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Chapter 3: Drilling automation tools

4.2 Modeling and models

4.2.3 Rheology and density model (Shifeng Tian, 2007) (SPE, IADC, 2014)

4.2.3.2 Rheology model

A análise da MMP-1 no epitélio de revestimento (Figura 3) demonstrou que todos os casos de gengivite e de periodontite exibiram positividade. Dos casos de gengivite, 30,8% tiveram marcação considerada fraca e 69,2% tiveram marcação forte. Dos casos de periodontite, 7,7% demonstraram marcação fraca e 92,3% exibiram forte marcação. Não houve diferença estatisticamente significante entre a marcação imuno-histoquímica para a MMP-1 entre os epitélios nos dois tipos de doença periodontal avaliadas (Tabela 4).

Tabela 4. Gradação da marcação imuno-histoquímica para MMP-1 no epitélio. Natal/ RN, 2006.

- + ++ Total

Gengivite 0 4 9 13

Periodontite 0 1 12 13

Total 0 5 21 26

Não houve diferença estatisticamente significante. Teste Mann- Whitney (p=0,30)

- = Marcação negativa + = Marcação fraca ++ = Marcação forte

No tecido conjuntivo gengival (Figura 4), a marcação imuno-histoquímica para a MMP-1 foi considerada positiva em todos os casos tanto de gengivite como de periodontite. Dos casos de gengivite, 53,8% tiveram marcação considerada fraca e 46,2% forte, enquanto que a expressão nos casos de periodontite foi fraca em 7,7% dos casos e forte em 92,3%. Esta diferença foi considerada estatisticamente significante (p=0,03) (Tabela 5).

Figura 3. Análise da marcação imuno-histoquímica para as MMP-1 no tecido epitelial de revestimento, onde em A é demonstrada uma marcação considerada forte (++) em B uma marcação considerada fraca (+) e em C ausência de marcação (-). (SABC, 200x)

Figura 4. Análise da marcação imuno-histoquímica para as MMP-1 no tecido conjuntivo, onde em A é demonstrada uma marcação considerada forte (++) em B uma marcação considerada fraca (+) e em C ausência de marcação (-). (SABC, 200x)

Tabela 5. Gradação da marcação imuno-histoquímica para MMP-1 no tecido conjuntivo gengival. Natal/ RN, 2006.

- + ++ Total

Gengivite * 0 7 6 13

Periodontite * 0 1 12 13

Total 0 8 18 26

* Diferença estatisticamente significante. Teste Mann-Whitney (p=0,03)

- = Marcação negativa + = Marcação fraca ++ = Marcação forte

Ainda com relação à MMP-1, a análise feita em cada um dos componentes celulares do tecido conjuntivo (Figuras 5, 6 e 7) mostrou que nenhum dos tipos celulares apresentou associação estatisticamente significante entre ele e o tipo de doença periodontal diagnosticado clinicamente (Tabela 6).

Tabela 6. Marcação imuno-histoquímica de cada tipo celular encontrado no tecido conjuntivo gengival para a MMP-1. Natal/ RN, 2006.

Fib End Linf Plasm Neutr Macrof Pr M Pr M Pr M Pr M Pr M Pr M Gengivite 13 12 13 13 13 7 11 11 3 3 5 5

Periodontite 13 13 12 12 13 9 11 10 1 1 11 11

Total 26 25 25 25 26 16 22 21 4 4 16 16 Em nenhum caso houve associação estatisticamente significante. Teste Exato de Fisher (p>0,05)

Fib = Fibroblasto; End = Células Endoteliais; Linf = Linfócitos; Plasm = Plasmócitos; Neutr = Neutrófilos; Macrof = Macrófagos

Pr = Número de casos em que a célula foi detectada

Figura 5. Análise da marcação imuno-histoquímica para as MMP-1 evidenciando um neutrófilo marcado (Setas). (SABC, 200x)

