Os principais resultados são apresentados de acordo com a seqüência dos objetivos da pesquisa.
Perfil dos gestores respondentes
O perfil médio observado dos gestores das micro e pequenas empresas pesquisadas é de um homem com 38 anos, com segundo grau completo, mas com apenas conhecimento básico sobre o funcionamento dos computadores e sistemas utilizados em suas empresas. O fato da maioria dos gestores ser do sexo masculino (65,5%) pode estar associado com a própria natureza da atividade realizada dentro da cadeia produtiva do petróleo e gás. A escolaridade está acima da média, onde se observa que apenas 9,1% dos entrevistados possuem escolaridade abaixo do segundo grau completo.
Quanto ao nível de experiência no uso da TI dos respondentes, observa-se que a grande maioria (61,1%) possui apenas um conhecimento razoável da TI que operam, conhecendo o funcionamento básico dos equipamentos e sistemas utilizados na empresa. Essa mesma “Experiência no uso da TI (Q4)” quando analisada conjuntamente com as variáveis
“Sexo (Q1)” e “Grau de escolaridade (Q3)” mostraram uma significativa correspondência
entre as alternativas “Sexo: masculino” com as alternativas “Escolaridade: especialização e segundo grau completo” e “Experiência: razoável”. Neste perfil, homens com segundo grau completo ou especialização, em grande parte possuem apenas uma razoável experiência no uso da TI em suas empresas.
Perfil organizacional das MPE pesquisadas
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de petróleo e gás, a distribuição dos dados apontou para uma grande concentração de empresas com tempos de atuação no mercado entre 5 e 25 anos, de 5 a 20 funcionários (50%) e com faturamento bruto anual até R$ 244 mil reais (87,3%).
Através de uma análise de correlação canônica entre as variáveis da Perfil organizacional e as variáveis do Perfil de adoção da TI nas empresas (Rc=0,9152 e p=0,0001), foi possível verificar a existência de uma relação entre estes dois blocos de variáveis. No bloco referente à TI utilizada nas empresas, pode-se destacar que dentre as 14 variáveis mais significativas para a relação, cerca de 71% delas corresponde a variáveis ligadas ao uso da internet como ferramenta de suporte ao trabalho e em especial, ao acesso ao comércio eletrônico.
Por outro lado, observa-se que variáveis como “Área de atuação da empresa (Q5)”,
“Município (Q7)” e “Número de funcionários (Q10)”, esta última entendida como
identificação do porte da empresa pelo critério SEBRAE, são as variáveis que estratificam as empresas em função da infra-estrutura de TI disponíveis nessas organizações. Desta forma, a área de atuação no mercado, a área geográfica de atuação (município) e o tamanho da empresa (porte) são as variáveis que determinam a infra-estrutura de TI observada.
Perfil da infra-estrutura de TI das MPE respondentes
Quanto ao perfil de TI encontrado, observa-se que o número de computadores nas empresas segue com uma média de seis computadores, mas com uma grande ocorrência entre 1 e 9 equipamentos, recursos considerados como suficientes (78,2%) para as atividades hoje desenvolvidas, assim como são suficientes os recursos de software (81,8%). Outra característica favorável é a relação existente entre a quantidade de computadores e o montante de valor investido na TI. Assim, para grande parte das empresas da amostra, quanto maior o parque de computadores, maior o volume anual de recursos destinados a TI, com a relação Q13=2,413 + 0,819Q16, possuindo um R2Ajustado = 0,66, onde Q13 é o “Número de computadores” e Q16 é o “Orçamento da TI em 2005”.
A velocidade de conexão à internet está acima de 128 kbps para 74,55% das empresas pesquisadas, caracterizando-se como acesso através de banda larga. Como a maioria das empresas pesquisadas está localizada em Natal (78,2%), isso não reflete a realidade daquelas localizadas em municípios menores, onde não estão disponíveis tecnologias mais rápidas e com melhor relação custo/benefício. Dentre as tecnologias de acesso à internet mais utilizadas pelas empresas pesquisadas, destaca-mse a ADSL (29,1%) e o Cable Modem (27,3%), as quais possibilitam acessos mais rápidos, mas só estão disponíveis em municípios com
76 potencialidade comercial para tais serviços.
