4. CHAPTER 4 - ANALYSIS
4.2 S ECOND RESEARCH QUESTION
4.2.3 RQ2 Emergent themes
A apresentação quantitativa das práticas de cooperação entre os pesquisadores dos países BRICS servem para demonstrar o envolvimento científico do bloco. Afinal, “A colaboração científica é um processo fundamental para o desenvolvimento científico de alguns países e de algumas áreas do conhecimento” (LETA; CRUZ, 2003, p. 154). Assim, as parcerias estabelecidas pela colaboração científicas dos BRICS foram mensuradas a partir da incidência de coautorias de pesquisadores entre os quatro países.
O número de coautorias relacionadas a pesquisadores dos quatro países BRICS corresponde a um montante de 27.918 ocorrências. Esta quantia foi levantada diretamente na base Scopus e são referentes ao período de 2001 a 2010. Ressalta-se que o cálculo considerou a somatória por países BRICS. Desta forma,
os valores foram acumulados e os resultados foram duplicados entre os países, conforme apresentado na Tabela 10. Mas, quando o cálculo descarta as duplicações verifica-se que o montante de coautorias corresponde a 13.959 incidências. Estes dados foram fornecidos pela própria base Scopus, a partir dos mecanismos disponibilizados para filtro da pesquisa. É importante informar que não houve interesse deste estudo em procedimentos mais rebuscados que visem uma análise qualitativa, mas, sim, uma descrição quantitativa apenas para verificar a intensidade desta relação cooperativa na ciência produzida pelos países BRICS. Os critérios adotados no levantamento foram práticos e utilitários, sem maiores interesses em especificações e complexidades no empreendimento da busca. O procedimento está centrado apenas na identificação quantitativa da incidência deste indicador da produção científica.
Tabela 10 - Colaboração científica entre os países BRICS, 2001 a 2010
BRASIL RÚSSIA ÍNDIA CHINA BRICS BRASIL - 2.050 1.601 1.529 5.180 RÚSSIA 2.050 - 1.932 3.986 7.968 ÍNDIA 1.601 1.932 - 2.861 6.394 CHINA 1.529 3.986 2.861 - 8.376 TOTAL 5.180 7.968 6.394 8.376 27.918 Fonte: Scopus, 2013.
Destaca-se que a distribuição apresenta maior equilíbrio do que as relações destes países na corrente de comércio, conforme apresenta a Tabela 10. Os chineses lideram as coautorias com 30% dos registros compartilhados entre os países BRICS. A Rússia foi responsável por 28,54% das incidências colaborativas efetuadas pelos quatro países. A Índia apresentou 22,90% do número de coautorias intra–BRICS. O Brasil foi o país BRICS que menos colaborou entre os parceiros do bloco. Os brasileiros representaram 18,55% das participações em coautorias entre os pesquisadores originários das quatro nações.
Em tese, a estrutura é a mesma que a verificada na corrente de comércio. A China mantém a Rússia como seu maior parceiro no âmbito da colaboração científica, assim como ocorre nas relações comerciais entre os países BRICS. A incidência da atuação em coautoria entre chineses e russos constitui o montante de 3.986, conforme levantamento na base Scopus. Este total de ocorrências representa 14,28% da quantidade de coautorias empreendidas no âmbito intra–BRICS.
Assim como a China, o Brasil manteve a Rússia como o parceiro preferencial entre os BRICS para publicação científica. As coautorias entre pesquisadores do Brasil e da Rússia somaram 2.050 ocorrências, número que representa 7,34% no total das colaborações científicas praticadas entre os países dos BRICS.
As relações da Índia foram preferenciais com a China na colaboração científica, assim com ocorreu na corrente de comércio. Os pesquisadores indianos cooperaram em 2.861 ocorrências de coautoria com os chineses. Esta quantidade equivale a 10,24% do total de coautorias científicas efetuadas entre os países BRICS.
Verifica-se que a colaboração científica entre os quatro parceiros não apresenta grande impacto em relação à produção científica do bloco BRICS e nem mesmo na totalidade das publicações creditadas a seus países membros. Os 27.918 registros representam 1,01% da produção científica BRICS e apenas 0,16% das publicações globais indexadas na Scopus durante o período analisado. Em relação à proporção por país, considera-se a seguinte característica: o Brasil é o país BRICS com menor incidência colaborativa com o grupo e apresentou 5.580 ocorrências de coautorias, quantidade que representa 1,81% da sua produção científica; a Rússia tem o segundo maior número de publicações em coautoria com os BRICS e seus pesquisadores mantêm parceria preferencial com os chineses, as publicações russas de autoria compartilhada entre os demais BRICS somaram 7.968, equivalente a 2,38% das publicações científicas russas; referente à Índia, foram levantados 6.394 ocorrências de coautorias, quantia que equivale a 1,46% do total da sua produção científica; e a China prevalece no topo em mais este quesito. Os pesquisadores chineses foram agentes de coautoria com os parceiros BRICS com 8.376 registros, o que representa apenas 0,49% da produção científica chinesa.