Figura 6. Análise da marcação imuno-histoquímica para as MMP-1 evidenciando células endoteliais marcadas (Setas). (SABC, 400x)

Figura 7. Análise da marcação imuno-histoquímica para as MMP-1 evidenciando plasmócitos (seta verde), linfócitos (seta vermelha), fibroblastos (seta preta) e macrófagos (seta azul) marcados. (SABC, 400x)

No epitélio, nenhum caso de gengivite apresentou marcação forte para a MMP-2, onde 84,6% dos casos exibiram marcação fraca e em 15,4% não houve marcação para a MMP-2. Na periodontite, 76,9% dos casos apresentaram marcação fraca e em 23,1% da amostra houve ausência de marcação. A diferença de marcação para a MMP-2 no epitélio não foi considerada estatisticamente significante entre os casos diagnosticados clinicamente como gengivite e como periodontite (Tabela 7).

Tabela 7. Gradação da marcação imuno-histoquímica para MMP-2 no epitélio. Natal/ RN, 2006.

- + ++ Total

Gengivite 2 11 0 13

Periodontite 3 10 0 13

Total 5 21 0 26

Não houve diferença estatisticamente significante. Teste Mann- Whitney (p=0,74)

- = Marcação negativa + = Marcação fraca ++ = Marcação forte

A análise da MMP-2 no tecido conjuntivo gengival nos casos diagnosticados como gengivite demonstrou marcação forte em 7,7% dos casos, fraca em 53,8% e em 38,5% dos casos ausência de marcação. Nos casos de periodontite não houve marcação forte em nenhum dos casos, 61,5% apresentaram marcação fraca e 38,5% não apresentaram marcação. Não houve diferença estatisticamente significante, na marcação para a MMP-2, entre os casos diagnosticados clinicamente como gengivite e como periodontite no tecido conjuntivo gengival (Tabela 8).

Tabela 8. Gradação da marcação imuno-histoquímica para MMP-2 no tecido conjuntivo gengival. Natal/ RN, 2006.

- + ++ Total

Gengivite 5 7 1 13

Periodontite 5 8 0 13

Total 10 15 1 26

Não houve diferença estatisticamente significante. Teste Mann- Whitney (p=0,85)

- = Marcação negativa + = Marcação fraca ++ = Marcação forte

Na análise da marcação da MMP-2 nos tipos celulares do tecido conjuntivo gengival, tanto na gengivite quanto na periodontite pode ser .verificada na tabela 9.

Tabela 9. Marcação imuno-histoquímica de cada tipo celular encontrado no tecido conjuntivo gengival para a MMP-2. Natal/ RN, 2006.

Fib End Linf Plasm Neutr Macrof Pr M Pr M Pr M Pr M Pr M Pr M Gengivite 13 9 13 8 13 4 12 11 2 0 11 8

Periodontite 13 6 12 5 13 4 12 9 3 0 11 7

Total 26 15 25 13 26 8 24 20 5 0 22 15 Em nenhum caso houve associação estatisticamente significante. Teste Exato de Fisher (p>0,05)

Fib = Fibroblasto; End = Células Endoteliais; Linf = Linfócitos; Plasm = Plasmócitos; Neutr = Neutrófilos; Macrof = Macrófagos

Pr = Número de casos em que a célula foi detectada

M = Número de casos em que houve marcação da referida célula

A análise imuno-histoquímica para a MMP-9 no epitélio, nos casos de gengivite mostrou que 30,8% dos casos não exibiram marcação para a MMP-9, 46,2% marcaram fracamente e 23,1% apresentaram marcação forte. Nos

espécimes de periodontite 23,1% tiveram marcação fraca e 76,9% apresentaram marcação forte. Foi encontrada diferença estatisticamente significante na marcação imuno-histoquímica para MMP-9, no epitélio, entre os espécimes de gengivite e os de periodontite (p=0,008).(Tabela 10).

