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6. PRESENTASJON AV RESULTATENE

6.2 S PØRRESKJEMARESULTATER

Muito do que dissemos até aqui está relacionado à conduta dos meios de comunicação de uma nação como os Estados Unidos da América, conforme descrito no capítulo seguinte, um dos nascedouros do Estado de Direito. O que dizer, então, de regiões do globo como a América Latina, colocada a partir da colonização ibérica em posição periférica nas relações internacionais e que desde os primeiros anos de independência até os dias de hoje enfrenta constantes ameaças ou concretizações de rupturas institucionais por intermédio de movimentos golpistas.

É verdade que a história latino-americana é rica em exemplos de atuação de uma mídia – amadora ou capitalista – independente e fomentadora de intensos debates perante a esfera pública. Há inúmeros casos a serem trazidos à memória, tanto na sua atividade de divulgadora de notícias e pontos de vista quanto na sua ação de transmissora de entretenimento. Lembramos, neste aspecto, a contribuição das centenas de jornais operários que foram criados por todo o subcontinente nas primeiras etapas de industrialização, ou dos pequenos panfletos contestadores advindos na vigência de regimes ditatoriais. Recordamos também a contribuição dos impressos apontados como responsáveis pela realização do necessário diálogo entre a cultura e a política, caso das revistas Claridad, que, conforme lembra Patrícia Funes (2006, p. 50-51), “[...] cruzaban las letras y la política, sobre todo en el genérico espacio de las izquierdas latinoamericanas”, de modo a colocarem o intelectual ao lado de setores populares em nações socialmente desiguais como o Chile e o Peru. Lembramos, por fim, do papel de parcela da grande mídia no processo de redemocratização do Brasil na década de 1980, como a adesão do jornal Folha de S. Paulo à campanha para a realização de eleições diretas para presidente da república ou a promoção do movimento feminista pela Rede Globo de Televisão através da veiculação do seriado Malu Mulher (COSTA, 2002, p. 68 e 79-80).

Os casos acima mencionados, entretanto, não são a face exclusiva da evolução da mídia do subcontinente. Da mesma forma que sucedeu em países como os Estados Unidos da América, os meios de

comunicação, especialmente os racionalmente organizados sob a proteção do capital, souberam por vezes valer de seu poder na esfera pública para, em conjunto com grupos políticos ou econômicos, trabalhar a opinião dos cidadãos em torno de interesses hegemônicos.

A peculiaridade da grande mídia da América Latina reside no fato de ter transposto em algumas ocasiões os limites da juridicidade para o apoio direto e explícito a subversões à ordem democrática e para o suporte à instauração ou à sobrevivência de regimes ditatoriais. Esta circunstância fez- se presente desde o primeiro século de independência política, como, por exemplo, no México, onde o ditador Porfírio Dias, no longo período que permaneceu no poder (1876-1911), auxiliava economicamente o jornal El Imparcial, possibilitando que seus exemplares fossem vendidos ao preço de centavos, de modo a eliminar a concorrência (ZANETTI, 1994, p. 512).

Reclama a atenção, porém, o final do século XX, período em que muitas nações do subcontinente atravessaram profundas mudanças no sistema econômico, especialmente pelo processo de industrialização substitutiva de importações, em uma aliança que reuniu o capital estrangeiro, o Estado e as empresas nacionais, de modo a excluir a massa operária e camponesa. A partir do momento em que explodiram as reivindicações desta parcela excluída - mormente entre as décadas de 1950 a 1970 - a grande mídia, assumindo a posição de instrumento de manutenção da hegemonia das elites beneficiárias do modelo que estava sendo implementado, passou, de forma geral, a apoiar movimentos golpistas. Tornou -se, em outras palavras, importante aparelho de conspiração contra qualquer governo democrático que fizesse alguma concessão aos setores populares.

Exemplos não faltam a esse respeito. Há, assim, as ações do brasileiro Carlos Lacerda na utilização do seu Tribuna da Imprensa na tentativa de golpe ocorrida em 1955 e na derrubada de João Goulart efetivada em 1964, ruptura que também recebeu os aplausos dos grupos midiáticos O Globo, Folha da Manhã e O Estado de São Paulo, conforme analisado mais adiante. Têm-se ainda o caso jornal El Mercúrio do Chile, que não apena s deu suporte à derrubada do presidente Salvador Allende em 1973, como apoiou a ditadura de Pinochet, sem embargo das notórias violações aos direitos

humanos praticadas por quase duas décadas; ou também o apoio dado pelo jornal El Clarín ao golpe militar comandado por Jorge Videla na Argentina em 1976 (BORGES, 2009, p. 36-38).

Recentemente, em alguns países da região, com a ascensão ao poder de grupos políticos alheios às antigas oligarquias locais – segundo Boaventura de Sousa Santos (2010, p. 29), oriundos de mobilizações populares e que utilizam o espaço de manobra do capitalismo global para

ampliar a legitimação democrática28 - parte da grande mídia tornou a utilizar

seus antigos métodos em favor das elites do mercado. É o que sucedeu na tentativa de golpe de Estado na Venezuela promovida em 2002 com a colaboração de emissoras como a RCTV, analisado em capítulo posterior.

Significa, então, dizer que o trabalho de propaganda dos interesses dos grupos dominantes objetivando a manutenção ou a obtenção do domínio realizado pelos principais meios de comunicação da América Latina apresenta maior gravidade do que o executado em países como os Estados Unidos da América. No subcontinente, o processo de racionalização e de concentração da grande mídia, decorrente da expansão do capitalismo, caminhou em conjunto com campanhas visando a ruptura da ordem jurídica vigente.