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A Título. Única opção. B Pacote. Única opção.

C Pacote e título. Única opção disponível de acordo com o vendedor. D Pacote. Única opção.

E Pacote. Única opção. F Pacote. Única opção. G Título. Única opção. H Pacote. Única opção. I Pacote. Única opção. J Pacote. Única opção. Fonte: Autoria própria.

Assim como na questão 26, as questões 29 e 30 mostram que as bibliotecas não têm escolha, os modelos disponíveis para aquisição são únicos. Parece que, no contexto brasileiro, o mercado de livros eletrônicos não é regido pela clientela nem pela concorrência, mas

unicamente pela vontade dos vendedores. Isso já foi percebido pelos bibliotecários e é algo que os desagrada profundamente, como foi destacado pela biblioteca C: “O que mudou foi a imposição da editora na forma de compra, que a gente realmente teve que se render, por mais que isso me desagrade. E realmente me desagrada”.

A biblioteca D comentou sobre uma reunião que foi feita com algumas bibliotecas de Brasília para exigir algumas condições do vendedor. As bibliotecas que queriam algo em comum se uniram, aumentando o seu poder de negociação com os vendedores.

A biblioteca não pode ser passiva nesse ponto. A gente tem que passar a exigir o que a gente quer, e não só o que a empresa quer. Porque se deixar... pinta e borda. Não, a biblioteca tem que exigir. Até porque estamos montando um acervo digital. Temos que pensar em acervos digitais, em acervamento digital, não estamos pensando em só ter acesso. Que graça tem só ter acesso? Daqui a um ano pode cair e eu perdi todo o conteúdo? (BIBLIOTECA D)

Das dez bibliotecas, três selecionaram os livros por título (A, C e G) e em oito a seleção foi feita por pacote (B, C, D, E, F, H, I e J). Apesar de terem aparecido dois modelos de seleção diferentes, cada um dos vendedores costuma oferecer apenas uma opção, com exceção do caso da biblioteca C.

No que concerne à seleção, é interessante observar a declaração da biblioteca C sobre a base ClinicalKey da Elsevier. A empresa escolhe quais títulos fazem parte da base, e apenas podem ser adquiridos individualmente aqueles livros que não estão na base. Apesar de existirem as duas formas de seleção, quem decide como cada título pode ser adquirido é o vendedor.

Para lidar com seleção de livros eletrônicos o entrevistado da biblioteca C disse que a biblioteca continua selecionando seus livros por título, e se ele estiver dentro de um pacote, a biblioteca compra o pacote.

Então, por exemplo, por que compramos esse pacote? Porque esse aqui é um livro fundamental. Ele continua impresso, mas teria de comprar no mínimo 11 exemplares porque ele é um livro importante que sempre foi repetido [para todas as unidades da rede]. A editora não vende esses livros (de uns 5, 3 eram importantes) individualmente. Para comprar esses eu preciso comprar o pacote. Junto com o pacote vêm coisas que não me interessam, como livros de psiquiatria, dermatologia, emergência. Não é que eles nunca tenham sido acessados. Eventualmente um paciente pode ter um problema dermatológico e então a obra é acessada. Mas não é uma obra que eu compraria. Eu teria outras formas de atender a demanda eventual de um problema dermatológico em um paciente com um artigo de periódico ou algo assim (BIBLIOTECA C).

Mesmo que a biblioteca C precise comprar todo um pacote apenas por causa de um título ainda vale a pena, pois se fosse comprar a versão impressa seriam necessários muitos exemplares. Mas o ideal seria que a seleção pudesse ser feita por título.

Às vezes não há seleção alguma, nem pacotes divididos por assuntos. Ou a biblioteca compra a base completa ou não compra nada. Como foi mencionado pela biblioteca J, esse é o caso da Pearson, que vende apenas o bloco de biblioteca completo.

De acordo com Morris e Sibert (2011) os pacotes podem ser montados de acordo com vários critérios, como assunto ou disciplina, ano de publicação ou outros determinados pelo vendedor ou pela biblioteca. Nessa pesquisa a divisão por assunto era a mais comum, mas no caso da editora Fórum a divisão dos pacotes foi feita de maneira diferente. Eles dividiram os livros no que eles chamam de séries, e cada série inclui títulos diferentes que são atualizados automaticamente. Os títulos novos são incluídos nas novas séries. Então, nesse caso, a divisão parece ter sido feita pelo ano de publicação dos livros.