Tabela 10. Gradação da marcação imuno-histoquímica para MMP-9 no epitélio. Natal/ RN, 2006.

- + ++ Total

Gengivite * 4 6 3 13

Periodontite * 0 3 10 13

Total 4 9 13 26

* Diferença estatisticamente significante. Teste Mann-Whitney (p=0,008)

- = Marcação negativa + = Marcação fraca ++ = Marcação forte

No tecido conjuntivo gengival, a MMP-9 esteve ausente em 38,5% dos casos de gengivite, estando fraca em 46,2% e forte em 15,4%. Nos casos de periodontite, 15,4% dos casos foram negativos, 30,8% exibiram expressão fraca e em 53,8% a marcação foi forte. Estes dados não resultaram numa diferença considerada estatisticamente significante entre os dois tipos de doença periodontal (Tabela 11).

Tabela 11. Gradação da marcação imuno-histoquímica para MMP-9 no tecido conjuntivo gengival. Natal/ RN, 2006.

- + ++ Total

Gengivite 5 6 2 13

Periodontite 2 4 7 13

Total 7 10 9 26

Não houve diferença estatisticamente significante. Teste Mann- Whitney (p=0,06)

- = Marcação negativa + = Marcação fraca ++ = Marcação forte

Os tipos celulares específicos do tecido conjuntivo gengival, analisados mostraram associação estatisticamente significante entre fibroblastos marcados para a MMP-9 e o tipo de doença periodontal diagnosticada clinicamente (p=0,04), o mesmo ocorrendo com os linfócitos (p=0,01). Nas demais células não houve associação estatisticamente significante (Tabela 12)

Tabela 12. Marcação imuno-histoquímica de cada tipo celular encontrado no tecido conjuntivo gengival para a MMP-9. Natal/ RN, 2006.

Fib End Linf Plasm Neutr Macrof Pr M Pr M Pr M Pr M Pr M Pr M Gengivite 13 3* 13 13 13 3** 13 11 1 1 12 11

Periodontite 13 8* 13 13 13 9** 13 12 0 0 12 12

Total 26 11 26 26 26 12 26 23 1 1 24 23 * Associação estatisticamente significante. Teste exato de Fisher (p=0,04) ** Associação estatisticamente significante. Teste exato de Fisher (p=0,01)

Nos demais casos não houve associação estatisticamente significante. Teste Exato de Fisher (p>0,05)

Fib = Fibroblasto; End = Células Endoteliais; Linf = Linfócitos; Plasm = Plasmócitos; Neutr = Neutrófilos; Macrof = Macrófagos

Pr = Número de casos em que a célula foi detectada

M = Número de casos em que houve marcação da referida célula

A análise estatística foi utilizada também para determinar se houve diferença, dentro de cada tipo de doença periodontal diagnosticada clinicamente, entre os tipos de MMPs objetos deste estudo.

Os resultados mostraram que na gengivite, tanto o tecido epitelial quanto o tecido conjuntivo apresentaram uma produção de MMP-1 significativamente maior que de MMP-2 e MMP-9 (Tabela 13).

Tabela 13. Média dos postos e significância estatística da marcação imuno-histoquímica para a MMP-1, MMP-2 e MMP-9 em gengivite. Natal/ RN, 2006.

MMP-1 MMP-2 MMP-9 p

Epitélio 28.42a 14,92b 16,65b 0,0013

Tecido Conjuntivo 27,19a 15,84b 16,96b 0,0093

Letras diferentes representam diferença estatisticamente significante para α=0,05 segundo pós-teste de comparação múltipla de Dunn

Na periodontite, tanto o epitélio quanto o tecido conjuntivo mostraram produções de MMP-1 e MMP-9 significantemente maiores que a de MMP-2 (Tabela 14).

Tabela 14. Média dos postos e significância estatística da marcação imuno-histoquímica para a MMP-1, MMP-2 e MMP-9 em periodontite. Natal/ RN, 2006.

