6. Analysen av Karen, moren uten barn
6.1 Romanens form speiler Karens opplevelse av situasjonen
A composição do grupo foi realizada a partir da demanda pré-existente para atendimento psicológico na Clínica Escola da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Essa é uma Clínica Psicológica que foi fundada no ano de 1980, sendo um órgão complementar da UFU, vinculada ao Instituto de Psicologia. Nesse contexto, a Clínica constitui-se em campo de estágio supervisionado obrigatório, atendendo a diversos tipos de queixa da comunidade e encontrando modalidades terapêuticas variadas. Além disso, esse também é um espaço que se constitui para os estudantes do curso de Pós-Graduação de Psicologia da UFU, que realizam pesquisa na área clínica ou afins.
Assim, os atendimentos propostos por essa pesquisa foram realizados em uma das salas da Clínica. Essa sala era pequena, com espaço para as dez cadeiras em roda e uma mesa logo atrás, com duas cadeiras para a equipe reflexiva. Os encontros ocorriam com periodicidade semanal, tendo duração de 1h30, pelo período de 3 meses, totalizando 12 sessões. Após o término da intervenção (12 sessões), foi realizada ainda uma sessão individual com os participantes do grupo, com duração máxima de 1h30. O objetivo foi conversar sobre o processo de participação no grupo, e quais os significados que as cartas tiveram para eles. Para nortear essa conversa, foi pedido aos pacientes que, em casa, escrevessem uma carta, contando como havia sido para eles receber cartas da terapeuta. Essa carta feita por eles e seria lida na entrevista individual final. Apenas um paciente não escreveu a carta. Os demais a escreveram, voltando o foco de escrita para o processo do grupo e de mudança.
Rasera e Japur (2001, 2003, 2004), influenciados pelas contribuições construcionistas sociais, propõem uma redescrição da terapia de grupo, definindo-a como uma prática discursiva, ou seja, como forma de criar realidades relacionais por meio da linguagem. Ao adotar a perspectiva construcionista social, como referência para reflexões no processo grupal, ocorre um questionamento do caráter natural e essencial das definições de grupo. Com isso, o ato de redefinir o grupo teoricamente implica em redescrições práticas, construindo o grupo de determinados modos e não de outros. Rasera e Japur (2005) complementam, afirmando que
esta redescrição implica outras ainda: o contrato grupal é o meio de delimitar algumas condições de produção de sentido; a composição grupal é um processo de negociação entre terapeutas e participantes; o terapeuta atua como um parceiro conversacional, e a duração do grupo é definida a partir do entendimento do grupo como uma intervenção ético-política (p.34).
Norteados por essa perspectiva, a terapeuta buscou no grupo pesquisado: construir um contexto no qual o significado fosse co-construído entre ela e o grupo, assim como com os indivíduos do grupo uns com os outros; manter uma postura aberta para o questionamento e a reflexão; exercer uma escuta aberta, curiosa, atenta para o não-dito; assumir uma postura de interesse genuíno; ter uma participação ativa, buscando pontuar histórias e clarear fatos quando necessário; organizar e dar coerência para as histórias vividas pelos clientes.
Como modelo de atendimento, adotamos o proposto por Andersen (1999), que implica na presença de uma equipe reflexiva no contexto grupal, como descrito anteriormente. Dessa forma, a pesquisadora atuou como terapeuta de campo coordenando as conversas grupais, e a equipe reflexiva formada por duas terapeutas colaboradoras de pesquisa mantiveram uma posição de escuta, compartilhando suas reflexões no momento em que eram solicitadas pela terapeuta.