É evidente que a colaboração científica entre os países BRICS não representa significativo impacto na produção científica do bloco ou mesmo em cada um dos seus países membros. Mas, simbolicamente conotam uma tendência e potencialidade de crescimento. Esta característica pode ser vislumbrada com a Tabela 11 que apresenta a variação do crescimento da colaboração científica entre os países do bloco BRICS do ano de 2001 para 2010.
Tabela 11 – Crescimento da colaboração científica intra–BRICS de 2001 para 2010
BRASIL RÚSSIA ÍNDIA CHINA BRASIL – 89,04% 383,87% 390,91% RÚSSIA 89,04% – 307,32% 294,90% ÍNDIA 383,87% 307,32% – 540,70% CHINA 390,91% 294,90% 540,70% –
Fonte: Scopus, 2013.
China e Índia demonstraram maior crescimento, enquanto Brasil e Rússia dispuseram da menor variação no aumento das colaborações científicas.
A comparação entre as Figuras 15 e 16 mostram que o Brasil está deslocado geograficamente do núcleo asiático, composto por Rússia, Índia e China. O que parece um empecilho em uma primeira análise, mas pode ser uma oportunidade estratégica. Afinal, o Brasil potencializa relações entre os demais parceiros BRICS com os membros do MERCOSUL (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela) e com os países da América Latina. Pois, a liderança geopolítica brasileira é proporcional à sua extensão territorial, ou seja, um gigante político e economicamente para a região. E, a China é o país BRICS que mais demonstra interesses nestas características estratégicas para parcerias efetivas. Os benefícios são mútuos na aproximação de brasileiros e chineses. E, isto se estende ao campo científico. Afinal, “[...] os chineses promovem uma troca constante de conhecimento entre empresas e academia” (IAQUINTO, 2013, p. 27). Pressupõe que quanto maior for a proximidade comercial do empresariado brasileiro com as empresas chinesas, maiores são as chances de parcerias para geração de novos conhecimentos. Logo, os centros de pesquisas de ambos os países podem estender relações de parcerias efetivas que culminem no desenvolvimento compartilhado da produção científica.
Iaquinto (2013) apresenta características essenciais do Brasil e da China que podem favorecer a ambos os países. De acordo com o autor:
Enquanto o país asiático investiu e investe em formas de assimilar tecnologias produzidas internacionalmente para, assim, incrementar e criar sua própria base tecnológica e, consequentemente, inovar, o sul-americano dá mais atenção à pesquisa científica e segue a linha adotada no campo industrial, a do protecionismo (IAQUINTO, 2013, p. 26).
A figura 16 representa o fluxo que caracteriza o relacionamento dos quatro países dos BRICS na consolidação de práticas de coautorias científicas.
Figura 16 – Fluxo da colaboração científica entre os países BRICS, 2001 A 2010
Fonte: Scopus, 2013.
Desenho: Leandro Bruno Santos, 2014.
Destaca-se que as relações de cooperação entre China e Rússia configuram as ligações mais fortes do bloco BRICS, apesar de haver uma dinâmica que contempla todos os participantes do grupo. Mas, a visualização dos laços entre Rússia e China demonstra um evento de maior intensidade que caracteriza a formação dos elos mais profícuos do processo de colaboração.
Apesar de haver menor intensidade nas demais ligações, verifica-se que a Rússia é um parceiro estratégico tanto para China quanto para o Brasil. A Índia apresenta maior envolvimento com a China.
Em geral, a Tabela 10 e a Figura 16 demonstram que as relações entre os parceiros do bloco BRICS encontram-se em uma dinâmica sem acentuadas assimetrias, embora a China exerça maior evidência no grupo. Assim, este país é o ator mais relevante. Mas, sem prevalecer expressivas discrepâncias, como ocorrem nas relações da corrente de comércio. A Rússia demonstrou maior atividade com os parceiros do bloco em relação à colaboração científica do que com as transações comerciais com seus parceiros BRICS. Entre os quatro países, Brasil e Índia são os que menos apresentaram incidência nas coautorias científicas.