MMP-1 MMP-2 MMP-9 p

Epitélio 28,00a 8,15b 23,84a <0,0001

Tecido Conjuntivo 24,38a 12,00b 23,61a 0,0033

Letras diferentes representam diferença estatisticamente significante para α=0,05 segundo pós-teste de comparação múltipla de Dunn

6 DISCUSSÃO

A doença periodontal inflamatória crônica, é uma das doenças mais prevalentes do nosso tempo, com tendência a se tornar cada vez mais prevalente, já que está provado que a sua ocorrência aumenta com a idade e a expectativa de vida da população mundial tem aumentado continuamente nos últimos anos (ALBANDAR, 2002; GJERMO et al., 2002; SHEIHAM; NETUVELI, 2002)

É referida desde 1977 pela American Academy of Periodontology, como duas doenças distintas, de acordo com a região do periodonto que atinge, denominadas gengivite ou periodontite (TODESCAN, 2001).

A gengivite, denominada atualmente como gengivite induzida por placa é definida como a inflamação crônica dos tecidos que fazem parte do periodonto de proteção, ou seja, a inflamação restrita à gengiva (ARMITAGE, 1999).

A periodontite é definida como o processo no qual a inflamação atinge os tecidos do periodonto de sustentação, levando à destruição progressiva do osso alveolar e ligamento periodontal. É classificada desde 1999 em três tipos distintos: a periodontite crônica, forma mais prevalente e caracterizada pela progressão lenta da destruição óssea; a periodontite agressiva, forma de periodontite caracterizada por uma progressão mais rápida da destruição periodontal devido à existência de uma microbiota mais virulenta, combinado a alguns fatores do hospedeiro ainda não totalmente estabelecidos e a periodontite como

manifestação de doenças sistêmicas, que abrange uma forma de doença

periodontal extremamente destrutiva, associada a quadros de doenças sistêmicas graves (ARMITAGE, 1999).

A patogenia da doença periodontal é classicamente descrita (GONÇALVES

et al., 2005; KINANE; LINDHE, 1999) como a periodontite sendo uma

conseqüência da gengivite, sendo as duas fases distintas da mesma doença que é a Doença Periodontal Inflamatória Crônica, ou, como chamaram Passanezi et al. (2005) para diferenciá-la das doenças que atingem o periodonto apical, de doença

maneira, sendo sempre referida simplesmente como doença periodontal, tendo uma fase inicial chamada Gengivite e uma mais avançada chamada de Periodontite.

Uma breve descrição dos principais eventos da patogenia da doença periodontal foi feita para que se possa posteriormente colocar os objetos deste estudo, as MMPs, como personagens chave em alguns dos processos.

A doença periodontal se inicia a partir da existência do chamado fator etiológico principal, que é o biofilme dentário (SOCRANSKY; HAFFAJEE, 2002; TODESCAN, 2001; WILLIAMS et al., 1992).

Em resposta aos agentes agressores liberados pelas bactérias existentes no biofilme, tem-se início, na gengiva marginal uma reação inflamatória aguda de baixa intensidade, mediada basicamente por neutrófilos com o intuito de combater os agentes patogênicos que entram em contato com a gengiva. Como as bactérias estão constantemente na cavidade oral, e mesmo após uma limpeza profissional, iniciando a formação de novo biofilme, este processo é comumente encontrado na gengiva, mesmo na gengiva considerada clinicamente sadia (SEABRA; SEABRA; BRITO, 2005).

Dessa forma, sempre há a presença do agente agressor mas sempre há o combate por parte do hospedeiro a estes agressores e o equilíbrio é mantido fazendo com que, diante de agentes periodontopatogênicos de baixa intensidade o combate seja eficiente e, apesar de histologicamente existir características de inflamação, esta não é detectável clinicamente pois é suficiente apenas para combater esta agressão de baixíssima intensidade.