As características desfavoráveis ao uso eficiente da TI por parte das empresas pesquisadas são que apenas 40% disponibilizam correio eletrônico para os seus colaboradores. Percebe-se a existência de dois grupos de empresas quando estratificadas, em relação ao percentual de funcionários com acesso ao e-mail. O grupo onde as empresas democratizaram o uso da TI para a maioria de seus funcionários e outro grupo que concentra resultados em torno de apenas 30% ou menos de funcionários. Outro achado importante é a inexistência de um setor ou de pessoa específica responsável pela TI em 23,6% das empresas, aliada a um nível de terceirização total ou parcial de 61,8%.
Perfil de adoção da Internet
O uso da internet para fins comerciais está mais relacionado com o uso de correio eletrônico, operações bancárias e relacionadas com o governo eletrônico (e-gov). No entanto, existe uma baixa freqüência de uso de tecnologias mais sofisticadas relacionadas aos negócios eletrônicos, tais como compra de produtos ou serviços pela internet, uso do pregão eletrônico para participar em licitações ou tomadas de preço, uso de tecnologias de transmissão de dados por telefonia celular, videoconferência e teleconferência e a inexistência de um website da empresa.
Para 57,4% das empresas pesquisadas, não houve nenhuma capacitação em TI para os seus colaboradores nos últimos 24 meses, apesar da disposição em qualificar os funcionários para 78,2% das empresas e investir em TI para 81,8% delas. Infelizmente, ainda há um entendimento equivocado para alguns empresários de micro e pequenas empresas quanto à capacitação de seus colaboradores como um investimento que deve ser contínuo e não apenas como uma despesa cuja necessidade é um efeito colateral da adoção da TI.
O quadro encontrado para o Perfil de adoção da TI nas empresas apresenta indicadores da existência de uma infra-estrutura de TI aparentemente adequada para o uso do comércio eletrônico na maioria das empresas pesquisadas. Contudo, na prática, o uso da TI nessas empresas não corresponde a esta infra-estrutura instalada, com subutilização de recursos, baixa capacitação, baixa democratização da TI para os funcionários/colaboradores e baixa freqüência de utilização, principalmente de tecnologias relacionadas ao uso eficiente do comércio eletrônico.
Cerca de 80% dos respondentes afirmam que a TI está alinhada com o planejamento estratégico de suas empresas. Entretanto, os indicadores citados anteriormente não confirmam esta afirmação, pois estes empresários ou não conhecem as potencialidades da TI implantadas
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em suas empresas ou desconhecem os benefícios que a TI pode proporcionar as estratégias dessas empresas ou simplesmente desconhecem quais são suas estratégias.
Relação entre o perfil dos gestores e o padrão de adoção de TI
Através de uma análise de correlação canônica foi possível identificar a existência e o grau de relação (Rc = 0,857 e p = 0,031) entre o perfil dos gestores e o perfil da TI encontrado nas empresas. A análise permitiu identificar que a variável “Sexo (Q1)” e a “Experiência no uso da TI (Q4)” foram importantes variáveis para a construção dessa relação, tornando-se
fatores que influenciaram no atual estágio da TI encontrado nas empresas.
As variáveis “Freqüência de uso da internet para operações bancárias (Q31)”,
“Existência de capacitação em TI nos últimos 24 meses (Q42)” e “Existência de disposição em qualificar os funcionários (Q43)” foram as que mais se relacionaram com características
do perfil dos gestores. Isso sugere que uma boa experiência do gestor no uso da TI em suas micro e pequenas empresas é um importante fator para o reconhecimento e investimento na capacitação em TI como atividade necessária e contínua para o uso eficiente dos recursos de TI existentes nas empresas.
Fatores técnico-financeiros inibidores à adoção de TI
As variáveis “Consultoria externa é cara ou não disponível (Q57)” e “Custo do software/hardware (Q53)” foram as mais consideradas como fatores técnico-financeiros
inibidores à adoção da TI pelas empresas pesquisadas. Os gestores alegaram ser a falta de consultoria uma das principais deficiências do segmento de empresas atendidas pelo projeto. A consultoria poderia evitar o investimento em equipamentos, sistemas e tecnologias de comunicação muito acima da real necessidade da empresa, podendo inibir alguns dos efeitos colaterais que é a subutilização dessas tecnologias e investimentos desnecessários. A consultoria também poderia avaliar tecnologias que tivessem uma menor obsolescência, e realizar um planejamento simplificado para a tecnologia da informação e comunicação (TIC) dessas empresas.
Segundo depoimentos dos gestores das micro e pequenas empresas participantes do projeto de fortalecimento da cadeia produtiva do petróleo e gás no Rio Grande do Norte, obtidos no pré-diagnóstico que antecedeu a elaboração desse projeto, a consultoria externa é essencial para a orientação de quais equipamentos, sistemas e tecnologias de acesso a internet são mais apropriados para cada empresa.
