3. DECISION MAKING
3.3 Risk Criteria
De acordo com a Teoria da Hélice Tríplice (ETZKOWITZ; LEYDESDORFF, 2000), a produção de novos conhecimentos, a inovação tecnológica e o desenvolvimento econômico de uma região necessitam que a universidade atue como estimuladora das relações com as empresas produtoras de bens e serviços, e o governo regule e fomente a atividade econômica. Portanto, segundo essa teoria, a inovação resulta
das relações entre universidade-empresas-governo. Nesse sentido, os PCTs da terceira geração, segundo a abordagem evolutiva histórica descrita na seção anterior, encontram-se ajustados aos mais diversos contextos urbanos, em que as redes e relações de confiança são ampliadas, ocorrendo o desenvolvimento de parcerias que envolvem a tríade universidade-empresas-governo (GIUGLIANI; SELIG; SANTOS, 2012).
Com a superação da visão linear, as universidades aproveitam o potencial de desenvolvimento tecnológico que possuem, tornando-se protagonistas também do desenvolvimento econômico e social (ETZKOWITZ, 2006).
A Teoria da Hélice Tríplice visa superar a antiga visão linear do processo de desenvolvimento científico e tecnológico. A visão linear, apresentada e criticada por Stokes (2005), parte da consideração de que a ciência, de uma maneira incerta e pouco explicável, conduz ao desenvolvimento tecnológico. Essa visão serviu para justificar os vultosos investimentos em pesquisas de ciência pura (que busca apenas o entendimento, sem uma finalidade prática em vista).
O modelo Hélice Tríplice se concretiza quando a tríade (universidade-empresas-governo) inicia um relacionamento mútuo, no qual cada ator (universidade, empresas e governo) tenta aperfeiçoar o desempenho do outro (ETZKOWITZ, 2009). Essa dinâmica se constitui, portanto, em um processo de colaboração entre os atores, visando gerar o desenvolvimento econômico e social de uma região (ETZKOWITZ, 2011).
A Teoria da Hélice Tríplice, representada na figura 1, posiciona a inovação em um contexto evolutivo, no qual complexas relações se estabelecem entre os três atores (hélices) (RENAULT, 2010). Essas relações derivam das influências que cada hélice tem sobre as demais, e da criação de novas redes nascidas dessas interações. Zayas e Carrillo (2012) afirmam que é importante definir políticas públicas destinadas a melhorar a relação entre os atores da Hélice Tríplice.
Para Zayas e Carrillo (2012), no modelo da Hélice Tríplice, o governo tem a tarefa de gerar bem-estar para os seus cidadãos por meio da implementação de políticas públicas, com a participação ativa da universidade e das empresas. Os autores alegam que as estruturas de produção geram a riqueza das regiões, e a universidade é a responsável pela geração e transmissão de conhecimentos mediante a educação e publicações, como também promove o desenvolvimento sustentável nas comunidades em que tem influência.
A interação entre universidade-empresas-governo representa a abertura para a inovação e o crescimento da economia baseada no conhecimento, em que a universidade é o principal gerador dessa economia, assim como o governo e as empresas representaram as instituições primárias na sociedade industrial. As empresas permanecem como o ator-chave de produção, e o governo representa a fonte de relações contratuais que avalizam intercâmbios estáveis na economia do conhecimento (ETZKOWITZ, 2009).
Figura 1 – Hélice Tríplice
Fonte: Etzkowitz e Leydesdorff, 2000.
A Teoria da Hélice Tríplice contém três componentes básicos: o primeiro demonstra um papel mais acentuado para a universidade, no que tange à inovação; o segundo se refere às relações de colaboração entre as três principais esferas institucionais, em que a política de inovação é cada vez mais um resultado da interação entre os atores envolvidos; o terceiro elemento diz respeito ao fato de que, além de cumprir suas funções tradicionais, cada hélice assume também o papel das outras (ETZKOWITZ, 2009).
Gerolamo (2007) assegura que o governo deve considerar a inovação como invenção de novos produtos e inserção de novas tecnologias de gestão nas empresas, principalmente nas pequenas e médias, como também estimular o fortalecimento de redes de cooperação de base tecnológica, preferencialmente próximas a centros de pesquisa de alta tecnologia.
Verifica-se que, no modelo Hélice Tríplice, a energia propulsora do processo de inovação de base científica e tecnológica está na universidade, com geração de novos conhecimentos e formação de recursos humanos de excelência (RENAULT, 2010).
Universidade
Empresa Governo
Nesse sentido, a participação da universidade na Hélice Tríplice, principalmente nos países em desenvolvimento, deve ser compreendida em profundidade (SUPRIYARDI, 2012). É necessário descobrir e interpretar as condições dos vários relacionamentos, redes e atores envolvidos, em que as iniciativas locais podem vir de várias fontes e atores, para desempenhar um papel na promoção do desenvolvimento regional. Descobrir quais as condições que favorecem essa conscientização e disposição para interação da universidade nesse contexto é imprescindível. Portanto, o sucesso da combinação da ciência com a prática de negócios gera uma forte necessidade de reforçar a cooperação entre estes dois ambientes distintos: o acadêmico e o empresarial, em que os PCTs são uma ferramenta de promoção dessa cooperação e têm o papel de promover o desenvolvimento regional (EUROPEAN COMMISSION, 2007). Nesse sentido, o tema PCT está em discussão na sociedade atual devido à sua reconhecida importância para o desenvolvimento econômico e social da região onde é instalado (AMARAL; SARTORI; CUNHA, 2013).
Nessa perspectiva, diversos atores, munidos de conhecimentos diferenciados e providos de culturas e hábitos distintos, coexistem no mesmo espaço de desenvolvimento, mas, sobretudo, devem formar uma atmosfera de conexão e colaboração, na qual superar os conflitos entre o acadêmico e o empresarial é o primeiro desafio para a implantação de um PCT (ZAMMAR; KOVALESKI; ZANETTI, 2013). Salvador (2008) adverte que a interação entre as universidades e as empresas, nos PCTs, é difícil de ser alcançada na prática, e isto pode representar um grande problema. Sob este ângulo, é necessário estabelecer a sinergia entre os atores, com uma clara definição dos papéis a serem desempenhados por eles (GOEDERT, 2005). Todavia, o autor afirma que esse processo é longo, e muitas vezes abrange as mais variadas competências nos âmbitos tecnológico, econômico, social, humano e ecológico, que requerem uma forte adaptabilidade e interatividade social. De acordo com Salvador (2008), as principais barreiras, no que tange à colaboração entre a universidade e as empresas, residem especialmente na diferença entre os objetivos dos empresários e os dos pesquisadores.
Considerado o modelo Hélice Tríplice, a seguir são relatados os principais conceitos de PCTs.