Com o aumento da patogenicidade do agressor, pelo aumento da quantidade de biofilme ou por uma modificação na microbiota tornando-o mais virulento (SOCRANSKY; HAFFAJEE, 2002), ou modificação da resposta sistêmica ao agente agressor (ALBANDAR, 2002; BEZERRA et al., 2003), começa a ocorrer o desequilíbrio uma vez que o hospedeiro passa a não conseguir mais combater adequadamente a agressão.

O aumento na intensidade do processo inflamatório, com maior quantidade de células inflamatórias do tipo crônica (LINS, 2003), associado à dilatação vascular aumentando a permeabilidade dos vasos e à estase sanguínea, bem como à angiogênese para chegada de mais células de defesa fazem com que a gengivite passe a ser clinicamente detectável pela presença de edema e eritema gengival.

À medida em que a agressão vai se intensificando, a resposta também se torna mais intensa. Com isso, as células de defesa passam a abranger áreas maiores dentro do tecido conjuntivo gengival e a angiogenêse característica dos processos de reação de granulação se torna mais pronunciada.

Estes dois componentes citados acima, infiltrado inflamatório e angiogênese, para ocorrerem dependem da criação de espaços dentro do tecido conjuntivo gengival, que é um tecido com um grande componente fibroso na sua matriz extracelular (MEC). Este espaço é criado então às custas de degradação de matriz extracelular. Portanto, no momento em que se inicia o aparecimento de concentrações maiores de células inflamatórias no tecido conjuntivo (LINS, 2003), começando de forma peri-vascular e justa-epitelial, a destruição de matriz extracelular já deve estar presente. Consequentemente, quanto maior a inflamação, maior o componente tecidual permeado com células inflamatórias e atingido por formação de novos vasos, portanto maior a destruição da matriz extracelular (ALBERTS et al., 1997; SEABRA; SEABRA; BRITO, 2005).

Além da destruição tecidual, os tecidos gengivais e periodontais inflamados apresentam também queda no nível de produção de colágeno, o que acentua o desequilíbrio entre formação e destruição tecidual resultando em maior perda de matriz extracelular (KARIMBUX et al., 1998)

Quando o processo inflamatório no tecido conjuntivo gengival chega a tomar proporções suficientes para atingir o osso alveolar e ligamento periodontal subjacentes, a matriz extracelular óssea também passa a sofrer destruição, embora envolvendo mecanismos destrutivos adicionais em relação à matriz

extracelular gengival (BIRKENDAL-HANSEN, 1993; KINANE; LINDHE, 1999; MEYER et al. 1997).

Nesse momento, a doença passa a ser chamada de periodontite, embora, como foi descrito acima, seja a continuação da mesma doença periodontal inflamatória crônica.

Neste estudo não foi demonstrada associação com significância estatística entre a localização do infiltrado inflamatório, e o tipo de doença periodontal diagnosticada clinicamente (Tabela 2). Era de se esperar o contrário já que a localização predominantemente peri-vascular e justa-epitelial corresponde a um processo inflamatório considerado inicial enquanto que uma localização mais difusa, indica uma processo inflamatório mais abrangente e portanto mais avançado (LINS, 2003).

Também a associação entre o tipo de célula predominante no infiltrado inflamatório e o diagnóstico clínico de gengivite ou de periodontite não pôde ser estabelecido (Tabela 3). Este achado também é contrário ao que se encontra na literatura (GONÇALVES et al., 2005; KINANE; LINDHE, 1999) que relata que um dos sinais histológicos observados no tecido que indicam a progressão da doença periodontal de uma gengivite em estágio mais inicial para uma em estágio mais avançado ou mesmo uma periodontite já instalada é o aumento da proporção de plasmócitos no infiltrado inflamatório, chegando a atingir 50% da população celular encontrada no infiltrado.

