Perspectivas futuras a respeito do consumo e produção de energia demonstram um crescimento exponencial até o ano de 2030. Wilson Almeida25
apresenta dados advindos de estudos realizados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, os quais pressupõem que o consumo de energia no mundo irá crescer por volta de 50% nas três décadas futuras. Avalia, ademais, que esse crescimento se dará de diferentes formas e proporções, a depender do grau de desenvolvimento de cada país envolvido na sustentação da matriz energética mundial e de sua economia.
Ao traçar um panorama da produção e do mercado de biocombustíveis, Fernando Lagares26 noticia que há programas de uso de álcool combustível em
cerca de vinte e dois países, e outros dezoito têm programas em fase de implantação. A produção mundial de etanol em 2007 foi de 61,8 milhões de litros e o prognóstico para 2017 é 122,4 bilhões de litros. Estima-se que a demanda atual por esse combustível seja de cerca de 120 bilhões de litros, dos quais os Estados Unidos da América, o Brasil e a União Europeia figuram como os maiores demandantes com 57, 27 e 22 bilhões de litros, respectivamente. É necessário
24 ABRAMOVAY, Ricardo. Biocombustíveis: a energia da controvérsia. São Paulo: Editora Senac ,
2009, p. 11.
25 ALMEIDA, Wilson J. B. Ethanol Diplomacy: Brazil and U.S. in Search of Renewable Energy.
Journal Globalizations, Competitiveness & Governability. v. 3. p. 116. 2009. Disponível em:
<HTTP://geg.universia.net/pdfs_revistas/articulo_140_1260809836496.pdf. Acesso em: 12 mai. 2012.
26 TÁVORA, Fernando Lagares. História e Economia dos Biocombustíveis no Brasil. Texto para
discussão nº 89, Abril/2011. Centro de Estudos de Consultoria do Senado. Brasília: Senado, 2011, p. 36.
realçar que somente o Brasil adiciona mais de 10% de álcool à gasolina, sendo possível ampliá-los entre o limite de 20% e 25%. Caso o parâmetro de adição se altere, a demanda pode ser modificada drasticamente. Aqui, aplica-se a já recorrente ressalva com respeito à China, pois a mudança de estratégia energética daquele país asiático pode alterar a demanda mundial rapidamente.
No que tange à produção mundial de biodiesel, o mesmo autor doutrina que vinte e um países no mundo já utilizam o combustível e onze países estão implantando seus programas. Os atores mais importantes são os mesmos do álcool. Embora seu conceito subliminar dessa estratégia não seja análogo, esse combustível não poderá prescindir de combustíveis fósseis. A produção no ano de 2007 foi de 9,5 bilhões de litros e a estimativa para 2017 é 18,7 bilhões de litros. A produção do ano de 2008 foi de 12 bilhões de litros, um acréscimo de 26% em comparação com o ano anterior27.
Uma análise da conjuntura dos biocombustíveis no Brasil realizada pela Empresa de Pesquisa Energética28 demonstrou que as exportações brasileiras de
etanol totalizaram 2,0 bilhões de litros em 2011, praticamente o mesmo volume do ano anterior. Os volumes exportados pelo Brasil nos dois últimos anos foram os mais baixos desde 2004.
Em 2011, a crise econômica que atingiu os países da Europa e os Estados Unidos os levaram a reduzir seus orçamentos, inclusive suas importações. Além disto, um desequilíbrio entre a oferta e a demanda do Brasil intensificou a restrição às exportações. Este mesmo ano foi muito positivo para a indústria de biocombustíveis americana. A produção de etanol atingiu 52 bilhões de litros, 2 bilhões acima dos volumes de 2010. Em relação ao biodiesel, os EUA produziram um volume recorde de 4 bilhões de litros em 2011, praticamente triplicando a produção de 2010. No tocante aos biocombustíveis de segunda geração, os Estados Unidos não conseguiram cumprir com os volumes estabelecidos pela Energy Independence and Security Act de 2007 (EISA) para esta categoria. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos Environmental Protecion Agency (EPA),
27 TÁVORA, Fernando Lagares. História e Economia dos Biocombustíveis no Brasil. Texto para
discussão nº 89, Abril/2011. Centro de Estudos de Consultoria do Senado. Brasília: Senado, 2011, p. 36.
28 BRASIL. Empresa de Pesquisa Energética. Conjuntura dos Biocombustíveis. Disponível em:
<http://www.epe.gov.br/Petroleo/Documents/An%C3%A1lise%20de%20Conjuntura%20dos%20Bioco mbust%C3%ADveis%20-
%20boletins%20peri%C3%B3dicos/An%C3%A1lise%20de%20Conjuntura%20dos%20Biocombust% C3%ADveis%20%E2%80%93%20Ano%202011.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2012.
diminuiu as metas para biocombustíveis celulósicos da EISA para o ano de 2012, de 1,9 bilhão de litros originais para aproximadamente 30 milhões de litros29.
Nesse período, o governo norte-americano importou do Brasil um volume de cerca de 100 milhões de litros de etanol, o menor valor dos últimos oito anos, quatro vezes menor do que o volume de 2010. No que se refere à produção europeia de biodiesel, esta caiu pela primeira vez, em relação ao ano anterior. A demanda, por outro lado, permaneceu constante. Para suprir a lacuna gerada pela queda na produção, a Europa importou um volume recorde de 2,4 milhões de toneladas (2,7 bilhões de litros) de biodiesel, principalmente da Argentina e Indonésia. Segundo estimativas da Oil World apresentadas pela Empresa Brasileira de Energia, as usinas europeias de biodiesel atualmente trabalham a 44% da capacidade nominal. Algumas fecharam devido à competição com o biodiesel importado e à retração nos investimentos. Ainda há incerteza quanto a futuros incentivos governamentais, pois a divulgação de alguns estudos levantaram dúvidas quanto à autenticidade dos critérios de sustentabilidade do biodiesel europeu.
No que concerne à Bacia do Pacífico, em 2011, não houve relevantes mudanças na situação japonesa em relação aos biocombustíveis. Neste ano, o país importou cerca de 300 milhões de litros de etanol do Brasil, mesma quantidade de 2010. Este volume tem atendido aos contratos históricos entre as empresas japonesas e brasileiras. O acidente com as usinas nucleares de Fukushima, no início de 2011, poderá influenciar o programa de redução de consumo de combustíveis fósseis, mas a estratégia japonesa referente a biocombustíveis não deve ser alterada no curto prazo.
Ressalte-se que os países da Ásia, África e América Latina – dentre eles, China, Índia, Indonésia, Nigéria e Colômbia – vêm adotando políticas de incentivo à utilização de etanol por meio de legislações específicas e de tratados internacionais. Devido ao crescimento econômico da Coréia do Sul, este país tornou-se um importante polo importador de etanol nos últimos três anos. No entanto, o país não tem uma política mandatória de mistura carburante e praticamente todo o etanol importado é insumo para a alcoolquímica.
29 BRASIL. Empresa de Pesquisa Energética. Conjuntura dos Biocombustíveis. Disponível em:
<http://www.epe.gov.br/Petroleo/Documents/An%C3%A1lise%20de%20Conjuntura%20dos%20Bioco mbust%C3%ADveis%20-
%20boletins%20peri%C3%B3dicos/An%C3%A1lise%20de%20Conjuntura%20dos%20Biocombust% C3%ADveis%20%E2%80%93%20Ano%202011.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2012.
1.2 PRESSUPOSTOS TEÓRICOS INTERDISCIPLINARES DO SETOR DE