A Foram os mesmos critérios de seleção normais. A biblioteca procura comprar livros digitais mais atrativos, e não livros de referência, pois isso dificultaria a consulta. B Avaliação da comunidade universitária: primeiro os professores, depois os alunos
de mestrado e doutorado, estudantes de graduação e funcionários. C A qualidade do livro, independente do vendedor.
D O renome da editora.
E A editora, a qualidade dos trabalhos, a credibilidade da editora. Principalmente a editora.
F O assunto.
G A solicitação do usuário de determinado título em formato eletrônico. H A rapidez na disponibilização (não passa por processo técnico). I O acesso, o interesse dos servidores e a qualidade do material.
J Qualidade de funcionamento e de produto.
Fonte: Autoria própria.
Para Vergueiro (2010) existem quatro considerações abrangentes para o início do processo de seleção: o assunto, o usuário, o documento e o preço. Além desses existem também outros critérios que podem ser divididos em três grupos (VERGUEIRO, 2010):
1. Critérios que abordam o conteúdo dos documentos: autoridade, precisão, imparcialidade, atualidade e cobertura/tratamento;
2. Critérios que abordam a adequação ao usuário: conveniência, idioma, relevância, interesse e estilo;
3. Critérios relativos a aspectos adicionais do documento: características físicas, aspectos especiais, contribuição potencial e custo.
É possível observar que as considerações e os critérios se confundem nas respostas. O critério mais importante, pois foi citado por quatro bibliotecas (A, B, G e I), foi a relevância do material para o usuário. E, no caso da biblioteca B, os usuários participam ativamente dessa seleção por meio do período de testes. Na biblioteca G a aquisição dos livros eletrônicos apenas é feita quando solicitada por um usuário. Nesse caso, a seleção vai além do conhecimento do usuário proposto por Vergueiro (2010), e é feita diretamente por ele. Isso acontece de maneira mais direta no modelo de aquisição orientada pelo usuário (PDA), que não foi utilizado por nenhuma biblioteca da pesquisa.
Três bibliotecas (C, I e J) mencionaram a qualidade, se referindo ao conteúdo dos documentos presentes nas plataformas. A qualidade abrange a autoridade das editoras citadas pelas bibliotecas D e E. Essas são as mesmas editoras nas quais o bibliotecário já confia pela qualidade de seus livros impressos. Entretanto, surge um fator novo que foi mencionado pela biblioteca J, que é a qualidade de funcionamento da plataforma. Pouco adianta assinar uma
plataforma cujo conteúdo é de reconhecida qualidade e relevância se o acesso é precário, se a plataforma passa muitas horas fora do ar, inacessível, ou se o suporte técnico deixa a desejar. Esse é um novo aspecto que surge devido às caraterísticas particulares dos livros eletrônicos.
Outro aspecto novo mencionado pela biblioteca H é a rapidez na disponibilização do material. Quando os livros eletrônicos são acessados pelas plataformas dos vendedores, basta realizar o pagamento e eles já estarão disponíveis. Assim, existe uma economia de tempo na entrega e no processamento técnico desse material, que fica imediatamente disponível na base. Uma outra característica da rapidez relacionada aos livros eletrônicos é mencionada pela biblioteca C, que disse que no campo da Medicina a atualidade da informação é muito importante e por isso a fonte principal não são os livros, mas sim os periódicos, que são mais dinâmicos. Além disso, a informação quase sempre está em inglês já que as traduções são demoradas e o seu custo acaba não compensando para as editoras. A publicação de livros eletrônicos, por ser mais ágil, valoriza mais o produto na Medicina, área onde a atualidade e a rapidez são importantes.
Por fim, a biblioteca F deu prioridade à seleção pelo assunto dos documentos. Essa é uma consideração abrangente, muito utilizada por bibliotecas especializadas.
No quadro 17 constam as respostas da pergunta “18. Foi solicitado um período de teste antes da aquisição? Quem participou dele?”, que procurou identificar se houve um período de teste antes da aquisição, e quem participou dele.
Quadro 17 - Período de teste
18 Teste? Quem participou?
A Não. “Não, a compra é feita no escuro. O livro é selecionado por assunto, a opinião de outros leitores é levada em conta, a importância do autor. Mas não é disponibilizada uma prévia do arquivo digital. ”
B Sim. Toda a comunidade universitária: professores, alunos e funcionários. C Sim. Usuários e bibliotecários.
D Sim. Bibliotecários.
