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Encontra-ὅe tamἴém no ἣE uma inὅiὅtente ἶiὅputa ὃue geὄa polêmiἵa e “alteὄa” os ânimos: é a distinção entre os judeus e Israel. Não os judeus, mas Israel é o que representa a continuidade do Antigo Testamento no Novo Testamento: cf. 1.31: Jesus se revela a Israel; 1,47: Natanael, ao aceitar prontamente a Jesus, não é chamado judeu, mas um autêntico israelita. R. Brown diz que somente compreendendo a aguἶeὐa ἶa luta entὄe oὅ “juἶeuὅ” e a ἵomuniἶaἶe joanina é ὃue entenἶeὄemos os sobretons antagônicos da cristologia joanina. Em síntese, a batalha entre a sinagoga e a comunidade joanina era, no final das contas, uma batalha sobre cristologia. O Jesus ὃue fala “ἶoὅ juἶeuὅ” Φ1ἁ,ἁ) e ἶo ὃue eὅtá eὅἵὄito “na δei ἶeleὅ” Φ1ἃ,ἀἃλ ἵfέ 10,34) está falando a linguagem do cristão joanino, para o qual a Lei não é mais sua, mas sim a maὄἵa ἶiὅtintiva ἶe outὄa ὄeligiãoέ ρoὅ olhoὅ ἶoὅ “juἶeuὅ” oὅ ἵὄiὅtãoὅ joaninoὅ estavam proclamando um segundo Deus, e assim violando um princípio básico da identiἶaἶe iὅὄaelitaκ “ἡuve, ó Iὅὄael, o ἥenhoὄ noὅὅo Deuὅ é o úniἵo ἥenhoὄ” ΦDt ἄ,ἂ)έ Não é de admirar, portanto, que as autoridades judaicas pensassem que tais pessoas deveriam ser expulsas das sinagogas (vemos isso claramente em 9,22) e até exterminadas, diz Brown, por causa de sua blasfêmia. Para os cristãos joaninos as palavὄaὅ ἶiὄigiἶaὅ a Jeὅuὅ tinham eὅte ὅentiἶoκ “ἠão te lapiἶamoὅ poὄ ἵauὅa ἶe uma

ἴoa oἴὄa, maὅ poὄ ἴlaὅfêmia, poὄὃue, ὅenἶo apenaὅ homem, tu te faὐeὅ Deuὅ” Φ1ί,ἁἁλ 8,58-59; 19,7).69

Foram eὅὅaὅ peὄὅeguiçὴeὅ oὄiunἶaὅ ἶeὅὅeὅ ἵonflitoὅ ἵom oὅ “juἶeuὅ” ὃue “impulὅionaὄam” a ἵomuniἶaἶe joanina a funἶamentaὄ ὅua iἶentiἶaἶe e foὄtifiἵaὄ ὅua compreensão de Jesus (teologia). Isso tornou a comunidade ainda mais inflexível em insistir na condição divina ἶe Jeὅuὅκ no ὅeu hino ἵomunitáὄio, eleὅ ἵantam “ἡ Veὄἴo eὄa Deuὅ” Φ1,1), e na ὅua ἵonfiὅὅão ἶe fé eleὅ aἵlamam Jeὅuὅ ἵomo “εeu ἥenhoὄ e meu Deuὅ” Φἀί,ἀθ)έ ἡἴviamente, eὅta teologia ὅeὄia tὄanὃὸiliὐaἶoὄa em faἵe ἶa peὄὅeguição e expulὅão poὄ paὄte ἶoὅ “juἶeuὅ” – o Jeὅuὅ joanino pὄometeuλ “ἣuem vive e ἵὄê em mim jamaiὅ moὄὄeὄá” Φ11,ἀἄ)έ ἡὅ ἵὄiὅtãoὅ joaninoὅ, poὄtanto, ὅe ὅentiam ὅeguὄoὅ, maiὅ foὄteὅ e uniἶoὅ, ἵonfianteὅ na ἢalavὄa eὅἵὄita ΦEvangelho)κ “ἠão ὅe peὄtuὄἴe nem ὅe intimiἶe o voὅὅo ἵoὄação” Φ1ἂ,ἀ7), pois compartilhavam a mesma visão de Jesus (15,11), a qual criava unidade, pois quando se tem firmeza na própria identidade não se vacila nem se perturba com o ataque do opositor.

Já Grégory Baum ἶiὐ ὃue toἶa a hoὅtiliἶaἶe paὄa ἵom oὅ “juἶeuὅ” eὄa poὄ causa do acento novo dada à escatologia. O autor joanino afirma que as promessas feitas já se cumpriram em Jesus Cristo, que a graça da salvação está no presente, não no advento futuro. Essa perspectiva histórica, segundo Baum, obriga o evangelista a adotar uma atitude de serenidade diante das perseguições e até da expulsão. O julgamento do mundo começa na pessoa de Jesus. Os que não crêem em Jesus não receberão a vida, e a cólera de Deus pesa sobre eles (3,36).70

69 Cf. BROWN, Raymond. A Comunidade do Discípulo Amado, p. 42-45; 49. 70 Cf. BAUM, Grégory. Les Juifs et l‟Évangile, p. 123, 148.