Antes do início dos atendimentos em grupo, foram realizadas duas entrevistas individuais com os prováveis participantes (com duração de 1h30 cada), tendo o objetivo de “acolhê-los” e “prepará-los” para o grupo. Esse modelo de seleção e preparação para o processo grupal é o mesmo utilizado por Rasera e Japur (2007), no qual a primeira sessão, denominada “sessão de acolhimento”, tem como objetivo acolher a demanda dos pacientes e investigar as situações recentes de suas vidas, pensando na possibilidade dessa pessoa compor o grupo. Ao término das sessões individuais iniciais, a pesquisadora e o orientador se reuniram a fim de discutirem a composição grupal. Para sistematizar a tarefa, imaginaram como aquelas pessoas estariam juntas, quem conversaria com quem, quem se apoiaria. O processo de composição grupal foi feito ainda levando em consideração alguns fatores: o interesse na participação de um trabalho em grupo, a disponibilidade de horário e a construção de um pedido no discurso. Finalizando essa etapa, todos os participantes foram re-agendados, para que realizassem uma sessão de preparação com aqueles selecionados para o grupo e dar novo encaminhamento para os que não participariam do trabalho proposto. As pessoas que não fariam parte do processo foram encaminhadas para atendimentos individuais na própria Clínica Escola.
Onze pessoas participaram da sessão de preparação para o grupo, que tinha como objetivos principais: 1) aproximar o terapeuta de cada participante; 2) apresentar os objetivos do grupo; 3) conversar sobre como se espera que as pessoas participem; 4) apresentar o contrato grupal; 5) esclarecer possíveis dúvidas dos participantes em relação ao grupo; 6) explicar detalhadamente as condutas desta pesquisa. Essas conversas iniciais buscam promover um contexto dialógico, além de preparar a pessoa para o grupo. Promove-se uma participação mais produtiva dos participantes, diminuindo expectativas irrealistas e, conseqüentemente, o nível de atrito e ansiedade grupal, assim como a taxa de abandono. A
conversa se projeta para o futuro, e busca antecipá-lo. Nessa fase, apenas uma pessoa desistiu de sua participação, dizendo não se sentir a vontade na realização de trabalho em grupo.
Pensando em maneiras de descrever esse grupo, que foi se construindo durante os encontros, alguns questionamentos se fazem presente, tais como: Quais critérios devem ser utilizados para descrever um grupo? Qual a influência do contexto para a formação desse grupo? De onde essas pessoas se originam? Quais histórias as acompanham? O que deve ser ressaltado e o que se silencia na descrição? Quais cuidados devem ser tomados nesse processo?
Seja descrever um grupo ou outro objeto qualquer, o que será apresentado como verdade narrativa dependerá do sujeito que realizará a descrição, tendo como base os intercâmbios sociais que foram gerados nas relações. Assim, a descrição aqui construída será apenas uma das possíveis versões das muitas descrições possíveis sobre o grupo, não existindo um único discurso sobre ele e as pessoas que o compuseram. Importante salientar que esse grupo foi-se constituindo de diferentes modos, a cada encontro e em cada momento, a partir das trocas dialógicas que iam se efetivando no contexto de uma Clínica Escola.
Após as duas sessões iniciais, o grupo começou com 10 pessoas, sendo que uma delas desistiu do atendimento na segunda sessão, justificando necessitar de buscar psicoterapia individual. Por fim, os participantes eram 3 homens e 6 mulheres, com idade entre 31 e 56 anos, todos casados, oriundos de classe média e classe média baixa, com escolaridade que variava do ensino fundamental ao ensino médio (apenas um dos participantes havia feito ensino superior). Quanto à ocupação profissional, das 6 mulheres participantes, apenas 2 trabalhavam; em relação aos homens, a situação era heterogênea: manutenção de ocupação profissional em empresa, busca de trabalho, trabalho formal aliado a processo para aposentadoria. Na sessão de preparação para o grupo, uma descrição resumida dos integrantes
é apresentada aos membros do grupo, atendendo ao objetivo de antecipar o encontro e minimizar possíveis ansiedades.
No decorrer dos atendimentos, os membros do grupo respeitaram o fluxo da conversa, assim como as histórias trazidas por cada um. Inicialmente, algumas pessoas demonstravam ter necessidade em falar de seus problemas, enquanto outros se silenciavam durante grande parte da sessão. Outro ponto recorrente naquele momento baseava-se na necessidade que alguns tinham de oferecer conselhos uns para os outros. Esses aspectos foram sendo cuidados e negociados durante os encontros, a partir de um convite da terapeuta à reflexão das práticas que estavam sendo adotadas como forma de funcionamento e cuidado.
