PART III: STUDIES UNDERTAKEN FOR THIS REPORT 6. A quantitative study of IMF’s recent PRGFs
8. The case studies
8.2. The role of the IFIs in encouraging policy change
Esta seção tem o intuito de retratar a importância da pesquisa no Brasil sob o aspecto social, além de discorrer sobre o papel das ciências sociais nesse contexto.
Na visão de Taylor (2008), os governos necessitam de mecanismos para avaliar a qualidade das pesquisas por conta da escassez de recursos. Assim, o uso de indicadores é uma
forma que os governos têm de certificarem-se de que a pesquisa financiada com os recursos públicos contribui substancialmente para a competitividade de uma nação e, portanto, para o bem-estar dos seus cidadãos. A divulgação dos rankings e avaliações são uma forma de prestação de contas à sociedade.
Para Freitas (2011), a atividade científica deve ser considerada como um investimento social de modo que o maior compromisso das pesquisas seja produzir conhecimentos que elevem a qualidade de vida, tanto individual quanto coletiva, em suas múltiplas dimensões.
Segundo Velho (1999) o papel social das universidades deve ir além do desenvolvimento do conhecimento científico. É necessário que os cientistas, principalmente os ligados às ciências sociais, acompanhem o impacto das pesquisas na melhoria das condições de vida da sociedade e na produção de bens e serviços. Dessa forma, não há que se enxergar o cientista neutro e isolado da sociedade, mas sim, uma produção de conhecimento em consenso entre os cientistas, e estes inteirados com a sociedade. O impacto da pesquisa na sociedade deveria ser um direcionador de recursos para as universidades, constituindo-se em um indicador.
Independente da área, a ciência é considerada uma atividade social. Nas pesquisas em ciências sociais, de acordo com Zuber-Skerritt e Fletcher (2007), são objetos de estudo, por um lado os seres humanos, grupos de pessoas, comunidades, organizações e instituições, e de outro, os indicadores quantitativos. O objeto de estudo é condicionado pelo cotexto social, abordando os aspectos atinentes ao homem em seus múltiplos relacionamentos, seja com outros homens ou com as instituições sociais.
Os programas de pós-graduação são responsáveis por formar professores e pesquisadores comprometidos com o desenvolvimento de uma nação, tanto no campo científico e tecnológico quanto no social. De acordo com Dantas (2004), a função dos programas de pós-graduação é promover conhecimento crítico, inovador, socialmente orientado e cientificamente apoiado. É também imprescindível que o conhecimento a ser produzido seja fruto de um diálogo contínuo entre a comunidade científica e a sociedade, selando um pacto de mútuo apoio nas ações de pesquisa.
O caráter social da pesquisa pode ser observado por meio da troca de conhecimentos entre grupos de pesquisas das universidades, a disseminação dos resultados das pesquisas em periódicos, congressos e mídias populares, o intercâmbio entre estudantes, professores e pesquisadores, que tem como resultado o amadurecimento e acúmulo de conhecimento, que torna a ciência mais visível (LOUREIRO-ALVES, 2010).
Segundo Whitley (1980), o conhecimento formal produzido por meio da investigação sistemática e amplamente disseminado por meio das publicações em periódicos científicos tem sido cada vez mais visto como um recurso econômico que pode e deve ser organizado e controlado pelos estados, em conjunto com as empresas.
No Brasil, diferente do que ocorre com os Estados Unidos, por exemplo, a responsabilidade pela produção de 89% do conhecimento científico cabe às universidades, enquanto que nos Estados Unidos, esse percentual é de 28%. O restante cabe às parcerias das universidades com organizações industriais (NASCIMENTO, 2004).
Em algumas áreas do conhecimento os resultados das pesquisas provocam efeitos imediatos na sociedade, em outras, como nas ciências sociais, as consequências das pesquisas podem ser verificadas apenas em décadas. Tal fato não seria um problema caso o país tivesse uma metodologia para avaliar as consequências socioeconômicas da produção científica. Tal fato impõe um desafio criativo e organizacional a ser enfrentado pela comunidade brasileira de pós-graduação: analisar os impactos das pesquisas nas ciências sociais no longo prazo (DANTAS, 2004).
Segundo Theóphilo e Iudícibus (2001), os resultados dos estudos nas ciências sociais, por não se aproximarem de um padrão de precisão próprio das ciências naturais, muitas vezes foram contestados. O emprego dos paradigmas metodológicos próprios das ciências da natureza faz parte do processo evolutivo dessa área, uma vez que o estudo do homem como objeto científico surgiu no século XIX, quando as ciências naturais e matemáticas já estavam constituídas. Para alcançar respeito, as ciências sociais passaram a estudar seu objeto empregando concepções metodológicas utilizadas em outros campos do conhecimento, no caso a matemática e as ciências naturais.
Quanto à repercussão internacional das pesquisas nas ciências sociais Schelp (2004 apud NASCIMENTO, 2010) relata ser esta insignificante, uma vez que os pesquisadores têm que recorrer a diversas variáveis de impossível generalização, culminando na assimilação e análise de como as diferenças culturais podem modificar o objeto.
Contudo, independente da área ou da repercussão internacional, o papel social da universidade no Brasil cumpre-se na produção do conhecimento científico e tecnológico e na formação dos profissionais que irão, por meio da pesquisa, proporcionar condições e meios para a criação e transmissão de novos saberes. A ciência evolui à medida que os resultados das pesquisas são colocados à disposição da comunidade científica para debates ao público acadêmico ou por meio das publicações e notas em mídias populares, ao público não acadêmico.
