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4. CHAPTER 4 - ANALYSIS

4.2 S ECOND RESEARCH QUESTION

4.2.1 RQ2 Initial results and findings

Os fluxos das parcerias econômicas dos BRICS têm na Figura 15 a representação cartográfica para demonstrar os volumes do comércio exterior empreendidos entre os quatro países durante o período de 2001 a 2010. Para Santos (2010, p. 26) “O mapa mostra [...] o papel que a China vem assumindo ao trazer os demais países do BRIC para sua órbita”.

Figura 15 – Fluxo da corrente de comércio entre os países BRICS

Fonte:UNComtrade, 2013

Desenho: Leandro Bruno Santos, 2014.

A corrente de comércio praticada pelos quatro países BRICS representou aproximadamente 11,69% dos fluxos totais entre as importações e as exportações efetuadas por todos os países do globo no período estudado. Quando a análise é restringida à variável exportação no âmbito global, observa-se que os BRICS foram responsáveis por aproximadamente 12,91% desta modalidade no comércio exterior. Suas importações representaram mais de 10,51% desta atividade econômica em todo planeta. Em 2001 o cenário configurava outra realidade. Neste ano os BRICS representaram 7,00% da corrente de comércio mundial, 6,27% das importações globais e 7,75% das exportações do planeta. Mas, em 2010, verifica-se o aumento da participação relativa dos BRICS na corrente de comércio. Os quatro países passaram a representar 15,24% dos fluxos do comércio exterior, 14,32% nas importações e 16,16% nas exportações. O aumento de 2001 para 2010 oscilou positivamente 428,95% na corrente de comércio do bloco BRICS. O crescimento da corrente de comércio dos BRICS foi maior que o desenvolvimento desta modalidade em âmbito global. A corrente de comércio mundial cresceu 142,96% de 2001 para 2010, variação bem inferior ao alcançado pelo conjunto dos BRICS.

A Figura 15 apresenta a corrente de comércio entre os quatro países BRICS no estabelecimento de parcerias no comércio exterior que totalizaram estimativas superiores a quantia de U$1,7 trilhões. Este valor equivale à soma dos dez anos estudados e constitui a aproximadamente 7% das transações BRICS na corrente de comércio global, mecanismo comercial em que os quatro países efetuaram com as demais nações do mundo.

A força econômica da corrente de comércio dos BRICS é essencialmente estabelecida pela China. Silva e Peruffo (2012, p. 182) identificam que “Em 2009, a China ultrapassou a Alemanha como maior exportadora mundial e, em 2010, passou à frente do Japão como a segunda maior economia [do planeta]”. Os chineses foram responsáveis por 7,50% da corrente de comércio mundial. Seu destaque estratégico ocorre nas exportações globais, sua participação nesta variável econômica consiste em 8,22% das exportações registradas em todo o mundo durante o período analisado. As importações conferem à China a fatia de 6,81% das transações internacionais registradas nesta modalidade de comércio exterior.

É notável a relevância chinesa demonstrada pela Figura 15. A corrente de comércio estabelecida entre os BRICS é acentuada com o protagonismo exercido pela China. Pois, a economia chinesa é responsável por quase a metade do fluxo da corrente de comércio intra–BRICS. O país foi responsável por 47,29% das transações de importações e exportações efetuadas entre os BRICS no período de 2001 a 2010. Este índice corresponde a aproximadamente U$837 bilhões do montante superior a U$1,7 trilhões. A participação média dos demais parceiros na corrente de comércio intra–BRICS representa a seguinte proporção: Brasil, 15,45%; Rússia, 20,57%; e Índia, 16,69%. Mas, é extraordinária a queda da Rússia na participação proporcional das transações intra–BRICS. Em 2001 os russos representavam 26,25% e em 2010 alcançaram 18,36%. Brasil e Índia aumentaram a projeção intra–BRICS. Respectivamente obtiveram a seguinte participação na corrente de comércio entre os parceiros do bloco: 2001, Brasil correspondia a 14,73% e em 2010 alcançou 17,85%; Índia representava 11,97% e em 2010 ficou com participação pouco superior à brasileira, aumentou para 17,98%.