Quanto à freqüência nas sessões grupais, essa não variou de forma considerável durante os encontros. Ao final da sessão de preparação e no primeiro encontro grupal foi negociado com os participantes que eles não poderiam faltar mais do que duas sessões consecutivas e que, se faltas espaçadas ocorressem, deveriam ser justificadas ao grupo. O intuito dessa conversa é responsabilizar os membros do grupo pelo andamento e evolução dos encontros, construindo com eles um lugar de cuidado e respeito com as pessoas que o freqüentam. Apenas Aline decidiu deixar o grupo, a partir da 3ª sessão. A tabela abaixo nos permite visualizar a presença dos participantes ao longo das sessões.
Figura 1. Freqüência dos participantes ao longo das sessões
Joana Rogério Antônio Mariana Lucas Ligia Renata Elisa Aline Cibele
1ª F F P P P P P P P P
2ª P P P F P P P P P P
3ª P P P P F P P P P
4ª F P P P P P P P P
6ª P P P P P P F P F 7ª P P P P P P P P P 8ª F P P F F P F P P 9ª F P P P F F P P P 10ª P F P F P P P P P 11ª P F P P F P P P P 12ª P P P P P P P P P • F= faltaram; P= presentes
Nesse contexto, as cartas foram escritas pela terapeuta, para as pessoas que compuseram esse grupo. Buscando dar visibilidade ao processo grupal, apresentarei um quadro com as descrições dos participantes que o compuseram. Para formatar essa descrição, remeto-me aos nomes das pessoas, idade, estado civil e presença ou não de filhos, assim como à síntese da questão ou dilema apresentado à terapeuta e o pedido elaborado. Os nomes dos participantes aqui apresentados são fictícios, buscando resguardar sua identidade.
Figura 2. Quadro resumo da caracterização do problema e pedido elaborado como meta de atendimento
NOME DESCRIÇÕES DO PROBLEMA E PEDIDO
Antônio, 46 anos, casado, 2 filhos.
Muitas dores de cabeça, esquecimentos e ansiedade. Uso de medicação para ansiedade e depressão. Deseja voltar a ter uma vida sem remédios. Cibele, 35, casada,
1 filho.
Dificuldades em lidar e se relacionar com o filho. Conta ser muito ansiosa e perfeccionista. Busca ser uma pessoa mais calma e controlada.
Elisa, 42 anos, casada, 3 filhos.
Relata preocupações constantes e ansiedade. Começou a ter
esquecimentos e dificuldades para trabalhar. Quer se sentir mais segura e confiante.
Joana, 52 anos, casada, 2 filhos.
Não se percebe capaz de lidar com a mãe idosa. Deseja ser mais calma e se cobrar menos.
Lígia, 42 anos, casada, 2 filhos
Busca no grupo ajuda para conseguir maior entendimento e controle sobre seus pensamentos. Quer deixar de sentir ansiedade e depressão. Lucas, 39 anos,
casado, sem filhos.
Conta sobre a falta de sono e preocupações no trabalho. Habitualmente faz uso de medicação para dormir. Deseja se preocupar menos.
Mariana, 31 anos, casada, 1 filha.
Narra grande ansiedade, depressão e insegurança. Uso de medicação para ansiedade e depressão. Quer parar de tomar medicação, ter maior controle sobre sua vida.
Renata, 37 anos, casada, 2 filhos.
Relata insegurança e ciúme em relação ao marido. Dificuldades de se relacionar com ele. Quer entender o que ocorre e se sentir mais segura. Rogério, 44 anos,
casado, sem filhos.
Deseja ampliar seu auto-conhecimento para buscar resolver questões familiares. Quer voltar a ser uma pessoa mais positiva e feliz.