Estes achados podem ser decorrentes do fato do diagnóstico de gengivite ou periodontite ser exclusivamente clínico e/ou radiográfico, ou seja, não importa para o diagnóstico quais eventos estejam ocorrendo no interior do tecido gengival nem os achados histológicos destes eventos, o que importa é se a perda óssea pode ser detectada clínica ou radiograficamente.

Deve-se considerar que uma biópsia para obtenção de uma gengiva em um paciente com periodontite pode ser executada durante uma exodontia de um dente condenado periodontalmente, que não passou pela fase do tratamento periodontal chamada procedimentos básicos, cuja função principal é reduzir ou

eliminar a inflamação gengival, ou durante um procedimento de Retalho de Widman Modificado, onde o dente em questão sofreu todos o tratamento periodontal básico.

Obviamente, é razoável assumir que os dois fragmentos gengivais com diagnóstico clínico periodontite são completamente diferentes histologicamente em relação aos estágios de lesão inicial, precoce, estabelecida ou avançada (GONÇALVES et al. 2005; KINANE; LINDHE, 1999). Portanto embora as amostras utilizadas neste estudo tenham sido diagnosticadas clinicamente como gengivite ou periodontite, isso não significa que os fragmentos contenham lesões histologicamente compatíveis com seus diagnósticos clínicos.

Os eventos destrutivos que ocorrem nos tecidos periodontais durante a doença foram durante muito tempo considerados de responsabilidade direta dos produtos liberados pelas bactérias do biofilme (GENCO, 1992).

No entanto, sabe-se hoje que a degradação da matriz extracelular, tanto em eventos fisiológicos quanto patológicos é mediada por uma classe de enzimas endógenas denominadas Metaloproteinases da Matriz ou MMPs (ALBERTS et al., 1997; MOTT; WERB, 2004; PEREIRA et al., 2005; SORSA; TJÄDERHANE; SALO, 2004; STERNLICHT; WERB, 2001; Van DYKE; LESTER; SHAPIRA, 1993)

As MMPs são uma classe de enzimas cuja função principal é exercer a degradação da matriz extracelular nos processos fisiológicos de formação e desenvolvimento tecidual, renovação da matriz extracelular e degradação para crescimento tecidual nos processos de reparo. Ou seja, têm a função de degradar o tecido sempre que necessário por algum processo fisiológico ou patológico (PEREIRA et al. 2005; Van DYKE; LESTER; SHAPIRA, 1993). De Souza et al. (2005) afirmam que as MMPs são capazes de degradar todos os componentes da matriz extracelular.

Portanto, é razoável assumir que estas enzimas também estão envolvidas na destruição tecidual observada na doença periodontal, degradando a matriz extracelular gengival e o componente orgânico do osso, o que significa que componentes do próprio hospedeiro, e não produtos bacterianos, são os principais

responsáveis pela degradação dos tecidos periodontais observada na doença periodontal (De SOUZA; LINE, 2002; REYNOLDS; MEIKLE, 1997; SORSA; TJÄDERHANE; SALO, 2004).

Para que a degradação da matriz extracelular seja perfeitamente controlada, não havendo degradação excessiva, vários mecanismos atuam na regulação, como hormônios, fatores de crescimento e os inibidores teciduais de

metaloproteinases (TIMPs) (BIRKENDAL-HANSEN, 1993). Por isso, algum fator

que desregule o equilíbrio entre degradação fisiológica e formação de matriz, resultando em renovação tecidual, deve atuar aumentando a produção e/ou ativação das MMPs ou inativando os seus inibidores (GRENIER; MAYRAND, 2001).

Vários fatores endógenos como TNF-α, IL-1 e PGE2, que são produzidos

dentro da gengiva principalmente por células inflamatórias, além de fatores exógenos como LPS bacteriano demonstraram exercer este papel (BIRKENDAL- HANSEN, 1993; De SOUZA et al. 2005; NISHIKAWA et al. 2002; WAHL; CORCORAN, 1993).

