Chapter 3: Folklore and Oral Tradition in Jane Eyre and Wuthering Heights
3.4 The Role of the Storyteller
Não é nova a ideia, que partilhamos, de que se deve olhar para as Relações Públicas enquanto uma área da comunicação que auxilia à transparência e ao esclarecimento de processos democráticos. Sommerfeldt (2013) define a actividade como um papel facilitador de compromissos com stakeholders (ao nível da comunidade, sobretudo) que possam conduzir a ambientes de cooperação propícios à resolução de problemas – a Comunicação Estratégica têm, assim, um papel facilitador em processos e frameworks comunicacionais que podem tornar a Democracia mais robusta. Waymer (2013) indica que esta relação entre a Comunicação Estratégica e a Democracia se efectua porque estamos a falar de uma ferramenta que permite analisar estratégias não só de organizações e de diferentes públicos políticos, como também da forma como se comunica e como se contrastam interesses e visões diferentes68. Também Spicer (2000) indica que esta função é necessária numa sociedade democrática, visto que na sua base está as relações com diferentes públicos através do diálogo – diálogo esse que é essencial numa sociedade democrática.
Uma estratégia de comunicação pode, assim, facilitar a conversação com diferentes públicos na arena política, bem como permitir uma maior Participação Política (de
68 ''Public relations, as an instrument of various stakeholders and community agents, conceivably can voice and shed light on difficult even dark issues, help to make democracy possible, strengthen an already established democracy, or help sustain (or defend) a current democracy. Thus, even though they might appear, unrelated, or one being completely dependent on the other, upon close examination there is a strong link between democracy and public relations.'' (Waymer, 2013, p.323)
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organizações da Sociedade Civil, por exemplo). Se falamos em Participação Política (como veremos no Capítulo 2.2., Parte I), falamos também em participação em prol da defesa de determinados interesses – parece-nos, assim, importante olhar para a relevância que a actividade de Lobbying assume enquanto comunicação pensada estrategicamente em prol da influência sobre determinados interesses.
Alguns dos autores fundamentais da literatura especializada em Relações Públicas e Comunicação Estratégica colocam o Lobbying como campo de actuação destes profissionais (Kitchen, 1997; Lesly, 1997; Xifra, 2004; Seitel, 1995). Ressalva-se, porém, algumas questões terminológicas quando se encara esta área como Comunicação Estratégica – alguns autores equiparam o Lobbying a Public Affairs69, enquanto que outros o colocam sob a capa de Government Relations (Prout, 1997). Será também objectivo desta investigação perceber as designações utilizadas na realidade portuguesa, quando nos referimos à actividade.
Mais recentemente Arcos (2016) engloba o Lobbying e as Public Affairs naquilo que são as Relações Públicas – relacionando estas actividades com todo o sistema de
intelligence70 e influência que a Comunicação Estratégica não pode descurar: ''... offering atimely foundation for defining the communication strategy and the key messages'' (p.266). Também Mitrović (2017) indica que o Lobbying é uma forma organizada de se pensar estrategicamente a comunicação, enquanto recurso de influência, numa Democracia e no mundo organizacional. Para o autor, esta natureza estratégica da actividade de Lobbying pauta-se sempre pela determinação de objectivos em diferentes prazos, atravéss de diferentes graus de influência, olhando a actividade como um meio de alcançar interesses organizacionais, políticos ou de outro nível – assim, a actividade é pensada por profissionais de comunicação, e executada por meio de diferentes processos estratégicos (tal como uma estratégia de comunicação pensada a diferentes níveis). No Capítulo 3, Parte I, entraremos a fundo no conceito de Lobbying e
69 No Capítulo 3.2., Parte I, desenvolveremos com maior detalhe a definição de Public Affairs e Lobbying. 70 ''... intelligence is necessary to capture a thoughtful organizational response to changing conditions and
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nas suas características, mas ressalvamos a definição que Xifra (2007) faz, ao enquadrar a actividade como processo de comunicação:
El lobbismo es un proceso de comunicación persuasiva (se trata de influir) que se concreta en la relación con los poderes públicos; la práctica profesional del lobbismo se basa en influir sobre los poderes públicos mediante acciones de comunicación. (p.9)
Para o autor é através do Lobbying que se exerce a comunicação (e defesa) de interesses particulares – vai assim desenvolver uma matriz de comparação entre os elementos de um processo de Comunicação Estratégica, e os elementos do Lobbying, de forma a exemplificar algumas das principais semelhanças:
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Comunicação Estratégica Lobbying
Actuação
Função directiva, em ligação com a investigação e vigilância permanente das diferentes realidades e/ou opiniões expressadas na envolvente da
organização
Função directiva, em ligação com a análise normativo-social
permanente das diferentes
realidades, opiniões expressadas e conflitos potenciais na envolvente da organização
Intervenientes Uma organização e os públicos na sua
envolvente
Uma organização e os poderes públicos
Meios Técnicas de comunicação
Técnicas de comunicação para influenciar poderes públicos e a mudança de decisões
Mensagens Informativas e persuasivas Informativas e persuasivas
Objectivos
Criação, manutenção e adequação de um clima de confiança e
credibilidade.
Procura de uma melhor compreensão da actividade da organização e, consequementemente, uma melhor reputação
Criação, manutenção e adequação de um clima de confiança,
credibilidade e de adesão aos interesses defendidos.
Procura de uma percepção positiva dos interesses e, indirectamente, da organização
Finalidades
Obter, dos seus públicos, as opiniões e decisões necessárias para a
prossecução da sua actividade
Obter, dos poderes públicos, a decisão ou decisões necessárias que permitam alcançar a finalidade da estratégia de
Lobbying: a satisfação dos
interesses em jogo
Quadro 1 – Comparação entre Comunicação Estratégica e Lobbying (traduzido e
adaptado de Xifra, 2007)
Esta ligação que Xifra faz entre a Comunicação Estratégica e a actividade de Lobbying parece-nos a base para, ao longo desta investigação se analisar alguns pontos-chave sobre o que se entende ser o Lobbying: a existência conflitos de interesses que têm de
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ser geridos; a necessidade de percebermos um pouco melhor qual o papel dos representantes políticos; o facto de falarmos de uma actividade que não é meramente informativa, mas também persuasiva; a necessidade de profissionais que irão preocupar- se com a defesa e a satisfação de determinados interesses. Tal como visto anteriormente, a Comunicação Estratégica deve ser encarada como uma função de aconselhamento à gestão de uma organização – parece-nos fazer todo o sentido olhar para o Lobbying como campo de actuação da Comunicação Estratégica, se a actividade é também encarada como análise e prossecução de objectivos organizacionais (através da resolução de conflitos e de defesa de diferentes interesses junto de diferentes públicos).
Assim, olhamos para o Lobbying como uma estratégia de comunicação voltada para a apresentação de factos relevantes para a tomada de decisão política. Acreditamos, porém, que o principal interveniente da actividade de Lobbying não tem necessariamente de ser o poder político – daí a necessidade de se olhar para a Participação Política e para a Sociedade Civil, para que possamos entender as diferentes ramificações da actividade de Lobbying.
Ressalvamos que o objecto desta investigação é o Lobbying na perspectiva da Comunicação Estratégica. No Capítulo 3, Parte I, desenvolveremos a definição de
Lobbying, bem como a forma como (e por quem) pode ser executada, para que se
perceba melhor que falamos de uma actividade que actua sempre tendo por base um contexto de comunicação, pensada estrategicamente, que existe em situações de conflito e que pretende a defesa e satisfação de determinados interesses.
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