3 A PÓS-GRADUAÇÃO EM CONTABILIDADE NO BRASIL
Este capítulo, apresentado logo em seguida à contextualização da pós-graduação no Brasil, tem o objetivo de posicionar a contabilidade nesse cenário de modo a evidienciar que os problemas e questionamentos da área são fundamentados e advém do cenário global e não são, simplesmente, problemas da área.
A contabilidade está inserida no campo das ciências sociais, um grupo de áreas do conhecimento condicionado pelo contexto social que, embora não estude os fenômenos sociais diretamente, tem o fator social como objeto de estudo (THEÓPHILO; IUDÍCIBUS, 2001).
Para Demo (1995), a abrangência das ciências sociais vai além da competência metodológica. Para o autor, o pesquisador social é um ator político no processo de construção do conhecimento científico. Logo, o cientista contábil é pesquisador e sujeito do conhecimento em contabilidade.
O pesquisador atua como sujeito ativo, interferindo nos rumos da ciência a qual se dedica, mas também nos rumos percorridos pelo desenvolvimento da sociedade. A construção do processo do conhecimento contábil pode ser entendida como uma relação dinâmica na qual sujeito e objeto interagem entre si, uma vez que o cientista contábil é observador, usuário do patrimônio e da informação sobre este (STARKE JUNIOR; FREITAG; CROZATTI, 2006)
A pós-graduação em contabilidade no Brasil teve início na década de 1970, sendo que os primeiros mestres adquiriram a titulação em 1975. Em 2003 eram 10 programas, em 2006, 15. Em 2010 a CAPES registrou 25 cursos stricto sensu, sendo 17 cursos de mestrado acadêmico (M), quatro de mestrado profissional (MP) e quatro cursos de doutorado (D), oferecidos por 19 instituições, conforme Quadro 2:
UF Nome IES Sigla IES Programa Nível Conceito
M D MP
AM Univ. Fed. do Amazonas UFAM Contabilidade e controladoria MP 3 BA Univ.Fed. da Bahia UFBA Contabilidade M 3 CE Univ.Fed. do Ceará UFC Administração e controladoria M/ MP 3 3 DF Universidade de Brasília UNB Contabilidade - UNB - UFPB - UFRN M/D 4 4 ES Fund. Instituto Capixaba de Pesq.em Control, Cont e Finanças FUCAPE Ciências contábeis M/D/MP 4 4 5 ES Univ. Fed. do Espírito Santo UFES Ciências contábeis M/ 3
Conclusão MG Univ.Fed. de Minas Gerais UFMG Ciências contábeis M 4 PE Univ.Fed. de Pernambuco UFPE Ciências contábeis M 3 PR Univ.Fed. do Paraná UFPR Contabilidade M 3 RJ Univ.do Estado do Rio de Janeiro UERJ Ciências contábeis M 3 RJ Univ.Fed. do Rio de janeiro UFRJ Ciências contábeis M 4 RS Univ. do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS Ciências contábeis M 4 SC Univ. Regional de Blumenau FURB Ciências contábeis M/D 4 4 SC Univ.Fed. de Santa Catarina UFSC Contabilidade M 4 SP Centro Univ. Álvares Penteado UniFECAP Ciências contábeis M 4 SP Univ. Presbiteriana Mackenzie UPM Ciências contábeis MP 4 SP Pontifícia Univ. Católica de SP PUC/SP Ciências contábeis e atuariais M 3 SP Universidade de São Paulo USP Controladoria e contabilidade M/D 6 6 SP Universidade de São Paulo/ Ribeirão Preto USP/RP Controladoria e contabilidade M 4 Quadro 2 Programas de pós-graduação em Contabilidade e Controladoria - 2010
Fonte: CAPES (2011).
Apesar dos números modestos, a contabilidade tem crescido em ritmo mais acelerado que áreas afins como direito, administração e economia. Em 2006 havia, em Direito, 58 mestrados e 17 doutorados, em Economia, 50 mestrados e 17 doutorados e em Administração, 62 mestrados e 16 doutorados. Segundo dados da CAPES (2010), em 2010 o maior crescimento registrado foi na contabilidade, ou seja, um aumento de 60% na oferta de cursos, contra 1% na economia, 12% no Direito e 24% na administração.
O crescimento na oferta de cursos requer atenção, uma vez que, crescendo o número de cursos crescem as publicações e a análise da produção dos programas de pós-graduação torna-se necessária.
Com relação à distribuição regional, a área acompanha o cenário nacional, ou seja, a alta concentração de cursos no Sul e Sudeste, sendo este o detentor de 50% do total de cursos de pós-graduação na área, no país, seguido pelo Sul, com 20%, Nordeste com 16%, 8% no Centro-Oeste e 4% no Norte.
Com o aumento do número de cursos stricto sensu em contabilidade deve-se observar a dinâmica, bem como os aspectos gerais da área, por meio da análise da sua produção científica, os instrumentos e meios utilizados para a comunicação dessa produção, além de indicadores próprios como composição do corpo docente, inserção internacional, dentre outros, que possibilitem o diagnóstico e, se preciso, o redirecionamento de rotas.