vai ser nada mais do que um filme, você vai ficar sentado assistindo, então você não tem muito o que fazer, não tem com o que interagir, tem o poder de escolha (MH, 23 anos).

A gente curte esse lance de fantasia, a galera que costuma jogar geralmente ta querendo descansar a cabeça em uma outra coisa, é meio que, por exemplo, a gente tem a novela o pessoal gosta de assistir, gosta de ver como é a vida dos outros, gosta de se espelhar na vida dos outros e tudo (DO, 27 anos).

O processo de imersão e interatividade proposto pelos jogos digitais está presente na fala de todos os entrevistados. As pessoas se sentem motivadas a aprender, fantasiar e por meio do jogo esquecem seus problemas por aquele período de tempo no processo de imersão.

(...) Um dos jogos que eu realmente mais gosto é o Final Fantasy porque ele me dá uma história que eu tenho que seguir, eu tenho que fazer uma escolha, eu tenho que ajudar, eu tenho que decidir se eu vou de acordo com as regras ou não, então ele me dá a possibilidade de pensar, ''pô o que eu vou fazer agora, será que eu vou fazer certo ou não vou fazer certo'', ao invés de ir pro mundo real e tentar fazer uma escolha que pode ser ruim lá eu posso viver uma história, (...) começa a pensar como seria viver naquilo ali, qual a tensão, como é que seria, e a gente acaba se divertindo vendo tudo por outro ângulo, como se fosse uma novela que eu posso dá play e posso modificar a cena porque eu vejo que ficaria mais legal daquele jeito, então é bem interessante fazer isso, pelo menos eu acho (MH, 23 anos).

Toda vez que a gente joga, é como assistir um filme dramático, por exemplo, você acaba se envolvendo na história, você acaba sentindo aquilo que tá acontecendo, e no jogo acontece da mesma forma, é uma forma de se contar uma historia só que de uma forma diferente, uma forma mais interativa (DO, 27 anos).

Para Salen e Zimmerman (2012) a interatividade e a jogabilidade são o coração e a alma de um software de entretenimento e tornam possível aos jogadores incorporar personagens, habilidades, poderes e utilizar esses recursos para realizar ações que não poderiam fazer na vida real. Quando questionados sobre a evolução dos jogos antigos para os atuais, os jogadores elaboram críticas sobre as estruturas de jogo.

Acho que evoluiu graficamente e involuiu na jogabilidade, porque no Supernintendo a gente morria e voltava pro começo da fase, hoje em dia você morreu, você volta exatamente de onde você parou, eu acho que deixa a gente mais fraco. Os menininhos de hoje em dia não conseguem jogar os jogos de

antigamente porque a dificuldade era muito maior, muito maior mesmo, jogos estilo platafôrmicos, aquele vai pra frente pra traz, pula e abaixa, que é Hi Man, por exemplo, é de uma dimensão muito diferente de dificuldade de hoje em dia, hoje em dia você não encontra mais disso de verdade (RO, 22 anos). (...) Tem jogo que você só tem uma linha única de jogar e geralmente você joga 2 ou 3 vezes e você enjoa, mais jogos tipo Super Mário, que você joga 1000 vezes, você tem que achar fases secretas se você jogar de uma forma com a capa, se você tem uma maçã diferente, se você tem uma forma diferente de passar daquela fase isso deixa o jogo "jogável" eternamente, você sempre vai jogar, vai ter uma diversão diferente, vai ter um momento que você vai fazer uma proeza diferente você fala ''ah! Consegui fazer o que ninguém faz'', e é o que acontecia na locadora antigamente, sempre na locadora tinha aquele cara que sabia fazer o segredo do AKUMA personagem do Street Fighter e ele era tido como o poderoso da locadora, então você só fala ''oh! Aquele cara é poderoso'', então tinha respeito pelo pessoal que fazia essas coisas que ninguém conseguia fazer (MH, 23 Anos).

Quando questionados sobre a transposição das atitudes no jogo para a vida real, todos afirmaram que apenas as ações boas servem de reflexão para o cotidiano.