E Sim. Bibliotecários e pesquisadores. F Sim. Bibliotecários, professores e alunos. G Não.
H Sim. Usuários e bibliotecários.
I Sim. Funcionários da instituição e pessoal do atendimento.
J Sim. Alunos, professores e bibliotecários, inclusive das outras unidades.
Fonte: Autoria própria.
O teste é mais uma novidade que o material eletrônico, seja ele livro ou periódico, traz para as bibliotecas. Conforme mencionado anteriormente, é o teste que irá permitir que usuários e bibliotecários avaliem na prática se os vendedores cumprem com o que é prometido. No teste é possível avaliar a qualidade do conteúdo disponível e do funcionamento da plataforma. A
biblioteca D destaca a importância do teste para a compra: “Não há como fazer uma seleção sem fazer o pré-teste” (BIBLIOTECA D).
O teste para escolha da aquisição não precisa ser feito apenas pelos bibliotecários, eles podem ter ajuda nesse processo. Os usuários são aqueles para quem a compra é feita e por isso faz todo o sentido incluí-los nesse processo. Como especialistas no assunto, eles podem avaliar a qualidade do material além de observar extensivamente, em termos de horários e de exploração do conteúdo, o funcionamento da base em uma situação real. É possível observar nas questões sobre o uso (38 a 52) que os bibliotecários não fazem o mesmo uso da base que os usuários, e por isso não conhecem o produto tão bem quanto aqueles que realmente precisam dele. Oito das dez bibliotecas (B, C, D, E, F, H, I e J) tiveram um período de testes, e dessas oito apenas em uma os usuários não participaram (D).
As bibliotecas A e G não tiveram um período de teste devido ao modelo de aquisição, que nos dois casos foi feita com um distribuidor e com a seleção de títulos individuais. A biblioteca A relatou que foi possível manusear o aparelho leitor de livros eletrônicos e fazer perguntas a um vendedor especializado na livraria, mas não existia visualização prévia dos livros. A biblioteca G relatou que chegou a avaliar um serviço da EBSCO, mas os usuários não gostaram nem da relevância nem da atualidade da base, e por isso ela não foi assinada.
Então pelo valor e pela qualidade da base eles não tiveram interesse na aquisição. Eles praticam as duas formas, aquisição perpétua ou assinatura por determinado período, mas não houve interesse pra [sic] nossa área. A seleção era por pacote. Os livros eram sobre TI, Tecnologia da Informação e Comunicação. Eles tinham outras áreas, mas só avaliamos a de TI. Nós só compraríamos esse pacote. Inclusive existia a possibilidade de acrescentar outros títulos, de fazer aquisições individuais, acrescentar à nossa própria coleção, mas não houve muito interesse (BIBLIOTECA G).
Na biblioteca B foi solicitado um período de teste para a Minha Biblioteca, mas este era disponibilizado apenas para os bibliotecários. Nessa biblioteca a prioridade na decisão é dos professores e dos alunos, por isso essa plataforma foi desconsiderada. A plataforma perdeu um cliente por não disponibilizar um período de teste de acordo com as exigências da biblioteca, por não se adaptar às necessidades do cliente. Em outro teste da biblioteca B o acesso era permitido a qualquer um dentro do IP da universidade. O teste foi divulgado por e-mail, na página da Internet e no Facebook.
Na biblioteca C quando há um período de teste ele é divulgado no catálogo online. A bibliotecária também liga para alguns usuários pedindo que avaliem a base, e quando não há retorno ela não é adquirida.
Para incluir os usuários na avaliação não basta que o teste seja disponibilizado, é importante também que ele seja amplamente divulgado em vários canais diferentes como fizeram as bibliotecas B e C, que utilizaram o catálogo, o e-mail, a página da Internet, o
Facebook e o telefone. Além desses, outros meios também podem ser utilizados para que a
divulgação do período de testes alcance os usuários, como por exemplo o Twitter e o Instagram. A biblioteca J relatou que uma vez comprou uma base sem antes realizar o teste. O resultado foi que o conteúdo era bom, mas a base não funcionava adequadamente e a biblioteca se recusou a renovar o contrato. Além disso, o entrevistado afirmou que também é necessário perguntar a outros bibliotecários sobre os produtos.
O quadro 18 traz as respostas da pergunta “19. Quais os formatos de livros eletrônicos disponíveis?”, que buscou identificar os formatos dos livros eletrônicos comprados.
Quadro 18 - Formatos dos livros eletrônicos