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Elevenes resepsjon av ”Midten” (GG:18-34)

6. PRESENTASJON AV RESULTATENE

6.3.2 Elevenes resepsjon av ”Midten” (GG:18-34)

Diante desse quadro, não havia como se esperar o êxito da população venezuelana na promoção de debates autônomos e aptos a efetivar sua influência na tomada das decisões essenciais ao destino do país. O que se tinha, pelo contrário, era a sua incapacidade de formar um saber próprio e alternativo aos sistemas oficial e econômico, tornando-a submissa a distorções realizadas pela grande mídia, tal como prognosticado por

Habermas51. E o Estado venezuelano, modelado pela Constituição de 1961,

teve papel fundamental para a formação desta realidade, expandindo o clientelismo na estruturação dos meios de comunicação.

É bem verdade que a história da mídia local não parte do sistema juridicamente montado em 1961. Os anos de fundação de dois dos principais jornais do país - o El Universal (mantido pelos herdeiros do poeta Andrés Mata, fundador da empresa em 1909) e El Nacional (gerenciado pelos herdeiros de Enrique Otero Vizcarrondo, seu fundador em 1943) – revelam,

51 S e g u n d o H a b e r m a s ( 2 0 0 3 a , p . 1 1 3 ) , “ q u a n d o t o m a m o s c o n s c i ê n c i a d a i m a g e m d i f u s a d a e s f e r a p ú b l i c a v e i c u l a d a p e l a s o c i o l o g i a d a c o m u n i c a ç ã o d e m a s s a , q u e p a r e c e s u b m e t i d a a o p o d e r e à d o m i n a ç ã o d o s m e i o s d e c o m u n i c a ç ã o d e m a s s a , c r e s c e n o s s o c e t i c i s m o c o m r e l a ç ã o à s c h a n c e s d e a s o c i e d a d e c i v i l v i r a e x e r c e r i n f l u ê n c i a s o b r e o s i s t e m a p o l í t i c o . T o d a v i a , t a l s i t u a ç ã o v a l e s o m e n t e p a r a u m a e s f e r a p ú b l i c a e m r e p o u s o ” , q u e , p e l a n a r r a t i v a e x p o s t a , e r a o c a s o d a V e n e z u e l a s u b m e t i d a à c o o p t a ç ã o d e o r g a n i z a ç õ e s p o p u l a r e s e a o c l i e n t e l i s m o o f i c i a l .

por si só, que a narrativa histórica da atuação da mídia venezuelana pode partir de pontos mais remotos. Se ainda levarmos em conta os primeiros jornais amadores, temos de retornar ao século XIX, onde a imprensa “[...] fue forjadora de opiniones políticas, vehículo del saber de la época y cátedra de civismo ejemplar” (FREITES, 1981, p. 607).

Sem embargo dessas circunstâncias, a realidade é que os representantes dos sistemas econômico e político beneficiados pelo clientelismo montado pelo puntofijismo souberam utilizar os principais meios de comunicação privados como instrumentos de consolidação de sua hegemonia. Para isso, tais elites lograram a adesão da grande mídia ao regime então vigente, cooptando-a.

No caso dos meios escritos, essa adesão se deu mediante a divulgação de informações e ideias acríticas ao modelo, ocultadas sob o manto do velho discurso da objetividade e da imparcialidade. Observa, a respeito, Ernesto de Carmona Ulloa (2004, p. 121) que:

H a s t a q u e s e a g u d i z ó l a p o l a r i z a c i ó n s o c i a l e n V e n e z u e l a , s u p e r i o d i s m o f u e u n a s u e r t e d e “ m o d e l o d e m o c r á t i c o ” p a r a t o d o e l c o n t i n e n t e . S u p o g u a r d a r l a s a p a r i e n c i a s d e “ i m p a r c i a l i d a d ” y “ o b j e t i v i d a d ” m i e n t r a s s u s “ d i a r i o s m a d r e ” , c o m o E l N a c i o n a l y E l U n i v e r s a l n u n c a c o m p r o m e t í a n s u p r o p r i a o p i n i ó n . S e l a g u a r d a b a n . N o e x i s t í a e l e d i t o r i a l , u m e s p a c i o c o m l a v o z d i r e c t a y f r a n c a d e l p e r i ó d i c o , s i n o q u e u n a p á g i n a d e r e d a c c i ó n o f r e c í a e l a r c o i r i s d e l a s i d e a s d e l a s o c i e d a d , d e s d e l a i z q u i e r d a a l a d e r e c h a , f r e n t e a c u a l q u i e r t e m a o c o n y u n t u r a .

A contraprestação a esse trabalho consistiu na manutenção do domínio sobre o mercado dos diários El Nacional e, principalmente, El Universal, sendo este último então considerado “[...] la más poderosa empresa de los medios impresos, por su capital e por su influencia” (FREITES, 1981, p. 610). Mencionada circunstância não foi alterada nem mesmo com o crescimento econômico sucedido no auge da renda petrolífera na década de 1970, o qual veio desacompanhado do desenvolvimento estrutural na propriedade sobre a imprensa escrita, perdurando o verdadeiro duopólio em favor dos jornais citados (ULLOA, 2004, p. 124).