Sintetizemos as várias teorias para responder às nossas perguntas iniciais: Quem ὅão afinal oὅ Ἰκν αῖκδο Era anti-semita o autor do QE? Respondemos: O evangelista não visava os judeus do tempo histórico de Jesus, mas do tempo do final do I século e do ambiente em que a comunidade joanina se encontrava. O Jesus joanino funde-se com o Jesus histórico, não apenas nesta nossa perícope (8,31-59), mas em todo o QE. ρὅὅim ὅenἶo, ἶevemoὅ teὄ em ἵonὅiἶeὄação a pὄópὄia tὄaἶução “juἶeuὅ”έ ἠão ὅe tὄata de todos os judeus, mas apenas de alguns judeus responsáveis pela ortodoxia judaica, tanto no tempo ἶo Jeὅuὅ hiὅtóὄiἵo ἵomo no ἶo Jeὅuὅ joaninoέ Em veὐ ἶe “oὅ juἶeuὅ” deveríamos tὄaἶuὐiὄ poὄ “autoὄiἶaἶeὅ juἶaiἵaὅ” em 1,1ιλ ἀ,1θλ ἃ,1ἄλ ἅ,1ἁλ ι,ἀἀλ 11,1θλ 18,31.36.38; 19,7.12. O próprio texto faz esta afirmação ao referir expressamente em 12,10-11 oὅ ὅumoὅ ὅaἵeὄἶoteὅ e em 1θ,1ἀ “o ἶeὅtaἵamento, o ἵomanἶante e oὅ guaὄἶaὅ ἶoὅ juἶeuὅ”έ

E ainda: a questão dos judeus contra Jesus e de Jesus contra os judeus é uma questão intra-religiosa, duma igreja particular – a joanina –, bem circunstanciada no espaço e no tempo. Não se trata, pois, de um anticristianismo de todos os judeus nem de um antijudaísmo de Jesus contra todos os judeus. Segundo D. G. Dunn, no judaísmo dos tempos do Jesus histórico, cheio de facções religiosas, mas, sobretudo, nos tempos após o ano 70, só há duas correntes religiosas dentro do judaísmo que se apresentam como herdeiras do verdadeiro judaísmo, a do judaísmo cristão e a do judaísmo rabínico. Mas sabemos que não é totalmente verdadeira essa afirmação de Dunn.71 Sabemos que existiam muitos outros grupos religiosos com tendências

71 Citamos D. G. Dunn que é apresentado por Joaquim Carreira Neves na sua obra sobre o QE. Segundo

ἠeveὅ, a Univeὄὅiἶaἶe ἑatóliἵa ἶe δouvain Φἐélgiἵa) levou a efeito um “ὅimpoὅium” noὅ ἶiaὅ 1ἅ-18 ἶe janeiὄo ἶe ἀίίί ὅoἴὄe oὅ textoὅ “antijuἶaiἵoὅ” ἶo ἣE, a ἵomeçar por Jo 8,31-59, de parceria com o “Inὅtituto Juἶaiἵum” ἶe ἐὄuxelaὅέ ἔoὄam ἵonviἶaἶoὅ ἀἂ pὄofeὅὅoὄeὅ, eὅpeἵialiὅtaὅ no ἣE e no ἶiálogo entre cristãos e judeus. O resultado está presente na obra de R. Bieringer e D. Pollefeyt (Eds.), Anti

Judaism and the FG, que apresenta treze textos sobre o assunto de especialistas da Inglaterra, Bélgica,

diferentes dentro do judaísmo. Como dissemos antes, judaísmos e cristianismos. O que é verdadeiro para nós é que a linguagem joanina é mais a linguagem duma polêmica intra-judaica do que anti-judaica. O autor procura, como vimos nos parágrafos anteriores, alertar seus irmãos de comunidade quanto à influência e ao perigo de não aceitar Jesus Cristo como o Messias, Filho de Deus e Salvador. Por isso o tom hostil e ameaçador usado nos diálogos e controvérsias. O intento não é o de codificar os acontecimentos experienciados pela sua comunidade numa narrativa crítica, mas apresentar a sua própria compreensão de Jesus de modo a encorajar outros a tornarem-se crentes e permanecerem firmes na fé.

Segundo Adele Reinharzt o QE constrói um papel (negativo) para os que não escolheram a vida (filhos de Deus, da vida eterna) e, assim sendo, ajuda a definir relações entre a comunidade e os que estão fora dela. Estabelece-se, de fato, um fosso entre as comunidades joaninas e judaicas, as crentes que se salvam e as suas contrárias. Os judeus, como todos os demais, só têm a vida eterna se acreditarem em Jesus como Cristo e Filho de Deus.72

Klaus Wengst formula a sua hipótese sobre quem eram os judeus do QE partindo de uma constatação: o evangelista adapta a sua exposição às circunstâncias do seu tempo. Estamos de acordo com isso. Partindo da existência, depois da guerra judaica, de um determinado judaísmo uniforme, de conformação farisaica, tal como aparece esboçado no QE, deduzimos que o autor joanino retrocedeu a imagem dos judeus da sua época para o tempo de Jesus. O que escrevemos acima confirma esta dedução. Wengst nos dá ainda uma ulterior confirmação desta hipótese demonstrando que a região mais provável aonde o QE foi escrito (as zonas meridionais do reino de

Agripa II)73 corrobora para justificar essa realidade de judaísmo farisaico. Este autor resume os pontos relevantes para uma ubicação da comunidade do Discípulo Amado nestes itens: a linguagem da comunidade é o grego; a comunidade está composta de uma maioria judeu-cristã; vive em um ambiente misto, porém dominado por judeus inclusive o judaísmo aparece investido de poder com autoridade; a comunidade está exposta às medidas repressivas de um judaísmo que se consolidou depois do ano 70 sob a direção farisaica, excluindo todas as outras correntes e exercendo sua influência desde o novo centro em Javne na Palestina até as regiões próximas.74 Concordamos com estes pontos que comprovam ainda mais a identidade dos judeus como entendemos no QE.