A pergunta “31. O vendedor oferece desconto para a compra de pacotes?” busca saber se há desconto na compra por pacote. Essa questão não se aplica às bibliotecas A e G. para as bibliotecas B, C, E, F, H e J esse desconto existe, e para as bibliotecas D e I não.

A maioria dos vendedores oferece o pacote como a única opção, então essa resposta, assim como a número 39, depende muito da percepção do entrevistado. Afinal, apenas existiria um desconto real se houvesse a opção de seleção por título. O entrevistado da biblioteca C percebeu isso: “Oferece. Apesar de não oferecer o título individual”.

A biblioteca C só conseguiu assinar apenas os dez periódicos da Wiley que interessavam a ela, ao invés dos 35 que pagavam, quando ameaçou cancelar todas as assinaturas. “A verdade hoje é que as bibliotecas ficam muito presas ao que a editora dita” (Biblioteca C). Apesar de esse ser um caso com periódicos, ele ilustra bem a luta que as bibliotecas precisam travar com os vendedores para adquirir apenas o que interessa a elas. Mais do que o desconto em pacotes caríssimos, muitas bibliotecas preferem a possibilidade de pagar apenas pelo que interessa a elas, selecionando os livros título a título. No mercado dos livros impressos é ilegal que um vendedor apenas te venda um livro se você também comprar outro, então porque isso é aceito no mercado de livros eletrônicos? Isto é denominado “venda casada” e é proibido legalmente pelo art. 39, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990). Ainda não existem leis específicas para o mercado de livros eletrônicos, mesmo assim é importante que as leis que existem sejam interpretadas corretamente, e que se evite que os maus hábitos se tornem a regra. Na biblioteca B, que é uma biblioteca grande, todo o processo de compra é bem dividido entre os seus setores. O setor de referência justifica o porquê da assinatura e a negociação é feita pelo setor de compras. Esse modelo parece pouco funcional para a aquisição de livros eletrônicos, onde todos os detalhes da seleção estão profundamente ligados à composição do valor final do produto.

A seleção de livros eletrônicos envolve muito mais do que apenas decidir quais títulos devem ser comprados e depois adquiri-los com quem oferecer o menor preço. Por isso, a lei de licitações (Lei 8.666/93) existente, juntamente com as cartas de exclusividade apresentadas pelas plataformas, precisam ser analisadas cuidadosamente para serem reformadas com urgência.

A biblioteca F relata outra situação recorrente na compra de materiais eletrônicos, que é a prática das empresas de oferecerem um desconto apenas na primeira compra ou no primeiro ano de assinatura. Depois, mesmo que a biblioteca continue comprando por pacotes, o preço aumenta, e com isso aumenta também o risco de ela não ter condições para renovar a assinatura. Para a biblioteca J, o desconto nos pacotes da Saraiva foi relacionado com o número de acessos adquiridos. A biblioteca pegou um número maior de acessos e por isso comprou a base inteira pelo preço do menor pacote, que é de 200 livros.

A questão “32. A biblioteca podia selecionar os títulos do pacote?” busca saber se a biblioteca teve a opção de escolher quais títulos iriam compor o pacote, ou se ele foi montado pelo vendedor.

Essa questão não se aplica às bibliotecas A e G, que não compraram por pacote. Fora a biblioteca J, todas as outras (B, C, D, E, F, H e I) não puderam escolher os títulos que iam compor o pacote.

A única plataforma que permitia selecionar os títulos dos pacotes era a Saraiva e, de acordo com a biblioteca J, o preço é dado em blocos de 200 livros. Mesmo assim a biblioteca decidiu comprar a base completa, pois cada biblioteca da rede possui necessidades diferentes e a seleção seria parcial. “Para nós é melhor pegar o montante total que atende todas, sem deixar ninguém de fora” (BIBLIOTECA J).

A seleção dos títulos que vão compor um pacote é uma maneira de permitir que a biblioteca escolha quais títulos ela vai levar, ao mesmo tempo em que permite a venda em bloco, com o oferecimento de descontos quando comparado com o preço de cada título. Assim, esse parece ser um modelo bom para vendedores e compradores, pois permite que o vendedor lucre com mais livros sem tirar o poder de escolha das bibliotecas.

O quadro 29 mostra as respostas da questão 33, que busca saber se mesmo com os títulos não desejados a biblioteca julga que o valor do pacote vale a pena.

Quadro 29 – O valor do pacote compensa os títulos não desejados?

33. O valor do pacote compensava os títulos não desejados?