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os custos são um importante obstáculo à adoção e uso eficaz da TI. Seguindo o mesmo conselho dado por Kuan e Chan (2001), talvez seja aconselhável que o governo estimule e fomente a implantação de tecnologia de informação na pequena empresa. Quanto ao suporte ao conhecimento técnico adequado, também as pequenas empresas deveriam ser contempladas com apoio de fornecedores (provedores de TI), grande comprador (como a Petrobras) e outros parceiros de negócios, que se encarregariam de prover financiamento e apoio técnico, através de programas indutores da inserção da MPE na economia digital.
Fatores socioculturais inibidores à adoção de TI
As variáveis “Descrédito da TI devido a experiências anteriores frustradas (Q61)”
e a variável “A TI gera dependência com os fornecedores (Q63)” foram significativas ao
nível de α=9%. No entanto, a variável referente ao descrédito da TI devido a experiências anteriores possui um baixo potencial inibidor, onde possivelmente não constitui uma barreira a adoção de novas tecnologias da informação.
Relações encontradas
Vários fatores foram aqui confirmados como relevantes para o sucesso e uso eficiente da TI, em consonância com a literatura. A figura 10 destaca a síntese das relações entre os fatores técnico-financeiros e socioculturais inibidores da adoção de novas TI’s e os três perfis observados (individual, organizacional e específico de TI), a partir da retomada do modelo de pesquisa apresentado no capítulo 3. As relações onde as magnitudes das correlações (Rc) são estatisticamente significantes ao nível de α=5%, se destacam pelas linhas grossas.
Perfil dos gestores Perfil organizacional Perfil de adoção da TI Fatores técnico- financeiros 1b 1a 2 4 3 Fatores socioculturais Perfil dos gestores Perfil organizacional Perfil de adoção da TI Fatores técnico- financeiros 1b 1a 2 4 3 Fatores socioculturais
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A análise das cargas canônicas do grupo de variáveis do Perfil de adoção da TI nas empresas (Bloco 2) mostrou um grupo de sete variáveis que mais contribuíram para a relação com o bloco de variáveis da identificação dos fatores técnico-financeiros inibidores da TI (Bloco 3). Dessas variáveis, destacam-se a “Disponibilidade de correio eletrônico (Q20)”, a
“Freqüência de uso dos e-mails (Q23)”, a “Freqüência de uso da internet para vender produtos e serviços (Q27)” e a “Freqüência de uso da internet para a interação com os parceiros (Q36)”. Estas estão diretamente relacionadas com a adoção e uso do comércio
eletrônico.
Vale lembrar que essas variáveis tiveram cargas canônicas negativas, ou seja, quanto
maior a disponibilidade e freqüência de uso do comércio eletrônico, menor a percepção dos
fatores técnico-financeiros como inibidores ao uso da TI nas empresas dos respondentes. A mesma lógica se aplica quando do uso da internet para as demais variáveis.
Segundo a análise das cargas canônicas, as variáveis dos fatores técnico-financeiros inibidores do uso da TI (Bloco 3) que mais tiveram suas percepções influenciadas pela relação com a TI utilizada nas empresas foram: a dificuldade de adaptar a TI às necessidades da
empresa; inexistência de confiabilidade nas informações extraídas dos sistemas; custo do software/hardware; obsolescência rápida da TI; e consultoria externa cara ou não disponível.
Esses achados vão ao encontro do estudo de Pavic et al. (2007), no sentido de que é possível para algumas MPE integrar sua tecnologia baseada na Internet dentro de uma estratégia mais global e estas TIs poderão levá-las a uma vantagem competitiva. Entretanto, as atitudes e percepções dos seus dirigentes e proprietários com relação à nova tecnologia, o conhecimento e habilidades gerenciais e a força de trabalho são reconhecidas como questões problemáticas em potencial.
O desconhecimento do processo de adoção e uso da TI pelos proprietários e administradores de micro e pequenas empresas, juntamente com a falta de recursos para a contratação de consultoria especializada, levam a investimentos em tecnologias que não estão em conformidade com as necessidades atuais e futuras dessas empresas, tornando rapidamente obsoletos os investiments em TI. Aliado a esta perspectiva, os empresários possuem a visão da capacitação como custo e não como investimento necessário e contínuo, o que poderia reduzir a percepção da baixa confiabilidade das informações extraídas dos sistemas como fator inibidor do uso da TI, visto que isto provavelmente é um “efeito colateral” da má qualificação dos usuários dos sistemas.
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