• No results found

Rutiner i utarbeidelse av IOP

In document Vurdering for læring og IOP (sider 49-52)

5. Diskusjon

5.1 Utarbeidelse og anvendelse

5.1.1 Rutiner i utarbeidelse av IOP

A composição das capas das revistas, tanto de uma quanto de outra editora, é bem colorida, com letras de diversos tamanhos e fontes, destacando as matérias nos mais variados assuntos de beleza, boa forma e saúde. Dentre os destaques, o letreiro apresenta a beldade do mês e ensaia o foco da reportagem.

Visualizamos palavras com valoroso apelo à luta e empenho para aquisição do corpo apresentado: “mais poderosa”, “mais sarada”, “rainha absoluta”, “ainda mais perfeita”, “ curvas afinadas”, “enxugar medidas”, “afinou as curvas”, “descobriu um jeito de acabar com a celulite”, “quem diria que ela é mãe de gêmeos?”, “redesenhou o corpo”, “diva iluminada”. Ao longo dos textos e de forma recorrente, como veremos, a grande maioria das revistas trás as expressões referidas.

Tais expressões estão em destaque certamente visando despertar ou aumentar o interesse por mais informações e, portanto, pela aquisição de exemplares das matérias aludidas. As imagens mostram corpos sem marcas na pele que indicam imperfeição estética, seja pela ausência das rugas faciais, das pintas na pele, dos diferentes tons que naturalmente aparecem no corpo ou nas marcas de cicatrizes ou qualquer outra considerada imperfeição. Não há lugar para marcas do tempo, manchas de sol ou traço indicativo do evidente: um corpo vivido, marcado, com memória e história.

O consumo das revistas, sua impressionante tiragem de 300 mil exemplares a cada mês certamente pode ser associado à promessa que vem embutida: rejuvenescer, ser feliz e saudável é a matéria do dia, incessantemente atualizada e respaldada nas imagens perfeitas das modelos.

“Linda e magra depois de três filhos, ela conta como conseguiu dar essa virada.” (RBF11);

“Ainda mais perfeita, (se é que é possível)”. (RCC05);

“Saiba como ela conquistou esse corpo esculpido.” (RCC07); “Continua com o corpão de dar inveja”. (RBF09).

São muitos os desdobramentos que podemos encaminhar a partir desse aspecto, entre eles a negação do envelhecimento, o hedonismo dos começos perpétuos de confecção dos corpos, sempre com uma nova tecnologia a ser testada, em concordância como o que nos adverte Lipovetsky (2006).

A tecnologia digital aliada à ciência trabalha para encher os olhos dos receptores com a imagem ideal, mas possível de ser conquistada! Pelo que estamos analisando, é necessário ter e manter dedicação exemplar, disciplina constante e não sair da linha. Eis uma condenação semelhante vivida pelo personagem da mitologia grega Sísifo, destinado a repetir a mesma tarefa infinitamente: carregar uma pedra da montanha ao topo. Ignorante de sua tarefa diária e querendo manter-se distante da

morte, o herói do absurdo segue executando a monótona maquinaria de levar a pedra ao topo até que ela role montanha abaixo mais uma vez. Novos (velhos) Sísifos?

Soares (2008) explora o que chama de trabalhos das aparências em seu estudo sobre a educação dos corpos. Corroborando com nossas reflexões, há uma verdadeira cultura do visual, potencializada pela tecnociência, que alimenta uma “atenção obsessiva e exagerada ao corpo.” O visível está liberado da prisão da idade, fazendo da juventude uma norma de vida. As marcas do tempo precisam sumir, seja pela intervenção do bisturi ou do fotoshop. É preciso ser jovem aos 20, aos 30, aos 40, aos 70 anos de idade.

Todos os corpos são magros, com curvas mais acentuadas na cintura, mas sem aumento abdominal de modo que a ideia de magreza vem diretamente vinculada, ainda mais, com expressões do tipo “seca”, “chapada”, “enxuta”, “sarada”. Ideias que pontuam o esforço do trabalho dirigido à forma evidenciam-se com fases de efeito: “o treino e o cardápio que garantem este corpo”, “redesenhou o corpo”, “recuperou a forma”.

Falar de aparência corporal implica referir-se aos saberes que constituem tais verdades imagéticas. Saberes consolidados cuja anatomia como ciência do visual tem um peso valoroso. (SOARES, 2008). Há a produção de subjetividades que se alimentam na construção do desejo por certas aparências, em detrimento de outras. Ora, se a gordura se transforma em vilão, se a consistência muscular valorizada é a rígida, malhada, se a beleza se cola a juventude, os modelos ideias são os que repostam a convergência desses ingredientes. A norma da vida é a performance, a excelência corporal. A confecção do corpo pode ser construída ao “diminuir o abdômen e aumentar e diminuir sua musculatura; aumentar e definir os glúteos, endurecer a musculatura das coxas, aumentar ou diminuir os seios, fortalecer a musculatura da vagina” (p.76) todas discursivas comuns difundidas e atravessadas pelos significantes do campo médico, especialmente do corpo organismo em sua anatomia, objetivando a excelência corporal.

Tratando das imagens impressas nas capas, percebemos semelhanças entre as famosas, marcadas pelo que Lipovetsky (2006) denomina erradicação dos critérios de diferença, pois todas as belas parecem muito umas como as outras, em série, idênticas, seja pela circunferência do abdome, pelo tom de pele, expressão facial, marcando a diferença em detalhes dos assessórios e adereços que as embelezam.

Percebemos que há, conforme nos indica Silva (2001), um destaque da mídia e da ciência para a universalização de medidas do corpo feminino, por pesquisas comparadas nas últimas quatro décadas, apontando à generalização da estética da magreza. No Brasil, “a disseminação de uma expectativa de corpo baseada na estética da magreza é bastante grande e a presenta uma enorme repercussão, especialmente se considerada do ponto de vista da realização pessoal.” (p.3).

As mensagens das revistas analisadas imprimem efeitos na subjetividade das leitoras, construindo referências de beleza e de sucesso pautadas em corpos esguios, assépticos e vitoriosos. A grande questão que apontamos é que por mais desejado que possa ser esse corpo de papel, ele está distante de revelar a pluralidade dos corpos das leitoras e por isso mesmo se tornam corpos fetiche, admirados e desejados. Afinal, quanto mais distantes se posicionam, maior o percurso para a conquista do sonho e também maiores os investimentos publicitários na dimensão desejante da consumidora.

No corpo da matéria, as modelos estão muito bem produzidas, com roupas que mostram abdome, braços e pernas e acessórios que enfeitam peças mínimas como biquínis, maiôs e, em apenas um caso, um curto vestido. Das seções analisadas, quinze famosas são atrizes em evidência por protagonizarem papeis de destaque em novelas; outras sete são apresentadoras das emissoras abertas mais assistidas no país, sendo duas ex-modelos, outra cantora e ainda uma topmodel internacional.

Com as revistas em mãos, fomos abrindo as páginas, nos aproximando do texto e das imagens e analisando de forma crítica o discurso, tomado aqui como manifestação viva da ideologia dominante e difundida como natural no cotidiano das leitoras dos magazines. Olhar mais de perto nos permitiu perceber que estamos diante de uma teia de imagens e textos combinados que apontam revelações e confidências na trama de um corpo em eterna confecção. Vejamos.

In document Vurdering for læring og IOP (sider 49-52)