A MMP-1, ou Colagenase-1, foi demonstrada ser expressa por fibroblastos, monócitos, macrófagos e células epiteliais (HAAKE et al., 2004a) como também por plasmócitos, linfócitos e neutrófilos (SHIN et al., 2002). No presente estudo foi observada MMP-1 nas células do epitélio pavimentoso estratificado ceratinizado gengival, bem como nas células endoteliais, nos fibroblastos, linfócitos, plasmócitos, neutrófilos e macrófagos.

Assim como as outras colagenases, que são a MMP-8 (Colagenase-2) e a MMP-13 (Colagenase-3), a MMP-1 tem a capacidade de degradar o colágeno I, principal componente fibrilar estrutural do tecido conjuntivo gengival. (HALINEN et

al. 1996; LYNCH; MATRISIAN, 2002; STAMENKOVIC, 2000; WESTERMARCK,

KÄHÄRI, 1999).

Foi detectado por Kubota, T. et al. (1996), níveis aumentados da produção de RNAm para MMP-1, MMP-3 e MMP-8 em gengivas acometidas por doença

periodontal. Assim como redução de MMP-8 em gengivas acometidas por periodontite após tratamento periodontal básico.

A MMP-1 também mostrou ter sua produção estimulada por citocinas inflamatórias presentes na doença periodontal como a IL-1β (ALVARES et al., 1995) e TNFα (NISHIKAWA et al., 2002).

No presente estudo, foi demonstrado que, das três MMPs analisadas a MMP-1 se apresentou como a mais expressa na gengivite, tanto no epitélio quanto no tecido conjuntivo. Na periodontite a MMP-9 apresentou-se também significativamente mais expressa que a MMP-2 e com imunomarcação semelhante à MMP-1 (Tabelas 13 e 14).

A MMP-1, portanto, mostrou forte expressão tanto no epitélio quanto no conjuntivo desde estágios iniciais da doença periodontal até a periodontite permanecendo relativamente inalterada durante as várias fases da doença. Isso significa que a MMP-1 é uma das mais importantes enzimas de degradação tecidual em todos os processos da doença.

No tecido conjuntivo gengival, os casos de periodontite apresentaram uma expressão significativamente maior que os de gengivite (Tabela 5). Sendo identificadas marcações em fibroblastos, células endoteliais, linfócitos, plasmócitos, neutrófilos e macrófagos, sem haver associação significante entre a expressão de qualquer um destes tipos celulares e o tipo de doença periodontal diagnosticada clinicamente. Foi demonstrado no presente estudo que o tecido epitelial é uma importante fonte de MMP-1 na doença periodontal tanto na gengivite quanto na periodontite, uma vez que a expressão foi encontrada em todos os casos analisados, mostrando também que o epitélio gengival exerce o papel de produção de MMP-1 em todas as fases da doença (Tabela 4).

Estes dados mostram que em estágios mais avançados da doença periodontal a produção de MMP-1, uma das colagenases mais importantes da doença periodontal (KUBOTA, T. et al., 1996; MALDONADO et al., 2004), aumenta no tecido conjuntivo, embora permaneça relativamente inalterada no

tecido epitelial, uma vez que desde os estágios iniciais de gengivite esta expressão já se encontra elevada.

Isso pode significar que o tecido conjuntivo gengival só passa a ser uma fonte importante de MMP-1 nos estágios mais avançados da doença periodontal, que esta enzima pode exercer um papel importante na reabsorção óssea resultante dessa doença e que a produção de MMP-1 por este tecido pode ser crucial para a progressão da gengivite para periodontite.

Este dado está em acordo com Garlet et al. (2004) que detectou maior produção de MMP-1 em pacientes com periodontite crônica e agressiva que em pacientes sem periodontite e com Soell, Elkaim e Tenenbaum (2002) que