As atitudes boas têm muita atitude que não é boa não. É legal, por exemplo, têm aqueles jogos mais violentos mesmo aquilo ali a gente não traz pra fora (...). Essa parte ruim fica no jogo, a parte boa que seria igual eu falei, o aprendizado com a língua inglesa, o contato com a língua espanhola, capacidade de tática, estratégia que você acaba desenvolvendo no jogo, isso acontece muito e a gente acaba se preparando, antecipando certas coisas que acontecem na nossa vida justamente por experiências que você passa no jogo, você fala ''poxa vida, passei no jogo uma dificuldade assim e na vida to passando uma parecida'', acaba acontecendo esse tipo de coisa (DO, 27 anos). Tem muita coisa que a gente aprende jogando, tem muitas histórias, principalmente jogo de aventura e jogo de ação, te dá uma oportunidade de pensar, raciocinar e de aprender algumas coisas novas (MH, 23 anos).

O que diz respeito aos benefícios dos videojogos os entrevistados elencaram o aumento do reflexo e a aprendizagem. O quadro abaixo sintetiza as principais informações que estão diretamente relacionadas às experiências pessoais de cada individuo com os jogos.

Fatores de atração Benefícios

SH (21 anos) A jogabilidade, a história, a relação com a série

Aprender novas línguas RO (22 anos) Diversão, entretenimento passatempo A mente aguçada, o reflexo rápido, a

capacidade de raciocínio lógico MH (23 anos) Jogabilidade Ampliação da noção espacial e um

tempo de reação muito menor DO (27 anos) A parte artística como design do

personagem, a parte visual, efeitos combinado com roteiro.

Relaxamento, jogo como válvula de escape

Na categoria Natureza social e interpessoal do jogo, todos desse grupo gostam de jogar com amigos e familiares, sejam pessoalmente ou em rede, pelo computador ou no console e afirmam, categoricamente, que os videojogos contribuem de forma positiva nos relacionamentos sociais.

Como todos jogam acho que junta mais todo mundo (SH, 21 anos).

Jogo muito em rede, eu inclusive fazia festas lá em casa de uma semana jogando dormindo duas horas, era muito legal (...) Por que você promovia esses eventos de jogos? Ah! Convivência social juntava os amigos todos ali, jogava

counter strike, atravessava noite, era muito bom (RO, 22 anos).

Não gosto muito de jogar sozinho, jogar com muitas pessoas é bem divertido, principalmente do Wii, tem interação humana, a risada, a gargalhada de quando alguém ganha ou alguém perde é bem legal. (...) se o pai joga, se o pai compra o jogo, se o pai vai atrás do jogo e chama o filho pra jogar tem um relacionamento ainda maior, além do relacionamento pai e filho tem o relacionamento de equipe, a gente tá no jogo, a gente tem uma missão, a gente tem um desafio e meu pai tá me ajudando a vencer aquele desafio,então você tem aquela confiança. (...) Um dos motivos que eu tenho a coleção é fazer meu filho jogar desde o Atari, desde o primeiro joguinho até hoje (MH, 23 anos). No caso do World of Warcraft que ele é um RPG mundialmente famoso a galera joga mesmo de casa, a gente conversa, às vezes a gente joga com pessoal da argentina, qualquer país, a gente troca uma ideia em inglês, buscando aprimorar o inglês para se interagir com os jogadores, a gente acaba aprimorando essa parte do inglês também, espanhol também a gente acaba encontrando jogadores assim. Já outros jogos, por exemplo, o Dota que tem agora, ele precisa ser uma coisa mais de equipe, eles são conhecidos, são amigos nossos, a gente se reúne troca uma ideia e tal, assim, amigos de infância mesmo hoje em dia a gente joga, tem esse contato ainda físico (DO, 27 anos).

Nesse grupo, o processo de socialização se dá também pelas formas de contato e convívio, como chats no jogo, mensagens e fóruns. Apenas DO, 27 anos, não participa de comunidades de troca sobre videojogos.

No Facebook tem aquela pagina que é CS Games, eu curto, mas não compartilho muita coisa. É mais para me informar mesmo (SH, 21 anos). A gente tinha um site chamado tsunamibr.com.br, ele era grande aqui em Brasília só que a gente começou a trabalhar todo mundo e perdeu o tempo, não consegue mais, mas a gente tem um grupo de jogos que é o tsunamibr, a gente é ativo, inclusive participamos de eventos com stand de jogos (RO, 22 anos). Participo mais na comunidade de desenvolvimento, eu trabalho com desenvolvedor então eu jogo, participo da GameDev Brasil, GameDev-DF que é um grupo no facebook, participo da Steam, frequento muito a Steam pra saber como é que está as coisas, faço votação nos jogos indy, que estão sendo lançados. Eu gosto de observar bem de perto o que tá no mercado (MH, 23 anos).