A China é o país chave dos BRICS e pratica uma política comercial estratégica e assimétrica com os demais parceiros do bloco. Naturalmente, é o ator central na representação econômica da corrente de comércio deste grupo de nações emergentes. Os chineses mantêm liderança nas relações bilaterais com cada um

dos países BRICS no fluxo comercial, ou seja, ela é a parceria preferencial do Brasil, da Rússia e da Índia. Santos (2010, p. 25) destaca que as transações bilaterais entre os parceiros BRICS são caracterizadas pela “[...] ampliação do comércio entre eles e a dependência com relação à China”.

Verifica-se que, entre os países dos BRICS, a Rússia é o maior parceiro econômico da China, sob o aspecto das transações efetuadas na corrente de comércio do bloco de nações. A Rússia representa 38,39% da corrente de comércio chinesa no âmbito dos BRICS. Enquanto que a China é o parceiro efetivo em mais de 78% do fluxo da corrente de comércio dos russos no bloco BRICS. Recentemente, Rússia e China anunciaram um gigantesco acordo de cooperação energética. A Rússia vai fornecer 38 bilhões de metros cúbicos de gás natural à China por um período de 30 anos e o valor de acordo está estimado em US$ 400 bilhões. Para Marcus (2014), esta estratégica parceria comercial “[...] pode simbolizar um momento importante de transição, quando, tanto em termos econômicos quanto geopolíticos, o olhar da Rússia começa a se voltar mais para o Oriente do que para o Ocidente”. Esta aproximação comercial tem conotações explícitas nas estratégias geopolíticas de ambos os países. Afinal, a Rússia é grande produtora de energia (gás natural e petróleo) e a China está em franco desenvolvimento e necessita cada vez mais destes recursos.

No caso brasileiro, verifica-se que a Rússia é o segundo parceiro de maior fluxo comercial entre os BRICS. O Brasil efetua com os russos um volume de exportações estimado em 18% dos seus produtos destinados aos BRICS. Este profícuo cenário é apontado por Silva e Peruffo (2012, p. 192) quando analisam as relações comerciais entre Brasil e Rússia desde o início do século XXI. Os autores consideram ser “[...] clara a tendência de aumento da corrente de comércio entre os dois países” (SILVA; PERUFFO, 2012, p. 192). Mas, entre os BRICS, a Índia é o parceiro brasileiro de maior expressão nas importações. Os indianos são responsáveis por mais de 13% das importações brasileiras efetuadas no interior do bloco. Desta forma, as transações da corrente de comércio entre Brasil e Índia superam 11% dos volumes comerciais no grupo BRICS. Apesar de a Índia ser considerada por Dupas (2006, p. 348) como “[...] o mais protecionista dos quatro

maiores países periféricos na WTO12”; este autor ainda afirma que sua economia

“[...] demonstra uma pronunciada característica não-exportadora” (DUPAS, 2006, p. 348), embora Silva e Peruffo (2012, p. 195) apontam que “As relações comerciais entre Índia e Brasil são institucionalizadas pelo acordo entre Índia e MERCOSUL, uma vez que não há acordos comerciais bilaterais entre os dois países”. Vieira (2009, p. 119) ressalta que “[...] o potencial de comércio entre Índia e Mercosul é de 12 bilhões [de dólares]”. Neste aspecto, o Brasil seria o país mais beneficiado entre os parceiros do bloco sul-americano. Afinal, usufrui de uma liderança geopolítica e é a maior economia da região. A China é atualmente o maior parceiro comercial do Brasil, dentro e fora do BRICS, e esta preferencial posição que os chineses usufruem era antes ocupada pelos Estados Unidos. Apesar de o gigantismo chinês ser uma ameaça aparente, Schymura (2013, p. 23) considera que “Brasil e China têm muito a ganhar com o aprofundamento das duas relações, não só em termos de comércio e investimentos, mas também na troca de conhecimento e experiências”.

A Figura 15 explicita uma realidade pragmática no âmbito das relações do comércio exterior entre os BRICS. A representação gráfica permite a seguinte análise: quanto maior a proximidade geográfica maior é a relevância geopolítica para constituir parcerias comerciais. Santos (2010, p. 26) indica duas características a este aspecto: “Primeiro, a China leva vantagem sobre os demais parceiros porque, com uns mais, com outros menos, possui superávit comercial. Segundo, as relações comerciais são mais intensas entre os parceiros asiáticos”. Pois, os custos da logística e os interesses políticos e fronteiriços são emergentes e prioritários.