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4 Environmental and risk assessments

4.5 Risk assessments

2.8.1 Final Fantasy: The Spirits Within

Figura 14. Cartaz de Final Fantasy

A Imagem do Corpo

122 O enredo consiste na colisão de um meteoro no ano de 2065, o qual destrói boa parte da população, espalhando pela Terra milhões de aliens espectrais – vampiros energéticos que sugam a vida dos seres humanos e são invisíveis ao olho nu, e que espalham uma doença misteriosa e mortal para aqueles que sobrevivem ao seu ataque.

O mundo é cataclísmico. Os sobreviventes da colisão vivem em colônias protegidas por campos energéticos que impedem a entrada dos espectros aliens nessas cidades- refúgio. Enquanto os sobreviventes se protegem e procuram viver suas vidas, cientistas buscam a cura da doença e uma tropa de elite combate os ataques dos espectros. A Drª Aki Ross e seu mentor científico Dr. Sid encontram a solução para a destruição dos aliens, que parecem invencíveis. Trava-se uma batalha não só para salvar o planeta em sua flora e fauna, mas também o restante da humanidade sobrevivente.

Os personagens, a cientista Aki Ross e seu mentor Dr. Sid, desenvolveram uma pesquisa intensa em busca de criar uma onda energética contrária que neutralize a ação dos espectros vampiros que destróem o planeta; isto sem destruir ou gerar mais danos aos grupos de humanos confinados nas cúpulas.

Eles saem em uma missão ao redor do planeta em busca dos chamados sete espíritos, que podem recriar a onda de energia positiva Gaia para neutralizar a energia destrutiva dos Phatoms. Porém, o general Hein pretende usar o canhão espacial Zeus para eliminar os espectros, encarando tal empreitada como uma vingança pessoal e, para isso, não se importa em sacrificar civis ou causar danos irreversíveis ao planeta.

A partir desse ambiente degradado e com uma tecnologia avançada é que todas as micronarrativas se encontram: a humanidade sobrevivente, os espectros vampiros aliens, a Drª Ross com sua história de amor mal resolvido, a busca de uma cura, a resolução do enigma a partir dos pesadelos de Aki entre outras. Os humanos estão em guerra constante com os Phantoms e, ao ter contato com eles, dificilmente conseguem sobreviver, sendo infectados por um organismo energético mortal.

A Drª Aki funciona como um personagem condutor e seu segredo sombrio guardado por toda a história é o de ser portadora da energia espectral alien, sendo uma infectada, porém conseguindo sobreviver com o organismo dentro do seu corpo. No decorrer da narrativa, vai sendo revelada a guerra entre humanos e espectros, a política que surgiu e domina o mundo dos sobreviventes nas cúpulas refúgio.

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Figura 15. General Hein

A história segue o fluxo tradicional, não sendo hipertextualizada, mas existe o uso do recurso interessante de um arsenal tecnológico que grava os sonhos da Drª Ross.

O acesso aos arquivos dos misteriosos sonhos conduz o espectador ao subconsciente da personagem e posteriormente à dimensão dos próprios alienígenas. Os sonhos permitem que descubramos quem são os Phatoms e o motivo de atacarem os seres vivos.

Os personagens humanos têm de combater os espectros e proteger a cidade ou a nave de pesquisa. A história poderia sofrer multiplicações de micronarrativas, seja para revelar como foi a captura dos outros espíritos ou pela história preeexistente do passado da Drª Ross, mas a narrativa se divide em duas principais que conduzem às outras, que se constituem na narrativa do mundo alien e na dos humanos sobreviventes.

Um eixo motivador identificado se fundamenta na busca por cada espírito, tal mote faz com que se multipliquem as aventuras proporcionando situações diversas. As micro narrativas se integram à linha-mestra do planeta infestado.

A narrativa encontra seu ápice no final da trama, quando o último espírito é coletado e quando se consegue entrar em contato com o espírito Gaia do planeta alien, o que sinaliza uma solução para o problema da guerra entre humanos e espectros que conduziria à cura final.

A animação é toda feita em 3D, se aproximando muito da projeção de videogame. A história parte da narrativa da série de jogos eletrônicos de aventura da temática Final Fantasy e leva para o filme animado personagens e situações próprias do jogo.

124 Os jogos integram as narrativas da série e propõem desafios para que os avatares manipulados pelos jogadores/leitores possam solucioná-los, seguindo a listagem de missões solicitadas para os personagens. O enredo é múltiplo, não se limita só ao apresentado pela animação, tendo outras tramas dentro do projeto Final Fantasy.

A técnica de animação foi revolucionária ao criar projeções humanas com alto teor realístico na composição das imagens.

Figura 16. Drª Aki Ross

Por exemplo, Final Fantasy Unlimited conta a história dos irmãos Ai e Yu, que, após o desaparecimento de seus pais, decidem viajar para o Mundo das Maravilhas, local onde seus pais estavam estudando quando desapareceram. O enredo consiste na busca pelos desaparecidos.

Outro exemplo de narrativa do projeto seria a narrativa interativa Final Fantasy I, jogo que conta a história dos quatro guerreiro da luz, portadores dos artefatos de cada um dos elementos: terra, água, fogo e ar. Tais seriam entregues aos heróis destinados a salvar o mundo da crescente destruição.