Enquanto a mídia impressa teve sua estrutura mantida, a propriedade sobre a mídia eletrônica – em especial as emissoras de televisão – teve sua estrutura construída pelo esquema então vigente. É que o regime

anterior havia feito opção pela prevalência do modelo estatal como estratégia de legitimação do governo ditatorial de Pérez Jiménez (MARINGONI, 2010, p. 163), implementando o modelo privado de forma apenas subsidiária, via fundação da Televisa Venezuela e da Radio Caracas Televisión (RCTV) em 1953.

Foi com a entrada em vigor da democracia bipartidária que as emissoras comerciais passaram a exercer papel prevalecente sobre as estatais. Marco fundamental para isso foi o apoio dado pelo então presidente do país, Rómulo Betancourt (AD), à aquisição da Televisa Venezuela em 1960 por Diego Cisneros.

Diego era um cubano que chegou ao solo venezuelano em 1928, responsável pela criação da Organização Cisneros. Onze anos depois de ingressar no país, começou a fazer fortuna com a obtenção da concessão da Pepsi Cola Internacional da Venezuela. Em 1960, expandiu seus negócios para a área das comunicações, fundando, em substituição à empresa Televisa, a concessionária Venevisión, que encerrou o século passado obtendo em média 30% da audiência nacional, conforme noticiado por empresa de medição (AGB VENEZUELA, 2000, p. 1). Com esse poder conquistado, o grupo Cisneros teve a possibilidade de ampliar seus investimentos, estendendo sua influência para além da televisão, alcançando as rádios pela fundação em 1997 de uma das principais emissoras venezuelanas, a FM Center. Ao longo dos anos, o grupo adquiriu ainda o controle acionário da emissora paga Venevisión Internacional, da provedora de conteúdo espanhol veiculado em canais latinos dos Estados Unidos Univision Communications Inc., da companhia de telefonia móvel Movida, da empresa de meios e entretenimento Claxson Interactive e da distribuidora de sinal via satélite DirecTV Latin América. Além disso, o grupo teve participação em estações de televisão na América Latina e Caribe (ChileVisión e Caribbean Communications Networks), em franquias da locadora Blockbuster e da Apple Computer Inc., e em filial da operadora de telefonia móvel AT&T. Tamanha a expansão global de seus negócios que, no final do século passado, 80% das atividades do grupo concentravam-se fora da Venezuela (ULLOA, 2004, p. 157-158; ROVAI, 2007, p. 157).

A RCTV também se expandiu após a instauração do clientelismo bipartidário. Sob a direção da Organização 1BC, a pequena emissora da época ditatorial de Pérez Jimenez soube tirar proveito do modelo privado que passou a predominar no país, transformando-se em um robusto empreendimento que, no final do século XX, obteve em média 32% da audiência nacional, conforme divulgado em informe de empresa de medição (AGB VENEZUELA, 2000, p. 1). Todo este vigor permitiu que o grupo mantivesse e estendesse suas atividades em outros ramos das comunicações, controlando ou detendo parte do controle de importantes estações de rádio - como a Radio Caracas Radio (no ar desde 1930), a 92.9 TuFM e a Rumbera Network (criadas, respectivamente, em 1989 e em 1994) - e influindo ainda na produção de livros e na indústria de espetáculos e de publicidade (ULLOA, 2004, p. 133).

No período final de vigência do Pacto de Punto Fijo, outras emissoras de televisão de cobertura nacional foram criadas, como a transmissora de programação variada Televen (1988), a especializada em telejornalismo Globovisión (1994) e a veiculadora de programação esportiva Meridiano Televisión (1999). Tal circunstância, porém, não eliminou o verdadeiro duopólio televisivo (ULLOA, 2004, p. 113) em favor da Organização Cisneros e da Organização 1BC, a ponto de, em 2006, ano anterior à medida da não renovação da concessão RCTV, ambas auferirem sozinhas 75% dos rendimentos brutos de todas as emissoras do país (VENEZUELA, 2007a, p. 26).

Essas circunstâncias não querem dizer que não tenha existido conflitos entre tais organizações e as elites que exerciam o domínio sobre o sistema estatal. Durante a vigência do Pacto de Punto Fijo, a própria RCTV foi obrigada em algumas ocasiões a suspender sua programação por determinação oficial, acusada de divulgação de notícias falsas (1976), de sensacionalismo (1980) e de pornografia (1981) (MORAES, 2011, p. 148). Eventos como esses, porém, jamais levaram as emissoras privadas de televisão a deixar de colaborar na formação do consenso favorável ao regime,

veiculando, como contraprestação ao arcabouço construído, programação

acrítica ao modelo democrático na época implantado52.

Eis a herança deixada pelo clientelismo. A atribuição de

promover medidas positivas visando a implementação de direitos

fundamentais - concedido ao Estado por uma Constituição consagradora de direitos coletivos inerentes ao Welfare State - foi utilizada para a promoção de estrutura oligopolista nos meios de comunicação; que, nesta condição, fortaleceram seu poder de, na expressão de Habermas (2003b, p. 221), cunhar

o raciocínio dos cidadãos em favor de interesses hegemônicos do sistema e

em prejuízo da autonomia de uma esfera pública anestesiada pela renda fácil do petróleo.