Os artefatos eram quatro cristais ou orbes, assim quatro guerreiros da luz tiveram que confrontar demônios das trevas que procuravam levar o mundo à completa escuridão,

125 que eram Lich da Caverna da Terra, Marilith ou Kary no Vulcão Gurgu, Kraken do Templo da Água e Tiamat do alto da torre do Castelo Flutuante.

À medida que os heróis vencem os demônios, vão libertando o demônio de força superior, chamado Chaos, que, dominando o corpo de um humano, refugia-se no tempo, voltando para o passado.

Os heróis voltam no tempo e, no passado, enfrentam Chaos, criando um paradoxo temporal já que, do passado, os quatro demônios são enviados para o futuro para realizar a missão na qual foram frustrados.

Podemos identificar, no encadeamento de ações que se sucedem, certos princípios que remetem ao protocolo básico de elaboração ds narrativas ficcionais, principalmente do gênero ficção científica, tais como o tema científico, as estratégias militares, o enredo fundamentado na construção política de uma sociedade confinada em locais, uma sociedade sob constante ameaça de destruição e ataque, a sobrevivência apocalíptica, a ação da tecnologia misturada a um resgate com a abordagem mística que remetem aos espíritos da terra.

O poder tecnológico é um elemento constante de histórias de aventura de ficção científica, e a mais forte construção intertextual na narrativa da animação é a referência ao mito grego da deusa Gaia, deusa da Terra, uma indicação breve com a ideologia Ying e Yang. Também existe um uso alegórico metafórico de Zeus, deus dos trovões, nome dado ao canhão que lança um raio mortífero do espaço aludindo ao fato de Zeus lançar seus raios do céu.

Identifica-se referência a uma ideologia de coexistência de formas energéticas de seres vivos integrantes de um grande modelo energético universal chamado Gaia, presente no planeta Terra e em outros planetas. Portanto, os espectros aliens e os humanos partilham desse mesmo círculo energético, que seria a energia primordial de Gaia.

Assim, o planeta dos espectros também possuía uma versão energética paralela à Gaia, que fora destruída pelos constantes combates entre seus habitantes, agora transformados em fantasmas e espectros vampiros que atuam sobre a Terra.

Eles foram libertados de um grande asteróide, formado no momento em que o planeta alienígena explodiu e se chocou contra o planeta em anos anteriores ao vivido pelos personagens da história. Este é o elo do mistério existente.

A narrativa se divide em dois possíveis desenlaces: salvar o planeta e a humanidade ou destruir os alienígenas e o planeta.

126 Os aliens são uma metáfora da sociedade humana: bélicos, gananciosos, sem medir conseqüências em suas buscas pelo poder e pela superação de outros grupos sociais. Com a morte do seu planeta, tornam-se fantasmas presos ao meteoro que atingiu a Terra e que também produziu a destruição de quase todos os seus habitantes.

Os aliens são um flagelo pseudo-bíblico que vem atormentar os sobreviventes humanos do fim do mundo, devorando-lhes os espíritos em prol de amenizar a dor agonizante de existência energética post mortem. No intento de continuar existindo e não desaparecer, eles precisam vampirizar, beber a energia dos humanos.

O fio que une as duas narrativas – de um lado os espectros e o fim de seu mundo, de outro, a narrativa central dos humanos sobreviventes em um mundo apocalíptico – centraliza-se na personagem da Drª Aki Ross, cujo subconsciente está conectado às energias aliens, devido ao fato de ela ter sido contaminada pelos espectros durante um ataque.

Figura 17. Sonho de Aki

Os sonhos de Ross são as dimensões em que as duas narrativas se tocam e começam a se fundir até se tornarem uma só. Ross, como principal narradora e personagem, é quem conduz o leitor na busca para descobrir o enigma existente entre os fantasmas aliens, a doença misteriosa e o porquê da vida limitada imposta pelo cataclisma. O grau de interatividade empregado é o tradicional. O espectador apenas acompanha o roteiro da seqüência que o conduz ao final sem muitos recortes no fluxo da

127 trama, como no cinema. Por sua vez, a empatia é voltada para Aki Ross, que nos conduz por sua luta em descobrir o mistério de seus pesadelos e a cura para a contaminação espectral que está conduzindo os humanos à morte.

A técnica da descrição utilizada em um texto escrito aqui é substituída pela construção visual em 3D dos cenários – da cidade devastada e em ruínas, do deserto, da cidade-refúgio, da nave-pesquisa, do deserto, do planeta alien entre outros espaços constantes na trama – e dos personagens, que muito se aproximam a um humano da realidade referente.

Figura 18. Coletando um dos Sete Espíritos – Final Fantasy

Os antagonistas não são os espectros e sim os militares inescrupulosos, que beiram ao delírio da insanidade ao não medir as conseqüências de certas decisões para o bem da comunidade como um todo.

O processo é o de hibridização de linguagem imagem-texto oral, semelhante à que existe na história em quadrinhos, sendo que, nesse caso, o movimento e a animação em terceira dimensão proporcionam perspectivas variadas ao observador.

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Figura 19. Fluxo de desdobramento de micronarrativas fundamentada em eixos motivadores

2.9 A narrativa das histórias que se multiplicam – Combinação de múltiplas